Mês: abril 2014

Contradição? Mercedes volta atrás e admite usar ordens de equipe.

No disputadíssimo GP do Bahrein, dentre os duelos travados, talvez o que tenha chamado mais atenção foi o que aconteceu entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Não só por serem pilotos da mesma equipe, mas, também, pelo fato de estarem brigando pelo lugar mais alto no pódio. Naquela corrida, o inglês se manteve à frente de seu companheiro, conseguindo a segunda vitória na temporada.

Após a corrida, a equipe inteira estava em puro êxtase. Na ocasião, o alto escalão da Mercedes vangloriava-se de sua filosofia. Paddy Lowe, co-diretor executivo, afirmou que a competição vem sempre em primeiro lugar e que a não utilização de ordens de equipe era algo que deviam ao esporte e aos fãs (confira aqui o post (http://wp.me/p4f3dZ-2y).

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Não demorou muito para que o tom do discurso mudasse. Após a corrida de Xangai, quarta etapa do campeonato, a equipe parece ter revisto toda a sua forma de pensar. As declarações de que a Mercedes pode, sim, fazer uso de ordens de equipe foram dadas a BBC pelo outro diretor executivo, Toto Wolff, em aparente contradição com seu colega:

“Pode haver situações em que não se pode perder muito tempo na disputa (interna), se você tem o inimigo logo atrás de você.

“Bahrein foi uma situação muito particular, porque nosso conjunto funcionou muito bem e lá tivemos uma vantagem muito competitiva, então é mais fácil tomar uma decisão pelo bem da corrida, pois você sabe que tem uma boa margem para quem está em terceiro lugar

“Quanto menor a margem fica, mais cuidado você tem de ter. Nossa regra é que a competição é o nosso primeiro inimigo, não o companheiro de equipe, então pode haver situações na corrida em que você tem de considerar isso (uso das ordens), mas veremos o que acontece.”

Toto Wolff parece ter memória curta. As polêmicas ordens não são novidades na equipe Mercedes.

Em 2013, no controverso GP da Malásia, durante as voltas finais, Nico Rosberg estava bem mais rápido que Lewis Hamilton, terceiro colocado naquele momento, e queria a chance de brigar pelo pódio. Ao solicitar à equipe autorização para ultrapassá-lo, Ross Brawn, então chefe da equipe, foi categórico em sua resposta: “Negativo, Nico”. No fim da corrida, Rosberg, nitidamente insatisfeito, mesmo recebendo elogios da equipe pelo trabalho realizado, apenas respondeu: “Lembre-se dessa.”

No GP do Bahrein dessa temporada, quando a disputa interna começou, Paddy Lowe também interveio pedindo para que seus pilotos se certificassem de “trazer os carros pra casa”, mas sustentou que não se tratava de uma ordem de equipe.

Afinal, a que se deve uma mudança tão repentina em sua postura? Se era algo que fazia parte de sua filosofia no automobilismo e de que tanto se orgulhava, qual motivo levaria a equipe, em menos de um mês, rever sua posição? A reposta é simples. A real ameaça das outras escuderias.

A RBR já mostrou ter grande poder de reação. Em 2013, apesar do início disputado, na segunda metade da temporada Sebastian Vettel venceu nove corridas consecutivas. Neste ano, a equipe austríaca praticamente não realizou testes na pré-temporada, mas já no GP da Austrália desafiou a Mercedes na disputa pela pole position, apesar de não ter oferecido perigo durante as provas.

Mas o que deixou a equipe alemã em estado de alerta foi outro motivo. Bastou a Ferrari conseguir um pódio com Fernando Alonso, no grande prêmio da China, para que, prontamente, a possibilidade de ordem de equipe fosse levada em consideração.

As peças introduzidas no F14t deixaram o carro da escuderia de Maranello mais competitivo, a ponto de desbancar a Red Bull e oferecer resistência a, pelo menos, um dos carros da Mercedes. O diretor técnico da Ferrari, James Alison, já informou que o carro terá mais mudanças para o GP da Espanha, que será disputado em 11 de maio.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Os debates acerca das ordens de equipe são sempre acompanhados de polêmica. Os fãs, em geral, as veem como algo negativo para o esporte. Para o brasileiro, então, o tema é ainda mais delicado.

Rubens Barrichello e Felipe Massa, esperanças brasileiras na fórmula 1, em determinado momento de suas carreiras, ficaram marcados por terem se submetido às ordens. Para o torcedor é difícil entender que o interesse da equipe deve vir em primeiro lugar. Por sua vez, a imprensa, interessada num tema que gera muita exposição, em nada contribui, pois explora-o de maneira negativa.

O exemplo mais recente em que a falta de comando custou um título foi em 2007. A McLaren havia contratado Fernando Alonso e decidiu que Lewis Hamilton, pupilo de Ron Dennis, fosse seu companheiro. O estreante mostrou ter condições de lutar pelo título. A equipe inglesa tinha o melhor carro do grid e deixou que seus pilotos brigassem “livremente”.

Ocorre que a vantagem da equipe de Woking não era tão ampla em relação à Ferrari. Hamilton e Alonso terminaram com 109 pontos. O campeonato de pilotos caiu no colo de Kimi Raikkonen (110 pontos), com direito a jogo de equipe a seu favor na última corrida.

As  polêmicas ordens não fazem bem à imagem das equipes, sendo que algumas negam o seu uso, subestimando, às vezes com razão, a inteligência de quem acompanha o esporte. Mas todas escuderias fazem uso delas, e, não raro, as emitem através de códigos.

As únicas ocasiões em que não há necessidade de se fazer uso é quando a superioridade de uma equipe é tão grande, que existe a certeza de se ganhar o campeonato de construtores e de pilotos, a exemplo da McLaren, só que na época de Senna e Prost.

Se fazer uso das ordens de forma aberta e transparente com seu torcedor arranha a imagem da equipe, transformando-a em vilã, pior é o caso onde se exalta que a vitória deve ser conquistada na pista e logo após se vê obrigada a fazer uso delas.

Talvez resida aí a verdadeira preocupação da Mercedes.

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Hamilton firme na luta pelo Bi.

Após o abandono na primeira etapa da temporada, Lewis Hamilton sobrou nas três corridas posteriores, vencendo-as sem muito trabalho, exceto no GP do Bahrein, em que disputou, por algumas voltas, a liderança com seu companheiro de equipe Nico Rosberg. O alemão lidera o campeonato com 79 pontos, Hamilton, mesmo tendo ficado de fora em Melbourne, já soma 75. O inglês está em sua melhor forma e parece imbatível.

Se tudo continuar assim, ao final da próxima corrida, o campeonato já terá um novo líder, pois uma vitória vale 25 pontos, enquanto o segundo lugar, 18. A diferença entre os pilotos da equipe Mercedes é de apenas 04.

Lewis não escondeu, durante a festa do pódio, a facilidade de sua vitória, realçando, obviamente, o esforço da equipe em lhe dar um carro perfeito:

“Eu não acredito quão fantástico o carro está e quão duro todos trabalharam. Após a largada, realmente, só corri contra eu mesmo. Estou muito feliz por Nico estar aqui. Ótimos pontos para a equipe.”

Não foi o fim de semana dos sonhos para Rosberg. Após errar durante a classificação e ter conseguido apenas o quarto lugar, o alemão, que caiu para a sexta posição ainda na primeira volta, conseguiu fazer uma corrida de recuperação e chegou em segundo, reduzindo o prejuízo.

Pódio - GP da China.

Pódio – GP da China.

Por sua vez, a Ferrari conseguiu o primeiro pódio do ano. As novas peças introduzidas no F14T deram resultado. Os treinos livres davam mostra de sua evolução e a corrida a confirmou. Alonso largou em quinto, ganhou duas posições – após um toque com Massa – passou Vettel depois do primeiro pit-stop e manteve-se à frente de Ricciardo até o fim da corrida. O espanhol assumiu o terceiro lugar no campeonato com 41 pontos:

“Foi um bom fim de semana. Melhoramos um pouco o carro, comparado às três primeiras corridas, então nos sentimos mais competitivos, estar no pódio é uma boa surpresa para nós. Acho que estou em terceiro no campeonato atrás desses dois caras. Não tivemos o início de temporada que gostaríamos, mas ainda estamos na luta.”

Sebastian Vettel foi mais uma vez superado por seu companheiro. O australiano apresentou um rendimento muito superior, dando a impressão, pois ainda não foi confirmado,  de que o carro do tetracampeão apresentava problemas, a exemplo do que aconteceu no GP do Bahrein, em que foi possível perceber que seu assoalho arrastava pelo asfalto. O que em nada diminui o mérito de Ricciardo, que vem fazendo provas muito consistentes. Vettel chegou a desobedecer uma ordem de equipe, dificultando a ultrapassagem, momento em que a TV flagrou Horner fazendo cara de poucos amigos.

Felipe Massa, que novamente largou bem, teve sua corrida arruinada, após um erro da Williams, durante a primeira parada nos boxes para troca de pneus. Terminou a prova em 15º lugar. Seu companheiro de equipe, Valteri Bottas, chegou em 7º, à frente de Kimi Raikkonen.

Coletiva de imprensa.

Coletiva de imprensa.

Embora não tenha sido tão emocionante como a corrida do Bahrein, o grande prêmio de Xangai não teve o tédio das duas etapas iniciais. Hamilton se mostra franco favorito para a conquista do seu bicampeonato. Seu adversário imediato parece não ter o talento necessário para lhe impor resistência, além de ser claramente, embora a equipe negue com veemência, o segundo piloto da equipe.

Hamilton, que chegou a sua 25 ª vitória, igualando-se a ninguém menos que Jim Clark e Niki Lauda, foi contratado para assumir o papel de líder da equipe. Lewis que era tratado como filho por Ron Dennis, deixou a McLaren, depois da oferta milionária feita pela equipe alemã e talvez por compreender que a Mercedes seria forte, a partir da introdução das novas regras.

Já a situação de Rosberg se assemelha à vivida por Felipe Massa na Ferrari. Se a equipe italiana tivesse confiança em seu talento, não teria trazido Raikkonen ou Alonso. Da mesma forma, a Mercedes não teria contratado Hamilton.

Bem verdade que a RBR evoluiu, levando-se em conta os treinos da pré-temporada, e a Ferrari mostrou-se mais competitiva na China. Todavia ambas terão de dar saltos gigantescos na evolução dos seus carros. Afinal a Mercedes também trouxe e trará novas peças.

Embora Alonso tenha chegado ao pódio,  a diferença para o inglês foi de 25 segundos, uma eternidade no mundo da Fórmula 1. Lewis Hamilton parece inalcançável em 2014.

Niki Lauda rebate os críticos da nova Fórmula 1.

Em entrevista exclusiva para a revista inglesa Autosport, Niki Lauda não viu com bons olhos as críticas feitas à Fórmula 1 por dois de seus importantes nomes: Bernie Ecclestone, chefe da categoria, e Luca di Montezemolo, Presidente da Ferrari. Para o austríaco, ao fazê-lo de forma aberta, estão correndo o risco de destruir a imagem do esporte.

As críticas foram realizadas com mais força antes da ótima corrida do GP do Bahrein. Como as duas primeiras etapas deixaram a desejar no quesito emoção, de fato, houve espaço para insatisfação geral, principalmente do público, pois as novas regras pareciam não ter feito bem ao esporte.

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Montezemolo e Ecclestone – Ícones do automobilismo.

Atualmente ocupando um cargo de diretor não executivo, o tricampeão nas temporadas de 75, 77 e 84 – que teve sua rivalidade com James Hunt retratada no filme Rush, no limite da emoção – considerou estúpida a forma como personalidades de tão importância falavam mal da categoria abertamente e comparou o fato à hipótese em que o diretor critica seu próprio filme, antes mesmo de ser lançado:

” Se Ron Howard tivesse dito ‘eu estou fazendo o filme Rush e posso dizer, é o pior filme que eu já fiz’. É 0 que está acontecendo com a Fórmula 1. Se ele tivesse dito isso antes do filme sair, ninguém teria ido vê-lo. Portanto, o que estamos fazendo agora é destruir nosso próprio esporte.”

“Acredito que tudo começou na Austrália, porque os organizadores reclamaram do volume do barulho (do motor) e Bernie reclamou desde o primeiro dia do seu ruído. Então foi-se para a dinâmica da corrida e Montezemolo disse que não havia combustível suficiente.”

“Neste momento todos expuseram seu próprio problema e eu nunca vi uma abordagem tão estúpida. Como podem fazer isso? Eu estou falando como uma pessoa normal, não como alguém da Mercedes. É ridículo”

Niki Lauda, que se encontrou com Ecclestone e representantes das equipes no Bahrein para discutir sobre os problemas das novas regras, espera que as críticas diminuam, após o consenso de que tentarão aumentar o ruído do motor para reduzir a preocupação de quem promove o espetáculo, porém, na visão do austríaco, as reclamações não passam de uma tentativa de mudança de regras no meio da competição, por conta do domínio da Mercedes no início da temporada:

“Eu não me importo com quem ganha, mas é extremamente injusto que agora todos esperneiem, porque as primeiras corridas foram vencidas pela Mercedes. Red Bull e Sebastian Vettel entediaram a todos a partir da metade da última temporada ganhando nove corridas e ninguém disse nada. É injusto. Graças a Deus, eu só posso dizer, depois do domínio da Red Bull ano passado, que agora há alguém mais. É o melhor que se pode fazer pelo esporte, portanto esqueçam.”

Nessa discussão, cada um defende seus interesses. Bernie Ecclestone, que recentemente enfrentou as Justiças inglesa e alemã, a cada dia vê seu poder diminuir. A Ferrari desde 2008, quando ganhou o campeonato de construtores, não sabe o que é conquistar um título. E Niki Lauda, hoje diretor da Mercedes, teme que uma mudança no meio da competição custe o domínio imposto, até então, por sua equipe.

E o tricampeão tem razão. Na última temporada, até a sua primeira metade, a disputa estava acirrada entre Vettel e Alonso. Após uma alteração no composto dos pneus, o alemão conseguiu vencer nove corridas consecutivas. Adrian Newey e Christian Horner não escondem o fato de que sem a mudança no meio da temporada, provavelmente não teriam vencido.

Apesar de afirmar que só quer alterações para o ano que vem e mesmo com a corrida excepcional do GP do Bahrein, a Ferrari continua criticando as novas regras, publicando essa semana em seu site a opinião do presidente do comitê olímpico italiano acerca da nova fórmula 1, mas, finalmente, parece ter entendido que a mudança de que mais precisa é a interna.

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(Acima Montezemolo e seu então piloto Niki Lauda. Na outra imagem, uma versão mais atual.)

Luca di Montezemolo não gostou nada do desempenho dos carros no deserto bareinita. A primeira modificação culminou na saída de Stefano Domenicali. Embora tenha noticiado que houve pedido demissão, a hipótese mais provável é que o presidente da Ferrari tenha lhe concedido uma saída honrosa. Seu substituto é Marco Mattiacci, responsável pelo sucesso da montadora Ferrari no mercado americano.

E quem sabe a Ferrari já não esteja acertando a mão também na evolução do carro. Fernando Alonso liderou o primeiro treino livre do GP da China e no segundo ficou apenas a pouco mais de um décimo de Hamilton, porém à frente de Nico Rosberg, resultado surpreendente se levarmos em conta que a maior dificuldade apresentada pelo F14T é o alcance de velocidade em reta, característica predominante dessa pista.

Embora a última corrida tenha sido espetacular, nada é tão bom que não possa melhorar. É o que acontecerá caso outras equipes consigam ameaçar o domínio mostrado pela Mercedes. A disputa pelos primeiros lugares é sempre muito mais emocionante. Os torcedores estavam sentindo falta de emoção, mas o tédio prevalecerá, se a disputa se resumir aos pilotos da equipe alemã.

Ainda resta um treino livre que acontecerá a partir da meia noite deste sábado, enquanto que o classificatório acontecerá às 03:00hs. Já a corrida tem horário marcado para as 04:00hs de domingo.

Resultados dos dois primeiros treinos livres – China:

1º Treino

Piloto nº do carro Equipe
1 Fernando Alonso 14 Ferrari 1:39.783
2 Nico Rosberg 6 Mercedes 1:40.181
3 Daniel Ricciardo 3 Red Bull 1:40.772
4 Jenson Button 22 McLaren 1:40.970
5 Nico Hulkenberg 27 Force India 1:41.175
6 Kevin Magnussen 20 McLaren 1:41.366
7 Jean-Eric Vergne 25 Toro Rosso 1:41.505
8 Lewis Hamilton 44 Mercedes 1:41.560
9 Sebastian Vettel 1 Red Bull 1:41.629
10 Felipe Massa 19 Williams 1:41.699
11 Daniil Kvyat 26 Toro Rosso 1:41.977
12 Romain Grosjean 8 Lotus 1:42.090
13 Felipe Nasr 77 Williams 1:42.265
14 Giedo van der Garde 99 Sauber 1:42.615
15 Sergio Perez 11 Force India 1:42.733
16 Pastor Maldonado 13 Lotus 1:43.731
17 Kamui Kobayashi 10 Caterham 1:44.038
18 Esteban Gutierrez 21 Sauber 1:44.162
19 Jules Bianchi 17 Marussia 1:44.270
20 Max Chilton 4 Marussia 1:44.782
21 Marcus Ericsson 9 Caterham 1:44.835
22 Kimi Raikkonen 7 Ferrari No time

2º treino

Piloto nº do carro Equipe
1 Lewis Hamilton 44 Mercedes 1:38.315
2 Fernando Alonso 14 Ferrari 1:38.456
3 Nico Rosberg 6 Mercedes 1:38.726
4 Daniel Ricciardo 3 Red Bull 1:38.811
5 Sebastian Vettel 1 Red Bull 1:39.015
6 Felipe Massa 19 Williams 1:39.118
7 Kimi Raikkonen 7 Ferrari 1:39.283
8 Jenson Button 22 McLaren 1:39.491
9 Romain Grosjean 8 Lotus 1:39.537
10 Daniil Kvyat 26 Toro Rosso 1:39.648
11 Nico Hulkenberg 27 Force India 1:39.736
12 Kevin Magnussen 20 McLaren 1:39.744
13 Jean-Eric Vergne 25 Toro Rosso 1:39.759
14 Valtteri Bottas 77 Williams 1:39.830
15 Sergio Perez 11 Force India 1:40.124
16 Esteban Gutierrez 21 Sauber 1:40.359
17 Adrian Sutil 99 Sauber 1:40.395
18 Pastor Maldonado 13 Lotus 1:40.455
19 Jules Bianchi 17 Marussia 1:42.327
20 Max Chilton 4 Marussia 1:43.473
21 Kamui Kobayashi 10 Caterham 1:43.530
22 Marcus Ericsson 9 Caterham 1:43.679

Mercedes afirma que não usará ordens de equipe.

O GP do Bahrein, corrida de nº 900 da categoria, foi um golpe duro naqueles que, apesar de se tratar apenas da terceira etapa da temporada, criticavam ferozmente a nova Fórmula 1. Após duas corridas sem muita emoção, a prova de Sahkir foi marcada por muitas disputas, inclusive entre pilotos da mesma equipe, e belas ultrapassagens.

Logo no início, Felipe Massa fez uma grande largada, enquanto Hamilton tomou a ponta de Rosberg. Raikkonen mais uma vez deixou a desejar e, apesar de ter largado na frente de Alonso pela primeira vez na temporada, quando abriu os olhos, já se encontrava atrás do espanhol. Quem conseguiu um bom resultado foi Sergio Perez, terceiro colocado. Depois de uma temporada pífia pela McLaren em 2013 e quase ter ficado sem equipe para esse ano, o mexicano admitiu que, por um momento, pensou em abandonar a categoria.

Mais uma vez, a disputa pelas primeiras posições se restringiu aos pilotos da Mercedes. Após três etapas, Nico Rosberg lidera o campeonato com 61 pontos, seguido de seu companheiro Lewis Hamilton com 50, enquanto que o terceiro, Niko Hulkenberg, soma apenas 28. No campeonato de construtores, larga vantagem para a equipe alemã. São 111 pontos contra míseros 44 da segunda colocada Force India, que também corre com motor Mercedes.

No Bahrein vimos a batalha intensa, ao menos por algumas voltas, entre os pilotos da equipe Mercedes. Rosberg, que estava com pneus mais macios, iniciou uma série de ataques a Hamilton. O inglês resistiu de forma brilhante. Há quem diga que foi a melhor apresentação de sua carreira. Apesar da disputa intensa, e tenham negado veementemente, houve uma clara ordem de equipe. Há dez voltas do final, Paddy Lowe, co-chefe de equipe, fez questão de se identificar dizendo a seus pilotos: “Make sure we bring both cars home” (tragam os dois carros pra casa).

Questionado se seus pilotos haviam desobedecido sua ordem, Lowe afirmou que não, pois eles estavam livres para correr e que a ordem não era pra manterem a posição, mas para darem espaço um ao outro, durante a disputa. Niki Lauda, contradizendo tal afirmação, riu e disse que Rosberg e Hamilton não lhe deram ouvidos.

Com o claro domínio da Mercedes, em tese, não há motivos para se impor ordens aos pilotos. Paddy Lowe disse que o time sentiu ser seu dever deixa-los correr sem interferência:

“Imaginem se nós impuséssemos ordens a partir da segunda volta ou algo do tipo. Que coisa terrível seria para F1 e para filosofia da Mercedes no automobilismo. É algo que devemos a nós mesmos e ao esporte. E aos pilotos. Eles são grandes pilotos. São profissionais. Você quer dá-los a oportunidade correr.”

O metafórico Lewis Hamilton, vencedor da corrida, se mostrou satisfeito:

Ambos estávamos no fio da navalha. Quando se está no fio da navalha o risco aumenta. Nós estávamos no limite. E talvez, da próxima vez, nós recuaremos um pouco. Mas hoje eu não estava diminuindo nada. Ele estava fazendo 100, então eu tinha de ir 100. Eu não posso ser 95 e ele 100. Mas acho que ele dirigiu fantasticamente bem. Ele foi limpo e acredito que eu também. Foi por pouco, mas acho que não arruinamos nossas corridas. A equipe depositou sua confiança em nós, o que é ótimo”

Ainda que queira passar outra imagem, a Mercedes tem, sim, seu piloto favorito. E ele é Lewis Hamilton. O salário anual do inglês chega aos 65 milhões de reais. Já Nico Rosberg ganha 35,7 milhões, pouco mais da metade. Estamos no início da temporada. Como dito acima, em tese, não há motivos para impor ordens, ainda mais quando a disputa pela vitória está se resumindo a seus pilotos. Todavia, algumas atitudes da equipe são, no mínimo, questionáveis.

Durante a prova do Bahrein, na vigésima volta, o alemão estava melhor e já pressionava Lewis. O inglês foi chamado aos boxes. Rosberg deveria ter sido chamado na volta seguinte, porém lhe foi pedido para permanecer mais duas voltas na pista. Ao sair do seu pit-stop, Hamilton cumpriu seu papel e deu voltas rápidas com os pneus novos, aumentando a vantagem para seu companheiro. Óbvio que a equipe sabia que isso iria acontecer!

Rosberg e Hamilton. Do Kart à F1.

Rosberg e Hamilton. Do Kart à F1.

Nas voltas finais, com a entrada do Safety Car, Hamilton perdeu a vantagem que tinha. Foi quando Rosberg iniciou o ataque. De repente veio uma ordem e não foi dada por seus engenheiros. O chefe da equipe fez questão de identificar dizendo aqui é Paddy Lowe, certifiquem-se de trazer os carros pra casa.

Havia realmente necessidade de tal aviso? Creio que não. Embora não saibamos todos os códigos e acordos internos – a exemplo do Multi 21 da RBR ano passado – Rosberg parecia ter um carro superior, por conta dos pneus mais macios. Houve tentativas de ultrapassagem, mas Rosberg, “inexplicavelmente”, não conseguia se manter à frente.

Não sou adepto a teorias conspiratórias, mas não só a F1 precisa de show. A Mercedes também. Antes dessa corrida, Bernie Ecclestone e Luca di Montezemolo criticaram duramente o novo formato da categoria, pois, até então, as duas primeiras etapas foram monótonas.

A Mercedes lidera com larga vantagem. Qualquer mudança durante a temporada dificilmente beneficiaria a equipe alemã. Portanto, diferentemente do que Paddy Lowe falou, é possível sim, a exemplo do que acontecia na McLaren na época de Hakkinen e Coulthard, que haja um acordo interno no sentido de que o piloto que estiver liderando em tal volta permanecerá na frente. Deem show, mas obedeçam o acordo.

Prefiro acreditar que Hamilton permaneceu na frente por conta de seu grande talento e que Rosberg preferiu desistir da ultrapassagem pensando no campeonato. Mas é bom lembrar: na Fórmula 1 tudo é possível.