Mês: março 2015

GP da Malásia 2013: Multi 21, o dia em que a farsa da RBR acabou.

Chegamos a segunda etapa do campeonato, o Grande Prêmio da Malásia, geralmente marcado por corridas emocionantes, devido à instabilidade do tempo. Resolvi falar da corrida de 2013, pois à época este blog não estava no ar, mas sempre me recordo do incidente do Multi 21 que envolveu a equipe RBR e seus respectivos pilotos, naquela ocasião Mark Webber e Sebastian Vettel.

Coincidentemente é o segundo texto consecutivo que abordo sobre a RBR, mas deixo claro que não tenho nada contra a equipe austríaca. A crítica feita no post anterior foi justamente por conta da decepção que tive ao perceber que a Red Bull, a princípio, não ameaçará a hegemonia da Mercedes. Consequentemente não disponibilizará um carro competitivo para Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat mostrarem seu potencial. Servindo de paliativo, a Ferrari parece ter crescido a ponto de ameaçar a pole de Hamilton na prova que será disputada neste fim de semana…

Voltando ao assunto.

A RBR sempre vendeu aos fãs a falsa ideia de que deixava seus pilotos disputarem na pista sem qualquer intervenção, ou seja, sem fazer uso das controversas ordens de equipe. Do ponto de vista do marketing, isso foi ótimo, já que a equipe ficou com a imagem de “mocinho”, enquanto a Ferrari já fazia papel de “vilão” há muito tempo. Caso não se recorde do episódio, relembre a disputa:

Mas por que eu considero aquele “incidente” uma farsa?

Ora, desde sempre o primeiro piloto da equipe era Vettel. O alemão sempre foi favorecido. Em 2010, quando a equipe apareceu como grande favorita a conquista do título, que veio a se confirmar no fim da temporada, a RBR deixou claro quem era seu piloto nº 1. No grande prêmio de Silverstone daquele ano, a equipe estreava uma nova asa dianteira e havia somente duas delas para aquela corrida, ou seja, uma pra cada piloto.

Durante aquele fim de semana, nos treinos livres, Vettel quebrou a sua. O que aconteceu? Ele recebeu a nova que, em ntese, era do australiano, que correu com o carro desatualizado, mas acabou vencendo a corrida, comemorando com uma frase que traduzia uma irônica realidade: “nada mau para um segundo piloto”.

No grande prêmio da Malásia de 2013, Vettel estava consolidado na categoria, pois já havia conquistado três títulos mundiais. Ainda assim, era forte a imagem da RBR no que dizia respeito à liberdade dos pilotos disputarem sem interferência. Naquele dia, desde o início da corrida, a estratégia diferente adotada para os pilotos despertou minha atenção: a de Vettel era nitidamente melhor.

O alemão terminaria a corrida com pneus macios, portanto mais rápidos, enquanto Webber faria o último trecho com compostos duros. No entanto, a Red Bull não contava com um certo fator: Webber fez uma das suas melhores corridas. Apesar de todas as tentativas da equipe e de ter sido por muito pouco, Vettel saiu atrás de seu companheiro após a última parada nos boxes.

Naquele momento, a vitória de Vettel já era certa, pois ele estava com pneus macios e não teria maiores dificuldades para ultrapassar Mark Webber, o que acabou acontecendo. Ocorre que a equipe já havia dado a ordem para os pilotos manterem as posições, independentemente de o alemão ter um carro mais rápido nos momentos finais da corrida. O desfecho todos se recordam. O então tricampeão desobedeceu a equipe e venceu o grande prêmio.

A ordem foi dada através de um código. Ambos haviam recebido o recado para ajustar o mapeamento para “Multi 21”. Um código que significava que os pilotos deveriam manter as posições. Há outro vídeo no youtube que transcreve as mensagens de rádio naquele dia. Chega a ser constrangedor, como também fora a celebração do pódio (http://tinyurl.com/op3qhf8).

Webber manda um "oi" para Vettel.

Webber manda um “oi” para Vettel.

Particularmente, em regra, não vejo problema no fato de qualquer equipe favorecer um de seus pilotos, principalmente quando apenas um deles poderá ser o campeão. Obviamente que há situações diferentes, quando uma escuderia impõe tamanha vantagem, na qual não se justifica a sua intervenção, mas isso é exceção. Portanto, não há razão para criticar a opção da equipe por Vettel, muito menos o fato dele ter desobedecido a ordem e ter abocanhado mais uma vitória.

Minha critica sempre foi em relação à equipe, pois a RBR tentou vender algo que não era (na verdade nunca foi). Apesar disso ser algo nítido, principalmente aos olhos de quem tem o papel de nos fazer enxergar a realidade, muitos jornalistas especializados no assunto compraram a ideia do time austríaco e venderam-na aos telespectadores. A suposta filosofia da Red Bull foi festejada por muito tempo. Mais uma vez, a transparência mostrou ser exceção na Fórmula 1.

Agora estamos em 2015. Apesar da Mercedes ter conseguido a pole position, novamente todos os olhos se voltam para o tetracampeão Vettel, que conseguiu um grande resultado ao ficar entre Hamilton e Rosberg. Aguardemos o desenrolar de mais um Grande Prêmio da Malásia.

A largada será imperdível.

28/03/2015.

McLaren?! Maior decepção é a RBR!

A temporada iniciou e a previsão se confirmou. Domínio completo da Mercedes e é pouco provável que haja mudança nesse cenário. Ontem, inclusive, vi uma “piada” interessante, dizendo que a equipe alemã deveria se preocupar, pois sua hegemonia estava em jogo: ano passado, Rosberg venceu a corrida com uma diferença de 26s. Ontem, Hamilton venceu com uma diferença de 25s para o terceiro colocado… Deveras, muito preocupante.

Embora seja triste ver uma das equipes de maior tradição na categoria arrastando-se no fim do pelotão, comparando-se às “nanicas”, não chega a ser decepcionante, pois já era algo previsto. Talvez não fosse esperado pelos fãs um desempenho tão ruim e com apenas um dos carros na pista, é verdade. Porém, os discursos de todos na equipe eram bem pessimistas.

Eric Boulier, por exemplo, acreditava que a McLaren poderia apresentar melhor desempenho apenas em Barcelona. Entretanto, a equipe de Woking já se pronunciou oficialmente, afirmando que não há prazo para solucionar seus problemas. Apesar dos resultados negativos, Button ficou feliz pelo simples fato de terminar a corrida. O inglês reconheceu a superioridade da Mercedes e da Ferrari, mas conseguiu ver qualidades no MP4-30:

Eu não acreditei que terminaria a corrida hoje. Eu me surpreendi ao ver a bandeira quadriculada. Então, se você olha pra isto, foi um bom resultado. Nós não havíamos completado mais de 12 voltas, sem um problema, antes desse fim de semana, portanto é um grande passo à frente. Agora temos muitas informações que poderão nos ajudar a ter ganhos para a Malásia… Comparando com a Force India, nós fomos mais rápidos nas curvas. Em relação a Red Bull e Sauber, estávamos muito parecidos“.

Hamilton vence a primeira do ano.

Hamilton vence a primeira do ano.

Voltemos ao título do post. Surpreso com ele? Não deveria. A Red Bull foi a única equipe – à exceção da Mercedes, óbvio – que conseguiu vitórias em 2014 e isso depois de ter uma pré-temporada pior do que a da McLaren. Relembrando o GP da Austrália de 2014, Ricciardo terminou a corrida em segundo, embora depois tenha sido desclassificado. Esperava-se que a Renault pudesse melhorar seu motor e, consequentemente, ameaçar o domínio da Mercedes, mas o resultado parece ter sido o inverso.

Enquanto Kvyat nem sequer largou, Daniel Ricciardo conseguiu chegar apenas em sexto, diante de sua torcida. O australiano tentou pressionar o estreante e forte candidato ao prêmio de novato do ano, Felipe Nasr, que não cometeu um único erro, comportando-se como um veterano. Se o brasileiro não foi capaz de atacar os carros da frente, pelo menos conseguiu terminar em quinto, enquanto seu companheiro chegou em oitavo. Um início promissor.

Em relação à equipe austríaca, não foi só o desempenho na pista que decepcionou. A postura da Red Bull após o início fraco também. Além das críticas públicas à Renault feitas por Christian Horner, houve ameaça por parte de Helmut Marko de deixar a categoria, apesar do compromisso contratual até 2020. Além disso, houve um pedido, tão inusitado, quanto ridículo, no sentido de igualar a potência dos motores. Vejam as declarações do chefe da equipe:

Quando estávamos ganhando e nunca ganhamos com uma vantagem como a deles, eu me lembro que o duplo difusor foi banido, exaustores foram movidos, aletas flexíveis foram proibidas, mapeamento dos motores foi mudado… A FIA, dentro das regras, tem mecanismos de igualação. Acredito que talvez seja algo que eles devam dar uma olhada“.

Haverá sorrisos esse ano?

Haverá sorrisos esse ano?

Ora. A RBR dominou a Fórmula 1 por quatro anos consecutivos, com destaque para as temporadas de 2011 e 2013. Nesta última, salvo melhor juízo, Vettel venceu as nove corridas finais. Não me recordo de haver por parte da Red Bull nenhum pedido de igualdade neste período. Pelo contrário, justamente em 2013, foi a favor e beneficiada por conta da mudança no composto dos pneus, quando a disputa já estava em curso. Importante destacar que se o duplo difusor foi banido, a RBR surgiu com o também contestado difusor soprado, solução muito bem explorada por Adrian Newey.

Da década de 80 para cá, tivemos épocas de domínio da McLaren, Williams, Ferrari e por último RBR. A Mercedes conseguiu construir um conjunto imbatível para 2014 e muito provavelmente para este ano. Sem dúvida, isso é fruto de alguns anos de trabalho. Cabem aos rivais ser mais competentes. Simples assim.

A Red Bull, embora seja uma equipe relativamente nova na categoria, sabe bem o caminho do sucesso. Certamente, o nivelamento por baixo não é a resposta.

16/03/15.

Caso Alonso: Não há interesse em divulgar a verdade.

Embora os testes de pré-temporada tenham acabado e inclusive um breve resumo acerca desse tema tenha sido publicado neste blog, um assunto tem causado bastante intriga: o acidente de Fernando Alonso! Tratado pela McLaren como algo banal, mas que foi capaz de tirar o espanhol da primeira etapa do campeonato.

Vamos ao assunto!

A falta de transparência na F1 não é novidade. Pelo contrário, talvez possamos classificá-la como regra. Não sou grande fã de teorias da conspiração, mas a forma como a FIA trata as polêmicas que acontecem na categoria acaba alimentando-as. É por esta razão que inúmeras teorias “infundadas” sempre são debatidas.

Vou dar um exemplo “caseiro”: não há quem tire da cabeça de meu querido pai que, em 2007, Lewis Hamilton não cometeu erro em Interlagos. Segundo ele, aquela saída da pista teria sido ordem da FIA, já que a McLaren tinha sido excluída do campeonato de construtores, como consequência do spygate. Garanto que há muitos fãs do inglês quem pensam da mesma forma.

Não é preciso voltar muito no tempo para que lembremos de outro caso: o acidente de Jules Bianchi. Disseram primeiro que as lesões foram causadas pela desaceleração, sem levar em conta que choque contra aquela grua tornou o impacto muito pior. Após, concluíram afirmando que a culpa teria sido do próprio piloto, pois andou mais rápido do que deveria naquelas condições… Enfim…

O mais recente exemplo de como as coisas na Fórmula 1 são nebulosas foi o acidente de Fernando Alonso. Nestes episódios, como geralmente acontece, além da FIA, a equipe envolvida costuma esquivar-se. Não foi diferente com a McLaren. Segundo os boletins médicos, Alonso foi diagnosticado com uma concussão, mas incrivelmente até isso Ron Dennis negou.

Não é a primeira vez que o bicampeão sofre um acidente grave. No GP do Brasil, em 2003, o espanhol chocou-se de forma violenta contra o muro e teve muita sorte de não ter sofrido maiores consequências. Apesar de não haver vídeo disponível do que aconteceu em Barcelona, presume-se, a partir dos danos no carro, que o do Brasil foi muito mais impactante:

Mal súbito, ventos fortes, descarga elétrica etc… Essas foram algumas das teorias levantadas no paddock, tudo isso por conta da falta de clareza e, por que não dizer, da falta de respeito aos fãs. Ninguém entende o que se passa, nem por qual motivo um assunto aparentemente simples não é tratado de forma aberta com o público.

Para completar o cenário, até a testemunha ocular, Sebastian Vettel, disse que Alonso estava relativamente lento e o acidente tinha sido estranho. Depois que Alonso teve que permanecer por três dias em um hospital, o alemão “esclareceu” sua fala e afirmou que estava muito distante para julgar o que tinha acontecido.

Apesar de não esclarecer totalmente o que deu causa ao acidente, foi disponibilizada uma simulação bem interessante de como ele pode ter acontecido. Caso ainda não tenha visto, segue o link abaixo:

Não há dúvida! Há um esforço muito grande para esconder a verdade dos fatos. Inclusive boa parte da imprensa mundial, principalmente a inglesa, que num primeiro momento pareceu intrigada com o acidente, rapidamente se deu por satisfeita com os boletins médicos…

Mas afinal, o que houve? Não tenho a mínima ideia! Especular não é o meu forte. Ainda aguardo uma nova versão oficial e convincente. Enquanto isso, só me resta desejar uma rápida recuperação ao espanhol.

Indubitavelmente, o início do campeonato não terá o mesmo brilho, goste você de Alonso ou não.

03/03/15.

Equipe Mercedes é a única certeza.

Enfim, chegamos ao término da pré-temporada! E quais conclusões podemos tirar dos testes realizados em Jerez e Barcelona? Com exceção da Mercedes, qual equipe podemos afirmar, com certeza, que terá boa performance em 2015? Tudo que for dito agora, muito dificilmente, não passará de mera especulação, já que nunca se sabe ao certo em quais condições os carros realizam os treinos.

Durante alguns dos testes, vimos duas equipes, que penaram em 2014, marcando melhores voltas: Sauber e Lotus. Ainda que não ande entre as primeiras, caso a Sauber disponibilize um carro razoável, isso será uma ótima notícia para os brasileiros, já que esta é a equipe do estreante Felipe Nasr.

Os nacionais, que não veem um compatriota vencer um campeonato mundial de F1 desde 1991, devem ter muita paciência com Nasr. Apesar do arrojo mostrado na GP2, é provável que ele necessite de um tempo para adaptação para mostrar todo o seu potencial. Vejam o exemplo de Magnussen, tido como um piloto muito veloz, mas não conseguiu se impor sobre Button e foi rebaixado para piloto reserva este ano. Sua primeira tarefa é andar à frente de Marcus Ericsson, depois vemos até onde ele pode chegar.

Esperança renovada?

Esperança renovada?

Já a Lotus, que correrá esse ano com motor Mercedes, promete uma melhor temporada do que a do ano passado, o que, diga-se de passagem, não será de difícil de cumprir. Em 2014, a equipe ficou apenas à frente da Marussia, Sauber e Caterham, somando apenas 10 pontos. Uma realidade bem diferente das temporadas de 2012 e 2013, quando somou 303 e 315 pontos, respectivamente.

Nico Rosberg, um dos candidatos ao título de 2015 e maior ameaça ao tricampeonato de Lewis Hamilton, disse que a Ferrari foi a equipe que mais evoluiu. Todavia, a performance da escuderia de Maranello continua uma incógnita, apesar de aparentemente terem melhorado sua unidade de potência, aquilo que foi a maior fraqueza em 2014. A equipe que terá como pilotos Vettel e Raikkonen parece estar com ânimo renovado.

Falando em fraqueza da unidade de potência, parece que a Renault continua deixando a desejar nesse quesito. Segundo matéria da BBC, a RBR foi a equipe que menos mostrou ganho neste quesito. Entretanto, a maior das incógnitas fica com a McLaren-Honda. Devido aos problemas do motor japonês, a equipe testou de forma limitada e teve um início de pré-temporada bem semelhante ao vivenciado pela montadora francesa em 2014. Mas há muita expectativa em relação ao carro desenhado por Peter Podromou, que trabalhou durante anos com Adrian Newey.

Sem asa? Contradição.

Sem asa? Contradição.

A Williams realizou testes consistentes e parece ser, como apontado pela Mercedes, a segunda força. Embora seja pouco provável que desafie a equipe alemã, que inclusive é a sua fornecedora de motor, a disputa entre Felipe Massa e Valtteri Bottas terá atenção de boa parte da torcida brasileira. Nunca é demais lembrar que Massa foi superado pelo finlandês ano passado.

Geralmente, os testes de pré-temporada são muito difíceis de ser interpretados. Como já dito acima, nunca se sabe ao certo em quais condições as equipes os realizam e não raro os tempos obtidos nesta fase nada significam. Basta fazer uma breve pesquisa e notarão isso. De 2010 a 2014, apenas neste último ano uma equipe que fez o melhor tempo em um dos testes de pré-temporada sagrou-se campeã. Nos anos em que a Red Bull Renault foi imbatível, a equipe austríaca nunca fez a melhor marca em tais treinos.

O que parece óbvio é a permanência da dominância da equipe Mercedes. Se assim for, teremos mais uma vez o duelo entre Hamilton e Rosberg como a disputa principal, o que não significa que a temporada será ruim, já que a de 2014 foi, sim, muito boa. Resta torcer para que haja equilíbrio entre as demais equipes e que possamos ver corridas menos monótonas.

A ansiedade é grande, mas dia 15 de março muitas indagações serão respondidas.

02/03/15.