Hamilton injusto com Rosberg!

Quem diria… Ainda no início da temporada fiz um texto indagando acerca do papel que Nico Rosberg exerceria este ano (http://tinyurl.com/jo63u8y). E o piloto alemão nunca esteve tão próximo de se tornar o grande protagonista. Contudo, apesar de faltarem apenas 03 etapas, a caminhada parece não ser tão curta.

A atual temporada tem sido mais um ano de domínio da equipe Mercedes. Todos os méritos para uma escuderia extremamente competente. Ela não tem culpa da falta de competitividade das concorrentes, que não foram capazes de acompanhar o desenvolvimento do time alemão, embora seja o terceiro ano da era dos motores híbridos.

Quanto ao drivers championship, parece ser consenso o fato de Nico Rosberg ter evoluído como piloto. Já são 04 anos dividindo a equipe com Hamilton e nos três primeiros ele nunca foi capaz de bater seu companheiro ao fim da temporada. Nos últimos dois, a derrota interna também significou a perda do título mundial. Se em 2014 a decisão ficou para a última corrida, em 2015 Lewis conquistou o título no Grande Prêmio dos EUA, ou seja, antecipadamente.

É na atual temporada que as coisas parecem ter mudado um pouco de direção. Rosberg nunca se aproximou tanto do primeiro título como este ano. A três corridas do fim do campeonato, ele chega ao GP do México com chances de já sagrar-se campeão. Algo inédito desde então. Não obstante, Hamilton atribui tal fato puramente à sorte. De acordo com o tricampeão, ela mudou de lado. Em matéria do site Skysports, quando questionado se Rosberg havia mudado em relação aos anos anteriores, Lewis foi enfático:

Não, eu tive muitas quebras. É a única diferença. Se nossos carros fossem confiáveis durante o ano inteiro, nós teríamos as mesmas batalhas que tivemos ano passado e no anterior, então não vejo qualquer diferença“.

Bem, permita-me discordar, ao menos em parte. Logicamente, se o carro de Hamilton não tivesse problemas de confiabilidade, talvez ( e somente talvez), o números do campeonato fossem outros. Contudo, os infortúnios do tricampeão não podem ser atribuídos somente à sorte, ou, no caso, à falta dela. É preciso lembrá-lo pelo menos de 06 ocasiões, cujos maus resultados não podem ser ligados diretamente ao carro. Em outras palavras Hamilton teve grande parcela de culpa.

São elas:

Austrália, Bahrein e Itália: Hamilton fez a pole, porém largou mal, consequentemente perdeu posições. Todas vencidas por Rosberg.

Grande Prêmio da Europa: Hamilton comete erro grosseiro, bate durante o Q3 e larga em décimo. Mais uma vitória do alemão.

Cingapura e Japão: Hamilton classificou em terceiro nas duas etapas. Rosberg fez a pole e venceu ambas.

Quando comparados individualmente, a reposta será quase unanimidade: Lewis Hamilton é um melhor piloto do que Nico Rosberg. Eu concordo. É o que ele tem mostrado durante esses anos. Contudo, afirmar que um possível título de seu companheiro será devido única e exclusivamente a fatores mecânicos soa não só injusto como descortês.

Como já afirmado em posts anteriores, Rosberg tem feito um belíssimo trabalho durante esses anos na Mercedes. Apesar das derrotas nas temporadas anteriores, no geral ele tem acompanhado o inglês de muito perto. Desde Senna e Prost, creio que seja a batalha interna mais acirrada dos últimos tempos.

Confesso que estou surpreso com tal declaração. Esse discurso não é só de perdedor, mas de mau perdedor. Teria Hamilton entregado os pontos? Óbvio que não. E até onde consta, apesar da ótima vantagem do alemão, esse campeonato encontra-se inteiramente aberto.

Para azar de Rosberg, apesar das bobagens ditas e alguns comportamentos inadequados, dentro do cockpit Hamilton continua rápido e vai lutar pelo quarto título até quando for possível. Ótimo. Quem ganha somos nós.

É mais um ano de domínio da Mercedes, mas com o passar do tempo, 2016 será lembrada como uma temporada épica.

29/10/16.

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2 comentários

  1. Olá, Diego. Muito bom ver seu blog na ativa. Eu acho que sua postagem mostra com muita lucidez a disputa deste ano. Faço minhas as suas palavras.

    Eu sempre achei contraproducente essa postura de minimizar a capacidade do adversário. Talvez, ao desmerecer o oponente espera-se que este se desestabilize, mas acho que neste nível de competitividade… será? Rosberg tá na estrada por tempo suficiente. A pressão vem mais da posição no campeonato do que das declarações.

    Ao dizer que só perde pra si mesmo porque não tem adversários a sua altura, HAM torna sua vitória mera obrigação. Além disso, torna qualquer derrota inaceitável. Não acho o mais inteligente. Além do que, é negar o óbvio. Basta uma rápida pesquisa bem feita como essa pra ver que também houve erros, e não só quebras. Se quiser continuar pagando de gatão, vá em frente, mas os fatos dizem outra coisa.

    Caso Rosberg seja campeão, em nada abala o talento e a capacidade de HAM ter seu nome em quase todos os recordes da F1, mas consagra o trabalho de um adversário que se mostrou à altura. Já estava na casa antes da chegada do HAM, viu Luisinho ser campeão duas vezes, não fez escândalo, represália, só trabalhou, e se conseguir, será merecido.

    Quanto ao campeonato, ainda bem que o domínio está na mão de uma equipe que entende que dois carros no topo é melhor que um só. Aliás, só uma equipe acha que não. Ela reinou numa das épocas mais chatas e artificiais da Formula 1.

    Grande abraço!

    1. Fala, grande Attila!

      De fato, tenho sido ausente nesse espaço… Vamos tentar mudar isso.

      Concordo. É uma estratégia tola. A competitividade de Rosberg só valorizou os títulos de Hamilton na Mercedes…

      Ano que vem há muita expectativa em relação à Red Bull e lá os pilotos são muito bons. Ansioso para ver o duelo RIC x VES com mais frequência e na luta por vitórias. Não se crê muito numa melhora da Ferrari e a McLaren terá que fazer praticamente um milagre para reverter tamanha desvantagem.

      O final dessa temporada está ótimo, mas a expectativa para 2017 já é grande.

      Abração!

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