Mês: junho 2014

Pole no sábado ou pódio no domingo?!

De forma inédita neste ano, a primeira fila do grid não foi ocupada por um piloto da Mercedes. A hegemonia da equipe alemã foi quebrada pelo brasileiro Felipe Massa e a segunda posição foi ocupada por seu companheiro Valtteri Bottas. Já Rosberg largou em terceiro, enquanto Hamilton ocupou apenas a nona posição, o que dava a entender que a corrida seria das melhores. Todavia a esperança de repetição de uma disputa emocionante, como ocorreu no Bahrein ou no Canadá, não se concretizou.

Logo na largada, Lewis Hamilton pulou de novo para quinto e não teve dificuldade para ultrapassar Fernando Alonso, que ocupava a quarta posição. Depois das paradas nos boxes, a ordem natural das forças nessa temporada voltou a se estabelecer com Rosberg e seu companheiro nas primeiras colocações. Em seguida, vinham os dois pilotos da Williams, só que com Valtteri Bottas já à frente de Felipe Massa.

Após a conquista da pole position no GP da Áustria, havia grande expectativa quanto ao desempenho do brasileiro na corrida. Os carros da Williams, que também andam com motor Mercedes, estavam mais rápidos do que os da equipe alemã por conta das retas do circuito austríaco, característica que favorece a escuderia de Frank Williams.

Rosberg celebra vitória.

Rosberg celebra vitória.

A corrida foi vencida por Nico Rosberg, seguido por Hamilton e Bottas. Aquele que ocupou o primeiro lugar do grid ficou de fora da festa do pódio e mais uma vez se viu dando explicações perante a imprensa, deixando novamente seus torcedores um tanto quanto frustrados, pois ao menos um terceiro lugar era esperado.

Aos poucos, a Williams vem se firmando como o segundo melhor carro do grid. Caso mantenha as boas atuações, logo ultrapassará a Ferrari e poderá tomar o lugar da Red Bull no mundial de construtores, circunstâncias essas que fazem a expectativa em torno de Felipe Massa crescer. Depois do bom resultado de sábado, o brasileiro recebeu elogios do seu antigo companheiro de equipe Fernando Alonso:

“Eu sempre disse que Felipe era muito, muito rápido. Muitos não acreditaram em mim. Mas ainda acho que ele foi o companheiro mais rápido que tive. Definitivamente, Felipe teve muitas dificuldades nos últimos quatro anos, pois sabíamos que não éramos super competitivos. Agora que ele tem um carro muito rápido, aproveitou e eu o parabenizo e estou feliz por ele, depois dos momentos difíceis que tivemos juntos.”

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Como já mencionado, Felipe Massa não conseguiu segurar a ponta, o que já era de se esperar, mas também não permaneceu entre os três primeiros. Seu companheiro fez melhor corrida e o desapontamento pelo erro cometido na classificação deu lugar à alegria do seu primeiro pódio na carreira:

“Acredito que, de uma forma geral, foi o meu melhor fim de semana. Estou muito, muito feliz. É difícil expressar com palavras. Isso é devido ao trabalho duro. Estamos fazendo progresso, nos aproximando das posições que devemos ficar. Obrigado à equipe por me dar este carro. A corrida foi exatamente como precisávamos, limpa, boa. Estou muito feliz”.

As palavras de Bottas remetem a uma entrevista dada por ele, ano passado, a um canal do site Youtube, o Pole Position. Nela, vários pilotos foram questionados, em uma espécie de “toma lá, dá cá”, se prefeririam a pole no sábado ou um pódio no domingo. Como a maioria, respondeu que preferia o pódio, mas fez questão de frisar que a pole position não somava pontos. A rápida entrevista pode ser vista neste link: https://www.youtube.com/watch?v=TamHuVlgYbU&index=15&list=PL6Dv3cCtp8oEJpQdxs1_gyJzcZL028vro.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

O quarto lugar de Massa traz de volta as lembranças das limitações que ele apresentou na temporada de 2007. Naquele ano, Felipe Massa dividia a escuderia com Kimi Raikkonen. Apesar de sempre ir bem nas classificações, o brasileiro não conseguia manter um ritmo de corrida capaz de acompanhar seu companheiro e os rivais Alonso e Hamilton, que guiavam pela McLaren.

Depois da oitava etapa do campeonato, Massa encontra-se 25 pontos atrás de Valtteri Bottas, uma vantagem considerável, equivalente a uma vitória, sem que o concorrente some qualquer ponto.

Já está na hora de Felipe prolongar a alegria de seus torcedores. Bater seu companheiro ao fim da temporada será uma grande vitória. Afinal, a briga interna deve ser sempre a primeira a ser vencida.

E você? Prefere pole position no sábado ou pódio no domingo?

22/06/14.

Enfim, a sorte volta a andar ao lado de Felipe Massa.

Depois de um longo tempo, Felipe Massa volta a ser, positivamente, o centro das atenções em um fim de semana de Grande Prêmio, pois conseguiu a 16ª pole position da carreira. A última havia sido no ano de 2008, em Interlagos, naquele memorável e triste GP para os brasileiros.

O resultado, de certa forma inesperado, vem em boa hora para Felipe. Na última corrida, o brasileiro se envolveu num controverso acidente com Sergio Pérez, que culminou com a perda de cinco posições no grid para o piloto da Force India. Apesar da maioria dos especialistas terem considerado um incidente de corrida, a punição do mexicano foi mantida.

Massa na luta pela Pole.

Massa na luta pela Pole.

A Williams já havia apresentado um bom desempenho durante o fim de semana e principalmente no terceiro treino livre, que foi liderado pelo companheiro de Massa, o finlandês Valtteri Bottas. Todos esperavam um bom resultado da equipe inglesa, mas não a ponto de desbancar a Mercedes, como bem ponderou Alan Mcnish, comentarista dada BBC:

Nós vimos uma batalha muito acirrada e chega a dar água na boca para esta tarde (horário local da classificação). O Povo da frente continua lá, mas há um pouco de pimenta adicionada ali. Eu acredito que a Mercedes tenha um pouco de vantagem, mas a Williams pode muito bem conseguir uma segunda fila, logo atrás deles

A classificação reservaria outras surpresas. Bottas estava desbancando seu companheiro e surpreendentemente também os pilotos da Mercedes na primeira tentativa do Q3. Porém, em sua segunda tentativa, o finlandês cometeu um erro e não conseguiu baixar seu tempo.

Massa, Rosberg e Bottas. A largada promete.

Massa, Rosberg e Bottas. A largada promete.

Rosberg e Hamilton também falharam em suas voltas. O alemão ainda conseguiu ficar em terceiro, mas o inglês, que largará apenas em nono, não chegou sequer a marcar tempo. Resultado? Felipe Massa conseguiu baixar 87 milésimos o tempo de Bottas e conquistou a pole do GP da Áustria:

Estou muito feliz com o que aconteceu hoje. Para a equipe foi um grande momento. Já faz um longo tempo desde a última vez que fui pole position, que foi no Brasil em 2008, então é um momento incrível… Este é o melhor lugar para estar. É onde eu tive a chance de estar muitas vezes em minha carreira e estou novamente agora. Estou feliz, muito emocionado. Muito satisfeito por mim e pela Williams também. Nós largaremos em uma posição melhor e precisamos ver como a Mercedes estará na corrida, mas, definitivamente, tentaremos tudo o que pudermos.

Sua inesperada pole dará contornos emocionantes à manhã de domingo. Nico Rosberg largará em terceiro e tentará a todo custo uma vitória para ampliar sua liderança, enquanto Hamilton, que já esta com uma desvantagem de 22 pontos, sairá da nona posição.

Em tese, promessa de uma grande corrida no veloz circuito de Spielberg. Sem dúvida, os erros dos adversários facilitaram a vida do brasileiro. Depois de uma longa maré de “azar”, a sorte parece estar de volta.

E nunca é demais lembrar: ela costuma andar ao lado do competente.

21/06/14.

Punição de Pérez será reavaliada pela FIA.

Segundo matéria exclusiva do site inglês Autosport, a punição de Perez será revista nesta sexta-feira. FIA e Force India se reunirão, a fim de verificar se existe razão para rever a punição de Sérgio Perez, que foi considerado culpado pelo acidente que envolveu o brasileiro Felipe Massa durante a última volta do Grande Prêmio do Canadá, tendo sido punido com a perda de cinco posições no grid para o GP da Áustria.

Pérez observa o resultado da colisão.

Pérez observa o resultado da colisão.

A Force India alegou ter uma nova prova para apresentar à FIA que, de acordo com Jonathan Noble, editor do site inglês, teria relação com o fato de Pérez não ter sido ouvido pelos comissários após o acidente, pois o mexicano ainda estava no hospital. O pedido da equipe se baseia no art. 13.10 do regulamento, que prevê o direito de revisão, desde que haja um novo elemento.

Como não será possível a avaliação da nova prova pelos comissários do GP do Canadá, a FIA autorizou que a matéria seja revista pelos comissários do GP da Áustria. Haverá uma reunião prévia na sexta pela manhã com representantes da equipe indiana e a FIA para saber se há, realmente, uma nova prova. Em caso positivo, haverá outro encontro à tarde, dessa vez com a presença da Williams. A Force India acredita que a punição poderá ser retirada, pois tem grandes esperanças de convencê-los de que Perez não foi o único responsável pelo ocorrido.

Felipe Massa recebendo socorro médico.

Felipe Massa recebendo socorro médico.

No post anterior foi mencionada a presença de Adrian Fernandez, ex-empresário do piloto Mexicano durante o julgamento do incidente (http://wp.me/p4f3dZ-5Q). Charlie Whiting havia dito que a presença dele se justificava, pois Fernandez seria comissário no GP da Áustria e estava lá apenas como ouvinte. Já Perez acusou abertamente seu antigo agente de ter influenciado na decisão.

O novo julgamento com a sua presença será, no mínimo, curioso. Aguardemos o resultado final amanhã ao fim do dia.

19/06/14.

Pérez acusa seu ex-empresário de influenciar na decisão da FIA.

A sétima etapa, GP do Canadá, disputada neste último domingo, teve um final emocionante e inesperado. Não só por conta do improvável vencedor, Daniel Ricciardo, mas pelo forte acidente em que se envolveram o brasileiro Felipe Massa e o mexicano Sergio Pérez.

A poucas voltas do fim da corrida, Perez, que ocupava, de forma brilhante, a segunda posição, mostrou-se mais lento e foi ultrapassado pelos pilotos da RBR. Primeiro Ricciardo, que, inclusive, alcançou Rosberg, tomou-lhe a ponta e venceu seu primeiro grande prêmio.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Mais perto do fim, foi a vez de Vettel atacar. As manobras da dupla da RBR foram realizadas de forma limpa. No momento da ultrapassagem do alemão, Felipe Massa tentou se aproveitar da situação, para também passar o mexicano, porém o resultado não foi dos melhores. Colisão forte, mas, por sorte, sem qualquer dano à integridade física dos envolvidos.

A FIA, surpreendentemente, apontou Pérez como o culpado, segundo os comissários, após analisar imagens aéreas do ocorrido. O Mexicano foi punido com cinco posições para o GP da Áustria. A equipe não informou, ainda, se irá apelar da decisão.

Williams do brasileiro destroçada.

Williams do brasileiro destroçada.

No momento do acidente, Luciano Burti afirmou que havia sido um erro de cálculo de Massa. Já Reginaldo Leme se preocupou mais em exaltar o fato de Felipe ter voltado a lutar no pelotão de frente, mas ambos estavam claramente desconfortáveis em apontar o brasileiro como verdadeiro culpado e mostraram-se constrangidos com a situação.

No VT do canal Sportv, o narrador Daniel Pereira não isentou o brasileiro. E o comentarista Lito Cavalcanti, apesar de ter notado uma ligeira mudança na trajetória de Pérez, afirmou que nada justificava o acidente. Durante a transmissão, para esta dupla, o brasileiro foi o culpado.

Felipe Massa, já acostumado naquilo que faz de melhor, achou margem para dar as velhas desculpas e acusou o mexicano de guiar perigosamente:

Eu conversei com ele no centro médico. Eu estava muito desapontado. Eu disse que ele precisava aprender. Queria que se colocasse no meu lugar, pois eu tive um grande impacto e, honestamente, pensei que fosse me machucar

Nós temos a regra, há alguns anos, de que se um carro está ao lado do outro, você não pode mais mudar. Ele mudou e nós tocamos.”

Massa ainda disse que cinco posições de punição não eram suficientes. Apesar da posição da FIA, o assunto parece longe de estar encerrado.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Uma imagem aérea começou a circular na web, dando conta de que Pérez teria, de fato, mudado de trajetória e causado o acidente. Mas o mexicano se defendeu, através de suas redes sociais (twitter e instagram) acusando o brasileiro de ter virado para a direita e postou a fotografia acima:

Na volta final eu estava defendendo minha posição ao ir para a curva 1, quando, de repente, fui atingido por trás. Não estava fácil nas voltas finais e eu estava acelerando tudo para ficar à frente de Nico, pela liderança“.

Foi muito triste perder um resultado tão importante, por conta de nenhuma culpa nossa. Eu estava seguindo a mesma linha de padrões de frenagem, como nas voltas anteriores e fui atingido em minha traseira por Massa. Havia muito espaço à esquerda do meu carro para tentativa de uma ultrapassagem limpa e eu não consigo entender porque ele teve que passar raspando

No momento da corrida, a sensação, mais uma vez, foi de frustração. Sentimento esse que veio muito antes da colisão. Felipe Massa era, claramente, o piloto mais veloz entre os sete primeiros, virando um segundo mais rápido do que todo o pelotão a sua frente, quando ainda faltavam dez para o final. A chance de vitória era clara.

Conseguiu ficar em quinto, após um erro duplo de Nico Hulkenberg e Valteri Bottas. Mesmo assim, não logrou êxito em ultrapassar Sebastian Vettel. Quando o alemão, que se defendeu muito bem dos ataques do brasileiro, diga-se de passagem, ultrapassou Sergio Pérez, Felipe Massa não teve habilidade para fazer o mesmo.

Eternas explicações.

Eternas explicações.

Quanto ao acidente, percebe-se que ambos viraram o volante. Pérez de forma bem mais sutil. A decisão da FIA causou estranheza, pois o argumento de que houve mudança de trajetória do mexicano só poderia ser utilizado caso ela tivesse sido feita de forma brusca ou Massa o tivesse atingido na parte lateral. Mas não, Felipe acertou com violência a traseira de Sergio, o que faz crer que o acidente aconteceria ainda que o mexicano nada fizesse.

A discussão está longe do fim. Apenas após ver e rever é que os especialistas tomaram partido, sendo que alguns ainda mudaram de opinião. Isso, por si só, já daria margem para enquadrar o ocorrido como um acidente de corrida. Mas vale destacar que a grande maioria apontava o brasileiro como culpado pelo episódio.

A presença de Adrián Fernandez, ex-manager de Pérez, na sala dos comissários é algo que deveria ser evitado, principalmente depois do rompimento conturbado da parceria. Charlie Whiting, diretor de prova, nega que haja conspiração contra o piloto da Force India e justifica a presença de Fernandez apenas como ouvinte, pois o ex-piloto de Fórmula Indy será comissário no GP da Rússia.

Ainda que a FIA tenha isentado Felipe, a frustração continua. Foi mais uma oportunidade que o brasileiro deixou escapar. Os pilotos da RBR fizeram as manobras sem qualquer dificuldade, enquanto que Massa, novamente, não conquistou um resultado expressivo.

Apesar de estar com equipamento que permitiria um piloto mais talentoso a lutar pela vitória, um pódio seria muito bem-vindo.

Os torcedores mais ávidos se deram por satisfeitos diante da punição de Pérez e chegaram a comemorá-la. Mas, convenhamos, faltou muita habilidade ao brasileiro. Importante lembrar que, diferentemente do argumento utilizado por ele próprio, Massa ainda não estava ao lado do piloto mexicano.

Dar desculpa e nunca ser responsável pelos próprios resultados ruins virou rotina.

09/06/14.

Senna, o melhor de todos os tempos?! Não para Jackie Stewart.

Em maio deste ano fez 20 anos da morte de Ayrton Senna. O dia foi marcado por muitas reportagens sobre o brasileiro, considerado pela grande maioria o melhor piloto da história da Fórmula 1.

Mas Senna não é unanimidade. Em post anterior (Por que Senna foi melhor que Schumacher http://wp.me/p4f3dZ-F), por exemplo, mencionou-se que nomes como Murray Walker e Eddie Jordan não o consideram como número 1. Agora, junta-se a esse pequeno grupo outro nome de peso: Sir Jackie Stewart.

O escocês, também tricampeão na F1 (1969, 1971 e 1973), questionou Senna, em uma entrevista, acerca do seu estilo perigoso de guiar. Stewart tirou Ayrton do sério ao acusar-lhe de ter provocado, deliberadamente, o acidente com Alain Prost, no grande prêmio de Suzuka, em 1990, e ao questioná-lo sobre o grande número de colisões em que Senna havia se envolvido. Parte da entrevista está disponível no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=pdCWDSpwv9U) e no documentário Senna, lançado em 2012.

Senna em entrevista a Stewart.

Senna em entrevista a Stewart.

Há quase um mês, o jornal britânico Daily Mail publicou, em seu site, matéria na qual Jackie Stewart narra minuciosamente o ocorrido. A polêmica entrevista se deu no Grande Prêmio da Austrália, uma corrida após Senna ter conquistado seu segundo título. Por conta das perguntas, ele e Ayrton ficaram um ano sem se falar:

Eu havia feito meu dever de casa e Ayrton Senna, na época, tinha se envolvido em mais colisões com outros pilotos, do que o total de todos os campeões, desde 1950, juntos. Ele estava agitado, mas apenas alguém como eu estava apto a fazer aquela pergunta. Alguém que também havia conquistado três títulos.”

Um ano após, no mesmo GP, Stewart recebeu uma ligação. Era o brasileiro que tinha resolvido pedir desculpas. Segundo o escocês, essas foram as palavras de Ayrton:

Olhe. Estou ligando para me desculpar, pois, agora, eu admito que tirei Prost da pista intencionalmente e Deus não me permitirá viver com essa mentira. Eu vou anunciar para a imprensa hoje à noite, mas eu quero que você seja o primeiro a saber.”

Paz selada!

Paz selada!

Naquela noite Senna e Stewart ainda conversaram pessoalmente. O tema principal era justamente tentar adotar medidas que melhorassem a segurança do esporte, algo que Jackie também buscou durante sua carreira. O brasileiro se mostrava preocupado, pois apesar de terem se passado 12 anos sem vítimas fatais, ele sabia, ironicamente, que isso não significava o fim das mortes na categoria.

Os anos se passaram e Jackie Stewart mantém a opinião de que Senna não pode ser considerado o melhor piloto da categoria. Segundo ele, em inúmeras vezes, Ayrton fez coisas, intencionalmente, que os grandes pilotos jamais teriam feito. Para o escocês, o brasileiro vem atrás de Fangio, Jim Clark e mesmo seu maior Rival, Alain Prost:

Eu sempre fui um crítico de Senna, pois, como ele disse na entrevista, se existe uma brecha, você tem que aproveitá-la, e se você não o fizer, não será um grande piloto. Aquilo estava errado. Ele insistiu nesse assunto por muitas vezes, então, desculpe-me, eu não posso dizer que ele foi o maior piloto da Fórmula 1.

Eu classifico Prost acima de Senna. O ‘professor’ foi um piloto mais completo do que Senna foi. Eu gostava muito de Ayrton e adorava seu entusiasmo e sua pilotagem, mas, para ser grande, você tem de estar apto para fazê-lo com consistência, porém ele teve muitas colisões com diversas pessoas. De fato, isso também impediria Michael Schumacher de ser o maior piloto de todos os tempos.

Embora faça parte de uma minoria, Jackie Stewart fundamenta bem seu ponto de vista. Diferentemente de outras categorias, a Fórmula 1 requer uma pilotagem limpa e disputas justas. A agressividade era marca registrada do brasileiro. E isso o tornava mais vulnerável aos erros.

Senna provoca colisão e fica com o título.

Senna provoca colisão e fica com o título.

Apesar dos incidentes mais famosos terem sido os que envolveram Senna e Prost, Jackie Stewart estava se referindo a todas colisões da carreira de Ayrton. Até onde isso pesa no momento de considerar sua grandiosidade é muito subjetivo, mas, sem dúvida, é algo que deve ser levado em conta.

A história da Fórmula 1 é repleta de grandes nomes. Lauda, Piquet, Prost e o próprio Stewart também podem ser considerados lendas da categoria, mas, estranhamente, apenas Senna é tão exaltado. Lamentavelmente, sua morte prematura contribuiu bastante para que fosse considerado um mito.

Ainda que você não concorde com Stewart, a opinião do tricampeão merece respeito. Talvez esteja na hora de se fazer uma análise menos passional. Apesar de ter feito 20 anos desde a sua partida, a morte de Ayrton causa grande comoção até hoje.

Por conta disso, uma pergunta jamais poderá ser respondida: caso Senna tivesse sobrevivido ao fatídico acidente, seria apontado pela maioria esmagadora como o melhor piloto da história? Vale a pena refletir.

02/06/14.