Mês: outubro 2014

A temporada de 2015 precisará de mais velocidade.

A temporada de 2014 está perto do fim, faltam apenas três etapas: EUA, Brasil e Abu Dhabi. A Mercedes já garantiu o campeonato de construtores e em breve terá um de seus pilotos campeão, sendo que Hamilton desponta como grande favorito após abrir uma vantagem de 17 pontos para Rosberg. O inglês está com 291 contra 274 de seu companheiro.

Como já mencionado em outros posts, apesar do domínio da Mercedes, a disputa acirrada entre a dupla da equipe alemã não deixou que o tédio tomasse conta das corridas, notadamente quando se compara com os quatro anos de domínio da RBR e que foi visto de forma mais acentuada nos anos de 2011 e 2013.

Outra agradável surpresa foram as atuações de Valtteri Bottas, que ocupa a quarta colocação, tendo conquistado cinco pódios, e, principalmente, Daniel Ricciardo que conseguiu três vitórias em seu primeiro ano na Red Bull e será o líder do time austríaco em 2015, já que Vettel está de saída para a Ferrari.

Apesar da síntese descrita acima, as últimas corridas deixaram a desejar. Desde o Grande Prêmio da Itália, houve uma queda no quesito emoção. Se antes a falta de confiabilidade dos carros causava algum suspense, atualmente, uma vez decidida a ordem natural do grid, não se vê alteração nas posições, tornando os grandes prêmios em verdadeiras “procissões”.

Bottas e Ricciardo surpreenderam este ano.

Bottas e Ricciardo surpreenderam este ano.

O fator que mais tem chamado atenção e talvez seja o que mais contribui para isso é a falta de velocidade dos carros. É o que se constata ao fazer a comparação entre os tempos de pole position e volta mais rápida durante a corrida desta e da temporada passada (http://tinyurl.com/ooutwa5).

A comparação pode ser feita em relação às corridas disputadas em condições de pista seca que o resultado será o mesmo: todos os grandes prêmios deste ano foram mais lentos. Coincidentemente, a etapa mais emocionante deste ano (GP do Bahrein) foi a que mais se aproximou dos tempos obtidos em 2013 e serviu para calar aqueles que já estavam criticando com razão, apesar do modo inadequado ou mesmo inoportuno, a falta de velocidade e a preocupação com o consumo de combustível. Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, por estes motivos, chegou a comparar os pilotos da F1 a motoristas de táxi.

A última etapa marcou a estreia da Rússia no calendário da Fórmula 1 e a opinião geral é a de que foi uma corrida entediante. Como foi a primeira vez que a Rússia sediou um grande prêmio, não há parâmetros para comparação. Segundo Hermann Tilke, responsável pelo desenho da pista, o traçado não foi o culpado pela falta de emoção, atribuindo certa responsabilidade a Pirelli:

As primeiras voltas foram ótimas para ultrapassagem, mas depois a batalha estava definida. Nico foi capaz de fazer um grande trabalho ao vir de trás para o segundo lugar e houve algumas outras ultrapassagens no meio do pelotão. Mas é claro que se o piloto mais rápido está na frente do mais lento, pouco acontece. Eu acho que a Pirelli foi um pouco conservadora, pois eles estavam com medo do que aconteceria na nova pista…”

Particularmente, não acredito que o problema esteja necessariamente no traçado. Creio que se os carros forem mais velozes em 2015, o GP de Sochi tem tudo para ser o oposto do que vimos. Se as críticas no inicio do ano não foram bem aceitas e ficaram em segundo plano por conta do GP do Bahrein, está mais do que na hora de se fazer um balanço e pensar nas possibilidades de evolução já para o ano que vem.

Tédio no GP da Rússia.

Tédio no GP da Rússia.

Os responsáveis pela categoria precisam rever o formato da Fórmula 1, pois embora seu público seja fiel, ele é muito exigente. A audiência diminui a cada ano e isso não é “privilégio” do Brasil. Apontar quais medidas deverão ser tomadas não é papel dos espectadores, até mesmo porque a entidade não é aberta a diálogo e mantém uma relação de distância com a torcida, o que é um erro grave.

Nenhum esporte pode retroceder. Os interesses dos patrocinadores devem estar em sintonia com os dos torcedores. Resolvam os problemas internos e tragam para o público uma F1 interessante, que proporcione disputa entre o máximo de equipes possível e que seja VELOZ ao extremo!

A maior categoria do automobilismo não pode perder sua principal característica for falta de capacidade de gerenciamento.

29/10/2014.

FIA: A grande responsável pelo acidente de Bianchi.

Mais uma vez a disputa pela vitória não foi protagonista em um fim de semana de Fórmula 1. Inicialmente houve grande preocupação se a corrida iria ou não acontecer por conta das condições climáticas, depois a notícia de que Vettel iria pra Ferrari ano que vem, por fim o acidente gravíssimo que aconteceu com o piloto da Marussia, Jules Bianchi.

Desde que previram a chegada de um tufão, houve muita discussão sobre a realização da corrida ou da possibilidade de antecipação de seu horário. Até aí tudo bem. Todos estavam torcendo pelo seu acontecimento. Quem acompanha a F1 vive uma eterna ansiedade, mal acaba um grande prêmio, já começa a contagem regressiva para o próximo.

O torcedor, em regra, não se preocupa com a segurança dos pilotos. Normal, não é seu papel, a maioria sequer tem conhecimento para fazer esse tipo de julgamento. Nas redes sociais, várias eram as manifestações querendo corrida no molhado, comparando inclusive as diferentes épocas da F1, sendo que em algumas delas o brasileiro fazia até dança da chuva. O torcedor que ver espetáculo!

Pois bem, caberia à FIA conduzir o evento da forma mais segura possível para os protagonistas do show, entretanto não o fez. O resultado todos sabem: Jules Bianchi encontra-se internado em estado grave, mas estável, após sofrer um gravíssimo acidente.

Bianchi sendo socorrido.

Bianchi sendo socorrido.

Nota-se uma certa preocupação de alguns em tentar aliviar a imagem da federação. Em entrevista, o tricampeão Niki Lauda, por exemplo, pareceu até meio perdido em suas palavras, ao procurar o verdadeiro motivo do ocorrido:

Você não pode dizer que algo foi feito errado. A corrida foi iniciada do modo mais sensato e foi isso que eles fizeram. Mas eles deveriam ter começado mais cedo. Não há dúvida quanto a isso. Era previsível, deveríamos ter começado a corrida às 13:00h. Mas eu não tomo estas decisões. No fim, poderia ter sido melhor“.

Da mesma forma, Jenson Button, que está ameaçado de demissão da Mclaren, também amenizou para o lado da FIA:

Eu acho que a FIA fez um ótimo trabalho para controlar a situação. É muito difícil. Eles estão nos ouvindo o tempo todo. Nós queremos correr, mas queremos fazê-lo de maneira segura. Quando o spray não é muito, você já está quase pronto para colocar os pneus intermediários. Acredito que eles fizeram um ótimo trabalho em controlar a situação, pois não é fácil para eles.”

Como assim não é fácil, Jenson? Como dito acima, a maior parte dos torcedores não está pronto para realizar um julgamento sobre condições seguras de pista. Mas qual a dificuldade que a FIA tem em ordenar a entrada de um Safety Car quando um carro aquaplana anteriormente e há a necessidade de uso de tratores dentro do circuito? Trata-se de uma percepção geral!

A FIA não pode sequer alegar que foi puro azar. Essa é uma tragédia anunciada. Tome-se como exemplo o que aconteceu em Nurburgring em 2007. Naquela ocasião, ainda durante a primeira volta, chovia muito, quando vários carros aquaplanaram no mesmo trecho da pista. Era uma situação flagrante de bandeira vermelha. Quase sobra para o próprio “Safety Car”. Se Liuzzi estivesse um pouco mais rápido, teria sido ele vítima de um acidente muito parecido com o de Bianchi, pois os tratores já se movimentavam no circuito:

No caso do grande prêmio de Suzuka, não existe isso de antecipação de horário ou de tentar colocar a culpa nos organizadores. Não foram esses fatos que determinaram as razões do triste acidente. O dever de dar a última palavra é da FIA. É a entidade que deve se precaver e tomar todas as medidas necessárias para que os pilotos possam correr de forma segura, ainda que isso contrarie torcedores, organizadores e patrocinadores.

Óbvio que foi um acidente! Mas isso não significa que não haja responsáveis. E não adianta procurar outro: a FIA é a grande culpada pela tragédia do fim de semana. Ela simplesmente não tomou as devidas precauções. O momento em que Sutil aquaplanou foi um aviso de que a pista se encontrava mais perigosa do que o normal. Além de não ordenar a entrada do carro de segurança imediatamente, permitiu que tratores operassem dentro do circuito.

Inacreditável!

Talvez a frase que mais defina o sentimento de todos que acompanham a categoria seja a que a Jornalista Jennie Gow, da BBC, divulgou em seu twitter: “Às vezes o esporte que eu mais amo é o que eu mais odeio”.

Agora é torcer pela recuperação do jovem piloto.

#ForzaJules.

06/10/14.

Sebastian Vettel segue os passos de Schumacher.

Depois da notícia bombástica da saída de Fernando Alonso da Ferrari, outra parece ter chocado ainda mais quem acompanha a Fórmula 1: Sebastian Vettel será o seu substituto. A notícia pegou a todos de surpresa, já que o mais cotado para ocupar o lugar do espanhol era o jovem Jules Bianchi, o que até faria mais sentido, pois a equipe de Maranello ainda ficaria com Raikkonen. Outros nomes foram ventilados, como os de Hulkenberg e Grosjean.

Analisando-se o cenário atual, a decisão da Ferrari faz todo sentido. A equipe italiana passa por uma reformulação drástica. Já deixaram a equipe Stefano Domenicali, Luca Marmorini e até o poderoso Luca Di Montezemolo. A morte de Emilio Botin, ex-presidente do Banco Santander, não foi uma perda direta, mas causou forte impacto.

A equipe quer voltar a ganhar, mas parece saber que a curto prazo isso não será possível. Alonso já tem 33 anos e muita pressa. Portanto, Vettel, com 27 anos e já quatro títulos, parece ser a melhor aposta.

Repetirá o sucesso?

Repetirá o sucesso?

Em um passado não tão distante outro alemão deixou de assinar com a McLaren e aceitou o desafio de tentar trazer de volta a Ferrari aos dias de glória, depois de conquistar seu bicampeonato pela Benetton. Na época, as regras eram distintas das atuais, pois era permitido treinar, modificar o motor etc. Mesmo assim, em sua quinta temporada pela equipe, Michael Schumacher teve sucesso em sua empreitada e o resultado todos sabem.

Agora a história se repete. Após ganhar quatro títulos com a Red Bull, Vettel aceita o desafio de correr pela Ferrari. E o momento é bem mais oportuno do que aquele vivido pelo heptacampeão. Já se fala em alteração nas regras de congelamento do motor. Some-se isso, ironicamente, às mudanças solicitadas pelo próprio Alonso, como as contratações dos competentes James Allison e Dirk de Beer.

#KeepFightingMichael

#KeepFightingMichael

Comenta-se que a Mercedes ainda conseguirá manter a superioridade para a temporada de 2015, mas que a partir de 2016 a Ferrari e, provavelmente, a McLaren-Honda poderão desafiar a equipe alemã em condições de igualdade. A essa altura, Vettel já estará familiarizado com o novo ambiente que ocupará. Portanto, o acerto da sua ida já no próximo ano é essencial para sua adaptação e desenvolvimento do novo projeto da Ferrari.

Mesmo encontrando um cenário menos caótico do que aquele da época de Schumacher, a tarefa de Vettel continua árdua. O jovem alemão não faz uma boa temporada e está sendo ofuscado por Ricciardo, a ponto de seu talento ser questionado no paddock. Aceitar o desafio de correr pela Ferrari foi algo corajoso de sua parte e, de certa forma, inteligente, já que um dos grandes responsáveis pelo sucesso da RBR, se não o maior, Adrian Newey, está praticamente de saída da categoria.

Só resta aguardar as cenas dos próximos capítulos. 2015 é logo ali.

04/10/14.

Hamilton merece a liderança, mas não seria diferente com Rosberg.

Após o último GP, disputado em Cingapura, Lewis Hamilton reassumiu a liderança do campeonato. O inglês, considerado o mais talentoso da dupla, abriu uma vantagem de 03 pontos em relação a Rosberg, seu companheiro de equipe. A corrida mais uma vez não foi marcada pela emoção. Simplesmente os carros estão lentos e isso tem tirado um pouco a graça do espetáculo. A entrada do Safety Car gerou certa euforia, mas, no fim, Hamilton fez prevalecer uma vantagem de 2s por volta dos carros da Mercedes, em ritmo de corrida (a classificação foi a mais apertada do ano), para conseguir a vitória.

Os dois pilotos da escuderia vêm fazendo um brilhante trabalho. O campeonato de construtores está praticamente garantido, assim como o de pilotos. Todavia, enquanto no primeiro toda a equipe será premiada, neste último apenas um piloto terá motivos para sorrir. Apesar da retomada da liderança, a disputa promete permanecer acirrada até a etapa final.

Por conta de alguns episódios, mas principalmente por conta da colisão no GP de Spa, Hamilton ganhou preferência da torcida. Como consequência, Rosberg tem sido tratado como vilão, a ponto de receber vaias na Bélgica e em Monza, durante a celebração do pódio.

Deixará a liderança escapar?

Deixará a liderança escapar?

Mas até onde as vaias são justas?

O alemão, de 29 anos, está mostrando que a contratação de Lewis Hamilton – muito cara, diga-se de passagem – não seria necessária para que o campeonato de pilotos fosse assegurado. Até o momento, foram disputadas 14 etapas e Nico Rosberg liderou praticamente toda a competição.

Óbvio que não podemos esquecer os problemas enfrentados por Hamilton e isso já foi discutido anteriormente, mas se um piloto menos experiente, ou mesmo menos capaz do que o inglês, fosse contratado, Rosberg sagrar-se-ia campeão com certa facilidade, sem contar que seria uma grande economia para os cofres da escuderia.

Vale lembrar que das sete vitórias conquistadas por Lewis, o alemão chegou na segunda colocação em cinco delas. Nas outras duas abandonou por falhas mecânicas, sendo que em Silverstone, liderava a corrida até ser forçado a parar por problemas no câmbio.

Rosberg celebra vitória em casa.

Rosberg celebra vitória em casa.

Incidentes de corrida e falhas mecânicas acontecem, fazem parte de toda temporada. Na atual, ambos sofreram com problemas de confiabilidade, estão inclusive empatados nesse quesito. Ficar ponderando sobre o “se” alimenta a discussão, mas não altera a realidade dos fatos.

A verdade é que Rosberg vem fazendo um excelente campeonato. Disputar de igual para igual com Hamilton era algo em que poucos apostariam no início da temporada. Se Hamilton tem mais talento, o alemão é astucioso e trabalha arduamente para ser campeão. Ele sabe que não é tão rápido quanto Lewis, mas sua determinação é admirável.

Em um ano em que a Mercedes dominou completamente, o possível segundo título de Hamilton será muito valorizado, pois apesar da vantagem da equipe, a disputa interna é acirradíssima. A “culpa” é de Rosberg! Caso o campeonato vá mais uma vez para um piloto alemão, também estará em boas mãos.

01/10/14.