GP de Mônaco

Hamilton precisa se preocupar?!

Que reviravolta! O Grande Prêmio de Mônaco já estava se encaminhando para um dos mais chatos dos últimos tempos. Apesar de ser um circuito que proporciona pouquíssimas ultrapassagens, há sempre alguém que busque a ousadia para tentar mostrar seu talento e geralmente passa da dose. É aí que o jovem Max Verstappen entra…

Tido por muitos como um fenômeno do automobilismo, o que acho exagerado para o momento, o ainda promissor holandês resolveu passar dos limites e acertar Romain Grosjean numa manobra imprudente e que gerou uma punição de perda de cinco posições para a próxima corrida. Resultado? Trouxe o já aguardado safety car e com ele emoção para o GP de Mônaco.

Deveria ter sido um fim de semana de pura alegria para Hamilton, perfeito, eu diria. Dias atrás, houve o anúncio da renovação de seu contrato com a atual melhor equipe. No sábado, sem nenhuma “artimanha” de seu companheiro como em 2014, a pole veio naturalmente. Largando na ponta em Mônaco com o melhor carro, a vitória estava praticamente assegurada. Estava… Um erro na estratégia custou o êxito do inglês no principado. Essa foi a segunda derrota que Lewis teve na temporada por conta de um equívoco da equipe.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Sobre o erro de estratégia, logo após a corrida, o jornalista Tobias Gruener (@tgruener, no twitter) informou que Lauda havia deixado escapar que o bicampeão estava reclamando dos pneus e questionou a equipe se não deveria parar. Ele liderava a corrida com larga vantagem, mas não o suficiente para trocar pneus e voltar à frente de seus rivais. Piloto e engenheiros conversaram e resolveram realizar a parada. A equipe calculou errado. Lewis voltou e terminou a corrida em terceiro. Segunda vitória consecutiva de Nico Rosberg nesta temporada e a terceira seguida em Mônaco, colocando seu nome de vez na história do principado.

Hamilton disse que a culpa era dividida, mas não dá para negar que a parcela de erro maior foi de seus engenheiros. Talvez pela monotonia da corrida, o inglês reclamou durante a corrida toda, apesar de aparentemente não haver motivo para tanto. No momento crítico da corrida fez mais reclamações e seu engenheiro deve ter dito: ok, get into the pit, motherfucker!

Brincadeiras à parte, seu staff deixou a desejar. Por mais que Lewis tenha sido insuportável, não havia razão para somente ele realizar troca de pneus, mormente quando ninguém mais entraria no box e diante de uma margem tão apertada de tempo. Lewis era o primeiro colocado guiando o melhor carro num circuito de dificílima ultrapassagem. Não havia razão para somente ele trocar pneus. Toto Wolff atribuiu o equívoco à mudança do safety car virtual para o real. No fim das contas, o erro da equipe foi grotesco!

Ademais disso, duas coisas chamaram atenção. A primeira foi o fato de Niki Lauda não mais esconder sua decepção quando Hamilton tem um resultado ruim. Apesar de ocupar o cargo de diretor não executivo na equipe Mercedes, para ele apenas as vitórias de Lewis interessam. A outra foi a postura de Hamilton durante o pódio. Sua frustração era aceitável, a falta de desportividade não. Ele, talvez de forma inédita, – não me recordo de outra situação igual – recusou-se a estourar o champagne, deu meia volta e foi embora. Até brinquei nas redes sociais, questionando o que diriam se fosse Fernando Alonso o protagonista de uma cena daquelas. Mas tudo bem. Vida que segue, o resto da corrida vocês sabem…

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Mas até onde Hamilton tem com o que se preocupar?

Agora Lewis tem contrato com a Mercedes até o fim de 2018. Embora a categoria passe por mudanças no regulamento para a temporada de 2017, não há razão para acreditar que a equipe alemã deixará de ser competitiva até o fim de seu vínculo… A Ferrari cresceu, mas não o suficiente. Red Bull e Williams andaram para trás. Sobre a McLaren não é preciso tecer comentários. Todas essas e demais rivais terão de vir com soluções mágicas para voltar a brigar pelo título, enquanto a Mercedes aguarda de camarote, mas sem ficar inerte.

De fato, se há algum piloto que pode ameaçar Hamilton, digo e repito, esse alguém é Nico Rosberg. Vejo muitas críticas ao alemão, mas o trabalho que ele faz é magnífico. Acompanhar de perto um companheiro do quilate de Lewis merece reconhecimento e respeito. Apesar de o inglês ser melhor, tudo indica que ele não terá tanta facilidade em sua busca pelo terceiro título como era pensado. Novamente, teremos a batalha entre o talentoso e o “trabalhador”. Exemplos no esporte não faltam em que a dedicação e trabalho duro venceram o dom natural mal aproveitado.

Por mais que Rosberg não facilite a vida de Lewis, é difícil de acreditar que o inglês não se sagre tricampeão no fim do ano. Inclusive, arrisco a dizer, pelos motivos supramencionados, que ele já desponta como o grande favorito para 2016. Óbvio tudo isso requer certa parcimônia. Já falei em outros posts que Hamilton mostrou grande evolução, principalmente no quesito maturidade. Em 2014 ele passou por situações de grandes adversidades, mas no final reverteu. Caso não venha a fraquejar, a aposta fica fácil. Ele não pode se dar ao luxo de titubear, pois outro receberá as láureas e será tão merecedor quanto.

Se uma vitória improvável cai bem, imaginem um título…

25/05/15.

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Vencedor da guerra psicológica será o campeão.

Em meio ao clima de Copa do Mundo, o grande prêmio de Silverstone será disputado neste domingo. Apesar da superioridade da Mercedes, o campeonato tem reservado boas corridas e a disputa entre os pilotos da equipe alemã está cada vez mais emocionante.

Após o GP da Áustria, que voltou a fazer parte do calendário este ano, Rosberg ampliou sua vantagem. Para quem não se lembra, foi nessa pista que Rubens Barrichello abriu passagem para Michael Schumacher antes da bandeirada final, nos anos de 2001 e 2002, sendo que este último ficou marcado pela narração de Cléber Machado e seu “hoje não, hoje sim” (http://tinyurl.com/mxjtyfs).

O líder do campeonato de pilotos chega a Grã-Bretanha com 29 pontos a mais que seu companheiro de equipe Lewis Hamilton. No campeonato de construtores, a Mercedes já soma 301 pontos, mais do que o dobro da segunda colocada RBR. Difícil imaginar algo que possa tirar os dois títulos da escuderia alemã.

A vantagem considerável foi reconquistada após o abandono de Hamilton na corrida do Canadá e da vitória no GP da Áustria. Em Montreal, os carros da Mercedes apresentaram um superaquecimento inesperado, causando uma pane no sistema de recuperação de energia. Rosberg, por méritos seus, conseguiu manter-se na pista e logrou um importantíssimo segundo lugar. Já em Spielberg, o alemão largou em terceiro e superou os pilotos da Williams para subir no primeiro lugar do pódio. Hamilton largou em nono, mas minimizou o prejuízo com um segundo lugar.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

A liderança do campeonato já havia sido retomada depois de vencer o GP de Mônaco. O fim de semana em Monte Carlo foi marcado pela polêmica do treino classificatório em que Rosberg causou uma bandeira amarela e Hamilton ficou impedido de dar sua volta rápida. Apesar de não ter recebido qualquer punição, Lewis disse que só queria uma luta justa, dando a entender que seu companheiro havia causado o incidente de propósito.

O clima na escuderia não ficou dos melhores, mas a equipe logo tentou mostrar ao público que havia aparado as arestas entre os dois pilotos. Todavia, apesar da bandeira branca ter sido hasteada pela Mercedes, a guerra está mais do que aberta. Nico Rosberg afirmou publicamente, após a corrida do Canadá, que possui a vantagem psicológica sobre o inglês:

Foi muito importante chegar ao final da corrida, pois o psicológico é uma grande parte do esporte. Se você tem estes resultados a seu favor, como eu tenho agora, isso lhe dá um extra, um pouco de vantagem, então já é uma ajuda.

A reação virá?

A reação virá?

Lewis, que já havia sofrido um abandono na primeira etapa, se vê novamente em situação delicada, mas está confiante de que pode recuperar os pontos perdidos e disse que aprenderia depois dos erros, principalmente o cometido na qualificação da austríaca:

Há muita coisa positiva para se levar em conta. Eu tinha um bom ritmo e não tirei proveito disso. Irei para a próxima corrida e me certificarei de fazê-lo. Estou sempre aprendendo a lição, mas é bom lembrar dos pontos que eu perdi por não terminar a corrida. Estou 29 pontos atrás. Não terminei a quantidade de corridas que eu gostaria e há um longo caminho a ser percorrido.”

Está claro! Nesse duelo, quem tiver maior força mental será o vencedor, desde que não haja interferência da equipe. A preferência da Mercedes é por Lewis Hamilton (recebe praticamente o dobro do salário de Rosberg) e parece que não estão fazendo questão de escondê-la.

Niki Lauda vem frequentemente dando declarações de que o inglês se recuperará e que não está sofrendo qualquer tipo de pressão, mesmo após o erro inesperado cometido em Spielberg:

Essas coisas acontecem. Não há nada de errado nisso. Não preciso monitorá-lo em nada. Eu o conheço por muito tempo e sua mente está completamente perfeita. Ele está extremamente motivado e isso é tudo. Não se preocupem com isto. Ele cometeu um erro na classificação, mas se recuperou na corrida

E novamente Hamilton terá de fazer uma corrida de recuperação. Com as condições climáticas imprevisíveis da classificação de Silverstone, o inglês resolveu, equivocadamente, abortar sua última volta rápida. Rosberg foi até o final e a pista melhorou. Resultado? O alemão largará em primeiro. Lewis, que era o favorito para a pole, sairá apenas da sexta posição. E não adianta negar, a pressão sobre ele está aumentando a cada etapa.

Apesar do talento inquestionável e sua velocidade impressionante, Hamilton já demonstrou em temporadas anteriores que o psicológico não é seu ponto forte. Se em 2007, ano de sua estreia, todos ficaram surpresos com seu alto rendimento, o campeonato escapou de sua mão após perder várias posições na largada por ter colocado o carro em neutro sem ter percebido.

O título em 2008, sem desmerecer sua conquista, veio por conta da incompetência da equipe Ferrari e de alguns erros cruciais cometidos por Felipe Massa. Em 2010, Lewis tinha um carro capaz de vencer, mas os memoráveis erros cometidos em Monza e Cingapura fizeram com que ele chegasse à última etapa com uma mínima chance matemática, deixando a briga final apenas entre Alonso e Vettel.

Um dos erros de 2010.

Um dos erros de 2010.

Por sua vez, embora não seja tão talentoso quanto o seu rival, Rosberg tem se mostrado mais constante. Sua dedicação e trabalho intenso vêm dando nas pistas o resultado, ao menos por ele, esperado. É a primeira vez que o alemão – que acabou de completar 29 anos e estreou na Fórmula 1 em 2006 – tem a chance de andar em um carro capaz de lhe proporcionar um título e ele não está disposto a desperdiçá-la.

O campeonato está praticamente na metade e ainda há tempo para Hamilton recuperar-se, até mesmo porque se acredita que em algum momento Rosberg também não terminará uma corrida, embora confiar nisso não seja das melhores estratégias.

A perda da pole position em Silverstone para seu companheiro de equipe, diante da torcida inglesa foi outro golpe duríssimo. Resta saber se Hamilton terá força o suficiente para buscar seu segundo título. Superar Nico Rosberg não será tarefa das mais fáceis.

Como ele afirmou, há um longo caminho a ser percorrido.

05/07/14.

Newey diz que não sai da Red Bull e Alonso se mostra insatisfeito com clima na Ferrari.

Após apresentar resultados de pouca expressão no GP da Espanha, o antigo rumor de que a Ferrari contrataria Adrian Newey voltou a ser ventilado no paddock. Além do real interesse da escuderia italiana, quando questionado, o projetista foi vago em suas respostas, dando margem às especulações:

Eu não sei. Eu preciso pensar sobre isso. Estamos no meio da temporada e ainda estou me adaptando a ela. Alguma hora eu terei de pensar no futuro, mas no momento meu foco é ficar à frente do carro prateado (Mercedes)”

Uma das principais mudanças no time de Maranello foi a do cargo de chefe de equipe. Stefano Domenicali deu lugar a Marco Mattiaci e Montezemolo prometeu mais alterações. Ocorre que, em Monaco, Newey mudou o tom do discurso e afirmou que está comprometido com a Red Bull por tempo indeterminado, descartando uma possível mudança de ares.

Newey de saída?

Newey de saída?

Sebastian Vettel também não acredita na saída do britânico, entretanto não pareceu muito confiante em sua resposta, mostrando certo desconforto diante da imprensa, dizendo, ainda, que o sucesso da Red Bull nas últimas temporadas se deve a toda equipe:

“Vocês precisam entender que Adrian é uma das pessoas-chave na equipe, mas há também aqueles que estão trabalhando muito, então nem sempre é justo dar crédito apenas a um homem. Tenho certeza que ele vai lhe dizer isso, quando fizer o mesmo tipo de pergunta… O quanto é verdade (saída da Red Bull) talvez descobriremos ou não. Isso não me interessa muito no momento”

Indubitavelmente, a chegada de Adrian Newey acalmaria os ânimos da escuderia italiana, pois os últimos comentários do bicampeão Fernando Alonso mostraram que o ambiente interno da Ferrari não é dos melhores. O asturiano deu a entender que não tem recebido o devido apoio dos “amigos”, apesar de ter seu trabalho reconhecido por quem não tem tanta proximidade, a exemplo de Dieter Zetsche, presidente da Mercedes:

“Alonso é provavelmente o melhor piloto do grid. Fernando sempre provou isso e em carros não competitivos.”

O bicampeão também foi enaltecido pelo chefe da equipe alemã, Toto Wolff, ao afirmar que o espanhol é um “monstro” nas corridas. Mesmo estando satisfeito com os comentários feitos pela cúpula da Mercedes, Alonso acha estranho não receber o mesmo suporte de quem mais se espera:

“É sempre bem-vindo quando as pessoas vêem seu trabalho de uma boa forma e respeita aquilo que você tenta conquistar. Às vezes é estranho ver bons comentários e elogios de pessoas de fora e o oposto daqueles que deveriam estar ao seu lado. É motivador ver bons comentários e engraçado ouvir o contrário de seus amigos mais próximos.”

Alonso e Montezemolo. Ânimos acirrados?

Alonso e Montezemolo. Ânimos acirrados?

Ao saber das declarações, Luca di Montezemolo apressou-se e emitiu um comunicado oficial em apoio ao seu primeiro piloto:

“Fernando é o melhor piloto do mundo, que sempre dá duzentos por cento nas corridas. Ele sabe o quanto confio nele, mesmo longe das pistas, em termos de contribuição e pelo impulso que ele dá à equipe. É incrível como alguns, tidos como experts, não entendem isso e estão sempre procurando situações polêmicas que simplesmente não existem.”

O italiano lembrou que possui outro piloto incrível, Kimi Raikkonen, e espera que Mattiaci promova as mudanças necessárias, tando organizacionais, como de ordem técnica, o mais rápido possível.

A suposta chegada de Adrian Newey à Ferrari não seria sinônimo de sucesso imediato para o espanhol. Além de ter de se adequar à nova equipe, como bem mencionado por Vettel, o sucesso da RBR deve-se, também, aos comandados pelo projetista britânico.

A reestruturação da Ferrari, embora tardia, promete, ainda que de médio a longo prazo, render frutos. Para quem não se recorda, o heptacampeão Michael Schumacher chegou à equipe de Maranello em 1996, mas logrou seu primeiro título apenas em 2000, portanto em sua quinta temporada pela Ferrari. E, naquela ocasião, faziam parte da equipe, por exemplo, ninguém menos que Jean Todt e Ross Brawn. Esse último, constantemente, relacionado a um possível retorno.

A competência de Alonso é inquestionável. Mesmo sem contar com o melhor carro do grid, nas temporadas de 2010 e 2012, levou a disputa do título para a última corrida. Seu contrato com a Ferrari vai até 2016, porém há quem afirme a existência de cláusula que possibilita o rompimento do vínculo, caso a equipe não lhe forneça um carro capaz de lutar pelo campeonato.

Se a permanência na Ferrari não dá ao espanhol certeza de sucesso, a sua saída menos ainda. Fernando Alonso está prestes a completar 33 anos. A idade já começa a ser um fator determinante na tomada de suas decisões.

24/05/14.