Mês: janeiro 2014

Por que Senna foi melhor que Schumacher.

Embora Ayrton Senna seja frequentemente vencedor nas votações, volta e meia, discute-se quem foi melhor: Senna ou Schumacher? Para os brasileiros, o tricampeão é praticamente uma unanimidade, apesar dos sete títulos do alemão. Porém, quando se pergunta o porquê, as respostas favoráveis a Senna são sempre vagas, carregadas de paixão e saudosismo por conta das alegrias proporcionadas nos domingos do final e início das décadas de 80 e 90, respectivamente.

Analisando-se apenas os números, não haveria nada para se discutir. Ayrton disputou 162 grandes prêmios, somando 65 poles, 41 vitórias e 03 títulos mundiais. Por sua vez, Michael participou de 307 GPs, 68 poles, 91 vitórias e 07 títulos. Neste ponto, vantagem larga para o alemão.

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O que dizem os especialistas no assunto? Murray Walker, principal comentarista britânico, aponta Schumacher como o maior piloto de todos os tempos e não somente por conta das estatísticas. Em sua opinião, o alemão foi melhor por ter deixado espontaneamente a Benetton no fim da temporada de 1995, quando havia se sagrado bicampeão, aceitado o desafio de correr pela Ferrari e trazer a escuderia italiana de volta ao sucesso de antigas temporadas. Frisa o fato de Michael ter levado para lá Ross Brown e Rory Byrne, bem como ter liderado brilhantemente o time. Segundo o britânico, Senna foi indubitavelmente o mais carismático, o mais místico, porém Schumacher foi o melhor de todos os tempos.

O irlandês, antigo dono de equipe de fórmula 1 e atualmente comentarista, Eddie Jordan, ficou espantado quando viu Schumacher correr pela primeira vez, achando-o simplesmente fenomenal. E mais. Afirma que, estranhamente, as pessoas lembrarão do heptacampeão como aquele que dominou seus companheiros de equipe, pelo que aconteceu em Mônaco (se referindo à ocasião em que estacionou propositadamente o carro de maneira perigosa, para atrapalhar Fernando Alonso, em 2006) ou pelos episódios com Damon Hill e Jacques Villeneuve, porém o alemão foi o piloto mais rápido que o mundo automobilístico já viu.

Por outro lado, o ex-piloto de Fórmula 1, Martin Brundle, atualmente comentarista, tem outra visão. Para ele, Senna possuía um dom dado por Deus, que ele não testemunhou em nenhum outro piloto.  Já Mark Webber, recém aposentado das pistas, diz que o brasileiro tinha a habilidade de pilotar completamente no limite e que algumas de suas voltas eram inacreditáveis. Já para o bicampeão Mika Hakkinen, a razão de Ayrton ser o melhor residia no fato dele trabalhar intensamente nos detalhes.

Jeremy Clarkson, apresentador do programa Top Gear, diz que nunca foi um grande fã de Senna. Para ele, o maior piloto de todos os tempos foi Gilles Villeneuve. Entretanto, ao realizar um programa em homenagem a Ayrton e após assistir à várias horas de vídeos, percebeu que Gilles foi espetacular em inúmeras ocasiões, mas que Senna havia sido espetacular em todas. Vale mencionar também que, em uma pesquisa realizada pela revista inglesa Autosport, para eleição de um ranking dos 40 melhores da história da F1, 217 pilotos foram entrevistados. Schumacher ficou em segundo, Senna em primeiro.

Embora jamais saibamos o que poderia ter acontecido, alguns fatos teriam grande probabilidade, senão, vejamos. Em 1994, ano da morte de Senna e do primeiro título de Schumacher, o alemão venceu Damon Hill por uma vantagem de apenas 01 (um) ponto. Não é difícil de imaginar que, com Senna vivo, o brasileiro seria campeão, até pelas altas chances de dobradinhas da equipe Williams.

Em 1995, Schumacher venceu com uma margem de 33 pontos e, devido a esse fator, suponhamos que Senna não tivesse como reagir, todavia, em 1996 e 1997, Damon Hill e Jacques Villeneuve foram campeões respectivamente pela Williams. Também não é difícil imaginar que Senna teria ganhado nessas temporadas.

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Caso Senna tivesse sobrevivido, até a ida de Schumacher para Ferrari estaria ameaçada, já que a escuderia italiana havia negociado com o brasileiro e tentava leva-lo para lá. Inclusive era sua vontade guiar pela equipe de Maranello. Deve-se levar em conta também o fato de que, em 1998, Senna já estaria com 38 anos, portanto, perto de se aposentar.

Particularmente tenho poucas lembranças de Senna e não desenvolvi a paixão vista em muitos brasileiros. E nesse debate, a morte prematura de Ayrton é um fator que dificulta por demais a comparação. No entanto, apesar da grandeza de Schumacher, acredito que Senna tenha sido superior ao alemão e que boa parte de seu sucesso esteja inteiramente ligado à ausência do piloto brasileiro.

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Rush – no limite da emoção passa em branco no Globo de Ouro.

O filme Rush, no limite da emoção concorreu em duas categorias na última edição do Globo de Ouro realizado dia 12 de Janeiro. Recebeu as indicações de melhor filme – Drama e melhor ator coadjuvante – Daniel Bruhl. Entretanto não foi premiado em nenhuma delas. Injustiça? Não posso dizer, já que não assisti aos demais filmes. Só posso afirmar que Bruhl atuou de forma impecável e que Rush não pode deixar de ser visto e prenderá sua atenção.

Para quem não sabe, o filme retrata a temporada de 1976 da fórmula 1 e a rivalidade dos pilotos James Hunt (McLaren) e Niki Lauda (Ferrari). Se acha que, por não apreciar Fórmula 1, não gostará de vê-lo, engana-se. A obra vai muito além da disputa nas pistas e entra na vida pessoal dos pilotos que, apesar das personalidades opostas – Hunt, irresponsável; Lauda, metódico – brigam pelo título até a última corrida.

Ao ver o filme percebe-se o quanto a categoria evoluiu no quesito segurança. Era uma época em que invariavelmente sempre havia acidentes fatais. Quem acompanha a F1 de hoje se deslumbra com os pilotos da atualidade, que são ótimos, acredito, inclusive, que essa geração é privilegiada pela quantidade de super talentos. Todavia a máquina hoje tem um papel muito mais importante do que naquela época.

O que me chamou atenção no filme? O fato dos pilotos daquele tempo não serem devidamente reconhecidos. No Brasil, por exemplo, temos Emerson Fittipaldi (Bicampeão) e Nelson Piquet (Tricampeão), porém só Senna é exaltado. E tenho plena convicção que eles deveriam ser mais prestigiados e suas trajetórias são dignas de filmes tão bons quanto Rush.

É difícil comparar pilotos de gerações diferentes. Quando se pergunta qual é o maior piloto de todos os tempos, geralmente dois nomes encabeçam a lista: Senna e Michael Schumacher. Particularmente, depois de analisar alguns fatos, acredito que Senna tenha sido superior ao alemão, não pela nacionalidade, mesmo porque, até pouco tempo, minha opinião era outra e será mais aprofundada em breve, noutro post.

Bem colocado é o pensamento de Piquet ao dizer que um piloto foi o melhor de sua época. Mas é possível afirmar que o tricampeão austríaco foi um gênio das pistas e nada deixa a desejar aos atuais grandes pilotos, sendo que em um ranking da história da categoria estaria na frente de alguns bons nomes da atualidade. Duvida? Veja o filme e terá uma noção.

O sucesso de Niki Lauda é inspirador e a receita é simples: Disciplina.

Por enquanto, apenas especulação.

Algumas poucas equipes, a exemplo da McLaren, apresentarão os novos monopostos, para a disputa de 2014, antes do início do primeiro teste da pré-temporada, sendo que a equipe inglesa o fará on-line, em 24 de janeiro. Os testes começarão no dia 28 do mesmo mês, em Jerez de la Frontera, oportunidade em que a ansiedade será apenas um pouco diminuída, pois não haverá transmissão da televisão, restando aos fãs acompanhar os dados através dos sites especializados ou eventuais vídeos postados no youtube.

Sabe-se que a Lotus, que já não havia realizado o teste da Pirelli, no Bahrein, ainda em 2013, não participará do primeiro treino de 2014, tendo Eric Boullier afirmado que sua equipe não será a única a se ausentar, todavia, até o momento, foi a única que confirmou a ausência. Há um consenso de que o prejuízo será grande para quem não comparecer, devido à ampla reformulação que os carros sofreram para esta temporada e do reduzido tempo de treino disponibilizado às equipes. Óbvio que tudo não passa de suposição. Se nas temporadas passadas, apenas após algumas corridas podia-se ter uma noção de onde as equipes estariam, com esta mudança radical é que não se pode ter certeza alguma mesmo, embora seja provável que a Lotus tenha um início mais sofrido. Quem deve estar lamentando é Pastor Maldonado, que mudou de time em busca de dias melhores.

Por conta das aludidas mudanças, há esperança de que equipes que não vinham muito bem possam brigar pelo título não só com as três que costumam comandar o pelotão de frente (Ferrari, McLaren e Red Bull), mas também com outras duas forças que se apresentaram muito bem em 2012/2013, apesar da dominância da equipe austríaca, Mercedes e a supracitada Lotus. Devido a isso, já se inicia mais uma campanha da imprensa em favor do brasileiro Felipe Massa. É verdade que a nova casa, Williams, tenta se reorganizar, trazendo nomes importantes, a exemplo de Wheather, ex-Lotus, e Whitehead, ex-Red Bull, que trabalharão na área da aerodinâmica, nomes festejados por Pat Symonds, o novo diretor técnico da equipe. Apesar das mudanças internas e da estrutura dos carros, parece que a imprensa esquece que Massa terá o finlandês e bom piloto Valteri Bottas como companheiro de equipe e, honestamente, não se vê motivo para que o brasileiro já seja apontado como o piloto nº 1, exceto o de angariar audiência.

Fala-se que a Mercedes está na frente para o ano que vem; que na Ferrari, James Alisson, ex-Lotus, em sua segunda passagem pela escuderia, consegue vislumbrar a volta da equipe italiana ao lugar mais alto do pódio, porém já disse que provavelmente uma temporada apenas seja pouco, o que parece ser uma estratégia para tirar a enorme pressão, por conta dos resultados “ruins”, pelo menos, nos últimos cinco anos. Mas o que chamou atenção foi a forma com que Sebastian Vettel, ao comemorar seu quarto e consecutivo título pelo rádio, dizia para sua equipe “remember this… enjoy this, enjoy this moment”, em tom melancólico. Talvez prevendo que, com a saída de vários integrantes da RBR e com a mudança brusca do regulamento, será bem mais difícil manter o sucesso obtido de forma meteórica no período 2010/2013. Como sempre, nesse início, tudo não passa de mera especulação.