Daniel Ricciardo

Verstappen, the flying dutch, em dia memorável!

Se a justificativa da chegada de Verstappen à equipe RBR foi controversa, os fins justificaram os meios. O Holandês, de apenas 18 anos conseguiu o maior dos resultados possíveis em sua estreia pela equipe austríaca: vencer o grande prêmio de Barcelona. Com tal feito, Max estabeleceu novo recorde ao tornar-se o piloto mais jovem a vencer uma corrida de F1.

Tal resultado era improvável e o próprio Verstappen pretendia apenas um pódio. Além da Mercedes ocupar a primeira fila, Max ainda tinha Daniel Ricciardo à sua frente. E Na sequência, os pilotos da Ferrari em busca de bons resultados para aliviar a pressão interna imposta por Marchionne. Se na teoria a probabilidade era mínima, na prática todas as combinações aconteceram para que a estrela de Verstappen pudesse brilhar.

Gosto da champagne na F1.

Gosto da champagne na F1.

O incidente entre Hamilton e Rosberg (que será analisado oportunamente) foi só o primeiro dos acontecimentos que possibilitaram a primeira vitória de Verstappen. Depois disso, Ricciardo e Vettel duelaram, em vão, pois no fim a disputa era apenas pelo terceiro lugar, já que as estratégias adotadas mostraram-se equivocadas. Some-se isso a a um circuito de poucos pontos de ultrapassagem.

Ao assumir a ponta, Max administrou bem o consumo de pneus e resistiu aos ataques não tão incisivos de Kimi Raikkonen… No fim do dia, Verstappen foi o grande vencedor. Ocupou o lugar mais alto do pódio. Parabéns!!!

A nós só resta contemplar esse que foi um grande feito. Agora a contagem é para a segunda vitória. Será que ainda vem nesta temporada?!

Improvável… Assim como a de hoje…

15/05/16.

McLaren?! Maior decepção é a RBR!

A temporada iniciou e a previsão se confirmou. Domínio completo da Mercedes e é pouco provável que haja mudança nesse cenário. Ontem, inclusive, vi uma “piada” interessante, dizendo que a equipe alemã deveria se preocupar, pois sua hegemonia estava em jogo: ano passado, Rosberg venceu a corrida com uma diferença de 26s. Ontem, Hamilton venceu com uma diferença de 25s para o terceiro colocado… Deveras, muito preocupante.

Embora seja triste ver uma das equipes de maior tradição na categoria arrastando-se no fim do pelotão, comparando-se às “nanicas”, não chega a ser decepcionante, pois já era algo previsto. Talvez não fosse esperado pelos fãs um desempenho tão ruim e com apenas um dos carros na pista, é verdade. Porém, os discursos de todos na equipe eram bem pessimistas.

Eric Boulier, por exemplo, acreditava que a McLaren poderia apresentar melhor desempenho apenas em Barcelona. Entretanto, a equipe de Woking já se pronunciou oficialmente, afirmando que não há prazo para solucionar seus problemas. Apesar dos resultados negativos, Button ficou feliz pelo simples fato de terminar a corrida. O inglês reconheceu a superioridade da Mercedes e da Ferrari, mas conseguiu ver qualidades no MP4-30:

Eu não acreditei que terminaria a corrida hoje. Eu me surpreendi ao ver a bandeira quadriculada. Então, se você olha pra isto, foi um bom resultado. Nós não havíamos completado mais de 12 voltas, sem um problema, antes desse fim de semana, portanto é um grande passo à frente. Agora temos muitas informações que poderão nos ajudar a ter ganhos para a Malásia… Comparando com a Force India, nós fomos mais rápidos nas curvas. Em relação a Red Bull e Sauber, estávamos muito parecidos“.

Hamilton vence a primeira do ano.

Hamilton vence a primeira do ano.

Voltemos ao título do post. Surpreso com ele? Não deveria. A Red Bull foi a única equipe – à exceção da Mercedes, óbvio – que conseguiu vitórias em 2014 e isso depois de ter uma pré-temporada pior do que a da McLaren. Relembrando o GP da Austrália de 2014, Ricciardo terminou a corrida em segundo, embora depois tenha sido desclassificado. Esperava-se que a Renault pudesse melhorar seu motor e, consequentemente, ameaçar o domínio da Mercedes, mas o resultado parece ter sido o inverso.

Enquanto Kvyat nem sequer largou, Daniel Ricciardo conseguiu chegar apenas em sexto, diante de sua torcida. O australiano tentou pressionar o estreante e forte candidato ao prêmio de novato do ano, Felipe Nasr, que não cometeu um único erro, comportando-se como um veterano. Se o brasileiro não foi capaz de atacar os carros da frente, pelo menos conseguiu terminar em quinto, enquanto seu companheiro chegou em oitavo. Um início promissor.

Em relação à equipe austríaca, não foi só o desempenho na pista que decepcionou. A postura da Red Bull após o início fraco também. Além das críticas públicas à Renault feitas por Christian Horner, houve ameaça por parte de Helmut Marko de deixar a categoria, apesar do compromisso contratual até 2020. Além disso, houve um pedido, tão inusitado, quanto ridículo, no sentido de igualar a potência dos motores. Vejam as declarações do chefe da equipe:

Quando estávamos ganhando e nunca ganhamos com uma vantagem como a deles, eu me lembro que o duplo difusor foi banido, exaustores foram movidos, aletas flexíveis foram proibidas, mapeamento dos motores foi mudado… A FIA, dentro das regras, tem mecanismos de igualação. Acredito que talvez seja algo que eles devam dar uma olhada“.

Haverá sorrisos esse ano?

Haverá sorrisos esse ano?

Ora. A RBR dominou a Fórmula 1 por quatro anos consecutivos, com destaque para as temporadas de 2011 e 2013. Nesta última, salvo melhor juízo, Vettel venceu as nove corridas finais. Não me recordo de haver por parte da Red Bull nenhum pedido de igualdade neste período. Pelo contrário, justamente em 2013, foi a favor e beneficiada por conta da mudança no composto dos pneus, quando a disputa já estava em curso. Importante destacar que se o duplo difusor foi banido, a RBR surgiu com o também contestado difusor soprado, solução muito bem explorada por Adrian Newey.

Da década de 80 para cá, tivemos épocas de domínio da McLaren, Williams, Ferrari e por último RBR. A Mercedes conseguiu construir um conjunto imbatível para 2014 e muito provavelmente para este ano. Sem dúvida, isso é fruto de alguns anos de trabalho. Cabem aos rivais ser mais competentes. Simples assim.

A Red Bull, embora seja uma equipe relativamente nova na categoria, sabe bem o caminho do sucesso. Certamente, o nivelamento por baixo não é a resposta.

16/03/15.

A temporada de 2015 precisará de mais velocidade.

A temporada de 2014 está perto do fim, faltam apenas três etapas: EUA, Brasil e Abu Dhabi. A Mercedes já garantiu o campeonato de construtores e em breve terá um de seus pilotos campeão, sendo que Hamilton desponta como grande favorito após abrir uma vantagem de 17 pontos para Rosberg. O inglês está com 291 contra 274 de seu companheiro.

Como já mencionado em outros posts, apesar do domínio da Mercedes, a disputa acirrada entre a dupla da equipe alemã não deixou que o tédio tomasse conta das corridas, notadamente quando se compara com os quatro anos de domínio da RBR e que foi visto de forma mais acentuada nos anos de 2011 e 2013.

Outra agradável surpresa foram as atuações de Valtteri Bottas, que ocupa a quarta colocação, tendo conquistado cinco pódios, e, principalmente, Daniel Ricciardo que conseguiu três vitórias em seu primeiro ano na Red Bull e será o líder do time austríaco em 2015, já que Vettel está de saída para a Ferrari.

Apesar da síntese descrita acima, as últimas corridas deixaram a desejar. Desde o Grande Prêmio da Itália, houve uma queda no quesito emoção. Se antes a falta de confiabilidade dos carros causava algum suspense, atualmente, uma vez decidida a ordem natural do grid, não se vê alteração nas posições, tornando os grandes prêmios em verdadeiras “procissões”.

Bottas e Ricciardo surpreenderam este ano.

Bottas e Ricciardo surpreenderam este ano.

O fator que mais tem chamado atenção e talvez seja o que mais contribui para isso é a falta de velocidade dos carros. É o que se constata ao fazer a comparação entre os tempos de pole position e volta mais rápida durante a corrida desta e da temporada passada (http://tinyurl.com/ooutwa5).

A comparação pode ser feita em relação às corridas disputadas em condições de pista seca que o resultado será o mesmo: todos os grandes prêmios deste ano foram mais lentos. Coincidentemente, a etapa mais emocionante deste ano (GP do Bahrein) foi a que mais se aproximou dos tempos obtidos em 2013 e serviu para calar aqueles que já estavam criticando com razão, apesar do modo inadequado ou mesmo inoportuno, a falta de velocidade e a preocupação com o consumo de combustível. Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, por estes motivos, chegou a comparar os pilotos da F1 a motoristas de táxi.

A última etapa marcou a estreia da Rússia no calendário da Fórmula 1 e a opinião geral é a de que foi uma corrida entediante. Como foi a primeira vez que a Rússia sediou um grande prêmio, não há parâmetros para comparação. Segundo Hermann Tilke, responsável pelo desenho da pista, o traçado não foi o culpado pela falta de emoção, atribuindo certa responsabilidade a Pirelli:

As primeiras voltas foram ótimas para ultrapassagem, mas depois a batalha estava definida. Nico foi capaz de fazer um grande trabalho ao vir de trás para o segundo lugar e houve algumas outras ultrapassagens no meio do pelotão. Mas é claro que se o piloto mais rápido está na frente do mais lento, pouco acontece. Eu acho que a Pirelli foi um pouco conservadora, pois eles estavam com medo do que aconteceria na nova pista…”

Particularmente, não acredito que o problema esteja necessariamente no traçado. Creio que se os carros forem mais velozes em 2015, o GP de Sochi tem tudo para ser o oposto do que vimos. Se as críticas no inicio do ano não foram bem aceitas e ficaram em segundo plano por conta do GP do Bahrein, está mais do que na hora de se fazer um balanço e pensar nas possibilidades de evolução já para o ano que vem.

Tédio no GP da Rússia.

Tédio no GP da Rússia.

Os responsáveis pela categoria precisam rever o formato da Fórmula 1, pois embora seu público seja fiel, ele é muito exigente. A audiência diminui a cada ano e isso não é “privilégio” do Brasil. Apontar quais medidas deverão ser tomadas não é papel dos espectadores, até mesmo porque a entidade não é aberta a diálogo e mantém uma relação de distância com a torcida, o que é um erro grave.

Nenhum esporte pode retroceder. Os interesses dos patrocinadores devem estar em sintonia com os dos torcedores. Resolvam os problemas internos e tragam para o público uma F1 interessante, que proporcione disputa entre o máximo de equipes possível e que seja VELOZ ao extremo!

A maior categoria do automobilismo não pode perder sua principal característica for falta de capacidade de gerenciamento.

29/10/2014.

GP de Cingapura: corrida vital para as pretensões de Hamilton.

A classificação do Grande Prêmio de Cingapura foi a mais emocionante da temporada até então. Apesar de a hierarquia habitual ter se mantido no fim, ainda não tinha havido um Q3 tão imprevisível. A Mercedes recebeu ameaça direta da Red Bull, Williams e Ferrari, porém assegurou a primeira fila com Hamilton na pole position, mas apenas a sete milésimos de Rosberg.

Sem dúvida, largar em primeiro, em um circuito travado como o de Cingapura, significa grande vantagem. Mesmo cometendo um erro em sua volta lançada, Hamilton cravou o primeiro lugar do grid. Entretanto, das seis etapas que lá ocorreram, o inglês coleciona algumas más memórias.

Se nas duas primeiras corridas disputadas em Cingapura (2008 e 2009), o inglês conseguiu ótimos resultados – um segundo lugar e uma vitória, respectivamente – no ano de 2010, temporada em que já poderia ter se tornado bicampeão, envolveu-se em um incidente com MarK Webber e abandonou a corrida. Naquela ocasião, o australiano que corria pela RBR ainda completou o pódio. Relembre:

Já em 2011, conseguiu um modesto 5º lugar, mas não sem antes se envolver em outra colisão, dessa vez com Felipe Massa. Após a corrida, o brasileiro foi tirar satisfações quando Hamilton dava entrevista, em uma cena até certo ponto hilária (caso não se recorde, basta ver o vídeo abaixo, que inclui outros incidentes). Na temporada seguinte, novo abandono, mas nesta ocasião por problemas no câmbio. Por fim, em 2013, novamente a 5ª posição.

É certo que ao conseguir a pole, Hamilton deu um grande passo para a conquista de sua segunda vitória em Cingapura, mas o primeiro lugar do grid pode não vir a ser um fator tão determinante. As variáveis para esta corrida são muitas. Os rivais mostraram-se mais próximos do que nunca e a possibilidade de haver Safety Car é altíssima. Some-se ainda o fator da estratégia, que deverá exercer um papel de suma importância. Ingredientes para um corrida emocionante. Pelo menos, é o que se espera.

Além de Rosberg, Hamilton terá de lidar com Ricciardo, Vettel, os dois pilotos da Williams e Fernando Alonso, que não esconde o desejo de chegar ao pódio, mesmo largando na quinta posição:

Normalmente, perdemos terreno na classificação. Mas isso não aconteceu hoje, permanecemos competitivos também nela, a dois décimos da pole position, o que é meio que uma grande surpresa para nós. Estou muito contente e espero que amanhã tenhamos oportunidade de correr com os líderes, algo que não fizemos muito este ano… Temos de cruzar a linha de chegada. Se fizermos isso, acho que o pódio é possível, pois temos ritmo e provavelmente uma boa degradação de pneu.”

Atualmente, a vantagem do líder Rosberg é de 22 pontos. Depois desta corrida, ainda restarão mais cinco etapas, lembrando que em Abu Dhabi, última a ser disputada, a pontuação será dobrada para o vencedor. Todavia, um resultado ruim de Hamilton neste grande prêmio pode colocar o alemão com uma mão na taça.

Óbvio que tudo pode acontecer, inclusive a retomada da liderança por parte do inglês, até porque Hamilton guia o melhor carro do grid e está em ótima forma. Ocorre que, ao levar-se em conta as últimas corridas, o cenário não lhe é muito favorável, ainda mais com a possibilidade de disputas acirradas, onde o mínimo erro pode levar ao muro.

Trata-se de uma etapa que é sempre acompanhada de grandes surpresas. O Cingapuragate que o diga.

20/09/14.

Mercedes despreparada para lidar com a rivalidade interna.

Novamente, a batalha interna entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg foi o centro das atenções em um Grande Prêmio. E não foi por conta de disputas acirradas ao longo da corrida. Logo na segunda volta, o alemão tocou o pneu traseiro-esquerdo de seu companheiro, provocando um furo, o que acabou por arruinar o fim de semana do inglês. O toque também danificou a asa do próprio Rosberg, mas este não teve grandes prejuízos, pois conseguiu chegar na segunda posição, enquanto Hamilton, ao perceber que não pontuaria, preferiu retirar-se.

Durante a corrida, o incidente sequer chegou a ser colocado sob investigação. Mesmo assim, não se fala em outra coisa. Discute-se intensamente se não seria o caso de punição a Nico Rosberg, já que ele, supostamente, seria o culpado pelo ocorrido. Após o grande prêmio, a alta cúpula da Mercedes disse que a situação era inaceitável. Toto Wolff, co-diretor chefe da equipe, mostrou-se inconformado:

Você não tenta ultrapassar com a faca entre os dentes na segunda volta e danifica ambos os carros. Segunda volta de uma longa corrida, uma batida entre dois companheiros de equipe. É absolutamente inaceitável. Era um momento decisivo para a disputa entre os dois e para a equipe. Lewis está muito triste, mas não há nada que possamos dizer a ele.

Igualmente, Niki Lauda, que ocupa um cargo não executivo na equipe, compartilha da mesma opinião, inclusive de uma forma mais dura, colocando em cheque a inteligência de seus pilotos:

É inaceitável para mim que, na segunda volta, Nico toque Lewis. Se essas coisas acontecem no fim da corrida, quando eles estão brigando, nós podemos falar sobre isso. Mas na segunda volta é ridículo. Eu pensava que eles eram espertos o suficiente para saber disso, mas obviamente não são.

Rosberg provoca furo no pneu de Hamilton.

Rosberg provoca furo no pneu de Hamilton.

Para piorar a situação Hamilton afirmou que Rosberg basicamente havia admitido, durante a reunião interna, que fez tudo de forma propositada para provar um ponto de vista. É de se estranhar, porém, que tal ponto de vista também não tenha sido revelado. Além do que, por mais perito que um piloto de F1 seja, é impossível que o alemão tivesse calculado precisamente que sua ação causaria um furo no pneu de Hamilton, um pequeno dano em sua asa e mesmo assim conseguiria chegar em segundo, enquanto o inglês não pontuaria.

Da frase dita por Hamilton não se pode tirar conclusões precipitadas, pois há um “basicamente” no meio dela. Para esclarecer a situação, Toto Wolff comunicou que Rosberg havia sido mal interpretado e que isto seria algo sem sentido. O inglês em nenhum momento afirmou categoricamente que Rosberg fez de propósito, mas sim que poderia ter evitado. Logo, não precisar ir muito longe para se chegar a conclusão de que para não haver o toque, bastaria que o alemão não tivesse ido com tanta sede ao pote nas voltas iniciais. São coisas bem distintas, mas boa parte da imprensa e o próprio Hamilton fizeram questão de não deixar as coisas claras.

Ademais, Hamilton faz um jogo que só expõe sua fraqueza psicológica. Além de tentar claramente jogar a opinião pública contra Rosberg, durante a corrida, por algumas vezes, solicitou à equipe para retirar-se da disputa, sob o argumento de que deveria poupar o motor. Mas é bem provável que ele tenha deixado se abater pelo incidente a ponto de perder a motivação para terminar o grande prêmio da Bélgica. Expor problemas internos na tentativa de justificar os maus resultados recentes não parece ser a melhor das estratégias, já que a cada corrida o alemão amplia sua vantagem.

Brawn plantou a semente.

Brawn plantou a semente do sucesso.

De toda forma, toda essa situação só comprova uma coisa: a Mercedes, até então, não tem demonstrado ter controle sobre seus pilotos. Eles simplesmente fazem o que querem. Os objetivos da equipe pouco importam. É cada um por si. Suponhamos que Rosberg tenha realmente feito tudo da forma como Hamilton afirmou. Ora, um assunto dessa gravidade só poderia ser discutido internamente, sem tamanha exposição. Bem ponderada é a visão do ex-chefe de equipe Eddie Jordan acerca do tema:

Eu acho que o gerenciamento da Mercedes tem sido fraco. Eles deveriam tomar o controle. Eles têm que castigar seus pilotos, como uma criança que tem sido malcriada. Eles têm que dizê-los o que é certo e o que é errado. Você não ataca um ao outro nas primeiras duas voltas.

Já foi dito em posts anteriores, inclusive no que antecede a este, que a Mercedes não tem mostrado a mínima habilidade para lidar com as adversidades oriundas de uma batalha interna. Recentemente, Paddy Lowe, que divide as responsabilidades da chefia da equipe com Toto Wolff, não teve o mínimo pudor ao afirmar que ele era o responsável pelo sucesso da Mercedes esse ano, apesar do belo trabalho realizado pelo antigo chefe Ross Brawn.

Todavia, uma coisa é certa. Na época de Brawn, os pilotos podiam até questionar uma ordem, mas desobedecê-la nunca chegou a ser uma possibilidade. Ele tinha total controle sobre seus pilotos por mais complexa que fosse a situação. Vale lembrar que antes de trabalhar na Mercedes, ele já havia sido vitorioso na Benetton, Ferrari e na escuderia que levava seu nome (Brawn GP). Esteve presente, portanto, nos sete títulos de Michael Schumacher e no único de Jenson Button.

Ricciardo vence a terceira.

Ricciardo vence a terceira.

As ordens de equipe podem não ser bem vistas pelo público, mas são essenciais para o sucesso da equipe. Na temporada atual, com a mudança do regulamento, a Mercedes impôs uma ampla vantagem e tudo leva a acreditar que os dois títulos fiquem com a escuderia alemã.  Mas, enquanto Hamilton e Rosberg tiram ponto um do outro, um piloto vem aos poucos atraindo os holofotes do paddock para si.

A polêmica ofuscou mais um belo resultado de Daniel Ricciardo: a terceira vitória do ano. E ele é companheiro do tetracampeão Sebastian Vettel, que ainda não venceu na temporada. Os resultados obtidos pelo “sorridente” australiano não são pouca coisa.

Em uma temporada mais disputada, a falta de comando da equipe alemã poderia facilmente custar o mundial de pilotos.

24/08/14.

“Uma temporada dura até aqui”, admite Sebastian Vettel.

A temporada atual tem sido para Sebastian Vettel o pior ano de sua carreira. O alemão de 27 anos, cuja trajetória é marcada pela precocidade, estreou como piloto titular na categoria principal do automobilismo em julho de 2007 pela equipe STR e em 2008 conseguiu sua primeira vitória.

Já pilotando pela RBR em 2009, fez com que Jenson Button, campeão desta temporada, tivesse uma segunda metade de campeonato bem acirrada, apesar da superioridade da Brawn GP. Na temporada seguinte Vettel sagrou-se campeão, repetindo o feito nos três anos seguintes.

Tido como o sucessor de ninguém menos que Michael Schumacher, inclusive apontado por muitos especialistas como futuro recordista de títulos mundiais, justamente devido ao seu rápido sucesso, Vettel tem deixado a desejar na atual temporada e, durante a gravação de uma entrevista realizada pela BBC ONE, ele não escondeu seu desapontamento:

Tem sido um início difícil, uma temporada dura até aqui. F1 pode ser fantástica, como eu vivenciei, mas também pode ser muito cruel quando se tem problemas. Você depende do seu carro. Faz parte do jogo.

Atualmente, o tetracampeão encontra-se na sexta colocação. Pior que isso, está atrás de Valtteri Bottas, Fernando Alonso e de seu novo companheiro, Daniel Ricciardo. Este último, que inclusive conseguiu sua primeira vitória na categoria no grande prêmio do Canadá, é o melhor parâmetro para avaliar seu desempenho.

Primeira vitória em 2008.

Primeira vitória em 2008.

Por conta das alterações no regulamento para a atual temporada, a RBR ficou impossibilitada de utilizar o exhaust blown diffuser – difusor soprado – cujos gases eram aproveitados para dar maior pressão aerodinâmica e, consequentemente, mais estabilidade ao carro, casando-se perfeitamente com o estilo de guiar do jovem alemão.

Sem o uso dos gases do difusor soprado, Vettel ainda não conseguiu se adaptar às mudanças deste ano, ao contrário do que tem mostrado Ricciardo. O desempenho do australiano tem sido uma grande, se não a maior, surpresa da temporada, pois está atrás apenas dos pilotos da dominante Mercedes e soma 28 pontos a mais que o tetracampeão.

Não obstante os resultados abaixo do esperado, Sebastian se mantém otimista para a segunda metade do campeonato e afirma que, enquanto tiver chances matemáticas, tentará a vitória. O alemão ainda disse que, apesar de não correr para chegar em terceiro ou quinto lugar, deve ficar feliz, desde que seja o máximo que se possa fazer, porém o objetivo é sempre ganhar corridas e lutar pelo mundial:

Se as coisas mudarem a partir deste fim de semana em diante, seria estúpido se não aproveitasse a oportunidade. Então você tem que estar otimista. Entretanto, sendo realista, a distância é muito grande. A Mercedes está numa posição de vencer todas as corridas, caso ela queira, portanto será difícil derrotá-la.

Tetra em 2013.

Tetra em 2013.

A temporada de 2014 chega a sua metade e a possibilidade de proibição da suspensão interligada pode tornar o campeonato mais emocionante, pois outras equipes podem ameaçar o domínio da Mercedes. Contudo, mesmo que o sistema FRIC seja banido, acredita-se que não haverá uma alteração substancial da atual hierarquia.

Todavia, será uma oportunidade para Sebastian Vettel provar que pode ser competitivo, mesmo sem estar guiando o melhor carro do grid, pois o projetista Adrian Newey sempre teve papel relevante em suas quatro conquistas.

Se vencer o quinto título consecutivo parece ser um sonho distante, o alemão tetracampeão tem a obrigação de, no mínimo, andar na frente do seu companheiro de equipe.

17/07/14.

Pérez acusa seu ex-empresário de influenciar na decisão da FIA.

A sétima etapa, GP do Canadá, disputada neste último domingo, teve um final emocionante e inesperado. Não só por conta do improvável vencedor, Daniel Ricciardo, mas pelo forte acidente em que se envolveram o brasileiro Felipe Massa e o mexicano Sergio Pérez.

A poucas voltas do fim da corrida, Perez, que ocupava, de forma brilhante, a segunda posição, mostrou-se mais lento e foi ultrapassado pelos pilotos da RBR. Primeiro Ricciardo, que, inclusive, alcançou Rosberg, tomou-lhe a ponta e venceu seu primeiro grande prêmio.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Mais perto do fim, foi a vez de Vettel atacar. As manobras da dupla da RBR foram realizadas de forma limpa. No momento da ultrapassagem do alemão, Felipe Massa tentou se aproveitar da situação, para também passar o mexicano, porém o resultado não foi dos melhores. Colisão forte, mas, por sorte, sem qualquer dano à integridade física dos envolvidos.

A FIA, surpreendentemente, apontou Pérez como o culpado, segundo os comissários, após analisar imagens aéreas do ocorrido. O Mexicano foi punido com cinco posições para o GP da Áustria. A equipe não informou, ainda, se irá apelar da decisão.

Williams do brasileiro destroçada.

Williams do brasileiro destroçada.

No momento do acidente, Luciano Burti afirmou que havia sido um erro de cálculo de Massa. Já Reginaldo Leme se preocupou mais em exaltar o fato de Felipe ter voltado a lutar no pelotão de frente, mas ambos estavam claramente desconfortáveis em apontar o brasileiro como verdadeiro culpado e mostraram-se constrangidos com a situação.

No VT do canal Sportv, o narrador Daniel Pereira não isentou o brasileiro. E o comentarista Lito Cavalcanti, apesar de ter notado uma ligeira mudança na trajetória de Pérez, afirmou que nada justificava o acidente. Durante a transmissão, para esta dupla, o brasileiro foi o culpado.

Felipe Massa, já acostumado naquilo que faz de melhor, achou margem para dar as velhas desculpas e acusou o mexicano de guiar perigosamente:

Eu conversei com ele no centro médico. Eu estava muito desapontado. Eu disse que ele precisava aprender. Queria que se colocasse no meu lugar, pois eu tive um grande impacto e, honestamente, pensei que fosse me machucar

Nós temos a regra, há alguns anos, de que se um carro está ao lado do outro, você não pode mais mudar. Ele mudou e nós tocamos.”

Massa ainda disse que cinco posições de punição não eram suficientes. Apesar da posição da FIA, o assunto parece longe de estar encerrado.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Uma imagem aérea começou a circular na web, dando conta de que Pérez teria, de fato, mudado de trajetória e causado o acidente. Mas o mexicano se defendeu, através de suas redes sociais (twitter e instagram) acusando o brasileiro de ter virado para a direita e postou a fotografia acima:

Na volta final eu estava defendendo minha posição ao ir para a curva 1, quando, de repente, fui atingido por trás. Não estava fácil nas voltas finais e eu estava acelerando tudo para ficar à frente de Nico, pela liderança“.

Foi muito triste perder um resultado tão importante, por conta de nenhuma culpa nossa. Eu estava seguindo a mesma linha de padrões de frenagem, como nas voltas anteriores e fui atingido em minha traseira por Massa. Havia muito espaço à esquerda do meu carro para tentativa de uma ultrapassagem limpa e eu não consigo entender porque ele teve que passar raspando

No momento da corrida, a sensação, mais uma vez, foi de frustração. Sentimento esse que veio muito antes da colisão. Felipe Massa era, claramente, o piloto mais veloz entre os sete primeiros, virando um segundo mais rápido do que todo o pelotão a sua frente, quando ainda faltavam dez para o final. A chance de vitória era clara.

Conseguiu ficar em quinto, após um erro duplo de Nico Hulkenberg e Valteri Bottas. Mesmo assim, não logrou êxito em ultrapassar Sebastian Vettel. Quando o alemão, que se defendeu muito bem dos ataques do brasileiro, diga-se de passagem, ultrapassou Sergio Pérez, Felipe Massa não teve habilidade para fazer o mesmo.

Eternas explicações.

Eternas explicações.

Quanto ao acidente, percebe-se que ambos viraram o volante. Pérez de forma bem mais sutil. A decisão da FIA causou estranheza, pois o argumento de que houve mudança de trajetória do mexicano só poderia ser utilizado caso ela tivesse sido feita de forma brusca ou Massa o tivesse atingido na parte lateral. Mas não, Felipe acertou com violência a traseira de Sergio, o que faz crer que o acidente aconteceria ainda que o mexicano nada fizesse.

A discussão está longe do fim. Apenas após ver e rever é que os especialistas tomaram partido, sendo que alguns ainda mudaram de opinião. Isso, por si só, já daria margem para enquadrar o ocorrido como um acidente de corrida. Mas vale destacar que a grande maioria apontava o brasileiro como culpado pelo episódio.

A presença de Adrián Fernandez, ex-manager de Pérez, na sala dos comissários é algo que deveria ser evitado, principalmente depois do rompimento conturbado da parceria. Charlie Whiting, diretor de prova, nega que haja conspiração contra o piloto da Force India e justifica a presença de Fernandez apenas como ouvinte, pois o ex-piloto de Fórmula Indy será comissário no GP da Rússia.

Ainda que a FIA tenha isentado Felipe, a frustração continua. Foi mais uma oportunidade que o brasileiro deixou escapar. Os pilotos da RBR fizeram as manobras sem qualquer dificuldade, enquanto que Massa, novamente, não conquistou um resultado expressivo.

Apesar de estar com equipamento que permitiria um piloto mais talentoso a lutar pela vitória, um pódio seria muito bem-vindo.

Os torcedores mais ávidos se deram por satisfeitos diante da punição de Pérez e chegaram a comemorá-la. Mas, convenhamos, faltou muita habilidade ao brasileiro. Importante lembrar que, diferentemente do argumento utilizado por ele próprio, Massa ainda não estava ao lado do piloto mexicano.

Dar desculpa e nunca ser responsável pelos próprios resultados ruins virou rotina.

09/06/14.

Ricciardo sente que ganhou o respeito da equipe, mas apenas Vettel recebe o chassi novo.

Antes do início da temporada, o duelo interno que gerava mais expectativa era o da dupla da Ferrari (Alonso x Raikkonen). Entretanto, o que vem chamando mais atenção do público é a disputa entre os pilotos da equipe austríaca RBR.

O novo companheiro do tetracampeão Sebastian Vettel não lhe tem proporcionado uma vida das mais fáceis. Nas duas últimas corridas o alemão foi superado por Ricciardo, tendo, inclusive, recebido ordens de equipe para ceder a posição. No Bahrein, Vettel, nitidamente, tinha problemas em seu monoposto, entretanto, no GP da China, o australiano conseguiu extrair melhor desempenho do carro.

Questionado pela revista inglesa Autosport se a percepção da RBR em relação a ele havia mudado, Ricciardo respondeu positivamente e que a equipe agora o ouvia em relação ao ajuste e desenvolvimento do carro:

“Acho que sim. Não estou dizendo que eles não acreditavam em mim, mas agora eu obtive alguns bons resultados que me deram confiança, isso tornou meu feedback bem mais preciso e creio que eles têm mais razão para confiar. A equipe começou a girar em torno de nós dois.”

Apesar de, aparentemente, ter desbancado Vettel neste início, Ricciardo ainda se encontra atrás do companheiro de equipe no campeonato. O australiano soma 24 pontos, enquanto o tetracampeão, 33. Essa bem poderia ser a justificativa para que a RBR disponibilize um chassi novo apenas para o tetracampeão.

Ricciardo comemora o terceiro lugar no grid no GP da Espanha.

Ricciardo comemora o terceiro lugar no grid no GP da Espanha.

Ocorre que, no momento de informar ao público, houve certa divergência entre o discurso da equipe e o piloto escolhido para recebê-lo. O chefe de design, Rob Marshall, afirmou que a mudança já era algo previsto:

“Sebastian terá um novo chassi em Barcelona, o que estava programado desde o início da temporada e, então, o próximo será para Dan (Ricciardo), a qualquer momento, perto do GP de Silverstone.”

Quando perguntado se a mudança seria para beneficiar Vettel, Marshall disse que não deveria ser, já que todos são iguais.

Já a conversa do tetracampeão foi um tanto quanto diferente. Segundo ele, a decisão ocorreu após o fraquíssimo desempenho mostrado no GP da China, para que todos os problemas que o carro apresentou fossem investigados:

“Acho que decidimos que trocaríamos o chassi após o GP da China, onde estávamos muito atrás. Não é um novo. É um antigo que usamos nos testes de inverno e tivemos alguma experiência com ele. É apenas para tentar tudo o que for possível. Não é anormal trocar um chassi. Decidimos mudar para um antigo somente para ter certeza de que não há nada de errado”

“Todos nós temos um próprio estilo de como gostamos de pilotar e de ajustar o carro. No geral, eu não me importo com saídas de traseira, mas quando é demais, isso começa a incomodar e o carro escorrega muito. Você se vê mais corrigindo do que acelerando e tirando o máximo. Isso te deixa lento. É só uma parte dos problemas. Seria bom ter um problema e uma solução imediata, mas é mais complexo esse ano, há mais fatores do que o ajuste (set-up) do carro.”

E a vida não continua nada tranquila para o alemão. Além de ter dado apenas quatro voltas nos treinos livres de Barcelona, o tetracampeão apresentou problemas no câmbio, abandonou durante a disputa do Q3 e largará na décima posição. Teve que ver, ainda, Daniel Ricciardo conseguir um terceiro lugar, atrás apenas dos pilotos da Mercedes, mesmo sem ter recebido a atenção que lhe foi dedicada nesse fim de semana.

Conjunto campeão das quatro últimas temporadas.

Conjunto campeão das quatro últimas temporadas.

Sebastian ganhou as últimas quatro temporadas. Mas sempre havia certa dúvida acerca de até onde iria seu talento e a importância do carro, ou seja, da equipe comandada pelo projetista Adrian Newey,  mesmo porque há um consenso de que, com um carro vencedor, boa parte dos pilotos que estão na categoria teria condições de ser campeão.

Pela primeira vez estamos presenciando o alemão dirigindo um carro que não apresenta na pista o comportamento desejado. Ainda é cedo para julgar, mas já há na imprensa quem esteja questionando o talento de Vettel.

A parte europeia da temporada está apenas começando. Não podemos colocar em xeque, tão rapidamente, o trabalho vencedor demonstrado nas temporadas recentes.

Aguardemos o fim do campeonato para que não tomemos conclusões precipitadas.

Confira o grid de largada para o GP da Espanha:

Piloto Carro Equipe Q1 Q2 Q3
1 Lewis Hamilton 44 Mercedes 1:27.238 1:26.210 1:25.232
2 Nico Rosberg 6 Mercedes 1:26.764 1:26.088 1:25.400
3 Daniel Ricciardo 3 Red Bull 1:28.053 1:26.613 1:26.285
4 Valtteri Bottas 77 Williams 1:28.198 1:27.563 1:26.632
5 Romain Grosjean 8 Lotus 1:28.472 1:27.258 1:26.960
6 Kimi Raikkonen 7 Ferrari 1:28.308 1:27.335 1:27.104
7 Fernando Alonso 14 Ferrari 1:28.329 1:27.602 1:27.140
8 Jenson Button 22 McLaren 1:28.279 1:27.570 1:27.335
9 Felipe Massa 19 Williams 1:28.061 1:27.016 1:27.402
10 Sebastian Vettel 1 Red Bull 1:27.958 1:27.052
11 Nico Hulkenberg 27 Force India 1:28.155 1:27.685
12 Sergio Perez 11 Force India 1:28.469 1:28.002
13 Daniil Kvyat 26 Toro Rosso 1:28.074 1:28.039
14 Esteban Gutierrez 21 Sauber 1:28.374 1:28.280
15 Kevin Magnussen 20 McLaren 1:28.389
16 Jean-Eric Vergne 25 Toro Rosso 1:28.194
17 Adrian Sutil 99 Sauber 1:28.563
18 Max Chilton 4 Marussia 1:29.586
19 Jules Bianchi 17 Marussia 1:30.177
20 Marcus Ericsson 9 Caterham 1:30.312
21 Kamui Kobayashi 10 Caterham 1:30.375
22 Pastor Maldonado 13 Lotus

Contradição? Mercedes volta atrás e admite usar ordens de equipe.

No disputadíssimo GP do Bahrein, dentre os duelos travados, talvez o que tenha chamado mais atenção foi o que aconteceu entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Não só por serem pilotos da mesma equipe, mas, também, pelo fato de estarem brigando pelo lugar mais alto no pódio. Naquela corrida, o inglês se manteve à frente de seu companheiro, conseguindo a segunda vitória na temporada.

Após a corrida, a equipe inteira estava em puro êxtase. Na ocasião, o alto escalão da Mercedes vangloriava-se de sua filosofia. Paddy Lowe, co-diretor executivo, afirmou que a competição vem sempre em primeiro lugar e que a não utilização de ordens de equipe era algo que deviam ao esporte e aos fãs (confira aqui o post (http://wp.me/p4f3dZ-2y).

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Não demorou muito para que o tom do discurso mudasse. Após a corrida de Xangai, quarta etapa do campeonato, a equipe parece ter revisto toda a sua forma de pensar. As declarações de que a Mercedes pode, sim, fazer uso de ordens de equipe foram dadas a BBC pelo outro diretor executivo, Toto Wolff, em aparente contradição com seu colega:

“Pode haver situações em que não se pode perder muito tempo na disputa (interna), se você tem o inimigo logo atrás de você.

“Bahrein foi uma situação muito particular, porque nosso conjunto funcionou muito bem e lá tivemos uma vantagem muito competitiva, então é mais fácil tomar uma decisão pelo bem da corrida, pois você sabe que tem uma boa margem para quem está em terceiro lugar

“Quanto menor a margem fica, mais cuidado você tem de ter. Nossa regra é que a competição é o nosso primeiro inimigo, não o companheiro de equipe, então pode haver situações na corrida em que você tem de considerar isso (uso das ordens), mas veremos o que acontece.”

Toto Wolff parece ter memória curta. As polêmicas ordens não são novidades na equipe Mercedes.

Em 2013, no controverso GP da Malásia, durante as voltas finais, Nico Rosberg estava bem mais rápido que Lewis Hamilton, terceiro colocado naquele momento, e queria a chance de brigar pelo pódio. Ao solicitar à equipe autorização para ultrapassá-lo, Ross Brawn, então chefe da equipe, foi categórico em sua resposta: “Negativo, Nico”. No fim da corrida, Rosberg, nitidamente insatisfeito, mesmo recebendo elogios da equipe pelo trabalho realizado, apenas respondeu: “Lembre-se dessa.”

No GP do Bahrein dessa temporada, quando a disputa interna começou, Paddy Lowe também interveio pedindo para que seus pilotos se certificassem de “trazer os carros pra casa”, mas sustentou que não se tratava de uma ordem de equipe.

Afinal, a que se deve uma mudança tão repentina em sua postura? Se era algo que fazia parte de sua filosofia no automobilismo e de que tanto se orgulhava, qual motivo levaria a equipe, em menos de um mês, rever sua posição? A reposta é simples. A real ameaça das outras escuderias.

A RBR já mostrou ter grande poder de reação. Em 2013, apesar do início disputado, na segunda metade da temporada Sebastian Vettel venceu nove corridas consecutivas. Neste ano, a equipe austríaca praticamente não realizou testes na pré-temporada, mas já no GP da Austrália desafiou a Mercedes na disputa pela pole position, apesar de não ter oferecido perigo durante as provas.

Mas o que deixou a equipe alemã em estado de alerta foi outro motivo. Bastou a Ferrari conseguir um pódio com Fernando Alonso, no grande prêmio da China, para que, prontamente, a possibilidade de ordem de equipe fosse levada em consideração.

As peças introduzidas no F14t deixaram o carro da escuderia de Maranello mais competitivo, a ponto de desbancar a Red Bull e oferecer resistência a, pelo menos, um dos carros da Mercedes. O diretor técnico da Ferrari, James Alison, já informou que o carro terá mais mudanças para o GP da Espanha, que será disputado em 11 de maio.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Os debates acerca das ordens de equipe são sempre acompanhados de polêmica. Os fãs, em geral, as veem como algo negativo para o esporte. Para o brasileiro, então, o tema é ainda mais delicado.

Rubens Barrichello e Felipe Massa, esperanças brasileiras na fórmula 1, em determinado momento de suas carreiras, ficaram marcados por terem se submetido às ordens. Para o torcedor é difícil entender que o interesse da equipe deve vir em primeiro lugar. Por sua vez, a imprensa, interessada num tema que gera muita exposição, em nada contribui, pois explora-o de maneira negativa.

O exemplo mais recente em que a falta de comando custou um título foi em 2007. A McLaren havia contratado Fernando Alonso e decidiu que Lewis Hamilton, pupilo de Ron Dennis, fosse seu companheiro. O estreante mostrou ter condições de lutar pelo título. A equipe inglesa tinha o melhor carro do grid e deixou que seus pilotos brigassem “livremente”.

Ocorre que a vantagem da equipe de Woking não era tão ampla em relação à Ferrari. Hamilton e Alonso terminaram com 109 pontos. O campeonato de pilotos caiu no colo de Kimi Raikkonen (110 pontos), com direito a jogo de equipe a seu favor na última corrida.

As  polêmicas ordens não fazem bem à imagem das equipes, sendo que algumas negam o seu uso, subestimando, às vezes com razão, a inteligência de quem acompanha o esporte. Mas todas escuderias fazem uso delas, e, não raro, as emitem através de códigos.

As únicas ocasiões em que não há necessidade de se fazer uso é quando a superioridade de uma equipe é tão grande, que existe a certeza de se ganhar o campeonato de construtores e de pilotos, a exemplo da McLaren, só que na época de Senna e Prost.

Se fazer uso das ordens de forma aberta e transparente com seu torcedor arranha a imagem da equipe, transformando-a em vilã, pior é o caso onde se exalta que a vitória deve ser conquistada na pista e logo após se vê obrigada a fazer uso delas.

Talvez resida aí a verdadeira preocupação da Mercedes.

Hamilton firme na luta pelo Bi.

Após o abandono na primeira etapa da temporada, Lewis Hamilton sobrou nas três corridas posteriores, vencendo-as sem muito trabalho, exceto no GP do Bahrein, em que disputou, por algumas voltas, a liderança com seu companheiro de equipe Nico Rosberg. O alemão lidera o campeonato com 79 pontos, Hamilton, mesmo tendo ficado de fora em Melbourne, já soma 75. O inglês está em sua melhor forma e parece imbatível.

Se tudo continuar assim, ao final da próxima corrida, o campeonato já terá um novo líder, pois uma vitória vale 25 pontos, enquanto o segundo lugar, 18. A diferença entre os pilotos da equipe Mercedes é de apenas 04.

Lewis não escondeu, durante a festa do pódio, a facilidade de sua vitória, realçando, obviamente, o esforço da equipe em lhe dar um carro perfeito:

“Eu não acredito quão fantástico o carro está e quão duro todos trabalharam. Após a largada, realmente, só corri contra eu mesmo. Estou muito feliz por Nico estar aqui. Ótimos pontos para a equipe.”

Não foi o fim de semana dos sonhos para Rosberg. Após errar durante a classificação e ter conseguido apenas o quarto lugar, o alemão, que caiu para a sexta posição ainda na primeira volta, conseguiu fazer uma corrida de recuperação e chegou em segundo, reduzindo o prejuízo.

Pódio - GP da China.

Pódio – GP da China.

Por sua vez, a Ferrari conseguiu o primeiro pódio do ano. As novas peças introduzidas no F14T deram resultado. Os treinos livres davam mostra de sua evolução e a corrida a confirmou. Alonso largou em quinto, ganhou duas posições – após um toque com Massa – passou Vettel depois do primeiro pit-stop e manteve-se à frente de Ricciardo até o fim da corrida. O espanhol assumiu o terceiro lugar no campeonato com 41 pontos:

“Foi um bom fim de semana. Melhoramos um pouco o carro, comparado às três primeiras corridas, então nos sentimos mais competitivos, estar no pódio é uma boa surpresa para nós. Acho que estou em terceiro no campeonato atrás desses dois caras. Não tivemos o início de temporada que gostaríamos, mas ainda estamos na luta.”

Sebastian Vettel foi mais uma vez superado por seu companheiro. O australiano apresentou um rendimento muito superior, dando a impressão, pois ainda não foi confirmado,  de que o carro do tetracampeão apresentava problemas, a exemplo do que aconteceu no GP do Bahrein, em que foi possível perceber que seu assoalho arrastava pelo asfalto. O que em nada diminui o mérito de Ricciardo, que vem fazendo provas muito consistentes. Vettel chegou a desobedecer uma ordem de equipe, dificultando a ultrapassagem, momento em que a TV flagrou Horner fazendo cara de poucos amigos.

Felipe Massa, que novamente largou bem, teve sua corrida arruinada, após um erro da Williams, durante a primeira parada nos boxes para troca de pneus. Terminou a prova em 15º lugar. Seu companheiro de equipe, Valteri Bottas, chegou em 7º, à frente de Kimi Raikkonen.

Coletiva de imprensa.

Coletiva de imprensa.

Embora não tenha sido tão emocionante como a corrida do Bahrein, o grande prêmio de Xangai não teve o tédio das duas etapas iniciais. Hamilton se mostra franco favorito para a conquista do seu bicampeonato. Seu adversário imediato parece não ter o talento necessário para lhe impor resistência, além de ser claramente, embora a equipe negue com veemência, o segundo piloto da equipe.

Hamilton, que chegou a sua 25 ª vitória, igualando-se a ninguém menos que Jim Clark e Niki Lauda, foi contratado para assumir o papel de líder da equipe. Lewis que era tratado como filho por Ron Dennis, deixou a McLaren, depois da oferta milionária feita pela equipe alemã e talvez por compreender que a Mercedes seria forte, a partir da introdução das novas regras.

Já a situação de Rosberg se assemelha à vivida por Felipe Massa na Ferrari. Se a equipe italiana tivesse confiança em seu talento, não teria trazido Raikkonen ou Alonso. Da mesma forma, a Mercedes não teria contratado Hamilton.

Bem verdade que a RBR evoluiu, levando-se em conta os treinos da pré-temporada, e a Ferrari mostrou-se mais competitiva na China. Todavia ambas terão de dar saltos gigantescos na evolução dos seus carros. Afinal a Mercedes também trouxe e trará novas peças.

Embora Alonso tenha chegado ao pódio,  a diferença para o inglês foi de 25 segundos, uma eternidade no mundo da Fórmula 1. Lewis Hamilton parece inalcançável em 2014.