Mês: julho 2015

GP da Hungria expõe velhas fraquezas de Hamilton.

Quem diria?! O travado GP da Hungria foi totalmente atípico, parecia mais a corrida do Bahrein de tão movimentado. Nenhum carro da Mercedes dentro da festa, Vettel conseguiu sua segunda vitória pela Ferrari, Kvyat o primeiro pódio da carreira e Ricciardo chegou em terceiro, apesar de ter vislumbrado o primeiro lugar por um momento. Destaque para o quinto lugar de Fernando Alonso, pasme, à frente de Lewis Hamilton.

Bem, não vou fazer um resumo de todo o GP. Às vezes o faço, mas não é bem o propósito deste espaço. Dito isso, vamos ao que importa. O que mais me chamou atenção nesta corrida? Simples: a performance de Lewis Hamilton! Seus fãs mais apaixonados dirão que ele fez uma bela corrida, pois sua recuperação foi fantástica. Certamente, essa não é a minha visão.

Logo na largada o inglês perdeu três posições. Em seguida, ainda na primeira volta, tentou ultrapassar Rosberg onde, frise-se, não havia espaço. Como consequência caiu para décimo. Nessa manobra, por um triz não ficou de fora da corrida. Penou para ultrapassar Felipe Massa num circuito que em nada favorecia aos carros da Williams. Foi considerado culpado pelo incidente com Ricciardo. Esqueci algo? Terminou a corrida em sexto lugar e, no fim das contas, foi beneficiado pela colisão que aconteceu entre o australiano da Red Bull e Nico Rosberg que brigavam pela segunda posição.

Por pouco não abandona a prova.

Hamilton passeia pela brita.

Como Hamilton, ao final do dia, teve os prejuízos diminuídos para o campeonato – na verdade houve lucro -, seus erros não ficaram tanto em evidência. O mesmo aconteceu em Silverstone. Apesar da tentativa frustrada de ultrapassar Massa na Inglaterra após a saída do Safety Car, a vitória mascarou mais um erro. Como na Hungria houve uma sucessão de falhas, comecei a questionar se realmente ele havia amadurecido.

Muito embora seja um piloto de raro talento e extremamente rápido, sua inteligência e equilíbrio emocional são questionados desde 2007. Quem não se recorda daqueles erros primários nos GPs da China e Brasil? Este último, de tão crasso que foi, deu margem a teorias conspiratórias… Mesmo no ano seguinte, que marcou o seu primeiro título, houve alguns equívocos durante a temporada. E nunca é demais lembrar que ele só conseguiu o campeonato na última curva do circuito de Interlagos, para a eterna lamentação de muitos brasileiros.

Em 2010, quando voltou a ter um carro competitivo, jogou a disputa pelo título fora por conta dos erros cometidos em Monza e Cingapura. No ano de 2012, a lembrança que me vem à memória foi aquela colisão com Maldonado em Valência. Já na temporada que marcou a conquista do bicampeonato, ele conseguiu reverter situações de desvantagem, o que também mascarou algumas falhas ocorridas durante o ano… O mesmo deve acontecer neste campeonato, já que dificilmente ele não conseguirá o terceiro título. Neste post de 2014 há dois vídeos que mostram alguns erros do passado (http://wp.me/p4f3dZ-aj). Abaixo veja o episódio do GP do Brasil em 2007, ano de estreia do inglês.

Como mencionado acima, tendo em vista os recentes episódios, ficam algumas questões. Assim como em 2014, nesta temporada o bicampeão inglês dispõe do melhor carro do grid. A vantagem do F1 W06 Hybrid em relação a seus concorrentes é abissal. Tenho afirmado em posts anteriores que Lewis tem se apresentado mais maduro, equilibrado e forte mentalmente. Mas essa é uma percepção verdadeira ou apenas fruto de não se encontrar diante de circunstâncias de maior adversidade? Atualmente seu único concorrente é Nico Rosberg. É verdade que o alemão não lhe facilita as coisas, todavia é diferente quando os desafios são impostos por pilotos de outras escuderias. As dificuldades são maiores. Nas disputas internas, queiram ou não, o respeito tende a ser maior.

Estes dois últimos grandes prêmios nos trouxeram de volta o velho Hamilton: afoito e inconsequente. Graças à superioridade da Mercedes, ele foi capaz de conseguir uma grande recuperação e deverá sagrar-se tri ao final da temporada. Caso a equipe alemã tivesse concorrentes à altura durante toda a temporada (e não só eventualmente), poderíamos ver a verdadeira evolução do inglês.

Numa Fórmula 1 em que o desempenho do carro praticamente dita o vencedor – e tem sido assim desde os primórdios, porém atualmente isso é mais acentuado – devemos nos apegar a estas sutilezas na hora de comparar pilotos e saber o lugar que cada um ocupa numa disputa “peso por peso”, por assim dizer.

Não tenho dúvida, Hamilton é um grande talento. Entretanto, ele ainda tem algo a provar.

27/07/15.

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Descanse em paz, Jules Bianchi!

Ontem, ao chegar em casa, fui surpreendido com a péssima notícia de que o jovem Bianchi não havia resistido, apesar da luta por sua vida durante nove meses. Ele não teve tempo de mostrar todo o seu talento na categoria principal do automobilismo, mas seu carisma já havia conquistado muitos fãs.

Sua passagem entre nós foi curta, é verdade, mas o suficiente para causar comoção àqueles que acompanham a F1. Embora francês, por ser piloto da academia Ferrari, Bianchi era tido como certo na escuderia italiana… Enfim, fomos privados de vê-lo alcançar seu ápice.

Não vou me alongar ou fazer suposições acerca de sua carreira. A culpa de quem? Pouco importa… Hoje isso tudo não passa de tolice… Lamentavelmente, ele partiu. Desejo força a seus pais e familiares. Acredito que seja uma dor sem tamanho.

Deixo abaixo um vídeo do canal VideoFormula1 feito após o acidente, uma singela homenagem…

Descanse em paz, Jules Bianchi!

18/07/15.