Lewis Hamilton

Quando a injustiça prevalece…

Fala, pessoal. Estava tudo certo para “um ano sabático” do Blog F1 Ácida, apesar da regular interação nas redes sociais. Não há posts desde o ano passado. Contudo, depois do incidente de ontem, resolvi escrever algumas linhas e ponderarei se haverá continuidade para as próximas etapas do campeonato. Vamos ao que interessa…

Numa corrida cheia de incidentes em Baku, como já era previsto, a situação que mais chamou atenção foi a que envolveu Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, justamente os dois que disputam o título. O alemão colidiu na traseira do piloto da Mercedes e, por estar insatisfeito com o ritmo de relargada do rival, crendo numa suposta freada brusca (break-test) intencional, emparelhou seu carro e, deliberadamente, o jogou na lateral de Lewis.

Particularmente, classifico tal manobra como ultrajante.

Talvez, por ter como exemplo outro alemão multicampeão da categoria, Sebastian Vettel tenha se comportado de tal maneira. Deplorável. Schumacher o fez, mais de uma vez inclusive, porém quando se estava em jogo o título e durante a corrida valendo. Vettel o fez durante um safety car, pondo em risco a integridade física de um colega, quando não havia nada em jogo, o que me parece ser pior. Para os poucos que não sabem, safety significa justamente segurança.

Pois bem. Tudo isso foi amplamente divulgado e assistido pelo público. A FIA teve todo o tempo necessário para realizar o julgamento, mas quando o incidente envolve as grandes equipes, ainda mais quando os pilotos são justamente os que concorrem ao título, parece que é preciso muito mais tempo do que o normal para a tomada de decisões, o que é, no mínimo, curioso.

A corrida havia sido temporariamente interrompida (Bandeira Vermelha). A punição a Vettel (10 segundos/stop and go) veio não só após o reinício da corrida, mas depois de o inglês precisar parar para ajustar seu apoio de cabeça, este um erro primário da Mercedes, diga-se. Além disso, Vettel teve anotado três pontos em sua super licença e está a três de receber a punição de uma corrida de suspensão.

Contudo, pergunta-se, a punição aplicada foi justa?

A resposta é simples: Não!

Digo isso não só pelo fato de Vettel ter conseguido ficar à frente de Hamilton, mas porque a única punição possível para aquele incidente era a desclassificação do piloto da Ferrari. Não se tratava apenas de uma colisão, cuja penalidade, em regra, é sopesada a partir da análise da culpa do piloto no incidente. Em Baku, os comissários tinham de ter feito a diferenciação, frequentemente utilizada no mundo do Direito entre dolo e culpa. Não havia disputa por posição e Vettel, deliberadamente, jogou o carro em cima do colega. Tratou-se, portanto, de verdadeira agressão e não de uma simples colisão causada por negligência ou imprudência.

Não bastasse a punição injusta, os comissários voltaram a cometer o mesmo equívoco de anos passados. Apesar de prometer decisões mais rápidas, houve muita demora em sua tomada e, como já mencionado acima, ela só veio após Hamilton ser obrigado a ir aos boxes por medida de segurança. Assim, Vettel permaneceu à frente. Uma completa injustiça.

O episódio de ontem me fez lembrar Valência 2010. Todavia, naquele já longínquo ano, os envolvidos eram Hamilton e Alonso. Para quem não se lembra, o inglês ultrapassou o safety car, enquanto espanhol obedeceu às regras e permaneceu atrás. Os comissários demoraram a tomar a decisão, Lewis, que era líder do campeonato naquele momento, se beneficiou disso e quando foi punido já tinha vantagem suficiente para voltar à frente do velho rival. Hamilton chegou em 4º seguido do espanhol. Uma diferença de 03 (três) importantes pontos para o campeonato, mas que, levando em conta apenas aquela corrida, não seriam suficientes para Alonso, já que a diferença para Vettel, no fim, foi de quatro.


(Hamilton ultrapassa Safety Car em 2010).

Ontem houve o inverso. Vettel, beneficiado duplamente (pela demora da punição e por sua brandura), foi quem chegou na quarta colocação e Lewis em quinto. Novamente os três pontos de diferença. Contudo, diferentemente de 2010, ano em que quatro pilotos disputaram o título, apenas eles dois estarão na briga em 2017.

Ainda faltam 12 etapas, ou seja, mais da metade da temporada. Atualmente, a diferença do líder, Vettel, e vice, Hamilton é de 14 (quatorze) pontos. Para retomar a liderança, num cenário em que o alemão chegue em segundo e Hamilton vença consecutivamente, serão necessárias três corridas… Bela vantagem, levando-se em conta as inúmeras possibilidades, inclusive as favoráveis ao tetracampeão…

Se fosse para apostar em quem se sagrará campeão ao fim do ano, depositaria minhas fichas em Hamilton. Apesar do resultado ruim ontem, o inglês se disse satisfeito por conta do desempenho mostrado pela Mercedes. De fato, a equipe alemã parece ter resolvido parte de seus problemas de aquecimento de pneus e é possível que volte a exercer o velho domínio de temporadas anteriores ainda não visto esse ano.

Entretanto, tudo ainda é uma incógnita. Obviamente, há a possibilidade de a Ferrari trazer atualizações capazes de reverter o quadro, embora o histórico de evolução do carro durante a temporada não favoreça. De toda forma, a Ferrari não era uma aposta no início do campeonato e surpreendeu a todos.

Caso Vettel consiga vencer esta temporada, espero que o faça com uma margem superior a três pontos. Abaixo disso, será um resultado extremamente injusto…

P.s: Em tempo, parabéns a Lance Stroll. O estreante canadense, tão criticado, conseguiu seu primeiro pódio, tornando o mais jovem piloto a conseguir tal feito.

Ainda há muito a provar, verdade. Mas nada como um dia após o outro…

26/06/2017.

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Hamilton injusto com Rosberg!

Quem diria… Ainda no início da temporada fiz um texto indagando acerca do papel que Nico Rosberg exerceria este ano (http://tinyurl.com/jo63u8y). E o piloto alemão nunca esteve tão próximo de se tornar o grande protagonista. Contudo, apesar de faltarem apenas 03 etapas, a caminhada parece não ser tão curta.

A atual temporada tem sido mais um ano de domínio da equipe Mercedes. Todos os méritos para uma escuderia extremamente competente. Ela não tem culpa da falta de competitividade das concorrentes, que não foram capazes de acompanhar o desenvolvimento do time alemão, embora seja o terceiro ano da era dos motores híbridos.

Quanto ao drivers championship, parece ser consenso o fato de Nico Rosberg ter evoluído como piloto. Já são 04 anos dividindo a equipe com Hamilton e nos três primeiros ele nunca foi capaz de bater seu companheiro ao fim da temporada. Nos últimos dois, a derrota interna também significou a perda do título mundial. Se em 2014 a decisão ficou para a última corrida, em 2015 Lewis conquistou o título no Grande Prêmio dos EUA, ou seja, antecipadamente.

É na atual temporada que as coisas parecem ter mudado um pouco de direção. Rosberg nunca se aproximou tanto do primeiro título como este ano. A três corridas do fim do campeonato, ele chega ao GP do México com chances de já sagrar-se campeão. Algo inédito desde então. Não obstante, Hamilton atribui tal fato puramente à sorte. De acordo com o tricampeão, ela mudou de lado. Em matéria do site Skysports, quando questionado se Rosberg havia mudado em relação aos anos anteriores, Lewis foi enfático:

Não, eu tive muitas quebras. É a única diferença. Se nossos carros fossem confiáveis durante o ano inteiro, nós teríamos as mesmas batalhas que tivemos ano passado e no anterior, então não vejo qualquer diferença“.

Bem, permita-me discordar, ao menos em parte. Logicamente, se o carro de Hamilton não tivesse problemas de confiabilidade, talvez ( e somente talvez), o números do campeonato fossem outros. Contudo, os infortúnios do tricampeão não podem ser atribuídos somente à sorte, ou, no caso, à falta dela. É preciso lembrá-lo pelo menos de 06 ocasiões, cujos maus resultados não podem ser ligados diretamente ao carro. Em outras palavras Hamilton teve grande parcela de culpa.

São elas:

Austrália, Bahrein e Itália: Hamilton fez a pole, porém largou mal, consequentemente perdeu posições. Todas vencidas por Rosberg.

Grande Prêmio da Europa: Hamilton comete erro grosseiro, bate durante o Q3 e larga em décimo. Mais uma vitória do alemão.

Cingapura e Japão: Hamilton classificou em terceiro nas duas etapas. Rosberg fez a pole e venceu ambas.

Quando comparados individualmente, a reposta será quase unanimidade: Lewis Hamilton é um melhor piloto do que Nico Rosberg. Eu concordo. É o que ele tem mostrado durante esses anos. Contudo, afirmar que um possível título de seu companheiro será devido única e exclusivamente a fatores mecânicos soa não só injusto como descortês.

Como já afirmado em posts anteriores, Rosberg tem feito um belíssimo trabalho durante esses anos na Mercedes. Apesar das derrotas nas temporadas anteriores, no geral ele tem acompanhado o inglês de muito perto. Desde Senna e Prost, creio que seja a batalha interna mais acirrada dos últimos tempos.

Confesso que estou surpreso com tal declaração. Esse discurso não é só de perdedor, mas de mau perdedor. Teria Hamilton entregado os pontos? Óbvio que não. E até onde consta, apesar da ótima vantagem do alemão, esse campeonato encontra-se inteiramente aberto.

Para azar de Rosberg, apesar das bobagens ditas e alguns comportamentos inadequados, dentro do cockpit Hamilton continua rápido e vai lutar pelo quarto título até quando for possível. Ótimo. Quem ganha somos nós.

É mais um ano de domínio da Mercedes, mas com o passar do tempo, 2016 será lembrada como uma temporada épica.

29/10/16.

Verstappen, the flying dutch, em dia memorável!

Se a justificativa da chegada de Verstappen à equipe RBR foi controversa, os fins justificaram os meios. O Holandês, de apenas 18 anos conseguiu o maior dos resultados possíveis em sua estreia pela equipe austríaca: vencer o grande prêmio de Barcelona. Com tal feito, Max estabeleceu novo recorde ao tornar-se o piloto mais jovem a vencer uma corrida de F1.

Tal resultado era improvável e o próprio Verstappen pretendia apenas um pódio. Além da Mercedes ocupar a primeira fila, Max ainda tinha Daniel Ricciardo à sua frente. E Na sequência, os pilotos da Ferrari em busca de bons resultados para aliviar a pressão interna imposta por Marchionne. Se na teoria a probabilidade era mínima, na prática todas as combinações aconteceram para que a estrela de Verstappen pudesse brilhar.

Gosto da champagne na F1.

Gosto da champagne na F1.

O incidente entre Hamilton e Rosberg (que será analisado oportunamente) foi só o primeiro dos acontecimentos que possibilitaram a primeira vitória de Verstappen. Depois disso, Ricciardo e Vettel duelaram, em vão, pois no fim a disputa era apenas pelo terceiro lugar, já que as estratégias adotadas mostraram-se equivocadas. Some-se isso a a um circuito de poucos pontos de ultrapassagem.

Ao assumir a ponta, Max administrou bem o consumo de pneus e resistiu aos ataques não tão incisivos de Kimi Raikkonen… No fim do dia, Verstappen foi o grande vencedor. Ocupou o lugar mais alto do pódio. Parabéns!!!

A nós só resta contemplar esse que foi um grande feito. Agora a contagem é para a segunda vitória. Será que ainda vem nesta temporada?!

Improvável… Assim como a de hoje…

15/05/16.

Principal, coadjuvante ou vilão. Qual será o papel de Nico Rosberg em 2016?

Fala, pessoal…

Já faz um tempo, hein? 2015 não foi um ano muito ativo para o blog, mas tentarei fazer um 2016 diferente. Vamos ao que interessa…

Circunstâncias imprevistas – naturais quando se trata de corridas de automóvel, mas que nem sempre acontecem – tornaram o Grande Prêmio da Austrália interessante. A má largada de Hamilton, seguida da ótima de Vettel e a colisão envolvendo Gutierrez e Alonso trataram de trazer emoção ao GP. A vantagem construída por Vettel foi eliminada com a bandeira vermelha e por conta de um erro primário de estratégia da equipe italiana. Isso, somado à incompetência de Vettel que não ultrapassou Hamilton, mesmo estando com pneus melhores no fim da corrida, possibilitou a dobradinha da equipe Mercedes.

Está claro. Mercedes ainda à frente, como supunha-se e a Ferrari ligeiramente mais próxima. Apesar da vantagem alemã ter diminuído, para sagrar-se vencedora ao fim do ano, a Ferrari terá que trazer atualizações eficientes durante o decorrer da temporada. Algo não visto há um bom tempo. Mas isso é assunto para os próximos capítulos…

Em relação ao resultado da corrida, confesso que fiquei surpreso. Não esperava que Rosberg fosse ser o vencedor. Particularmente, imaginei um passeio do inglês. Pensei comigo: será outra temporada igual às duas anteriores. Bem, essa ainda é uma possibilidade e talvez a mais provável. Porém, se a Ferrari continuar com desempenho semelhante ou consiga melhorar, poderemos ter uma temporada bem interessante e Nico pode ter papel importantíssimo, quiçá surpreendente.

Nas duas últimas temporadas ele foi o coadjuvante. Fez um ótimo campeonato em 2014 e o título só foi decidido em Abu Dhabi, naquela corrida de final dramático. No ano seguinte, ele foi incapaz de acompanhar Hamilton, apesar de ter terminado muito bem. Entretanto, a equipe teve grande influência nesse ponto. A partir do momento em que o inglês assegurou seu terceiro título, ficou claro que o foco da Mercedes havia mudado. Lewis foi praticamente impedido de disputar a vitória nas demais corridas. A prioridade dada a Rosberg era velada, mas perceptível por conta da escolha de estratégias diferentes para seus pilotos. Todavia, naquele momento, uma conduta mais do que compreensível da equipe alemã. Ademais, a postura “baladeira” do inglês não estava agradando, pode ter sido um aviso a ele, mas num momento bem conveniente. Enfim…

Disputa ao longo da temporada?

Disputa ao longo da temporada?

o papel de vilão, mais improvável, se daria caso a disputa ficasse entre Hamilton/Vettel e Rosberg assumisse a postura de não ajudar seu companheiro. Esta possibilidade, na qual deixo claro não crer, não seria tão nova para o alemão da Mercedes. Naquela ocasião a disputa era direta, mas Nico recebeu tal rótulo após o incidente de SPA em 2014. Inúmeras foram as vezes que recebeu vaias durante as solenidades de pódio nas corridas que se seguiram. Contudo, é muito improvável que deixe de ajudar Hamilton, caso não esteja na luta pelo campeonato.

Por fim, o mais desejado: o papel principal. Para assumi-lo, Rosberg terá de se reinventar, fazer algo que não fez nas últimas duas temporadas. Primeiramente terá de vencer a disputa interna. Ele já venceu algumas batalhas, mas nunca o suficiente para ganhar a guerra. A conquista da primeira etapa do ano foi apenas o primeiro, mas quem sabe um grande passo.

Ainda na primeira metade de 2014, Hamilton afirmou que tinha mais fome de título. É hora de mostrar que o inglês está equivocado. Desculpar-se por ter jogado duro na largada, ainda que não tenha sido a intenção, não é compatível com a postura de quem quer ser campeão. Quantas vezes Hamilton desculpou-se em 2015? Não me recordo… Infelizmente o campeão precisa ser mau em algumas/várias ocasiões.

Se o diabo mora nos detalhes, na Fórmula 1 esse ditado, inclusive de origem alemã, ganha ainda mais força. Num esporte de tão alta performance, tudo é levado em consideração. Chances não poderão ser desperdiçadas. Um, dois décimos de segundo é o suficiente para separar o campeão do restante. A diferença de performance entre os pilotos da Mercedes não é tão grande. Hamilton pode ser um piloto melhor, mas não é imbatível.

Em Melbourne, o nº 2 da Mercedes foi o que mais beneficiou-se das circunstâncias. Hamilton largou mal, Kimi abandonou, a Ferrari errou a estratégia e pela disputa da segunda colocação Vettel não conseguiu ultrapassar Lewis, apesar de estar em melhores condições naquele momento. Com a Ferrari próxima, o alemão que guia pela escuderia italiana deve embaralhar a disputa. Além de desejar bastante, Rosberg terá de tirar proveito dessa circunstância.

E se a disputa for realmente apertada, logo Toto Wolff mudará esse discurso de liberdade dos pilotos. Alguém será priorizado. Hamilton é o nº 1 por inúmeras razões (talento, investidores etc), mas não podemos dizer que ele não merece.

Não há segredo, Rosberg terá de fazer por merecer…

22/03/2016.

GP da Hungria expõe velhas fraquezas de Hamilton.

Quem diria?! O travado GP da Hungria foi totalmente atípico, parecia mais a corrida do Bahrein de tão movimentado. Nenhum carro da Mercedes dentro da festa, Vettel conseguiu sua segunda vitória pela Ferrari, Kvyat o primeiro pódio da carreira e Ricciardo chegou em terceiro, apesar de ter vislumbrado o primeiro lugar por um momento. Destaque para o quinto lugar de Fernando Alonso, pasme, à frente de Lewis Hamilton.

Bem, não vou fazer um resumo de todo o GP. Às vezes o faço, mas não é bem o propósito deste espaço. Dito isso, vamos ao que importa. O que mais me chamou atenção nesta corrida? Simples: a performance de Lewis Hamilton! Seus fãs mais apaixonados dirão que ele fez uma bela corrida, pois sua recuperação foi fantástica. Certamente, essa não é a minha visão.

Logo na largada o inglês perdeu três posições. Em seguida, ainda na primeira volta, tentou ultrapassar Rosberg onde, frise-se, não havia espaço. Como consequência caiu para décimo. Nessa manobra, por um triz não ficou de fora da corrida. Penou para ultrapassar Felipe Massa num circuito que em nada favorecia aos carros da Williams. Foi considerado culpado pelo incidente com Ricciardo. Esqueci algo? Terminou a corrida em sexto lugar e, no fim das contas, foi beneficiado pela colisão que aconteceu entre o australiano da Red Bull e Nico Rosberg que brigavam pela segunda posição.

Por pouco não abandona a prova.

Hamilton passeia pela brita.

Como Hamilton, ao final do dia, teve os prejuízos diminuídos para o campeonato – na verdade houve lucro -, seus erros não ficaram tanto em evidência. O mesmo aconteceu em Silverstone. Apesar da tentativa frustrada de ultrapassar Massa na Inglaterra após a saída do Safety Car, a vitória mascarou mais um erro. Como na Hungria houve uma sucessão de falhas, comecei a questionar se realmente ele havia amadurecido.

Muito embora seja um piloto de raro talento e extremamente rápido, sua inteligência e equilíbrio emocional são questionados desde 2007. Quem não se recorda daqueles erros primários nos GPs da China e Brasil? Este último, de tão crasso que foi, deu margem a teorias conspiratórias… Mesmo no ano seguinte, que marcou o seu primeiro título, houve alguns equívocos durante a temporada. E nunca é demais lembrar que ele só conseguiu o campeonato na última curva do circuito de Interlagos, para a eterna lamentação de muitos brasileiros.

Em 2010, quando voltou a ter um carro competitivo, jogou a disputa pelo título fora por conta dos erros cometidos em Monza e Cingapura. No ano de 2012, a lembrança que me vem à memória foi aquela colisão com Maldonado em Valência. Já na temporada que marcou a conquista do bicampeonato, ele conseguiu reverter situações de desvantagem, o que também mascarou algumas falhas ocorridas durante o ano… O mesmo deve acontecer neste campeonato, já que dificilmente ele não conseguirá o terceiro título. Neste post de 2014 há dois vídeos que mostram alguns erros do passado (http://wp.me/p4f3dZ-aj). Abaixo veja o episódio do GP do Brasil em 2007, ano de estreia do inglês.

Como mencionado acima, tendo em vista os recentes episódios, ficam algumas questões. Assim como em 2014, nesta temporada o bicampeão inglês dispõe do melhor carro do grid. A vantagem do F1 W06 Hybrid em relação a seus concorrentes é abissal. Tenho afirmado em posts anteriores que Lewis tem se apresentado mais maduro, equilibrado e forte mentalmente. Mas essa é uma percepção verdadeira ou apenas fruto de não se encontrar diante de circunstâncias de maior adversidade? Atualmente seu único concorrente é Nico Rosberg. É verdade que o alemão não lhe facilita as coisas, todavia é diferente quando os desafios são impostos por pilotos de outras escuderias. As dificuldades são maiores. Nas disputas internas, queiram ou não, o respeito tende a ser maior.

Estes dois últimos grandes prêmios nos trouxeram de volta o velho Hamilton: afoito e inconsequente. Graças à superioridade da Mercedes, ele foi capaz de conseguir uma grande recuperação e deverá sagrar-se tri ao final da temporada. Caso a equipe alemã tivesse concorrentes à altura durante toda a temporada (e não só eventualmente), poderíamos ver a verdadeira evolução do inglês.

Numa Fórmula 1 em que o desempenho do carro praticamente dita o vencedor – e tem sido assim desde os primórdios, porém atualmente isso é mais acentuado – devemos nos apegar a estas sutilezas na hora de comparar pilotos e saber o lugar que cada um ocupa numa disputa “peso por peso”, por assim dizer.

Não tenho dúvida, Hamilton é um grande talento. Entretanto, ele ainda tem algo a provar.

27/07/15.

Hamilton precisa se preocupar?!

Que reviravolta! O Grande Prêmio de Mônaco já estava se encaminhando para um dos mais chatos dos últimos tempos. Apesar de ser um circuito que proporciona pouquíssimas ultrapassagens, há sempre alguém que busque a ousadia para tentar mostrar seu talento e geralmente passa da dose. É aí que o jovem Max Verstappen entra…

Tido por muitos como um fenômeno do automobilismo, o que acho exagerado para o momento, o ainda promissor holandês resolveu passar dos limites e acertar Romain Grosjean numa manobra imprudente e que gerou uma punição de perda de cinco posições para a próxima corrida. Resultado? Trouxe o já aguardado safety car e com ele emoção para o GP de Mônaco.

Deveria ter sido um fim de semana de pura alegria para Hamilton, perfeito, eu diria. Dias atrás, houve o anúncio da renovação de seu contrato com a atual melhor equipe. No sábado, sem nenhuma “artimanha” de seu companheiro como em 2014, a pole veio naturalmente. Largando na ponta em Mônaco com o melhor carro, a vitória estava praticamente assegurada. Estava… Um erro na estratégia custou o êxito do inglês no principado. Essa foi a segunda derrota que Lewis teve na temporada por conta de um equívoco da equipe.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Sobre o erro de estratégia, logo após a corrida, o jornalista Tobias Gruener (@tgruener, no twitter) informou que Lauda havia deixado escapar que o bicampeão estava reclamando dos pneus e questionou a equipe se não deveria parar. Ele liderava a corrida com larga vantagem, mas não o suficiente para trocar pneus e voltar à frente de seus rivais. Piloto e engenheiros conversaram e resolveram realizar a parada. A equipe calculou errado. Lewis voltou e terminou a corrida em terceiro. Segunda vitória consecutiva de Nico Rosberg nesta temporada e a terceira seguida em Mônaco, colocando seu nome de vez na história do principado.

Hamilton disse que a culpa era dividida, mas não dá para negar que a parcela de erro maior foi de seus engenheiros. Talvez pela monotonia da corrida, o inglês reclamou durante a corrida toda, apesar de aparentemente não haver motivo para tanto. No momento crítico da corrida fez mais reclamações e seu engenheiro deve ter dito: ok, get into the pit, motherfucker!

Brincadeiras à parte, seu staff deixou a desejar. Por mais que Lewis tenha sido insuportável, não havia razão para somente ele realizar troca de pneus, mormente quando ninguém mais entraria no box e diante de uma margem tão apertada de tempo. Lewis era o primeiro colocado guiando o melhor carro num circuito de dificílima ultrapassagem. Não havia razão para somente ele trocar pneus. Toto Wolff atribuiu o equívoco à mudança do safety car virtual para o real. No fim das contas, o erro da equipe foi grotesco!

Ademais disso, duas coisas chamaram atenção. A primeira foi o fato de Niki Lauda não mais esconder sua decepção quando Hamilton tem um resultado ruim. Apesar de ocupar o cargo de diretor não executivo na equipe Mercedes, para ele apenas as vitórias de Lewis interessam. A outra foi a postura de Hamilton durante o pódio. Sua frustração era aceitável, a falta de desportividade não. Ele, talvez de forma inédita, – não me recordo de outra situação igual – recusou-se a estourar o champagne, deu meia volta e foi embora. Até brinquei nas redes sociais, questionando o que diriam se fosse Fernando Alonso o protagonista de uma cena daquelas. Mas tudo bem. Vida que segue, o resto da corrida vocês sabem…

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Mas até onde Hamilton tem com o que se preocupar?

Agora Lewis tem contrato com a Mercedes até o fim de 2018. Embora a categoria passe por mudanças no regulamento para a temporada de 2017, não há razão para acreditar que a equipe alemã deixará de ser competitiva até o fim de seu vínculo… A Ferrari cresceu, mas não o suficiente. Red Bull e Williams andaram para trás. Sobre a McLaren não é preciso tecer comentários. Todas essas e demais rivais terão de vir com soluções mágicas para voltar a brigar pelo título, enquanto a Mercedes aguarda de camarote, mas sem ficar inerte.

De fato, se há algum piloto que pode ameaçar Hamilton, digo e repito, esse alguém é Nico Rosberg. Vejo muitas críticas ao alemão, mas o trabalho que ele faz é magnífico. Acompanhar de perto um companheiro do quilate de Lewis merece reconhecimento e respeito. Apesar de o inglês ser melhor, tudo indica que ele não terá tanta facilidade em sua busca pelo terceiro título como era pensado. Novamente, teremos a batalha entre o talentoso e o “trabalhador”. Exemplos no esporte não faltam em que a dedicação e trabalho duro venceram o dom natural mal aproveitado.

Por mais que Rosberg não facilite a vida de Lewis, é difícil de acreditar que o inglês não se sagre tricampeão no fim do ano. Inclusive, arrisco a dizer, pelos motivos supramencionados, que ele já desponta como o grande favorito para 2016. Óbvio tudo isso requer certa parcimônia. Já falei em outros posts que Hamilton mostrou grande evolução, principalmente no quesito maturidade. Em 2014 ele passou por situações de grandes adversidades, mas no final reverteu. Caso não venha a fraquejar, a aposta fica fácil. Ele não pode se dar ao luxo de titubear, pois outro receberá as láureas e será tão merecedor quanto.

Se uma vitória improvável cai bem, imaginem um título…

25/05/15.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

A ordem de forças na Fórmula 1 permanece inalterada e digo isso até com um certo pesar. Não que eu torça pela derrota da Mercedes, mas, como qualquer outro fã da categoria, o que eu desejo é disputa acirrada, repetições do GP do Bahrein, simples assim. Quão bom seria se a maioria das corridas permitisse as batalhas que vêm acontecendo ano após ano no circuito de Sahkir.

Bem verdade que já vimos algumas esse ano com Vettel vencendo na Malásia e com o segundo lugar ameaçador de Raikkonen na última corrida. Todavia, a sensação é de que não passará disso: você pode vencer uma batalha, mas a guerra já está decidida. E isso soa meio que triste para o esporte.

Não obstante todo o cenário que este início tem apresentado, eu – talvez utopicamente – simplesmente quero acreditar que o campeonato continua aberto. Estamos na primeira corrida da Europa e, até então, a Ferrari apresentou-se em condições de disputar o título. Em tese, tudo vai depender da capacidade de desenvolvimento do carro.

Indubitavelmente, a Mercedes não pode ser culpada pela incompetência de suas rivais. Red Bull e Renault ainda não se entenderam, a McLaren-Honda tem muito o que provar, a Williams não conseguiu manter a boa forma do ano passado e ainda que construísse um grande carro, trata-se de uma equipe que recebe motores e sabemos bem as implicações disso, enfim…

Rivais encontrarão uma solução?

Rivais encontrarão uma solução?

A equipe alemã também não pode ser culpada por ter contratado um piloto que parece ter chegado ao seu auge. Depois do bicampeonato, Lewis Hamilton parece consciente da sua atual superioridade e desfila diante de seus rivais como quem diz “eu sou invencível”, tamanha é a sua confiança. Ele evoluiu, está mais forte não só na parte física como mentalmente.

A postura do britânico é de que sabe que este é o seu melhor momento, I’m the man, just deal with it. É bom ressaltar que, apesar de sua grande fase, é natural que eventualmente Hamilton não consiga os melhores resultados, como aconteceu nesta classificação na Espanha. Ele não pode vencer todas, mas sempre será o grande favorito.

Por sua vez, embora a Ferrari já tenha se consolidado como a maior concorrente da Mercedes, a vantagem da equipe alemã ainda é grande e é muito improvável que ela se esvaia. Apesar de não ser a mesma de 2014, parece ser suficiente para assegurar os títulos deste ano. Desafio árduo que se apresenta para as demais escuderias. A equipe italiana, por exemplo, precisará fazer algo que não tem feito há alguns anos: trazer atualizações que deem resultado na pista.

A confiança em pessoa!

A confiança em pessoa!

Não adianta criar ilusões, se as coisas continuarem como estão, o único que poderá realmente desafiar Lewis é seu companheiro de equipe. Ele terá que trabalhar muito para isso e já deu o primeiro passo de uma possível reação que, frise-se, também parece improvável. Ele acabou de conseguir a primeira pole-position da temporada hoje, mas já dava mostras de uma recuperação no Bahrein. O problema de freios no fim daquela corrida teve um quê de injustiça, pois vimos um Rosberg extremamente agressivo e acabou proporcionando muita emoção aos telespectadores…

O Grande Prêmio da Espanha marca a quinta etapa do campeonato e pode ser considerado simbolicamente um novo início da temporada. Não tenho o poder, muito menos presunção de prever ou tentar adivinhar o que vai acontecer amanhã na corrida. Mas é difícil imaginar algo diferente da Mercedes na ponta sem um erro de estratégia ou problemas de confiabilidade.

Caso seja uma corrida semelhante ao último GP, dar-me-ei por satisfeito.

09/05/15.

Prévia – GP do Bahrein: Corrida aberta, qual o seu palpite?

Ontem não foi possível fazer um post sobre a classificação, então faço esse de último momento, a poucas horas do início da corrida. Estamos na quarta etapa do campeonato e a hegemonia da Mercedes está em perigo. Embora a Ferrari ainda não esteja no mesmo patamar da equipe alemã, já demonstrou que tem potencial para alcançá-la e vencer corridas é um objetivo palpável.

Na primeira colocação, nenhuma novidade, Hamilton cravou a quarta pole seguida. Eu não me surpreenderia se o inglês quebrasse o recorde de pole positions consecutivas, que ainda pertence a Ayrton Senna com oito. A título de curiosidade, essa foi a primeira de Lewis neste circuito… Entretanto, novamente, todas as atenções se voltam para um certo tetracampeão. Pela segunda vez no ano, Sebastian Vettel conseguiu ficar entre os pilotos da Mercedes.

Ameaça real?

Ameaça real?

A primeira ocasião foi em Sepang, naquela classificação a diferença para Hamilton foi de apenas 74 milésimos, mas na corrida Vettel levou a melhor. Já nesta, a diferença ficou por volta de quatro décimos. Por sua vez, Nico Rosberg conseguiu apenas a terceira colocação, ficando a mais de meio segundo da pole e afirmou que além de ter usado a estratégia equivocada, subestimou seu compatriota. Segundo ele, tentou preservar um pouco os pneus para a corrida, mas a sua vantagem é mínima:

A desvantagem é grande em ser terceiro. Eu tenho melhores pneus, mas é pouco, a diferença não é grande, portanto a terceira colocação não é boa. Eu subestimei a velocidade de Sebastian e também o quanto me custaria aliviar nos pneus durante o Q2, com os quais eu iniciarei a corrida. Eu não tive ritmo e foi onde errei hoje. Sair em segundo seria diminuir o prejuízo, mas em terceiro realmente não é o ideal.”

A Mercedes está atenta à Ferrari. Realizou mudança no set-up de seus carros na sexta-feira, mas a nova configuração não foi totalmente testada. Apesar da imprevisibilidade, Toto Wolff acredita que estão na direção certa, o que consequentemente trará êxito ao final:

Nós corrigimos algumas coisas, olhando para déficit que tivemos na sexta. Mas não tivemos tempo suficiente para testá-las apropriadamente, pois as mesmas condições noturnas não se repetiram. Acredito que fizemos os ajustes certos para colocar o pneu na ‘janela’ correta, mas a verdadeira prova teremos domingo à noite. É arriscado, mas o que fizemos não foi adivinhação. Ter os pneus e set-up nas melhores condições possíveis foi baseado em engenharia, a partir de uma abordagem científica, mas, novamente, domingo à noite veremos

Na Malásia, diante de circunstâncias imprevisíveis, pudemos creditar todo o mérito a Vettel de se classificar em segundo, porém a situação no Bahrein é um pouco diferente. Não que ele não mereça o crédito, provavelmente deve ter feito o seu melhor. Todavia, a diferença de tempo entre Hamilton e Rosberg – 0,5s o que é abissal na F1 – sugere que o alemão da Mercedes tinha plenas condições de ocupar a segunda posição. Óbvio que o tetracampeão não tem nada a ver com o ritmo de treino escolhido por seu compatriota, mas ainda que Vettel largasse em terceiro, suas esperanças de vitória estão depositadas num melhor ritmo de corrida.

Relembre os melhores momentos do Grande Prêmio do Bahrein de 2014. Que corrida!

Confesso que fiquei surpreso com a declaração de Rosberg. Apesar de partir da terceira posição, Nico estará do lado limpo, o que lhe dá certa vantagem, basta que largue bem. Seria algo absolutamente normal se ele assumisse a segunda posição logo na primeira curva. Digo mais, se Vettel conseguir uma boa largada, Hamilton terá que se defender e uma brecha se abriria para que Rosberg assumisse a ponta. Porém, não me lembro de uma largada forte do atual terceiro colocado no mundial de pilotos. Enfim…

Em poucos instantes confirmaremos se o ritmo de corrida da Ferrari é ameaçador. Em caso positivo, a Mercedes terá motivos mais do que suficientes para se preocupar. O circuito de Sahkir é muito exigente e serve de parâmetro para toda a temporada. Os carros que mostram bom desempenho no Bahrein tendem a ir bem nas demais etapas. Tudo ficaria aberto e, como mencionado em post anterior, dependeria da capacidade de desenvolvimento de cada equipe, com a escuderia de Maranello tornando-se uma real ameaça ao título.

Espero que o Grande Prêmio do Bahrein seja, no mínimo, parecido com a corrida do ano passado. Ingredientes não faltam. Embora não haja previsão de chuva, as estratégias adotadas desempenharão um grande papel na definição do vencedor.

Falta pouco! Qual o seu palpite?

19/04/15.

Críticas a Rosberg são injustas!

Durante o grande prêmio da China, que não foi dos mais emocionantes, houve um diálogo interessante entre Nico Rosberg, atualmente terceiro colocado no mundial, e seu engenheiro. O alemão solicitou que Hamilton aumentasse seu ritmo, pois estava preocupado com Vettel.

Já na coletiva, houve um momento de tensão. Rosberg não gostou do que ouviu de Lewis Hamilton, atual líder e provável campeão desta temporada, tamanho é o seu favoritismo novamente.

Não demorou muito e começou a circular nas redes sociais não só piadas chamando Rosberg de chorão, como várias notícias neste sentido, dizendo que Nico estava fazendo papel de coitado, inclusive algumas matérias afirmando que ele havia perdido o pouco respeito que possuía. Outros diziam que ele deveria ter ultrapassado na pista, pois estava mais rápido… Veja abaixo um trecho da entrevista:

Para começo de conversa, em nenhum momento Rosberg solicitou que Hamilton lhe desse passagem. Longe disso. Durante a conversa, ele se mostrou preocupado apenas com sua segunda colocação. Logo, atacar seu companheiro, naquele momento, não era sua prioridade, por razões óbvias e que depois ele mesmo veio a público falar.

O alemão tinha consciência de que a luta pela vitória estava praticamente perdida. Disputando com seu companheiro dispondo de equipamentos iguais e rendimentos muito próximos, sabendo que a Mercedes ainda enfrenta problemas com o desgaste de pneus e que ao aproximar-se de Lewis eles se desintegrariam mais rapidamente, qual seria o sentido em atacá-lo??! Isso apenas o deixaria vulnerável para uma possível investida de Vettel.

Neste ponto, Rosberg agiu com muita inteligência e ele – melhor do que ninguém, por mais presunçosos que alguns sejam – sabe o quão dura é a tarefa de tentar derrotar Hamilton. Nico tem total consciência da superioridade do inglês e trabalha arduamente para diminuir esta desvantagem. A temporada de 2014 que o diga… Estamos apenas na terceira etapa do campeonato. Assegurar o maior número de pontos possíveis é o seu papel, quando a vitória não está ao alcance.

Por outro lado, diferentemente de Rosberg, Hamilton tem muito mais carisma, consequentemente o número de fãs é bem maior. Então quando essa parte das brincadeiras fica a cargo do torcedor, considero absolutamente normal. Mas quando jornalistas apontam o dedo e resumem o alemão a figura de chorão, derrotado ou outro adjetivo do gênero, sem se dar ao trabalho de refletir sobre tais circunstâncias, percebo o quanto estamos em “maus lençóis”.

Indo um pouco mais além, acredito que Hamilton não mediu suas palavras e pode pagar um preço alto por isso. O inglês disse publicamente que não era seu papel “cuidar da corrida de Nico”, mas apenas administrar a dele. Em sua resposta, Rosberg virou-se para o inglês e disse que era muito interessante ouvir aquilo dele. Pareceu ameaça e talvez tenha sido.

(Abaixo um vídeo do GP de Abu Dhabi 2014)

Imaginemos um cenário no qual a Ferrari apresente uma evolução a ponto de ameaçar o título da Mercedes. Com Vettel (quiçá Raikkonen) tornando-se um postulante a vitórias, certamente Lewis terá de rever seu conceito e não tenho dúvidas de que passará a olhar por outro ângulo a corrida de seu companheiro. O maior interesse da equipe deve voltar a fazer parte de sua filosofia, o que seria muito conveniente…

Quem o critica certamente tem memória curta e não lembra a forma honrosa como Rosberg terminou o campeonato do ano passado. Apesar da certeza da derrota e dos supostos problemas que o carro apresentou, preferiu ir até o fim, algo que considerei extremamente honroso.

O inglês é talentoso demais! Ser seu companheiro, por si só, já é uma tarefa ingrata. Perder para ele não é vergonha alguma. Ainda assim, Nico não se dá por vencido. A diferença de tempo da pole position foi mínima em Xangai, salvo engano ficou na casa dos quatro centésimos. Ele tem tentado. O que lhe resta fazer é não se dar por vencido. Como mencionado acima, estamos apenas no início do campeonato…

Todos sabem que o grande favorito ao título é novamente Hamilton. E você acha que logo Rosberg não sabe disso?!

13/04/15.

Mercedes inicia ano mal, dentro e fora das pistas.

Antes de mais nada: Feliz 2015! Como notaram, o blog está um pouco parado. As férias da Fórmula 1 coincidiram com as minhas, razão pela qual a produção de posts diminuiu. Entretanto, diariamente leio as principais notícias da categoria e é sobre duas delas que pretendo tecer alguns comentários. Ambas ligadas diretamente à equipe Mercedes, que dominou a temporada de 2014 e tem tudo para continuar vencedora em 2015.

A primeira diz respeito à forma como a escuderia alemã está lidando com a renovação do contrato de Lewis Hamilton, que vai até o fim deste ano. Enquanto Nico Rosberg já renovou seu pacto – por “múltiplos anos” – em julho de 2014, o inglês e a Mercedes haviam decidido adiar as conversas para após o término do campeonato.

Ambos decidiram adiar as negociações após o incidente ocorrido em Spa, pois acreditava-se que Hamilton deixaria a equipe caso Rosberg terminasse o ano como campeão, o que não aconteceu. Apesar de Lewis ter assegurado o título, até o momento, um novo acordo ainda não foi firmado. Inclusive, o nome de Fernando Alonso foi novamente cogitado para guiar pela Mercedes em 2016. Eis as palavras de Toto Wolff:

Não há pressa, nós discutiremos isso durante o ano. Estou otimista, a prioridade é continuar com estes pilotos. Se não for possível, então Alonso representa a melhor alternativa, seguido de Bottas. Ele é um rival perigoso em qualquer carro. Se ele está ao volante de um carro que pode terminar em sexto, ele o levará ao terceiro lugar.”

Haverá tensão em 2015?

Haverá tensão em 2015?

As declarações do chefe de equipe da Mercedes soaram, no mínimo, antiéticas. Primeiro, Alonso acabou de assinar um contrato de três anos com a McLaren e já deu declarações afirmando que não haverá sucesso em curto prazo. Segundo, foi algo extremamente deselegante com Hamilton, que conquistou dez vitórias em 2014 e, consequentemente, o título.

Óbvio que os contratos podem ser rescindidos. Caso Hamilton não renove com a Mercedes, não é difícil imaginar um cenário em que haja uma troca de pilotos entre a equipe inglesa e a alemã, mas não é isso que se discute aqui. Toto Wolff quer ficar em situação mais vantajosa, o que é natural, porém a forma não está sendo a mais adequada, já que trata o inglês como um piloto descartável. É como se ele dissesse: estes são os termos da sua renovação, caso não aceite, tudo bem, Alonso assumirá seu lugar…

Agora o outro assunto. A equipe alemã tem um problema – talvez maior do que o abordado acima – para a temporada de 2015. Como todos já sabem, as fornecedoras de unidades motrizes (Ferrari, Renault e inclusive a Mercedes), com exceção da Honda, que retorna à categoria este ano e será a fornecedora da McLaren, poderão realizar modificações no decorrer do ano, o que não era permitido, devido à regra do “congelamento do motor”. A montadora japonesa ainda está tentando valer-se dos mesmos direitos das concorrentes.

Se em 2014 a vantagem da equipe alemã era tamanha, a ponto de não sofrer qualquer ameaça tanto no mundial de pilotos como no de construtores, especula-se que este ano a facilidade não se repetirá. Se a Ferrari terá de melhorar bastante em praticamente todas as áreas, este não é o caso da RBR. A escuderia austríaca concebeu ano passado um monoposto competitivo, porém o motor Renault não estava à altura. Ainda assim, Ricciardo conseguiu três vitórias. Vale lembrar que, embora boa parte do staff técnico esteja saindo para outros times, o carro desse ano ainda terá como responsável Adrian Newey.

Manterá o domínio em 2015?

A Mercedes manterá seu o domínio?

A Mercedes vê a Williams como principal rival, entretanto por ser uma equipe que recebe motores de outra (da própria Mercedes), acredita-se que ela não conseguirá explorar totalmente as unidades motrizes recebidas. Ron Dennis, por exemplo, afirmou abertamente que os dados necessários não foram inteiramente disponibilizados, embora Toto Wolff negue tal fato. Este, inclusive, foi um dos motivos que levaram ao rompimento entre a McLaren/Mercedes e proporcionou o retorno da antiga parceria McLaren/Honda, que fez história no fim da década de 80 e início de 90. Confira um trecho das declarações do dirigente da equipe de Woking:

Um motor moderno, neste momento, não é apenas pura força, é sobre como você colhe a energia, como você a armazena e se você não tem o controle deste processo – digo acesso ao código da fonte de informações – então não será capaz de estabilizar seu carro na entrada das curvas, etc e perderá muito tempo por volta. Portanto, mesmo que você tenha a mesma marca de motor, isso não significa que terá a habilidade para otimizá-lo… Tivemos uma grande parceria com a Mercedes, mas pretendemos ser bem sucedidos com a Honda.”

Ano passado a Mercedes permitiu que seus pilotos brigassem abertamente pelo título, mas isso não deverá se repetir caso as outras equipes tornem-se um perigo real e ponham em risco sua hegemonia. Em 2014, Toto Wolff e cia não demonstraram ter muita habilidade para contornar os problemas internos, como abordado em post anterior (http://wp.me/p4f3dZ-9j) e o título só não escapou, pois não havia concorrência.

Havendo a mínima ameaça, a escuderia alemã adotará com mais frequência as famosas “ordens de equipe” e terá de optar por um de seus pilotos, como sempre ocorreu na Fórmula 1, embora alguns tenham dificuldade de enxergar a realidade que se apresenta bem diante de seus olhos.

10/01/15.