Principal, coadjuvante ou vilão. Qual será o papel de Nico Rosberg em 2016?

Fala, pessoal…

Já faz um tempo, hein? 2015 não foi um ano muito ativo para o blog, mas tentarei fazer um 2016 diferente. Vamos ao que interessa…

Circunstâncias imprevistas – naturais quando se trata de corridas de automóvel, mas que nem sempre acontecem – tornaram o Grande Prêmio da Austrália interessante. A má largada de Hamilton, seguida da ótima de Vettel e a colisão envolvendo Gutierrez e Alonso trataram de trazer emoção ao GP. A vantagem construída por Vettel foi eliminada com a bandeira vermelha e por conta de um erro primário de estratégia da equipe italiana. Isso, somado à incompetência de Vettel que não ultrapassou Hamilton, mesmo estando com pneus melhores no fim da corrida, possibilitou a dobradinha da equipe Mercedes.

Está claro. Mercedes ainda à frente, como supunha-se e a Ferrari ligeiramente mais próxima. Apesar da vantagem alemã ter diminuído, para sagrar-se vencedora ao fim do ano, a Ferrari terá que trazer atualizações eficientes durante o decorrer da temporada. Algo não visto há um bom tempo. Mas isso é assunto para os próximos capítulos…

Em relação ao resultado da corrida, confesso que fiquei surpreso. Não esperava que Rosberg fosse ser o vencedor. Particularmente, imaginei um passeio do inglês. Pensei comigo: será outra temporada igual às duas anteriores. Bem, essa ainda é uma possibilidade e talvez a mais provável. Porém, se a Ferrari continuar com desempenho semelhante ou consiga melhorar, poderemos ter uma temporada bem interessante e Nico pode ter papel importantíssimo, quiçá surpreendente.

Nas duas últimas temporadas ele foi o coadjuvante. Fez um ótimo campeonato em 2014 e o título só foi decidido em Abu Dhabi, naquela corrida de final dramático. No ano seguinte, ele foi incapaz de acompanhar Hamilton, apesar de ter terminado muito bem. Entretanto, a equipe teve grande influência nesse ponto. A partir do momento em que o inglês assegurou seu terceiro título, ficou claro que o foco da Mercedes havia mudado. Lewis foi praticamente impedido de disputar a vitória nas demais corridas. A prioridade dada a Rosberg era velada, mas perceptível por conta da escolha de estratégias diferentes para seus pilotos. Todavia, naquele momento, uma conduta mais do que compreensível da equipe alemã. Ademais, a postura “baladeira” do inglês não estava agradando, pode ter sido um aviso a ele, mas num momento bem conveniente. Enfim…

Disputa ao longo da temporada?

Disputa ao longo da temporada?

o papel de vilão, mais improvável, se daria caso a disputa ficasse entre Hamilton/Vettel e Rosberg assumisse a postura de não ajudar seu companheiro. Esta possibilidade, na qual deixo claro não crer, não seria tão nova para o alemão da Mercedes. Naquela ocasião a disputa era direta, mas Nico recebeu tal rótulo após o incidente de SPA em 2014. Inúmeras foram as vezes que recebeu vaias durante as solenidades de pódio nas corridas que se seguiram. Contudo, é muito improvável que deixe de ajudar Hamilton, caso não esteja na luta pelo campeonato.

Por fim, o mais desejado: o papel principal. Para assumi-lo, Rosberg terá de se reinventar, fazer algo que não fez nas últimas duas temporadas. Primeiramente terá de vencer a disputa interna. Ele já venceu algumas batalhas, mas nunca o suficiente para ganhar a guerra. A conquista da primeira etapa do ano foi apenas o primeiro, mas quem sabe um grande passo.

Ainda na primeira metade de 2014, Hamilton afirmou que tinha mais fome de título. É hora de mostrar que o inglês está equivocado. Desculpar-se por ter jogado duro na largada, ainda que não tenha sido a intenção, não é compatível com a postura de quem quer ser campeão. Quantas vezes Hamilton desculpou-se em 2015? Não me recordo… Infelizmente o campeão precisa ser mau em algumas/várias ocasiões.

Se o diabo mora nos detalhes, na Fórmula 1 esse ditado, inclusive de origem alemã, ganha ainda mais força. Num esporte de tão alta performance, tudo é levado em consideração. Chances não poderão ser desperdiçadas. Um, dois décimos de segundo é o suficiente para separar o campeão do restante. A diferença de performance entre os pilotos da Mercedes não é tão grande. Hamilton pode ser um piloto melhor, mas não é imbatível.

Em Melbourne, o nº 2 da Mercedes foi o que mais beneficiou-se das circunstâncias. Hamilton largou mal, Kimi abandonou, a Ferrari errou a estratégia e pela disputa da segunda colocação Vettel não conseguiu ultrapassar Lewis, apesar de estar em melhores condições naquele momento. Com a Ferrari próxima, o alemão que guia pela escuderia italiana deve embaralhar a disputa. Além de desejar bastante, Rosberg terá de tirar proveito dessa circunstância.

E se a disputa for realmente apertada, logo Toto Wolff mudará esse discurso de liberdade dos pilotos. Alguém será priorizado. Hamilton é o nº 1 por inúmeras razões (talento, investidores etc), mas não podemos dizer que ele não merece.

Não há segredo, Rosberg terá de fazer por merecer…

22/03/2016.

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7 comentários

  1. Primeiramente, bom demais ver seu blog novamente na ativa.

    Bem, pra mim ROS é principal. Qualquer um que rivalize com o campeão, é principal.

    Coadjuvante é a galera da meiuca.

    Se ele for o vilão, entrega uma estatueta pro rapaz. Seria a maior dissimulação do século.

    Sobre as vaias, acho que claques não podem ser levadas a sério.

    Luisinho chegou numa condição que só perde para ele mesmo. É o nº1 e ponto final.
    Além do seu enorme talento e algum carisma, HAM sabe se movimentar muito bem no xadrez da F1.

    Uma pena que Don Fernando de las Astúrias não esteja em condições de rivaliza-lo.

    Nossa Saveiro de funerária não tem jeito mesmo HUMPF!

    Grande abraço

    1. Fala, Attila…

      Vamos tentar deixar o espaço mais ativo esse ano…

      Bom contar com sua visita fiel!

      Quando falei em principal, estava me referindo ao fato de que apenas um sai como campeão…

      De fato, quanto à rivalidade mencionada, seu lamento é o meu também… Mas ainda há esperança…

      Grande Abraço!

  2. Incompetência do Vettel não, vários pilotos tiveram dificuldades de passar carros inferiores nesse gp, inclusive Hamilton que não passou uma Str e Sainz que sofreu atrás de uma Renault, Vettel vinha sendo perfeito até que a Ferrari cagou com a corrida dele.

    1. Bem-vindo, Eric…

      Bem, sem dúvida, a Mercedes tem o melhor carro do grid, porém a STR surpreendeu, inclusive parece estar à frente da Red Bull e Williams. Naquele momento, Verstappen tinha pneus com o mesmo número de voltas de Hamilton. E muito embora a Ferrari tenha se equivocado quanto à estratégia, Vettel cometeu erro ao tentar ultrapassar o inglês. Se eu estiver errado, me corrija…

      Abraço!

      1. Sim Vettel cometeu um erro, mas mesmo se não tivesse cometido seria muito difícil passar pq ele já estava com pneus muito desgastados e não conseguia sair colado no Hamilton na reta.

  3. Creio que o Rosberg, mesmo tendo perdido os últimos dois títulos para o Hamilton, ele não pode ser tratado como um coadjuvante pois é o principal candidato ao título frente ao inglês.

    Se o Rosberg está tentando fazer um papel de vilão este ano, só uma coisa: BOA SORTE!
    Penso que ele tem mais chances de perder do que ganhar com isso pois o Hamilton não é nada bobo.

    Sobre como dever ser o campeonato, creio que o Hamilton ainda é o favorito ao título pelo talento que tem, porém este ano não com tanta vantagem, o Rosberg devei brigar mais por este campeonato pois pode ser sua ultima oportunidade de título ou de até mesmo continuar na fórmula 1. E ainda vamos ter Sebastian Vettel com chances reais de título também, porque mesmo a Ferrari ainda estar atrás, a vantagem que a Mercedes tem é bem pouca e com estas novas regras de escolha de pneu pode dar uma boa mexida durante as corridas. E vale lembrar a melhora significativa que tiveram a Red Bull e principalmente a Toro Rosso que podem arrancar pontos importantes de quem está na briga direta pelo caneco.

    As Williams creio que depois de lá pela segunda parte o campeonato podem se misturar nesta bagunça dos ”touros vermelhos”.

    Vamos aguardar, muito cedo ainda pra dizer qualquer coisa, o que sabemos é que Rosberg conquistou a prova de abertura, mas também é sua quarta vitória seguida e isso por mais que o Hamilton não demonstre, pesa demais na consciência do inglês. Vettel é bom piloto e esperto, pode cair um título no colo dele com a briga intensa dos carros prateados, e se isso acontecer, gostando ou não, será merecido.

    Valeu Diego!

    Grande abraço!

    1. Fala, Igor!

      Eu que agradeço a sua presença!

      Como você disse, está apenas no começo… E pelo menos os papéis de principal e coadjuvante só serão definidos com o títulos, isso que quis dizer… Já o de vilão pode aparecer durante, mas não creio.

      E a Williams, hein? Tenho minhas dúvidas… Fico com a impressão de que vai voltar a ser aquela equipe simbólica…

      No mais, concordo inteiramente!

      Apareça!!!

      Abraço!

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