Sebastian Vettel

Verstappen, the flying dutch, em dia memorável!

Se a justificativa da chegada de Verstappen à equipe RBR foi controversa, os fins justificaram os meios. O Holandês, de apenas 18 anos conseguiu o maior dos resultados possíveis em sua estreia pela equipe austríaca: vencer o grande prêmio de Barcelona. Com tal feito, Max estabeleceu novo recorde ao tornar-se o piloto mais jovem a vencer uma corrida de F1.

Tal resultado era improvável e o próprio Verstappen pretendia apenas um pódio. Além da Mercedes ocupar a primeira fila, Max ainda tinha Daniel Ricciardo à sua frente. E Na sequência, os pilotos da Ferrari em busca de bons resultados para aliviar a pressão interna imposta por Marchionne. Se na teoria a probabilidade era mínima, na prática todas as combinações aconteceram para que a estrela de Verstappen pudesse brilhar.

Gosto da champagne na F1.

Gosto da champagne na F1.

O incidente entre Hamilton e Rosberg (que será analisado oportunamente) foi só o primeiro dos acontecimentos que possibilitaram a primeira vitória de Verstappen. Depois disso, Ricciardo e Vettel duelaram, em vão, pois no fim a disputa era apenas pelo terceiro lugar, já que as estratégias adotadas mostraram-se equivocadas. Some-se isso a a um circuito de poucos pontos de ultrapassagem.

Ao assumir a ponta, Max administrou bem o consumo de pneus e resistiu aos ataques não tão incisivos de Kimi Raikkonen… No fim do dia, Verstappen foi o grande vencedor. Ocupou o lugar mais alto do pódio. Parabéns!!!

A nós só resta contemplar esse que foi um grande feito. Agora a contagem é para a segunda vitória. Será que ainda vem nesta temporada?!

Improvável… Assim como a de hoje…

15/05/16.

RBR e sua postura questionável!

Semana passada, particularmente, recebi a notícia da troca de pilotos entre a Red Bull Racing e Scuderia Toro Rosso com certa surpresa. Não só com a mudança em si, mas, principalmente, pelos motivos apresentados.

Segue abaixo o pronunciamento oficial da RBR feito por Christian Horner:

Max tem provado ser um excepcional jovem talento. Sua performance na Toro Rosso tem sido impressionante até aqui e nós estamos contentes em dar a ele uma oportunidade para guiar pela Red Bull Racing. Nós estamos em uma posição única de ter todos os quatro pilotos da Red Bull Racing e Toro Rosso sob contratos de longo prazo com a Red Bull, então temos flexibilidade de movê-los entre as equipes. Dany (Kvyat) poderá continuar seu desenvolvimento na Toro Rosso, em uma equipe que ele tem familiaridade, dando-lhe a chance de recuperar sua forma e mostrar seu potencial“.

Estamos partindo para a quinta de vinte e uma etapas do campeonato (GP da Espanha), portanto no início daquela que será a temporada mais longa a história da Fórmula 1. Verstappen, que de fato parece ter um grande talento, mas longe de ser um piloto pronto, teve belas performances ano passado. Todavia, não deixou de cometer alguns erros típicos de quem está iniciando e não controla seu ímpeto.

Kvyat dar lugar a Verstappen na RBR.

Kvyat dar lugar a Verstappen na RBR.

Por outro lado, Kvyat, apesar de não ter mostrado ainda sinais de genialidade, ano passado conseguiu ficar à frente de seu companheiro de equipe, o ótimo piloto Daniel Ricciardo, e esteve no último pódio conquistado pela RBR no GP da China, corrida que antecedeu à da Russia na temporada atual. Importante ressaltar que, em 2015, embora Ricciardo tenha abandonado em três corridas e Kvyat em duas, o russo sequer largou no grande GP da Austrália. Logo, tal fator não deve ser levado em consideração quanto à vitória interna de Kvyat naquele ano.

Ademais, os incidentes entre Kvyat e Vettel não podem ser justificativa para a mudança de pilotos. Se na China as reclamações do alemão foram infundadas, há consenso de que o piloto russo teve culpa apenas no primeiro toque, durante a largada no GP de Sochi, por mais absurda que a segunda colisão tenha parecido num primeiro momento…

Não sei quem é mais ingênuo. Aqueles que acreditam na justificativa da Red Bull ou a própria equipe ao achar que tais argumentos seriam tidos como verdadeiros. Como dito acima, embora tenha ficado surpreso com a postura da equipe austríaca, isso não deveria acontecer. Os torcedores – eu inclusive – são em sua maior parte movidos pela paixão. Todavia, a Fórmula 1 também é um negócio e o interesse financeiro certamente prevalecerá.

Kvyat, hoje, sem motivos para sorrir.

Kvyat, hoje, sem motivos para sorrir.

A manobra da Red Bull, como já é sabido por todos, foi apenas para blindar o promissor Verstappen dos assédios de Ferrari e Mercedes. Se as justificativas apresentadas pela RBR fossem verdadeiras, é válido questionar por qual razão o holandês não já iniciou a atual temporada como titular, pois nesta ainda não repetiu as performances que, em certos momentos, chegaram a encantar os telespectadores.

Não precisamos ir muito longe. Para quem não se recorda, na primeira corrida do ano, Max Verstappen também colidiu com seu companheiro de equipe Carlos Sainz Jr. Tal fato só demonstra que a justificativa da RBR é contraditória. Segue abaixo o vídeo do incidente:

Com o passar do tempo, percebe-se que os princípios e filosofia adotados pela Red Bull Racing não são tão diferentes das demais equipes da categoria. Há muita expectativa para o desenrolar da situação. Óbvio que Verstappen pode aproveitar muito bem a oportunidade concedida. Contudo, há também a possibilidade de um cenário em que Max, embora aparente ter um futuro promissor, cause incidentes e Kvyat apresente boas performances e recupere a suposta forma perdida, como argumentado pela RBR.

Caso a última hipótese se confirme, haverá uma nova troca? Creio que não. Lamentavelmente, transparência e coerência nunca foram o forte da Fórmula 1. Pergunte a Bernie…

09/05/16.

Principal, coadjuvante ou vilão. Qual será o papel de Nico Rosberg em 2016?

Fala, pessoal…

Já faz um tempo, hein? 2015 não foi um ano muito ativo para o blog, mas tentarei fazer um 2016 diferente. Vamos ao que interessa…

Circunstâncias imprevistas – naturais quando se trata de corridas de automóvel, mas que nem sempre acontecem – tornaram o Grande Prêmio da Austrália interessante. A má largada de Hamilton, seguida da ótima de Vettel e a colisão envolvendo Gutierrez e Alonso trataram de trazer emoção ao GP. A vantagem construída por Vettel foi eliminada com a bandeira vermelha e por conta de um erro primário de estratégia da equipe italiana. Isso, somado à incompetência de Vettel que não ultrapassou Hamilton, mesmo estando com pneus melhores no fim da corrida, possibilitou a dobradinha da equipe Mercedes.

Está claro. Mercedes ainda à frente, como supunha-se e a Ferrari ligeiramente mais próxima. Apesar da vantagem alemã ter diminuído, para sagrar-se vencedora ao fim do ano, a Ferrari terá que trazer atualizações eficientes durante o decorrer da temporada. Algo não visto há um bom tempo. Mas isso é assunto para os próximos capítulos…

Em relação ao resultado da corrida, confesso que fiquei surpreso. Não esperava que Rosberg fosse ser o vencedor. Particularmente, imaginei um passeio do inglês. Pensei comigo: será outra temporada igual às duas anteriores. Bem, essa ainda é uma possibilidade e talvez a mais provável. Porém, se a Ferrari continuar com desempenho semelhante ou consiga melhorar, poderemos ter uma temporada bem interessante e Nico pode ter papel importantíssimo, quiçá surpreendente.

Nas duas últimas temporadas ele foi o coadjuvante. Fez um ótimo campeonato em 2014 e o título só foi decidido em Abu Dhabi, naquela corrida de final dramático. No ano seguinte, ele foi incapaz de acompanhar Hamilton, apesar de ter terminado muito bem. Entretanto, a equipe teve grande influência nesse ponto. A partir do momento em que o inglês assegurou seu terceiro título, ficou claro que o foco da Mercedes havia mudado. Lewis foi praticamente impedido de disputar a vitória nas demais corridas. A prioridade dada a Rosberg era velada, mas perceptível por conta da escolha de estratégias diferentes para seus pilotos. Todavia, naquele momento, uma conduta mais do que compreensível da equipe alemã. Ademais, a postura “baladeira” do inglês não estava agradando, pode ter sido um aviso a ele, mas num momento bem conveniente. Enfim…

Disputa ao longo da temporada?

Disputa ao longo da temporada?

o papel de vilão, mais improvável, se daria caso a disputa ficasse entre Hamilton/Vettel e Rosberg assumisse a postura de não ajudar seu companheiro. Esta possibilidade, na qual deixo claro não crer, não seria tão nova para o alemão da Mercedes. Naquela ocasião a disputa era direta, mas Nico recebeu tal rótulo após o incidente de SPA em 2014. Inúmeras foram as vezes que recebeu vaias durante as solenidades de pódio nas corridas que se seguiram. Contudo, é muito improvável que deixe de ajudar Hamilton, caso não esteja na luta pelo campeonato.

Por fim, o mais desejado: o papel principal. Para assumi-lo, Rosberg terá de se reinventar, fazer algo que não fez nas últimas duas temporadas. Primeiramente terá de vencer a disputa interna. Ele já venceu algumas batalhas, mas nunca o suficiente para ganhar a guerra. A conquista da primeira etapa do ano foi apenas o primeiro, mas quem sabe um grande passo.

Ainda na primeira metade de 2014, Hamilton afirmou que tinha mais fome de título. É hora de mostrar que o inglês está equivocado. Desculpar-se por ter jogado duro na largada, ainda que não tenha sido a intenção, não é compatível com a postura de quem quer ser campeão. Quantas vezes Hamilton desculpou-se em 2015? Não me recordo… Infelizmente o campeão precisa ser mau em algumas/várias ocasiões.

Se o diabo mora nos detalhes, na Fórmula 1 esse ditado, inclusive de origem alemã, ganha ainda mais força. Num esporte de tão alta performance, tudo é levado em consideração. Chances não poderão ser desperdiçadas. Um, dois décimos de segundo é o suficiente para separar o campeão do restante. A diferença de performance entre os pilotos da Mercedes não é tão grande. Hamilton pode ser um piloto melhor, mas não é imbatível.

Em Melbourne, o nº 2 da Mercedes foi o que mais beneficiou-se das circunstâncias. Hamilton largou mal, Kimi abandonou, a Ferrari errou a estratégia e pela disputa da segunda colocação Vettel não conseguiu ultrapassar Lewis, apesar de estar em melhores condições naquele momento. Com a Ferrari próxima, o alemão que guia pela escuderia italiana deve embaralhar a disputa. Além de desejar bastante, Rosberg terá de tirar proveito dessa circunstância.

E se a disputa for realmente apertada, logo Toto Wolff mudará esse discurso de liberdade dos pilotos. Alguém será priorizado. Hamilton é o nº 1 por inúmeras razões (talento, investidores etc), mas não podemos dizer que ele não merece.

Não há segredo, Rosberg terá de fazer por merecer…

22/03/2016.

Hamilton precisa se preocupar?!

Que reviravolta! O Grande Prêmio de Mônaco já estava se encaminhando para um dos mais chatos dos últimos tempos. Apesar de ser um circuito que proporciona pouquíssimas ultrapassagens, há sempre alguém que busque a ousadia para tentar mostrar seu talento e geralmente passa da dose. É aí que o jovem Max Verstappen entra…

Tido por muitos como um fenômeno do automobilismo, o que acho exagerado para o momento, o ainda promissor holandês resolveu passar dos limites e acertar Romain Grosjean numa manobra imprudente e que gerou uma punição de perda de cinco posições para a próxima corrida. Resultado? Trouxe o já aguardado safety car e com ele emoção para o GP de Mônaco.

Deveria ter sido um fim de semana de pura alegria para Hamilton, perfeito, eu diria. Dias atrás, houve o anúncio da renovação de seu contrato com a atual melhor equipe. No sábado, sem nenhuma “artimanha” de seu companheiro como em 2014, a pole veio naturalmente. Largando na ponta em Mônaco com o melhor carro, a vitória estava praticamente assegurada. Estava… Um erro na estratégia custou o êxito do inglês no principado. Essa foi a segunda derrota que Lewis teve na temporada por conta de um equívoco da equipe.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Sobre o erro de estratégia, logo após a corrida, o jornalista Tobias Gruener (@tgruener, no twitter) informou que Lauda havia deixado escapar que o bicampeão estava reclamando dos pneus e questionou a equipe se não deveria parar. Ele liderava a corrida com larga vantagem, mas não o suficiente para trocar pneus e voltar à frente de seus rivais. Piloto e engenheiros conversaram e resolveram realizar a parada. A equipe calculou errado. Lewis voltou e terminou a corrida em terceiro. Segunda vitória consecutiva de Nico Rosberg nesta temporada e a terceira seguida em Mônaco, colocando seu nome de vez na história do principado.

Hamilton disse que a culpa era dividida, mas não dá para negar que a parcela de erro maior foi de seus engenheiros. Talvez pela monotonia da corrida, o inglês reclamou durante a corrida toda, apesar de aparentemente não haver motivo para tanto. No momento crítico da corrida fez mais reclamações e seu engenheiro deve ter dito: ok, get into the pit, motherfucker!

Brincadeiras à parte, seu staff deixou a desejar. Por mais que Lewis tenha sido insuportável, não havia razão para somente ele realizar troca de pneus, mormente quando ninguém mais entraria no box e diante de uma margem tão apertada de tempo. Lewis era o primeiro colocado guiando o melhor carro num circuito de dificílima ultrapassagem. Não havia razão para somente ele trocar pneus. Toto Wolff atribuiu o equívoco à mudança do safety car virtual para o real. No fim das contas, o erro da equipe foi grotesco!

Ademais disso, duas coisas chamaram atenção. A primeira foi o fato de Niki Lauda não mais esconder sua decepção quando Hamilton tem um resultado ruim. Apesar de ocupar o cargo de diretor não executivo na equipe Mercedes, para ele apenas as vitórias de Lewis interessam. A outra foi a postura de Hamilton durante o pódio. Sua frustração era aceitável, a falta de desportividade não. Ele, talvez de forma inédita, – não me recordo de outra situação igual – recusou-se a estourar o champagne, deu meia volta e foi embora. Até brinquei nas redes sociais, questionando o que diriam se fosse Fernando Alonso o protagonista de uma cena daquelas. Mas tudo bem. Vida que segue, o resto da corrida vocês sabem…

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Mas até onde Hamilton tem com o que se preocupar?

Agora Lewis tem contrato com a Mercedes até o fim de 2018. Embora a categoria passe por mudanças no regulamento para a temporada de 2017, não há razão para acreditar que a equipe alemã deixará de ser competitiva até o fim de seu vínculo… A Ferrari cresceu, mas não o suficiente. Red Bull e Williams andaram para trás. Sobre a McLaren não é preciso tecer comentários. Todas essas e demais rivais terão de vir com soluções mágicas para voltar a brigar pelo título, enquanto a Mercedes aguarda de camarote, mas sem ficar inerte.

De fato, se há algum piloto que pode ameaçar Hamilton, digo e repito, esse alguém é Nico Rosberg. Vejo muitas críticas ao alemão, mas o trabalho que ele faz é magnífico. Acompanhar de perto um companheiro do quilate de Lewis merece reconhecimento e respeito. Apesar de o inglês ser melhor, tudo indica que ele não terá tanta facilidade em sua busca pelo terceiro título como era pensado. Novamente, teremos a batalha entre o talentoso e o “trabalhador”. Exemplos no esporte não faltam em que a dedicação e trabalho duro venceram o dom natural mal aproveitado.

Por mais que Rosberg não facilite a vida de Lewis, é difícil de acreditar que o inglês não se sagre tricampeão no fim do ano. Inclusive, arrisco a dizer, pelos motivos supramencionados, que ele já desponta como o grande favorito para 2016. Óbvio tudo isso requer certa parcimônia. Já falei em outros posts que Hamilton mostrou grande evolução, principalmente no quesito maturidade. Em 2014 ele passou por situações de grandes adversidades, mas no final reverteu. Caso não venha a fraquejar, a aposta fica fácil. Ele não pode se dar ao luxo de titubear, pois outro receberá as láureas e será tão merecedor quanto.

Se uma vitória improvável cai bem, imaginem um título…

25/05/15.

Prévia – GP do Bahrein: Corrida aberta, qual o seu palpite?

Ontem não foi possível fazer um post sobre a classificação, então faço esse de último momento, a poucas horas do início da corrida. Estamos na quarta etapa do campeonato e a hegemonia da Mercedes está em perigo. Embora a Ferrari ainda não esteja no mesmo patamar da equipe alemã, já demonstrou que tem potencial para alcançá-la e vencer corridas é um objetivo palpável.

Na primeira colocação, nenhuma novidade, Hamilton cravou a quarta pole seguida. Eu não me surpreenderia se o inglês quebrasse o recorde de pole positions consecutivas, que ainda pertence a Ayrton Senna com oito. A título de curiosidade, essa foi a primeira de Lewis neste circuito… Entretanto, novamente, todas as atenções se voltam para um certo tetracampeão. Pela segunda vez no ano, Sebastian Vettel conseguiu ficar entre os pilotos da Mercedes.

Ameaça real?

Ameaça real?

A primeira ocasião foi em Sepang, naquela classificação a diferença para Hamilton foi de apenas 74 milésimos, mas na corrida Vettel levou a melhor. Já nesta, a diferença ficou por volta de quatro décimos. Por sua vez, Nico Rosberg conseguiu apenas a terceira colocação, ficando a mais de meio segundo da pole e afirmou que além de ter usado a estratégia equivocada, subestimou seu compatriota. Segundo ele, tentou preservar um pouco os pneus para a corrida, mas a sua vantagem é mínima:

A desvantagem é grande em ser terceiro. Eu tenho melhores pneus, mas é pouco, a diferença não é grande, portanto a terceira colocação não é boa. Eu subestimei a velocidade de Sebastian e também o quanto me custaria aliviar nos pneus durante o Q2, com os quais eu iniciarei a corrida. Eu não tive ritmo e foi onde errei hoje. Sair em segundo seria diminuir o prejuízo, mas em terceiro realmente não é o ideal.”

A Mercedes está atenta à Ferrari. Realizou mudança no set-up de seus carros na sexta-feira, mas a nova configuração não foi totalmente testada. Apesar da imprevisibilidade, Toto Wolff acredita que estão na direção certa, o que consequentemente trará êxito ao final:

Nós corrigimos algumas coisas, olhando para déficit que tivemos na sexta. Mas não tivemos tempo suficiente para testá-las apropriadamente, pois as mesmas condições noturnas não se repetiram. Acredito que fizemos os ajustes certos para colocar o pneu na ‘janela’ correta, mas a verdadeira prova teremos domingo à noite. É arriscado, mas o que fizemos não foi adivinhação. Ter os pneus e set-up nas melhores condições possíveis foi baseado em engenharia, a partir de uma abordagem científica, mas, novamente, domingo à noite veremos

Na Malásia, diante de circunstâncias imprevisíveis, pudemos creditar todo o mérito a Vettel de se classificar em segundo, porém a situação no Bahrein é um pouco diferente. Não que ele não mereça o crédito, provavelmente deve ter feito o seu melhor. Todavia, a diferença de tempo entre Hamilton e Rosberg – 0,5s o que é abissal na F1 – sugere que o alemão da Mercedes tinha plenas condições de ocupar a segunda posição. Óbvio que o tetracampeão não tem nada a ver com o ritmo de treino escolhido por seu compatriota, mas ainda que Vettel largasse em terceiro, suas esperanças de vitória estão depositadas num melhor ritmo de corrida.

Relembre os melhores momentos do Grande Prêmio do Bahrein de 2014. Que corrida!

Confesso que fiquei surpreso com a declaração de Rosberg. Apesar de partir da terceira posição, Nico estará do lado limpo, o que lhe dá certa vantagem, basta que largue bem. Seria algo absolutamente normal se ele assumisse a segunda posição logo na primeira curva. Digo mais, se Vettel conseguir uma boa largada, Hamilton terá que se defender e uma brecha se abriria para que Rosberg assumisse a ponta. Porém, não me lembro de uma largada forte do atual terceiro colocado no mundial de pilotos. Enfim…

Em poucos instantes confirmaremos se o ritmo de corrida da Ferrari é ameaçador. Em caso positivo, a Mercedes terá motivos mais do que suficientes para se preocupar. O circuito de Sahkir é muito exigente e serve de parâmetro para toda a temporada. Os carros que mostram bom desempenho no Bahrein tendem a ir bem nas demais etapas. Tudo ficaria aberto e, como mencionado em post anterior, dependeria da capacidade de desenvolvimento de cada equipe, com a escuderia de Maranello tornando-se uma real ameaça ao título.

Espero que o Grande Prêmio do Bahrein seja, no mínimo, parecido com a corrida do ano passado. Ingredientes não faltam. Embora não haja previsão de chuva, as estratégias adotadas desempenharão um grande papel na definição do vencedor.

Falta pouco! Qual o seu palpite?

19/04/15.

As vantagens da dupla Vettel e Raikkonen.

Já estamos diante da terceira etapa do campeonato: o GP da China. Pela terceira vez consecutiva, teremos que madrugar para assistir à corrida. E há muita expectativa em torno dela por conta do resultado surpreendente da Ferrari na Malásia.

Se houve erro de estratégia da Mercedes ou não, pouco importa. Em apenas sua segunda corrida, Vettel conseguiu sua primeira vitória pela escuderia italiana. É a realização de um sonho e mostra o quão afortunado é o alemão. Depois de uma temporada para esquecer em 2014, o tetracampeão vence pela equipe em que seu ídolo e compatriota, Michael Schumacher, marcou época.

Por sua vez, seu companheiro Raikkonen conseguiu um quarto lugar, mesmo tendo passado por vários percalços. O finlandês, que também não teve uma temporada fácil no último ano, parece sentir-se confortável guiando o atual carro. Na Malásia, foram dois grandes resultados, os quais mostram quanto o SF15-T foi muito bem concebido pelo competente James Alisson. E isso não é uma “mera coincidência”.

O "nº 1" realmente está de volta?

O “nº 1” realmente está de volta?

Para quem não se lembra, Kimi, que havia deixado a categoria no fim de 2009 para disputar rally, retornou em 2012 como piloto da Lotus. Na sua volta, o campeão de 2007 apresentou performances notáveis para quem estava longe da F1. Naquele ano, Raikkonen ficou em terceiro lugar no mundial, tendo somado um total de 207 pontos.

E quem era o responsável pelo carro da Lotus? O mesmo James Alisson!

O SF15-T mostrou-se bem mais estável que seu antecessor e, como visto em Sepang, causa pouco desgaste nos pneus, o que possibilitou a estratégia de uma parada a menos do que a Mercedes naquela corrida. Tais características casam-se perfeitamente com os estilos semelhantes de pilotagem de Vettel e Raikkonen, algo que talvez não seja visto nas outras duplas do grid.

Amizade na Fórmula 1.

Amizade na Fórmula 1.

Some-se isso ao fato de que os pilotos da Ferrari possuem um ótimo relacionamento. Consideram-se amigos, algo incomum no meio. Veja-se o exemplo de Hamilton e Rosberg, que praticamente cresceram juntos, mas se desentenderam ano passado. Embora os pilotos da Ferrari ainda não tenham passado por um teste semelhante, particularmente não creio que o nível de desgaste chegaria àquele ponto.

A título de curiosidade, em 2013, numa rápida e até certo ponto curiosa entrevista, o finlandês, que provavelmente é o piloto mais reservado do grid, classificou Alonso e Hamilton como “pilotos” e chamou Schumacher como “velhote”, porém, quando perguntado acerca do alemão, definiu-o como “amigo”. Para quem ainda não assistiu, segue abaixo o vídeo:

Ao que tudo indica, a Mercedes ainda continua com certa vantagem em relação às demais equipes. Entretanto, uma vez que o carro da Ferrari mostrou-se competitivo, um programa de desenvolvimento bem direcionado pode fazer com que a escuderia de Maranello brigue efetivamente pelo título. A dupla – e não apenas um piloto – seria beneficiada com as inovações trazidas ao longo da temporada.

Com a vantagem de ter ambos andando próximos, consegue-se algo fundamental na disputa dos dois campeonatos (construtores e pilotos). Um companheiro de equipe forte torna-se grande aliado ao tirar pontos dos verdadeiros rivais. Algo que não foi visto nestes últimos anos na equipe italiana…

11/04/15.

GP da Malásia 2013: Multi 21, o dia em que a farsa da RBR acabou.

Chegamos a segunda etapa do campeonato, o Grande Prêmio da Malásia, geralmente marcado por corridas emocionantes, devido à instabilidade do tempo. Resolvi falar da corrida de 2013, pois à época este blog não estava no ar, mas sempre me recordo do incidente do Multi 21 que envolveu a equipe RBR e seus respectivos pilotos, naquela ocasião Mark Webber e Sebastian Vettel.

Coincidentemente é o segundo texto consecutivo que abordo sobre a RBR, mas deixo claro que não tenho nada contra a equipe austríaca. A crítica feita no post anterior foi justamente por conta da decepção que tive ao perceber que a Red Bull, a princípio, não ameaçará a hegemonia da Mercedes. Consequentemente não disponibilizará um carro competitivo para Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat mostrarem seu potencial. Servindo de paliativo, a Ferrari parece ter crescido a ponto de ameaçar a pole de Hamilton na prova que será disputada neste fim de semana…

Voltando ao assunto.

A RBR sempre vendeu aos fãs a falsa ideia de que deixava seus pilotos disputarem na pista sem qualquer intervenção, ou seja, sem fazer uso das controversas ordens de equipe. Do ponto de vista do marketing, isso foi ótimo, já que a equipe ficou com a imagem de “mocinho”, enquanto a Ferrari já fazia papel de “vilão” há muito tempo. Caso não se recorde do episódio, relembre a disputa:

Mas por que eu considero aquele “incidente” uma farsa?

Ora, desde sempre o primeiro piloto da equipe era Vettel. O alemão sempre foi favorecido. Em 2010, quando a equipe apareceu como grande favorita a conquista do título, que veio a se confirmar no fim da temporada, a RBR deixou claro quem era seu piloto nº 1. No grande prêmio de Silverstone daquele ano, a equipe estreava uma nova asa dianteira e havia somente duas delas para aquela corrida, ou seja, uma pra cada piloto.

Durante aquele fim de semana, nos treinos livres, Vettel quebrou a sua. O que aconteceu? Ele recebeu a nova que, em ntese, era do australiano, que correu com o carro desatualizado, mas acabou vencendo a corrida, comemorando com uma frase que traduzia uma irônica realidade: “nada mau para um segundo piloto”.

No grande prêmio da Malásia de 2013, Vettel estava consolidado na categoria, pois já havia conquistado três títulos mundiais. Ainda assim, era forte a imagem da RBR no que dizia respeito à liberdade dos pilotos disputarem sem interferência. Naquele dia, desde o início da corrida, a estratégia diferente adotada para os pilotos despertou minha atenção: a de Vettel era nitidamente melhor.

O alemão terminaria a corrida com pneus macios, portanto mais rápidos, enquanto Webber faria o último trecho com compostos duros. No entanto, a Red Bull não contava com um certo fator: Webber fez uma das suas melhores corridas. Apesar de todas as tentativas da equipe e de ter sido por muito pouco, Vettel saiu atrás de seu companheiro após a última parada nos boxes.

Naquele momento, a vitória de Vettel já era certa, pois ele estava com pneus macios e não teria maiores dificuldades para ultrapassar Mark Webber, o que acabou acontecendo. Ocorre que a equipe já havia dado a ordem para os pilotos manterem as posições, independentemente de o alemão ter um carro mais rápido nos momentos finais da corrida. O desfecho todos se recordam. O então tricampeão desobedeceu a equipe e venceu o grande prêmio.

A ordem foi dada através de um código. Ambos haviam recebido o recado para ajustar o mapeamento para “Multi 21”. Um código que significava que os pilotos deveriam manter as posições. Há outro vídeo no youtube que transcreve as mensagens de rádio naquele dia. Chega a ser constrangedor, como também fora a celebração do pódio (http://tinyurl.com/op3qhf8).

Webber manda um "oi" para Vettel.

Webber manda um “oi” para Vettel.

Particularmente, em regra, não vejo problema no fato de qualquer equipe favorecer um de seus pilotos, principalmente quando apenas um deles poderá ser o campeão. Obviamente que há situações diferentes, quando uma escuderia impõe tamanha vantagem, na qual não se justifica a sua intervenção, mas isso é exceção. Portanto, não há razão para criticar a opção da equipe por Vettel, muito menos o fato dele ter desobedecido a ordem e ter abocanhado mais uma vitória.

Minha critica sempre foi em relação à equipe, pois a RBR tentou vender algo que não era (na verdade nunca foi). Apesar disso ser algo nítido, principalmente aos olhos de quem tem o papel de nos fazer enxergar a realidade, muitos jornalistas especializados no assunto compraram a ideia do time austríaco e venderam-na aos telespectadores. A suposta filosofia da Red Bull foi festejada por muito tempo. Mais uma vez, a transparência mostrou ser exceção na Fórmula 1.

Agora estamos em 2015. Apesar da Mercedes ter conseguido a pole position, novamente todos os olhos se voltam para o tetracampeão Vettel, que conseguiu um grande resultado ao ficar entre Hamilton e Rosberg. Aguardemos o desenrolar de mais um Grande Prêmio da Malásia.

A largada será imperdível.

28/03/2015.

Sebastian Vettel segue os passos de Schumacher.

Depois da notícia bombástica da saída de Fernando Alonso da Ferrari, outra parece ter chocado ainda mais quem acompanha a Fórmula 1: Sebastian Vettel será o seu substituto. A notícia pegou a todos de surpresa, já que o mais cotado para ocupar o lugar do espanhol era o jovem Jules Bianchi, o que até faria mais sentido, pois a equipe de Maranello ainda ficaria com Raikkonen. Outros nomes foram ventilados, como os de Hulkenberg e Grosjean.

Analisando-se o cenário atual, a decisão da Ferrari faz todo sentido. A equipe italiana passa por uma reformulação drástica. Já deixaram a equipe Stefano Domenicali, Luca Marmorini e até o poderoso Luca Di Montezemolo. A morte de Emilio Botin, ex-presidente do Banco Santander, não foi uma perda direta, mas causou forte impacto.

A equipe quer voltar a ganhar, mas parece saber que a curto prazo isso não será possível. Alonso já tem 33 anos e muita pressa. Portanto, Vettel, com 27 anos e já quatro títulos, parece ser a melhor aposta.

Repetirá o sucesso?

Repetirá o sucesso?

Em um passado não tão distante outro alemão deixou de assinar com a McLaren e aceitou o desafio de tentar trazer de volta a Ferrari aos dias de glória, depois de conquistar seu bicampeonato pela Benetton. Na época, as regras eram distintas das atuais, pois era permitido treinar, modificar o motor etc. Mesmo assim, em sua quinta temporada pela equipe, Michael Schumacher teve sucesso em sua empreitada e o resultado todos sabem.

Agora a história se repete. Após ganhar quatro títulos com a Red Bull, Vettel aceita o desafio de correr pela Ferrari. E o momento é bem mais oportuno do que aquele vivido pelo heptacampeão. Já se fala em alteração nas regras de congelamento do motor. Some-se isso, ironicamente, às mudanças solicitadas pelo próprio Alonso, como as contratações dos competentes James Allison e Dirk de Beer.

#KeepFightingMichael

#KeepFightingMichael

Comenta-se que a Mercedes ainda conseguirá manter a superioridade para a temporada de 2015, mas que a partir de 2016 a Ferrari e, provavelmente, a McLaren-Honda poderão desafiar a equipe alemã em condições de igualdade. A essa altura, Vettel já estará familiarizado com o novo ambiente que ocupará. Portanto, o acerto da sua ida já no próximo ano é essencial para sua adaptação e desenvolvimento do novo projeto da Ferrari.

Mesmo encontrando um cenário menos caótico do que aquele da época de Schumacher, a tarefa de Vettel continua árdua. O jovem alemão não faz uma boa temporada e está sendo ofuscado por Ricciardo, a ponto de seu talento ser questionado no paddock. Aceitar o desafio de correr pela Ferrari foi algo corajoso de sua parte e, de certa forma, inteligente, já que um dos grandes responsáveis pelo sucesso da RBR, se não o maior, Adrian Newey, está praticamente de saída da categoria.

Só resta aguardar as cenas dos próximos capítulos. 2015 é logo ali.

04/10/14.

GP de Cingapura: corrida vital para as pretensões de Hamilton.

A classificação do Grande Prêmio de Cingapura foi a mais emocionante da temporada até então. Apesar de a hierarquia habitual ter se mantido no fim, ainda não tinha havido um Q3 tão imprevisível. A Mercedes recebeu ameaça direta da Red Bull, Williams e Ferrari, porém assegurou a primeira fila com Hamilton na pole position, mas apenas a sete milésimos de Rosberg.

Sem dúvida, largar em primeiro, em um circuito travado como o de Cingapura, significa grande vantagem. Mesmo cometendo um erro em sua volta lançada, Hamilton cravou o primeiro lugar do grid. Entretanto, das seis etapas que lá ocorreram, o inglês coleciona algumas más memórias.

Se nas duas primeiras corridas disputadas em Cingapura (2008 e 2009), o inglês conseguiu ótimos resultados – um segundo lugar e uma vitória, respectivamente – no ano de 2010, temporada em que já poderia ter se tornado bicampeão, envolveu-se em um incidente com MarK Webber e abandonou a corrida. Naquela ocasião, o australiano que corria pela RBR ainda completou o pódio. Relembre:

Já em 2011, conseguiu um modesto 5º lugar, mas não sem antes se envolver em outra colisão, dessa vez com Felipe Massa. Após a corrida, o brasileiro foi tirar satisfações quando Hamilton dava entrevista, em uma cena até certo ponto hilária (caso não se recorde, basta ver o vídeo abaixo, que inclui outros incidentes). Na temporada seguinte, novo abandono, mas nesta ocasião por problemas no câmbio. Por fim, em 2013, novamente a 5ª posição.

É certo que ao conseguir a pole, Hamilton deu um grande passo para a conquista de sua segunda vitória em Cingapura, mas o primeiro lugar do grid pode não vir a ser um fator tão determinante. As variáveis para esta corrida são muitas. Os rivais mostraram-se mais próximos do que nunca e a possibilidade de haver Safety Car é altíssima. Some-se ainda o fator da estratégia, que deverá exercer um papel de suma importância. Ingredientes para um corrida emocionante. Pelo menos, é o que se espera.

Além de Rosberg, Hamilton terá de lidar com Ricciardo, Vettel, os dois pilotos da Williams e Fernando Alonso, que não esconde o desejo de chegar ao pódio, mesmo largando na quinta posição:

Normalmente, perdemos terreno na classificação. Mas isso não aconteceu hoje, permanecemos competitivos também nela, a dois décimos da pole position, o que é meio que uma grande surpresa para nós. Estou muito contente e espero que amanhã tenhamos oportunidade de correr com os líderes, algo que não fizemos muito este ano… Temos de cruzar a linha de chegada. Se fizermos isso, acho que o pódio é possível, pois temos ritmo e provavelmente uma boa degradação de pneu.”

Atualmente, a vantagem do líder Rosberg é de 22 pontos. Depois desta corrida, ainda restarão mais cinco etapas, lembrando que em Abu Dhabi, última a ser disputada, a pontuação será dobrada para o vencedor. Todavia, um resultado ruim de Hamilton neste grande prêmio pode colocar o alemão com uma mão na taça.

Óbvio que tudo pode acontecer, inclusive a retomada da liderança por parte do inglês, até porque Hamilton guia o melhor carro do grid e está em ótima forma. Ocorre que, ao levar-se em conta as últimas corridas, o cenário não lhe é muito favorável, ainda mais com a possibilidade de disputas acirradas, onde o mínimo erro pode levar ao muro.

Trata-se de uma etapa que é sempre acompanhada de grandes surpresas. O Cingapuragate que o diga.

20/09/14.

Dança das cadeiras ainda depende de Fernando Alonso.

Como em toda temporada, à medida em que o Grande Prêmio de Monza se aproxima, as especulações tomam conta do paddock. Já não é segredo que a McLaren quer a todo custo ter como piloto Fernando Alonso. Caso não consiga contar com o espanhol, a equipe britânica tentará contratar Sebastian Vettel. Ambos têm compromissos com suas equipes, sendo que o primeiro tem contrato até 2016 e o segundo até o fim da próxima temporada.

Alonso é tido, por imensa maioria, como o melhor piloto do grid e sua capacidade é inquestionável. Mesmo não sendo aquele de sua preferência, Ron Dennis cedeu às exigências da Honda de tentar tê-lo novamente na McLaren. Algo que chama atenção é o fato de Lewis Hamilton, “cria” de Dennis e motivo pelo qual Alonso deixou a equipe de Woking no fim de 2007, após aquela conturbada temporada, não estar entre os preferidos (é apenas a terceira opção), pois seu contrato com a Mercedes também vai até o fim do próximo ano.

A Honda definitivamente prefere o espanhol. Vale mencionar que o bicampeão é admirador da cultura oriental, frequentemente parafraseia frases relacionadas a Samurais, tendo inclusive tatuado um em suas costas. Claro que isso não é um fator determinante, mas sem dúvida agrada aos japoneses.

Outra especulação que ganha força é a de que há cláusula contratual de performance, que libera o espanhol antes do seu termo final, portanto sem o pagamento de multa rescisória. Há muitas teorias, mas as que mais fazem sentido são em relação à posição da equipe no mundial de construtores ou à diferença para o primeiro colocado no de pilotos, quiçá ambas. De toda forma, toda e qualquer mudança nas grandes equipes depende principalmente da decisão que o espanhol tomar.

Considera-se um Samurai?!

Considera-se um Samurai?!

Entretanto, a probabilidade de mudanças drásticas na composição das escuderias deve ficar apenas para 2016. Seria inclusive um tempo razoável para que o piloto da Ferrari pudesse refletir se valeria a pena deixar a escuderia que, apesar de não lhe ter proporcionado um carro à altura nos últimos anos, enfim parece ter visualizado seus principais pontos fracos, notadamente diante das importantes mudanças de ordem técnica que a equipe vem fazendo, a exemplo da chegada de James Alisson, Dirk de Beer e Marco Mattiacci.

Em entrevista ao Skysports, Alonso declarou que, hoje, não pretende deixar a Ferrari, ficou lisonjeado pelo interesse das outras equipes, mas que deseja ser campeão pela escuderia de Maranello:

Não é minha intenção, no momento, sair, eu quero vencer aqui e terminar o trabalho que começamos há alguns anos. Tem havido muita conversa desde o último verão, mas da minha boca nunca saiu nenhum interesse de deixar a Ferrari ou alguma palavra dizendo que eu me juntaria a outra equipe. Houve muita especulação, o que não perturba, mas criou um pouco de tensão e estresse. Você ainda fica feliz e orgulhoso quando as grandes equipes têm interesse em você.”

Da mesma forma, Sebastian Vettel, que tem sofrido para se adaptar ao carro deste ano, enquanto seu companheiro já venceu três vezes, ainda terá um monoposto desenhado por Adrian Newey em 2015, o que não mais acontecerá a partir de 2016, já que o projetista desempenhará outro papel junto a RBR, longe da F1, cujos detalhes ainda não foram revelados.

A decisão do espanhol atinge diretamente também Jenson Button. Caso o espanhol tivesse aceitado o convite já para temporada do ano que vem, o inglês, de 34 anos, seria o mais cotado para deixar a equipe, tendo inclusive afirmado que existe a possibilidade de se aposentar ao fim deste campeonato. Mas, pelos motivos elencados acima, Button e Magnussen devem ter seus lugares assegurados pelo menos até o fim de 2015.

Há que se observar também a situação dos pilotos da Mercedes, líder absoluta na atual temporada. Não obstante as mudanças principais estarem reservadas para o ano de 2016, se o clima no fim do ano não for dos melhores e principalmente caso Hamilton saia perdedor da disputa, ganha peso a possibilidade de o inglês deixar a equipe.

Lewis encontra-se numa situação parecida com aquela vivenciada por Alonso em 2007, inclusive o desfecho pode ser o mesmo. Naquele ano, o espanhol deixou a McLaren e retornou a Renault, que já não era mais aquela equipe vitoriosa de outrora. A questão é saber onde haveria vaga para o inglês.

Mudanças significativas?

Mudanças significativas?

Uma possibilidade real, seria a ida do inglês para a Williams, enquanto o jovem promissor Valtteri Bottas assumiria seu lugar na Mercedes, conforme debatido com o amigo Andoni Campos no twitter. A Williams já demonstrou interesse em renovar o contrato do finlandês, mas ainda não o fez, enquanto Lewis e sua equipe adiaram as negociações.

Em tal hipótese, Hamilton assinaria contrato de um ano com a nova equipe e esperaria pelas decisões de Alonso e Vettel para só então poder pensar nas equipes que regularmente vêm disputando título nas temporadas passadas. Isso se permanecer na Williams não fosse um bom negócio, já que a equipe voltou a conseguir bons resultados na temporada atual.

Voltando à situação de Alonso. Além do interesse da McLaren, sua atual equipe já fez proposta de renovação até 2019. Resta saber se a equipe inglesa esperará mais uma temporada pela decisão do espanhol. Se o interesse da Honda for tão grande o quanto se comenta, provavelmente aproveitarão o próximo ano para continuar tentando persuadir o espanhol a deixar a Ferrari.

A saída do bicampeão para a McLaren não significa certeza de sucesso, já que há todo um projeto a ser desenvolvido pela nova parceria com a Honda. Por outro lado, é a primeira vez que James Alisson e Dirk de Beer, contratados a seu pedido, serão os responsáveis pela concepção do próximo carro da escuderia italiana.

O espanhol terá de tomar uma difícil decisão. Talvez a maior de sua carreira, já que sua opção será onde provavelmente se aposentará. Mas isso deve ficar apenas para o ano que vem.

02/09/14.