Mês: novembro 2014

Final feliz para a Mercedes é com Hamilton campeão.

A temporada de 2014 está chegando ao fim. Um ano marcado pelo domínio da equipe Mercedes e pela disputa entre seus dois pilotos. A escuderia alemã confirmou os rumores que tomavam o paddock desde o ano passado e desenvolveu uma unidade motriz infinitamente superior à da concorrência. Devido a isso, o campeonato de construtores foi definido com certa antecedência.

Amanhã, apenas um terá motivo para festejar.

Não há dúvida! A preferência da Mercedes é por Lewis Hamilton! A equipe não esconde este desejo, mostrando-se preocupada com o sistema de pontos dobrados introduzido este ano e que pode dar a Rosberg a chance de reverter a diferença de 17 pontos. Eis as declarações dadas por Toto Wolff:

Esperançosamente, os pontos dobrados não farão diferença. Seria colocada uma grande sombra sobre o campeonato, se ele se transformasse em uma questão técnica. Quem quer que tenha mais pontos no fim da temporada é o digno campeão. Entretanto, se realmente chegar a esse ponto, alguns de nós terão uma sensação diferente sobre isso, assim são as coisas.”

Desejo da equipe.

Desejo da equipe.

O inglês, que faz a melhor temporada de sua carreira, conquistou dez vitórias contra cinco de Rosberg, mostrou-se mais maduro e, embora tenha cometido alguns erros, conseguiu superar situações de grande desvantagem pelo menos duas vezes. Mas estes não são os motivos que fazem de Lewis o preferido.

As verdadeiras razões se resumem à questão financeira e já foram discutidas anteriormente em outros posts, notadamente nestes: http://wp.me/p4f3dZ-2y e http://wp.me/p4f3dZ-a5). Fosse a situação inversa e Hamilton estivesse na segunda colocação, Toto Wolff certamente estaria parabenizando o idealizador da pontuação dobrada, mas como ele disse, assim são as coisas.

Apesar disso, a Mercedes não dá mostras de que irá interferir diretamente na disputa. Prova disso é que Nico Rosberg cravou a pole position no circuito de Yas Marina, enquanto Hamilton sairá da segunda posição, o suficiente para assegurar o seu segundo título.

E isso só não acontecerá caso haja alguma falha técnica ou acidente que o tire definitivamente do GP de Abu Dhabi. Ainda que eventualmente Hamilton perca algumas posições na largada, a vantagem do carro da escuderia alemã é grande o suficiente para que ele se recupere no decorrer da corrida.

Difícil, mas não impossível.

Difícil, mas não impossível.

Quem será o campeão?

Não adianta tentar adivinhar. O inglês tem vantagem considerável, fez uma grande temporada e, no geral, foi melhor do que seu companheiro. Mas corridas são imprevisíveis e por isso o clima de tensão e ansiedade estão presentes de forma acentuada nessa decisão.

Se Hamilton ganhou dez vezes, Rosberg fez mais poles, e trabalhou duro para chegar à última etapa com chances reais de título. Se Lewis é naturalmente mais talentoso, Nico tem a disciplina como aliada. Argumentos não faltam para ambos…

Portanto, desde já, parabéns ao vencedor! Seja quem for o campeão, o título estará bem representado.

22/11/14.

É hora de dar tchau, Mr. Ecclestone…

A entrevista de Bernie Ecclestone, todo poderoso da F1, à Revista Campaign está dando o que falar. Além de reafirmar seu ponto de vista em relação às redes sociais (simplesmente as despreza), o inglês basicamente disse que o público jovem não faz falta à Fórmula 1.

Ninguém há de contestar o seu sucesso. Em resumo, um homem que era mecânico, virou chefe de equipe e transformou-se no presidente da FOM (Formula One Management) merece reconhecimento e admiração, não há dúvida. Porém, como afirmado por Bernie na entrevista, os tempos mudam. Apesar disso, parece ignorar que a não adaptação às mudanças, por mais empreendedor que seja, colocará seu negócio em risco.

Tem sido este o caso da Fórmula 1. Ano após ano, a audiência diminui. Há algum tempo as equipes pequenas – que também não interessam a Bernie – e médias têm dificuldade para se manter na categoria. A crise está instalada, embora Ecclestone afirme o contrário. E ele precisará ser muito habilidoso para contorná-la.

Lucro garantido até quando?

Lucro garantido até quando?

A polêmica mais recente gira em torno da seguinte pergunta feita ao inglês: você acredita que não há valor em alcançar o público jovem? De acordo com suas palavras, ele prefere “velhos ricos de 70 anos”, pois são estes que podem consumir os produtos comercializados pelos patrocinadores (http://tinyurl.com/pdb5aj7).

Embora suas afirmações choquem quem acompanha a F1, a transmissão atual, cujas imagens são de responsabilidade da FOM, reflete bem a forma de pensar do seu presidente. As corridas visivelmente estão em segundo plano. Há algum tempo, se não desde sempre, as câmeras se preocupam mais em mostrar as “marcas”, do que a disputa em si. Talvez a Fórmula 1 seja o esporte que mais visibilidade oferece às empresas, pela forma como as corridas são exibidas.

Isso acontece em todos os grandes prêmios, mas talvez seja melhor perceptível no GP de Mônaco. Apenas para exemplificar, veja o vídeo abaixo, preste atenção na exibição dos patrocinadores e no foco das imagens. Não raro, a marca aparece primeiro, durante preciosos segundos, para, só então, o carro surgir:

Até onde se sabe, o produto principal é a própria categoria. As grandes empresas só irão querer anunciar nela, pagando altas cifras por isso, caso a Fórmula 1 seja atrativa e atinja a maior quantidade de pessoas possível.

Se a Fórmula 1 fosse vista apenas pelo público preferido de Ecclestone, o que aconteceria depois que esses senhores ricos e da terceira idade fossem embora?

Não se sabe, porém, qual foi seu objetivo ao fazer essas afirmações. Talvez seja apenas a opinião de um homem visionário e bem sucedido, mas que parou no tempo.

Caso tenha sido chamar atenção, acredito que haja outras maneiras, inclusive mais lucrativas.

15/11/14.

Experiência do F1 Ácida no GP do Brasil!

Dessa vez não vou falar da corrida em si, mas tentar passar, em breves linhas, um pouco da experiência que vivenciei no último fim de semana. Fui a Interlagos e acompanhei de perto o Grande Prêmio do Brasil, que sedia a penúltima etapa do campeonato de Fórmula 1.

Há algum tempo acompanho a categoria, mas por morar distante de São Paulo, sempre havia um motivo para deixar de ir. Esse ano foi diferente. Tudo aconteceu muito rápido e até de forma inusitada.

Foi a partir de um tweet do Emílio Rodrigues (@emiliorodrigues), no dia 14 de outubro, perguntando quem iria e alertando acerca do possível esgotamento dos ingressos. Até então não tinha a menor pretensão de ir, simplesmente não estava nos meus planos, mas depois comecei a me perguntar até quando adiaria a minha ida.

Mari Espada (papayaorange.com.br).

Mari Espada (papayaorange.com.br).

Comentei a situação com um amigo (Josué – @JosuelNeto) que, em síntese, praticamente disse ser obrigação minha ir a Interlagos. Pronto, era o incentivo que eu precisava. Rapidamente olhei o preço das passagens (por sorte não estavam caras) e no outro dia cedo já havia comprado tudo. A hospedagem não seria problema, pois parentes não faltam na capital paulista. Daí então, passei a conversar com quem já havia ido e tirar as dúvidas básicas.

Todos se mostraram dispostos a ajudar. Além de responder aos questionamentos feitos, o discurso final era uníssono: você não vai se arrepender! E eles estavam certos. Depois de percorrer mais de dois mil quilômetros para ver, pela primeira vez, o Grande Prêmio do Brasil, só posso descrever a experiência como simplesmente fantástica!

Débora Longen!!!

Débora Longen!!!

Escolhi ficar no Setor G, arquibancada ocupada por torcedores que tem a irreverência como característica principal, notadamente aqueles que ficam ao final da reta oposta. As torcidas Pisa Fundo e GGOO já são tradicionais naquele espaço. Madrugam na fila e garantem o melhor lugar para acompanhar as disputas.

Como dito pelo Emílio, depois da primeira vez, você vai querer repetir a experiência. Ver de perto os carros, ouvir o barulho dos motores (que embora não seja como outrora, ainda é bom), acompanhar as disputas a poucos metros… Tudo é muito emocionante. Enfim, se você acompanha a F1, não pode deixar de ir.

Igor Paulino . Alvos da Torcida Pisa Fundo!

Igor Paulino . Alvos da Torcida Pisa Fundo e GGOO!

Gostaria de deixar meu agradecimento, pela atenção que me foi dada, a todos que de alguma forma se dispuseram a ajudar, mas principalmente aos já citados Emílio Rodrigues e Josué Neto (incentivador), a Pri Uzun, Juliana Gonçalves, Will Mesquita e, em especial, a Débora Longen e Mari Espada, as quais tive o prazer de conhecer! Registro também meu obrigado a Igor Paulino, que conheci ao descer do trem na estação Autódromo e foi meu guia durante todo o fim de semana.

Valeu muito a pena! Farei o possível para estar presente em 2015.

12/11/2014.

*Para ver algumas fotos e vídeos do GP do Brasil, curta a página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/f1acida.