GP da Espanha

Verstappen, the flying dutch, em dia memorável!

Se a justificativa da chegada de Verstappen à equipe RBR foi controversa, os fins justificaram os meios. O Holandês, de apenas 18 anos conseguiu o maior dos resultados possíveis em sua estreia pela equipe austríaca: vencer o grande prêmio de Barcelona. Com tal feito, Max estabeleceu novo recorde ao tornar-se o piloto mais jovem a vencer uma corrida de F1.

Tal resultado era improvável e o próprio Verstappen pretendia apenas um pódio. Além da Mercedes ocupar a primeira fila, Max ainda tinha Daniel Ricciardo à sua frente. E Na sequência, os pilotos da Ferrari em busca de bons resultados para aliviar a pressão interna imposta por Marchionne. Se na teoria a probabilidade era mínima, na prática todas as combinações aconteceram para que a estrela de Verstappen pudesse brilhar.

Gosto da champagne na F1.

Gosto da champagne na F1.

O incidente entre Hamilton e Rosberg (que será analisado oportunamente) foi só o primeiro dos acontecimentos que possibilitaram a primeira vitória de Verstappen. Depois disso, Ricciardo e Vettel duelaram, em vão, pois no fim a disputa era apenas pelo terceiro lugar, já que as estratégias adotadas mostraram-se equivocadas. Some-se isso a a um circuito de poucos pontos de ultrapassagem.

Ao assumir a ponta, Max administrou bem o consumo de pneus e resistiu aos ataques não tão incisivos de Kimi Raikkonen… No fim do dia, Verstappen foi o grande vencedor. Ocupou o lugar mais alto do pódio. Parabéns!!!

A nós só resta contemplar esse que foi um grande feito. Agora a contagem é para a segunda vitória. Será que ainda vem nesta temporada?!

Improvável… Assim como a de hoje…

15/05/16.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

A ordem de forças na Fórmula 1 permanece inalterada e digo isso até com um certo pesar. Não que eu torça pela derrota da Mercedes, mas, como qualquer outro fã da categoria, o que eu desejo é disputa acirrada, repetições do GP do Bahrein, simples assim. Quão bom seria se a maioria das corridas permitisse as batalhas que vêm acontecendo ano após ano no circuito de Sahkir.

Bem verdade que já vimos algumas esse ano com Vettel vencendo na Malásia e com o segundo lugar ameaçador de Raikkonen na última corrida. Todavia, a sensação é de que não passará disso: você pode vencer uma batalha, mas a guerra já está decidida. E isso soa meio que triste para o esporte.

Não obstante todo o cenário que este início tem apresentado, eu – talvez utopicamente – simplesmente quero acreditar que o campeonato continua aberto. Estamos na primeira corrida da Europa e, até então, a Ferrari apresentou-se em condições de disputar o título. Em tese, tudo vai depender da capacidade de desenvolvimento do carro.

Indubitavelmente, a Mercedes não pode ser culpada pela incompetência de suas rivais. Red Bull e Renault ainda não se entenderam, a McLaren-Honda tem muito o que provar, a Williams não conseguiu manter a boa forma do ano passado e ainda que construísse um grande carro, trata-se de uma equipe que recebe motores e sabemos bem as implicações disso, enfim…

Rivais encontrarão uma solução?

Rivais encontrarão uma solução?

A equipe alemã também não pode ser culpada por ter contratado um piloto que parece ter chegado ao seu auge. Depois do bicampeonato, Lewis Hamilton parece consciente da sua atual superioridade e desfila diante de seus rivais como quem diz “eu sou invencível”, tamanha é a sua confiança. Ele evoluiu, está mais forte não só na parte física como mentalmente.

A postura do britânico é de que sabe que este é o seu melhor momento, I’m the man, just deal with it. É bom ressaltar que, apesar de sua grande fase, é natural que eventualmente Hamilton não consiga os melhores resultados, como aconteceu nesta classificação na Espanha. Ele não pode vencer todas, mas sempre será o grande favorito.

Por sua vez, embora a Ferrari já tenha se consolidado como a maior concorrente da Mercedes, a vantagem da equipe alemã ainda é grande e é muito improvável que ela se esvaia. Apesar de não ser a mesma de 2014, parece ser suficiente para assegurar os títulos deste ano. Desafio árduo que se apresenta para as demais escuderias. A equipe italiana, por exemplo, precisará fazer algo que não tem feito há alguns anos: trazer atualizações que deem resultado na pista.

A confiança em pessoa!

A confiança em pessoa!

Não adianta criar ilusões, se as coisas continuarem como estão, o único que poderá realmente desafiar Lewis é seu companheiro de equipe. Ele terá que trabalhar muito para isso e já deu o primeiro passo de uma possível reação que, frise-se, também parece improvável. Ele acabou de conseguir a primeira pole-position da temporada hoje, mas já dava mostras de uma recuperação no Bahrein. O problema de freios no fim daquela corrida teve um quê de injustiça, pois vimos um Rosberg extremamente agressivo e acabou proporcionando muita emoção aos telespectadores…

O Grande Prêmio da Espanha marca a quinta etapa do campeonato e pode ser considerado simbolicamente um novo início da temporada. Não tenho o poder, muito menos presunção de prever ou tentar adivinhar o que vai acontecer amanhã na corrida. Mas é difícil imaginar algo diferente da Mercedes na ponta sem um erro de estratégia ou problemas de confiabilidade.

Caso seja uma corrida semelhante ao último GP, dar-me-ei por satisfeito.

09/05/15.

Ricciardo sente que ganhou o respeito da equipe, mas apenas Vettel recebe o chassi novo.

Antes do início da temporada, o duelo interno que gerava mais expectativa era o da dupla da Ferrari (Alonso x Raikkonen). Entretanto, o que vem chamando mais atenção do público é a disputa entre os pilotos da equipe austríaca RBR.

O novo companheiro do tetracampeão Sebastian Vettel não lhe tem proporcionado uma vida das mais fáceis. Nas duas últimas corridas o alemão foi superado por Ricciardo, tendo, inclusive, recebido ordens de equipe para ceder a posição. No Bahrein, Vettel, nitidamente, tinha problemas em seu monoposto, entretanto, no GP da China, o australiano conseguiu extrair melhor desempenho do carro.

Questionado pela revista inglesa Autosport se a percepção da RBR em relação a ele havia mudado, Ricciardo respondeu positivamente e que a equipe agora o ouvia em relação ao ajuste e desenvolvimento do carro:

“Acho que sim. Não estou dizendo que eles não acreditavam em mim, mas agora eu obtive alguns bons resultados que me deram confiança, isso tornou meu feedback bem mais preciso e creio que eles têm mais razão para confiar. A equipe começou a girar em torno de nós dois.”

Apesar de, aparentemente, ter desbancado Vettel neste início, Ricciardo ainda se encontra atrás do companheiro de equipe no campeonato. O australiano soma 24 pontos, enquanto o tetracampeão, 33. Essa bem poderia ser a justificativa para que a RBR disponibilize um chassi novo apenas para o tetracampeão.

Ricciardo comemora o terceiro lugar no grid no GP da Espanha.

Ricciardo comemora o terceiro lugar no grid no GP da Espanha.

Ocorre que, no momento de informar ao público, houve certa divergência entre o discurso da equipe e o piloto escolhido para recebê-lo. O chefe de design, Rob Marshall, afirmou que a mudança já era algo previsto:

“Sebastian terá um novo chassi em Barcelona, o que estava programado desde o início da temporada e, então, o próximo será para Dan (Ricciardo), a qualquer momento, perto do GP de Silverstone.”

Quando perguntado se a mudança seria para beneficiar Vettel, Marshall disse que não deveria ser, já que todos são iguais.

Já a conversa do tetracampeão foi um tanto quanto diferente. Segundo ele, a decisão ocorreu após o fraquíssimo desempenho mostrado no GP da China, para que todos os problemas que o carro apresentou fossem investigados:

“Acho que decidimos que trocaríamos o chassi após o GP da China, onde estávamos muito atrás. Não é um novo. É um antigo que usamos nos testes de inverno e tivemos alguma experiência com ele. É apenas para tentar tudo o que for possível. Não é anormal trocar um chassi. Decidimos mudar para um antigo somente para ter certeza de que não há nada de errado”

“Todos nós temos um próprio estilo de como gostamos de pilotar e de ajustar o carro. No geral, eu não me importo com saídas de traseira, mas quando é demais, isso começa a incomodar e o carro escorrega muito. Você se vê mais corrigindo do que acelerando e tirando o máximo. Isso te deixa lento. É só uma parte dos problemas. Seria bom ter um problema e uma solução imediata, mas é mais complexo esse ano, há mais fatores do que o ajuste (set-up) do carro.”

E a vida não continua nada tranquila para o alemão. Além de ter dado apenas quatro voltas nos treinos livres de Barcelona, o tetracampeão apresentou problemas no câmbio, abandonou durante a disputa do Q3 e largará na décima posição. Teve que ver, ainda, Daniel Ricciardo conseguir um terceiro lugar, atrás apenas dos pilotos da Mercedes, mesmo sem ter recebido a atenção que lhe foi dedicada nesse fim de semana.

Conjunto campeão das quatro últimas temporadas.

Conjunto campeão das quatro últimas temporadas.

Sebastian ganhou as últimas quatro temporadas. Mas sempre havia certa dúvida acerca de até onde iria seu talento e a importância do carro, ou seja, da equipe comandada pelo projetista Adrian Newey,  mesmo porque há um consenso de que, com um carro vencedor, boa parte dos pilotos que estão na categoria teria condições de ser campeão.

Pela primeira vez estamos presenciando o alemão dirigindo um carro que não apresenta na pista o comportamento desejado. Ainda é cedo para julgar, mas já há na imprensa quem esteja questionando o talento de Vettel.

A parte europeia da temporada está apenas começando. Não podemos colocar em xeque, tão rapidamente, o trabalho vencedor demonstrado nas temporadas recentes.

Aguardemos o fim do campeonato para que não tomemos conclusões precipitadas.

Confira o grid de largada para o GP da Espanha:

Piloto Carro Equipe Q1 Q2 Q3
1 Lewis Hamilton 44 Mercedes 1:27.238 1:26.210 1:25.232
2 Nico Rosberg 6 Mercedes 1:26.764 1:26.088 1:25.400
3 Daniel Ricciardo 3 Red Bull 1:28.053 1:26.613 1:26.285
4 Valtteri Bottas 77 Williams 1:28.198 1:27.563 1:26.632
5 Romain Grosjean 8 Lotus 1:28.472 1:27.258 1:26.960
6 Kimi Raikkonen 7 Ferrari 1:28.308 1:27.335 1:27.104
7 Fernando Alonso 14 Ferrari 1:28.329 1:27.602 1:27.140
8 Jenson Button 22 McLaren 1:28.279 1:27.570 1:27.335
9 Felipe Massa 19 Williams 1:28.061 1:27.016 1:27.402
10 Sebastian Vettel 1 Red Bull 1:27.958 1:27.052
11 Nico Hulkenberg 27 Force India 1:28.155 1:27.685
12 Sergio Perez 11 Force India 1:28.469 1:28.002
13 Daniil Kvyat 26 Toro Rosso 1:28.074 1:28.039
14 Esteban Gutierrez 21 Sauber 1:28.374 1:28.280
15 Kevin Magnussen 20 McLaren 1:28.389
16 Jean-Eric Vergne 25 Toro Rosso 1:28.194
17 Adrian Sutil 99 Sauber 1:28.563
18 Max Chilton 4 Marussia 1:29.586
19 Jules Bianchi 17 Marussia 1:30.177
20 Marcus Ericsson 9 Caterham 1:30.312
21 Kamui Kobayashi 10 Caterham 1:30.375
22 Pastor Maldonado 13 Lotus

Contradição? Mercedes volta atrás e admite usar ordens de equipe.

No disputadíssimo GP do Bahrein, dentre os duelos travados, talvez o que tenha chamado mais atenção foi o que aconteceu entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Não só por serem pilotos da mesma equipe, mas, também, pelo fato de estarem brigando pelo lugar mais alto no pódio. Naquela corrida, o inglês se manteve à frente de seu companheiro, conseguindo a segunda vitória na temporada.

Após a corrida, a equipe inteira estava em puro êxtase. Na ocasião, o alto escalão da Mercedes vangloriava-se de sua filosofia. Paddy Lowe, co-diretor executivo, afirmou que a competição vem sempre em primeiro lugar e que a não utilização de ordens de equipe era algo que deviam ao esporte e aos fãs (confira aqui o post (http://wp.me/p4f3dZ-2y).

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Não demorou muito para que o tom do discurso mudasse. Após a corrida de Xangai, quarta etapa do campeonato, a equipe parece ter revisto toda a sua forma de pensar. As declarações de que a Mercedes pode, sim, fazer uso de ordens de equipe foram dadas a BBC pelo outro diretor executivo, Toto Wolff, em aparente contradição com seu colega:

“Pode haver situações em que não se pode perder muito tempo na disputa (interna), se você tem o inimigo logo atrás de você.

“Bahrein foi uma situação muito particular, porque nosso conjunto funcionou muito bem e lá tivemos uma vantagem muito competitiva, então é mais fácil tomar uma decisão pelo bem da corrida, pois você sabe que tem uma boa margem para quem está em terceiro lugar

“Quanto menor a margem fica, mais cuidado você tem de ter. Nossa regra é que a competição é o nosso primeiro inimigo, não o companheiro de equipe, então pode haver situações na corrida em que você tem de considerar isso (uso das ordens), mas veremos o que acontece.”

Toto Wolff parece ter memória curta. As polêmicas ordens não são novidades na equipe Mercedes.

Em 2013, no controverso GP da Malásia, durante as voltas finais, Nico Rosberg estava bem mais rápido que Lewis Hamilton, terceiro colocado naquele momento, e queria a chance de brigar pelo pódio. Ao solicitar à equipe autorização para ultrapassá-lo, Ross Brawn, então chefe da equipe, foi categórico em sua resposta: “Negativo, Nico”. No fim da corrida, Rosberg, nitidamente insatisfeito, mesmo recebendo elogios da equipe pelo trabalho realizado, apenas respondeu: “Lembre-se dessa.”

No GP do Bahrein dessa temporada, quando a disputa interna começou, Paddy Lowe também interveio pedindo para que seus pilotos se certificassem de “trazer os carros pra casa”, mas sustentou que não se tratava de uma ordem de equipe.

Afinal, a que se deve uma mudança tão repentina em sua postura? Se era algo que fazia parte de sua filosofia no automobilismo e de que tanto se orgulhava, qual motivo levaria a equipe, em menos de um mês, rever sua posição? A reposta é simples. A real ameaça das outras escuderias.

A RBR já mostrou ter grande poder de reação. Em 2013, apesar do início disputado, na segunda metade da temporada Sebastian Vettel venceu nove corridas consecutivas. Neste ano, a equipe austríaca praticamente não realizou testes na pré-temporada, mas já no GP da Austrália desafiou a Mercedes na disputa pela pole position, apesar de não ter oferecido perigo durante as provas.

Mas o que deixou a equipe alemã em estado de alerta foi outro motivo. Bastou a Ferrari conseguir um pódio com Fernando Alonso, no grande prêmio da China, para que, prontamente, a possibilidade de ordem de equipe fosse levada em consideração.

As peças introduzidas no F14t deixaram o carro da escuderia de Maranello mais competitivo, a ponto de desbancar a Red Bull e oferecer resistência a, pelo menos, um dos carros da Mercedes. O diretor técnico da Ferrari, James Alison, já informou que o carro terá mais mudanças para o GP da Espanha, que será disputado em 11 de maio.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Os debates acerca das ordens de equipe são sempre acompanhados de polêmica. Os fãs, em geral, as veem como algo negativo para o esporte. Para o brasileiro, então, o tema é ainda mais delicado.

Rubens Barrichello e Felipe Massa, esperanças brasileiras na fórmula 1, em determinado momento de suas carreiras, ficaram marcados por terem se submetido às ordens. Para o torcedor é difícil entender que o interesse da equipe deve vir em primeiro lugar. Por sua vez, a imprensa, interessada num tema que gera muita exposição, em nada contribui, pois explora-o de maneira negativa.

O exemplo mais recente em que a falta de comando custou um título foi em 2007. A McLaren havia contratado Fernando Alonso e decidiu que Lewis Hamilton, pupilo de Ron Dennis, fosse seu companheiro. O estreante mostrou ter condições de lutar pelo título. A equipe inglesa tinha o melhor carro do grid e deixou que seus pilotos brigassem “livremente”.

Ocorre que a vantagem da equipe de Woking não era tão ampla em relação à Ferrari. Hamilton e Alonso terminaram com 109 pontos. O campeonato de pilotos caiu no colo de Kimi Raikkonen (110 pontos), com direito a jogo de equipe a seu favor na última corrida.

As  polêmicas ordens não fazem bem à imagem das equipes, sendo que algumas negam o seu uso, subestimando, às vezes com razão, a inteligência de quem acompanha o esporte. Mas todas escuderias fazem uso delas, e, não raro, as emitem através de códigos.

As únicas ocasiões em que não há necessidade de se fazer uso é quando a superioridade de uma equipe é tão grande, que existe a certeza de se ganhar o campeonato de construtores e de pilotos, a exemplo da McLaren, só que na época de Senna e Prost.

Se fazer uso das ordens de forma aberta e transparente com seu torcedor arranha a imagem da equipe, transformando-a em vilã, pior é o caso onde se exalta que a vitória deve ser conquistada na pista e logo após se vê obrigada a fazer uso delas.

Talvez resida aí a verdadeira preocupação da Mercedes.