Ferrari

Quando a injustiça prevalece…

Fala, pessoal. Estava tudo certo para “um ano sabático” do Blog F1 Ácida, apesar da regular interação nas redes sociais. Não há posts desde o ano passado. Contudo, depois do incidente de ontem, resolvi escrever algumas linhas e ponderarei se haverá continuidade para as próximas etapas do campeonato. Vamos ao que interessa…

Numa corrida cheia de incidentes em Baku, como já era previsto, a situação que mais chamou atenção foi a que envolveu Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, justamente os dois que disputam o título. O alemão colidiu na traseira do piloto da Mercedes e, por estar insatisfeito com o ritmo de relargada do rival, crendo numa suposta freada brusca (break-test) intencional, emparelhou seu carro e, deliberadamente, o jogou na lateral de Lewis.

Particularmente, classifico tal manobra como ultrajante.

Talvez, por ter como exemplo outro alemão multicampeão da categoria, Sebastian Vettel tenha se comportado de tal maneira. Deplorável. Schumacher o fez, mais de uma vez inclusive, porém quando se estava em jogo o título e durante a corrida valendo. Vettel o fez durante um safety car, pondo em risco a integridade física de um colega, quando não havia nada em jogo, o que me parece ser pior. Para os poucos que não sabem, safety significa justamente segurança.

Pois bem. Tudo isso foi amplamente divulgado e assistido pelo público. A FIA teve todo o tempo necessário para realizar o julgamento, mas quando o incidente envolve as grandes equipes, ainda mais quando os pilotos são justamente os que concorrem ao título, parece que é preciso muito mais tempo do que o normal para a tomada de decisões, o que é, no mínimo, curioso.

A corrida havia sido temporariamente interrompida (Bandeira Vermelha). A punição a Vettel (10 segundos/stop and go) veio não só após o reinício da corrida, mas depois de o inglês precisar parar para ajustar seu apoio de cabeça, este um erro primário da Mercedes, diga-se. Além disso, Vettel teve anotado três pontos em sua super licença e está a três de receber a punição de uma corrida de suspensão.

Contudo, pergunta-se, a punição aplicada foi justa?

A resposta é simples: Não!

Digo isso não só pelo fato de Vettel ter conseguido ficar à frente de Hamilton, mas porque a única punição possível para aquele incidente era a desclassificação do piloto da Ferrari. Não se tratava apenas de uma colisão, cuja penalidade, em regra, é sopesada a partir da análise da culpa do piloto no incidente. Em Baku, os comissários tinham de ter feito a diferenciação, frequentemente utilizada no mundo do Direito entre dolo e culpa. Não havia disputa por posição e Vettel, deliberadamente, jogou o carro em cima do colega. Tratou-se, portanto, de verdadeira agressão e não de uma simples colisão causada por negligência ou imprudência.

Não bastasse a punição injusta, os comissários voltaram a cometer o mesmo equívoco de anos passados. Apesar de prometer decisões mais rápidas, houve muita demora em sua tomada e, como já mencionado acima, ela só veio após Hamilton ser obrigado a ir aos boxes por medida de segurança. Assim, Vettel permaneceu à frente. Uma completa injustiça.

O episódio de ontem me fez lembrar Valência 2010. Todavia, naquele já longínquo ano, os envolvidos eram Hamilton e Alonso. Para quem não se lembra, o inglês ultrapassou o safety car, enquanto espanhol obedeceu às regras e permaneceu atrás. Os comissários demoraram a tomar a decisão, Lewis, que era líder do campeonato naquele momento, se beneficiou disso e quando foi punido já tinha vantagem suficiente para voltar à frente do velho rival. Hamilton chegou em 4º seguido do espanhol. Uma diferença de 03 (três) importantes pontos para o campeonato, mas que, levando em conta apenas aquela corrida, não seriam suficientes para Alonso, já que a diferença para Vettel, no fim, foi de quatro.


(Hamilton ultrapassa Safety Car em 2010).

Ontem houve o inverso. Vettel, beneficiado duplamente (pela demora da punição e por sua brandura), foi quem chegou na quarta colocação e Lewis em quinto. Novamente os três pontos de diferença. Contudo, diferentemente de 2010, ano em que quatro pilotos disputaram o título, apenas eles dois estarão na briga em 2017.

Ainda faltam 12 etapas, ou seja, mais da metade da temporada. Atualmente, a diferença do líder, Vettel, e vice, Hamilton é de 14 (quatorze) pontos. Para retomar a liderança, num cenário em que o alemão chegue em segundo e Hamilton vença consecutivamente, serão necessárias três corridas… Bela vantagem, levando-se em conta as inúmeras possibilidades, inclusive as favoráveis ao tetracampeão…

Se fosse para apostar em quem se sagrará campeão ao fim do ano, depositaria minhas fichas em Hamilton. Apesar do resultado ruim ontem, o inglês se disse satisfeito por conta do desempenho mostrado pela Mercedes. De fato, a equipe alemã parece ter resolvido parte de seus problemas de aquecimento de pneus e é possível que volte a exercer o velho domínio de temporadas anteriores ainda não visto esse ano.

Entretanto, tudo ainda é uma incógnita. Obviamente, há a possibilidade de a Ferrari trazer atualizações capazes de reverter o quadro, embora o histórico de evolução do carro durante a temporada não favoreça. De toda forma, a Ferrari não era uma aposta no início do campeonato e surpreendeu a todos.

Caso Vettel consiga vencer esta temporada, espero que o faça com uma margem superior a três pontos. Abaixo disso, será um resultado extremamente injusto…

P.s: Em tempo, parabéns a Lance Stroll. O estreante canadense, tão criticado, conseguiu seu primeiro pódio, tornando o mais jovem piloto a conseguir tal feito.

Ainda há muito a provar, verdade. Mas nada como um dia após o outro…

26/06/2017.

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Principal, coadjuvante ou vilão. Qual será o papel de Nico Rosberg em 2016?

Fala, pessoal…

Já faz um tempo, hein? 2015 não foi um ano muito ativo para o blog, mas tentarei fazer um 2016 diferente. Vamos ao que interessa…

Circunstâncias imprevistas – naturais quando se trata de corridas de automóvel, mas que nem sempre acontecem – tornaram o Grande Prêmio da Austrália interessante. A má largada de Hamilton, seguida da ótima de Vettel e a colisão envolvendo Gutierrez e Alonso trataram de trazer emoção ao GP. A vantagem construída por Vettel foi eliminada com a bandeira vermelha e por conta de um erro primário de estratégia da equipe italiana. Isso, somado à incompetência de Vettel que não ultrapassou Hamilton, mesmo estando com pneus melhores no fim da corrida, possibilitou a dobradinha da equipe Mercedes.

Está claro. Mercedes ainda à frente, como supunha-se e a Ferrari ligeiramente mais próxima. Apesar da vantagem alemã ter diminuído, para sagrar-se vencedora ao fim do ano, a Ferrari terá que trazer atualizações eficientes durante o decorrer da temporada. Algo não visto há um bom tempo. Mas isso é assunto para os próximos capítulos…

Em relação ao resultado da corrida, confesso que fiquei surpreso. Não esperava que Rosberg fosse ser o vencedor. Particularmente, imaginei um passeio do inglês. Pensei comigo: será outra temporada igual às duas anteriores. Bem, essa ainda é uma possibilidade e talvez a mais provável. Porém, se a Ferrari continuar com desempenho semelhante ou consiga melhorar, poderemos ter uma temporada bem interessante e Nico pode ter papel importantíssimo, quiçá surpreendente.

Nas duas últimas temporadas ele foi o coadjuvante. Fez um ótimo campeonato em 2014 e o título só foi decidido em Abu Dhabi, naquela corrida de final dramático. No ano seguinte, ele foi incapaz de acompanhar Hamilton, apesar de ter terminado muito bem. Entretanto, a equipe teve grande influência nesse ponto. A partir do momento em que o inglês assegurou seu terceiro título, ficou claro que o foco da Mercedes havia mudado. Lewis foi praticamente impedido de disputar a vitória nas demais corridas. A prioridade dada a Rosberg era velada, mas perceptível por conta da escolha de estratégias diferentes para seus pilotos. Todavia, naquele momento, uma conduta mais do que compreensível da equipe alemã. Ademais, a postura “baladeira” do inglês não estava agradando, pode ter sido um aviso a ele, mas num momento bem conveniente. Enfim…

Disputa ao longo da temporada?

Disputa ao longo da temporada?

o papel de vilão, mais improvável, se daria caso a disputa ficasse entre Hamilton/Vettel e Rosberg assumisse a postura de não ajudar seu companheiro. Esta possibilidade, na qual deixo claro não crer, não seria tão nova para o alemão da Mercedes. Naquela ocasião a disputa era direta, mas Nico recebeu tal rótulo após o incidente de SPA em 2014. Inúmeras foram as vezes que recebeu vaias durante as solenidades de pódio nas corridas que se seguiram. Contudo, é muito improvável que deixe de ajudar Hamilton, caso não esteja na luta pelo campeonato.

Por fim, o mais desejado: o papel principal. Para assumi-lo, Rosberg terá de se reinventar, fazer algo que não fez nas últimas duas temporadas. Primeiramente terá de vencer a disputa interna. Ele já venceu algumas batalhas, mas nunca o suficiente para ganhar a guerra. A conquista da primeira etapa do ano foi apenas o primeiro, mas quem sabe um grande passo.

Ainda na primeira metade de 2014, Hamilton afirmou que tinha mais fome de título. É hora de mostrar que o inglês está equivocado. Desculpar-se por ter jogado duro na largada, ainda que não tenha sido a intenção, não é compatível com a postura de quem quer ser campeão. Quantas vezes Hamilton desculpou-se em 2015? Não me recordo… Infelizmente o campeão precisa ser mau em algumas/várias ocasiões.

Se o diabo mora nos detalhes, na Fórmula 1 esse ditado, inclusive de origem alemã, ganha ainda mais força. Num esporte de tão alta performance, tudo é levado em consideração. Chances não poderão ser desperdiçadas. Um, dois décimos de segundo é o suficiente para separar o campeão do restante. A diferença de performance entre os pilotos da Mercedes não é tão grande. Hamilton pode ser um piloto melhor, mas não é imbatível.

Em Melbourne, o nº 2 da Mercedes foi o que mais beneficiou-se das circunstâncias. Hamilton largou mal, Kimi abandonou, a Ferrari errou a estratégia e pela disputa da segunda colocação Vettel não conseguiu ultrapassar Lewis, apesar de estar em melhores condições naquele momento. Com a Ferrari próxima, o alemão que guia pela escuderia italiana deve embaralhar a disputa. Além de desejar bastante, Rosberg terá de tirar proveito dessa circunstância.

E se a disputa for realmente apertada, logo Toto Wolff mudará esse discurso de liberdade dos pilotos. Alguém será priorizado. Hamilton é o nº 1 por inúmeras razões (talento, investidores etc), mas não podemos dizer que ele não merece.

Não há segredo, Rosberg terá de fazer por merecer…

22/03/2016.

Prévia – GP do Bahrein: Corrida aberta, qual o seu palpite?

Ontem não foi possível fazer um post sobre a classificação, então faço esse de último momento, a poucas horas do início da corrida. Estamos na quarta etapa do campeonato e a hegemonia da Mercedes está em perigo. Embora a Ferrari ainda não esteja no mesmo patamar da equipe alemã, já demonstrou que tem potencial para alcançá-la e vencer corridas é um objetivo palpável.

Na primeira colocação, nenhuma novidade, Hamilton cravou a quarta pole seguida. Eu não me surpreenderia se o inglês quebrasse o recorde de pole positions consecutivas, que ainda pertence a Ayrton Senna com oito. A título de curiosidade, essa foi a primeira de Lewis neste circuito… Entretanto, novamente, todas as atenções se voltam para um certo tetracampeão. Pela segunda vez no ano, Sebastian Vettel conseguiu ficar entre os pilotos da Mercedes.

Ameaça real?

Ameaça real?

A primeira ocasião foi em Sepang, naquela classificação a diferença para Hamilton foi de apenas 74 milésimos, mas na corrida Vettel levou a melhor. Já nesta, a diferença ficou por volta de quatro décimos. Por sua vez, Nico Rosberg conseguiu apenas a terceira colocação, ficando a mais de meio segundo da pole e afirmou que além de ter usado a estratégia equivocada, subestimou seu compatriota. Segundo ele, tentou preservar um pouco os pneus para a corrida, mas a sua vantagem é mínima:

A desvantagem é grande em ser terceiro. Eu tenho melhores pneus, mas é pouco, a diferença não é grande, portanto a terceira colocação não é boa. Eu subestimei a velocidade de Sebastian e também o quanto me custaria aliviar nos pneus durante o Q2, com os quais eu iniciarei a corrida. Eu não tive ritmo e foi onde errei hoje. Sair em segundo seria diminuir o prejuízo, mas em terceiro realmente não é o ideal.”

A Mercedes está atenta à Ferrari. Realizou mudança no set-up de seus carros na sexta-feira, mas a nova configuração não foi totalmente testada. Apesar da imprevisibilidade, Toto Wolff acredita que estão na direção certa, o que consequentemente trará êxito ao final:

Nós corrigimos algumas coisas, olhando para déficit que tivemos na sexta. Mas não tivemos tempo suficiente para testá-las apropriadamente, pois as mesmas condições noturnas não se repetiram. Acredito que fizemos os ajustes certos para colocar o pneu na ‘janela’ correta, mas a verdadeira prova teremos domingo à noite. É arriscado, mas o que fizemos não foi adivinhação. Ter os pneus e set-up nas melhores condições possíveis foi baseado em engenharia, a partir de uma abordagem científica, mas, novamente, domingo à noite veremos

Na Malásia, diante de circunstâncias imprevisíveis, pudemos creditar todo o mérito a Vettel de se classificar em segundo, porém a situação no Bahrein é um pouco diferente. Não que ele não mereça o crédito, provavelmente deve ter feito o seu melhor. Todavia, a diferença de tempo entre Hamilton e Rosberg – 0,5s o que é abissal na F1 – sugere que o alemão da Mercedes tinha plenas condições de ocupar a segunda posição. Óbvio que o tetracampeão não tem nada a ver com o ritmo de treino escolhido por seu compatriota, mas ainda que Vettel largasse em terceiro, suas esperanças de vitória estão depositadas num melhor ritmo de corrida.

Relembre os melhores momentos do Grande Prêmio do Bahrein de 2014. Que corrida!

Confesso que fiquei surpreso com a declaração de Rosberg. Apesar de partir da terceira posição, Nico estará do lado limpo, o que lhe dá certa vantagem, basta que largue bem. Seria algo absolutamente normal se ele assumisse a segunda posição logo na primeira curva. Digo mais, se Vettel conseguir uma boa largada, Hamilton terá que se defender e uma brecha se abriria para que Rosberg assumisse a ponta. Porém, não me lembro de uma largada forte do atual terceiro colocado no mundial de pilotos. Enfim…

Em poucos instantes confirmaremos se o ritmo de corrida da Ferrari é ameaçador. Em caso positivo, a Mercedes terá motivos mais do que suficientes para se preocupar. O circuito de Sahkir é muito exigente e serve de parâmetro para toda a temporada. Os carros que mostram bom desempenho no Bahrein tendem a ir bem nas demais etapas. Tudo ficaria aberto e, como mencionado em post anterior, dependeria da capacidade de desenvolvimento de cada equipe, com a escuderia de Maranello tornando-se uma real ameaça ao título.

Espero que o Grande Prêmio do Bahrein seja, no mínimo, parecido com a corrida do ano passado. Ingredientes não faltam. Embora não haja previsão de chuva, as estratégias adotadas desempenharão um grande papel na definição do vencedor.

Falta pouco! Qual o seu palpite?

19/04/15.

As vantagens da dupla Vettel e Raikkonen.

Já estamos diante da terceira etapa do campeonato: o GP da China. Pela terceira vez consecutiva, teremos que madrugar para assistir à corrida. E há muita expectativa em torno dela por conta do resultado surpreendente da Ferrari na Malásia.

Se houve erro de estratégia da Mercedes ou não, pouco importa. Em apenas sua segunda corrida, Vettel conseguiu sua primeira vitória pela escuderia italiana. É a realização de um sonho e mostra o quão afortunado é o alemão. Depois de uma temporada para esquecer em 2014, o tetracampeão vence pela equipe em que seu ídolo e compatriota, Michael Schumacher, marcou época.

Por sua vez, seu companheiro Raikkonen conseguiu um quarto lugar, mesmo tendo passado por vários percalços. O finlandês, que também não teve uma temporada fácil no último ano, parece sentir-se confortável guiando o atual carro. Na Malásia, foram dois grandes resultados, os quais mostram quanto o SF15-T foi muito bem concebido pelo competente James Alisson. E isso não é uma “mera coincidência”.

O "nº 1" realmente está de volta?

O “nº 1” realmente está de volta?

Para quem não se lembra, Kimi, que havia deixado a categoria no fim de 2009 para disputar rally, retornou em 2012 como piloto da Lotus. Na sua volta, o campeão de 2007 apresentou performances notáveis para quem estava longe da F1. Naquele ano, Raikkonen ficou em terceiro lugar no mundial, tendo somado um total de 207 pontos.

E quem era o responsável pelo carro da Lotus? O mesmo James Alisson!

O SF15-T mostrou-se bem mais estável que seu antecessor e, como visto em Sepang, causa pouco desgaste nos pneus, o que possibilitou a estratégia de uma parada a menos do que a Mercedes naquela corrida. Tais características casam-se perfeitamente com os estilos semelhantes de pilotagem de Vettel e Raikkonen, algo que talvez não seja visto nas outras duplas do grid.

Amizade na Fórmula 1.

Amizade na Fórmula 1.

Some-se isso ao fato de que os pilotos da Ferrari possuem um ótimo relacionamento. Consideram-se amigos, algo incomum no meio. Veja-se o exemplo de Hamilton e Rosberg, que praticamente cresceram juntos, mas se desentenderam ano passado. Embora os pilotos da Ferrari ainda não tenham passado por um teste semelhante, particularmente não creio que o nível de desgaste chegaria àquele ponto.

A título de curiosidade, em 2013, numa rápida e até certo ponto curiosa entrevista, o finlandês, que provavelmente é o piloto mais reservado do grid, classificou Alonso e Hamilton como “pilotos” e chamou Schumacher como “velhote”, porém, quando perguntado acerca do alemão, definiu-o como “amigo”. Para quem ainda não assistiu, segue abaixo o vídeo:

Ao que tudo indica, a Mercedes ainda continua com certa vantagem em relação às demais equipes. Entretanto, uma vez que o carro da Ferrari mostrou-se competitivo, um programa de desenvolvimento bem direcionado pode fazer com que a escuderia de Maranello brigue efetivamente pelo título. A dupla – e não apenas um piloto – seria beneficiada com as inovações trazidas ao longo da temporada.

Com a vantagem de ter ambos andando próximos, consegue-se algo fundamental na disputa dos dois campeonatos (construtores e pilotos). Um companheiro de equipe forte torna-se grande aliado ao tirar pontos dos verdadeiros rivais. Algo que não foi visto nestes últimos anos na equipe italiana…

11/04/15.

Sebastian Vettel segue os passos de Schumacher.

Depois da notícia bombástica da saída de Fernando Alonso da Ferrari, outra parece ter chocado ainda mais quem acompanha a Fórmula 1: Sebastian Vettel será o seu substituto. A notícia pegou a todos de surpresa, já que o mais cotado para ocupar o lugar do espanhol era o jovem Jules Bianchi, o que até faria mais sentido, pois a equipe de Maranello ainda ficaria com Raikkonen. Outros nomes foram ventilados, como os de Hulkenberg e Grosjean.

Analisando-se o cenário atual, a decisão da Ferrari faz todo sentido. A equipe italiana passa por uma reformulação drástica. Já deixaram a equipe Stefano Domenicali, Luca Marmorini e até o poderoso Luca Di Montezemolo. A morte de Emilio Botin, ex-presidente do Banco Santander, não foi uma perda direta, mas causou forte impacto.

A equipe quer voltar a ganhar, mas parece saber que a curto prazo isso não será possível. Alonso já tem 33 anos e muita pressa. Portanto, Vettel, com 27 anos e já quatro títulos, parece ser a melhor aposta.

Repetirá o sucesso?

Repetirá o sucesso?

Em um passado não tão distante outro alemão deixou de assinar com a McLaren e aceitou o desafio de tentar trazer de volta a Ferrari aos dias de glória, depois de conquistar seu bicampeonato pela Benetton. Na época, as regras eram distintas das atuais, pois era permitido treinar, modificar o motor etc. Mesmo assim, em sua quinta temporada pela equipe, Michael Schumacher teve sucesso em sua empreitada e o resultado todos sabem.

Agora a história se repete. Após ganhar quatro títulos com a Red Bull, Vettel aceita o desafio de correr pela Ferrari. E o momento é bem mais oportuno do que aquele vivido pelo heptacampeão. Já se fala em alteração nas regras de congelamento do motor. Some-se isso, ironicamente, às mudanças solicitadas pelo próprio Alonso, como as contratações dos competentes James Allison e Dirk de Beer.

#KeepFightingMichael

#KeepFightingMichael

Comenta-se que a Mercedes ainda conseguirá manter a superioridade para a temporada de 2015, mas que a partir de 2016 a Ferrari e, provavelmente, a McLaren-Honda poderão desafiar a equipe alemã em condições de igualdade. A essa altura, Vettel já estará familiarizado com o novo ambiente que ocupará. Portanto, o acerto da sua ida já no próximo ano é essencial para sua adaptação e desenvolvimento do novo projeto da Ferrari.

Mesmo encontrando um cenário menos caótico do que aquele da época de Schumacher, a tarefa de Vettel continua árdua. O jovem alemão não faz uma boa temporada e está sendo ofuscado por Ricciardo, a ponto de seu talento ser questionado no paddock. Aceitar o desafio de correr pela Ferrari foi algo corajoso de sua parte e, de certa forma, inteligente, já que um dos grandes responsáveis pelo sucesso da RBR, se não o maior, Adrian Newey, está praticamente de saída da categoria.

Só resta aguardar as cenas dos próximos capítulos. 2015 é logo ali.

04/10/14.

Dança das cadeiras ainda depende de Fernando Alonso.

Como em toda temporada, à medida em que o Grande Prêmio de Monza se aproxima, as especulações tomam conta do paddock. Já não é segredo que a McLaren quer a todo custo ter como piloto Fernando Alonso. Caso não consiga contar com o espanhol, a equipe britânica tentará contratar Sebastian Vettel. Ambos têm compromissos com suas equipes, sendo que o primeiro tem contrato até 2016 e o segundo até o fim da próxima temporada.

Alonso é tido, por imensa maioria, como o melhor piloto do grid e sua capacidade é inquestionável. Mesmo não sendo aquele de sua preferência, Ron Dennis cedeu às exigências da Honda de tentar tê-lo novamente na McLaren. Algo que chama atenção é o fato de Lewis Hamilton, “cria” de Dennis e motivo pelo qual Alonso deixou a equipe de Woking no fim de 2007, após aquela conturbada temporada, não estar entre os preferidos (é apenas a terceira opção), pois seu contrato com a Mercedes também vai até o fim do próximo ano.

A Honda definitivamente prefere o espanhol. Vale mencionar que o bicampeão é admirador da cultura oriental, frequentemente parafraseia frases relacionadas a Samurais, tendo inclusive tatuado um em suas costas. Claro que isso não é um fator determinante, mas sem dúvida agrada aos japoneses.

Outra especulação que ganha força é a de que há cláusula contratual de performance, que libera o espanhol antes do seu termo final, portanto sem o pagamento de multa rescisória. Há muitas teorias, mas as que mais fazem sentido são em relação à posição da equipe no mundial de construtores ou à diferença para o primeiro colocado no de pilotos, quiçá ambas. De toda forma, toda e qualquer mudança nas grandes equipes depende principalmente da decisão que o espanhol tomar.

Considera-se um Samurai?!

Considera-se um Samurai?!

Entretanto, a probabilidade de mudanças drásticas na composição das escuderias deve ficar apenas para 2016. Seria inclusive um tempo razoável para que o piloto da Ferrari pudesse refletir se valeria a pena deixar a escuderia que, apesar de não lhe ter proporcionado um carro à altura nos últimos anos, enfim parece ter visualizado seus principais pontos fracos, notadamente diante das importantes mudanças de ordem técnica que a equipe vem fazendo, a exemplo da chegada de James Alisson, Dirk de Beer e Marco Mattiacci.

Em entrevista ao Skysports, Alonso declarou que, hoje, não pretende deixar a Ferrari, ficou lisonjeado pelo interesse das outras equipes, mas que deseja ser campeão pela escuderia de Maranello:

Não é minha intenção, no momento, sair, eu quero vencer aqui e terminar o trabalho que começamos há alguns anos. Tem havido muita conversa desde o último verão, mas da minha boca nunca saiu nenhum interesse de deixar a Ferrari ou alguma palavra dizendo que eu me juntaria a outra equipe. Houve muita especulação, o que não perturba, mas criou um pouco de tensão e estresse. Você ainda fica feliz e orgulhoso quando as grandes equipes têm interesse em você.”

Da mesma forma, Sebastian Vettel, que tem sofrido para se adaptar ao carro deste ano, enquanto seu companheiro já venceu três vezes, ainda terá um monoposto desenhado por Adrian Newey em 2015, o que não mais acontecerá a partir de 2016, já que o projetista desempenhará outro papel junto a RBR, longe da F1, cujos detalhes ainda não foram revelados.

A decisão do espanhol atinge diretamente também Jenson Button. Caso o espanhol tivesse aceitado o convite já para temporada do ano que vem, o inglês, de 34 anos, seria o mais cotado para deixar a equipe, tendo inclusive afirmado que existe a possibilidade de se aposentar ao fim deste campeonato. Mas, pelos motivos elencados acima, Button e Magnussen devem ter seus lugares assegurados pelo menos até o fim de 2015.

Há que se observar também a situação dos pilotos da Mercedes, líder absoluta na atual temporada. Não obstante as mudanças principais estarem reservadas para o ano de 2016, se o clima no fim do ano não for dos melhores e principalmente caso Hamilton saia perdedor da disputa, ganha peso a possibilidade de o inglês deixar a equipe.

Lewis encontra-se numa situação parecida com aquela vivenciada por Alonso em 2007, inclusive o desfecho pode ser o mesmo. Naquele ano, o espanhol deixou a McLaren e retornou a Renault, que já não era mais aquela equipe vitoriosa de outrora. A questão é saber onde haveria vaga para o inglês.

Mudanças significativas?

Mudanças significativas?

Uma possibilidade real, seria a ida do inglês para a Williams, enquanto o jovem promissor Valtteri Bottas assumiria seu lugar na Mercedes, conforme debatido com o amigo Andoni Campos no twitter. A Williams já demonstrou interesse em renovar o contrato do finlandês, mas ainda não o fez, enquanto Lewis e sua equipe adiaram as negociações.

Em tal hipótese, Hamilton assinaria contrato de um ano com a nova equipe e esperaria pelas decisões de Alonso e Vettel para só então poder pensar nas equipes que regularmente vêm disputando título nas temporadas passadas. Isso se permanecer na Williams não fosse um bom negócio, já que a equipe voltou a conseguir bons resultados na temporada atual.

Voltando à situação de Alonso. Além do interesse da McLaren, sua atual equipe já fez proposta de renovação até 2019. Resta saber se a equipe inglesa esperará mais uma temporada pela decisão do espanhol. Se o interesse da Honda for tão grande o quanto se comenta, provavelmente aproveitarão o próximo ano para continuar tentando persuadir o espanhol a deixar a Ferrari.

A saída do bicampeão para a McLaren não significa certeza de sucesso, já que há todo um projeto a ser desenvolvido pela nova parceria com a Honda. Por outro lado, é a primeira vez que James Alisson e Dirk de Beer, contratados a seu pedido, serão os responsáveis pela concepção do próximo carro da escuderia italiana.

O espanhol terá de tomar uma difícil decisão. Talvez a maior de sua carreira, já que sua opção será onde provavelmente se aposentará. Mas isso deve ficar apenas para o ano que vem.

02/09/14.

Pole no sábado ou pódio no domingo?!

De forma inédita neste ano, a primeira fila do grid não foi ocupada por um piloto da Mercedes. A hegemonia da equipe alemã foi quebrada pelo brasileiro Felipe Massa e a segunda posição foi ocupada por seu companheiro Valtteri Bottas. Já Rosberg largou em terceiro, enquanto Hamilton ocupou apenas a nona posição, o que dava a entender que a corrida seria das melhores. Todavia a esperança de repetição de uma disputa emocionante, como ocorreu no Bahrein ou no Canadá, não se concretizou.

Logo na largada, Lewis Hamilton pulou de novo para quinto e não teve dificuldade para ultrapassar Fernando Alonso, que ocupava a quarta posição. Depois das paradas nos boxes, a ordem natural das forças nessa temporada voltou a se estabelecer com Rosberg e seu companheiro nas primeiras colocações. Em seguida, vinham os dois pilotos da Williams, só que com Valtteri Bottas já à frente de Felipe Massa.

Após a conquista da pole position no GP da Áustria, havia grande expectativa quanto ao desempenho do brasileiro na corrida. Os carros da Williams, que também andam com motor Mercedes, estavam mais rápidos do que os da equipe alemã por conta das retas do circuito austríaco, característica que favorece a escuderia de Frank Williams.

Rosberg celebra vitória.

Rosberg celebra vitória.

A corrida foi vencida por Nico Rosberg, seguido por Hamilton e Bottas. Aquele que ocupou o primeiro lugar do grid ficou de fora da festa do pódio e mais uma vez se viu dando explicações perante a imprensa, deixando novamente seus torcedores um tanto quanto frustrados, pois ao menos um terceiro lugar era esperado.

Aos poucos, a Williams vem se firmando como o segundo melhor carro do grid. Caso mantenha as boas atuações, logo ultrapassará a Ferrari e poderá tomar o lugar da Red Bull no mundial de construtores, circunstâncias essas que fazem a expectativa em torno de Felipe Massa crescer. Depois do bom resultado de sábado, o brasileiro recebeu elogios do seu antigo companheiro de equipe Fernando Alonso:

“Eu sempre disse que Felipe era muito, muito rápido. Muitos não acreditaram em mim. Mas ainda acho que ele foi o companheiro mais rápido que tive. Definitivamente, Felipe teve muitas dificuldades nos últimos quatro anos, pois sabíamos que não éramos super competitivos. Agora que ele tem um carro muito rápido, aproveitou e eu o parabenizo e estou feliz por ele, depois dos momentos difíceis que tivemos juntos.”

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Como já mencionado, Felipe Massa não conseguiu segurar a ponta, o que já era de se esperar, mas também não permaneceu entre os três primeiros. Seu companheiro fez melhor corrida e o desapontamento pelo erro cometido na classificação deu lugar à alegria do seu primeiro pódio na carreira:

“Acredito que, de uma forma geral, foi o meu melhor fim de semana. Estou muito, muito feliz. É difícil expressar com palavras. Isso é devido ao trabalho duro. Estamos fazendo progresso, nos aproximando das posições que devemos ficar. Obrigado à equipe por me dar este carro. A corrida foi exatamente como precisávamos, limpa, boa. Estou muito feliz”.

As palavras de Bottas remetem a uma entrevista dada por ele, ano passado, a um canal do site Youtube, o Pole Position. Nela, vários pilotos foram questionados, em uma espécie de “toma lá, dá cá”, se prefeririam a pole no sábado ou um pódio no domingo. Como a maioria, respondeu que preferia o pódio, mas fez questão de frisar que a pole position não somava pontos. A rápida entrevista pode ser vista neste link: https://www.youtube.com/watch?v=TamHuVlgYbU&index=15&list=PL6Dv3cCtp8oEJpQdxs1_gyJzcZL028vro.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

O quarto lugar de Massa traz de volta as lembranças das limitações que ele apresentou na temporada de 2007. Naquele ano, Felipe Massa dividia a escuderia com Kimi Raikkonen. Apesar de sempre ir bem nas classificações, o brasileiro não conseguia manter um ritmo de corrida capaz de acompanhar seu companheiro e os rivais Alonso e Hamilton, que guiavam pela McLaren.

Depois da oitava etapa do campeonato, Massa encontra-se 25 pontos atrás de Valtteri Bottas, uma vantagem considerável, equivalente a uma vitória, sem que o concorrente some qualquer ponto.

Já está na hora de Felipe prolongar a alegria de seus torcedores. Bater seu companheiro ao fim da temporada será uma grande vitória. Afinal, a briga interna deve ser sempre a primeira a ser vencida.

E você? Prefere pole position no sábado ou pódio no domingo?

22/06/14.

Newey diz que não sai da Red Bull e Alonso se mostra insatisfeito com clima na Ferrari.

Após apresentar resultados de pouca expressão no GP da Espanha, o antigo rumor de que a Ferrari contrataria Adrian Newey voltou a ser ventilado no paddock. Além do real interesse da escuderia italiana, quando questionado, o projetista foi vago em suas respostas, dando margem às especulações:

Eu não sei. Eu preciso pensar sobre isso. Estamos no meio da temporada e ainda estou me adaptando a ela. Alguma hora eu terei de pensar no futuro, mas no momento meu foco é ficar à frente do carro prateado (Mercedes)”

Uma das principais mudanças no time de Maranello foi a do cargo de chefe de equipe. Stefano Domenicali deu lugar a Marco Mattiaci e Montezemolo prometeu mais alterações. Ocorre que, em Monaco, Newey mudou o tom do discurso e afirmou que está comprometido com a Red Bull por tempo indeterminado, descartando uma possível mudança de ares.

Newey de saída?

Newey de saída?

Sebastian Vettel também não acredita na saída do britânico, entretanto não pareceu muito confiante em sua resposta, mostrando certo desconforto diante da imprensa, dizendo, ainda, que o sucesso da Red Bull nas últimas temporadas se deve a toda equipe:

“Vocês precisam entender que Adrian é uma das pessoas-chave na equipe, mas há também aqueles que estão trabalhando muito, então nem sempre é justo dar crédito apenas a um homem. Tenho certeza que ele vai lhe dizer isso, quando fizer o mesmo tipo de pergunta… O quanto é verdade (saída da Red Bull) talvez descobriremos ou não. Isso não me interessa muito no momento”

Indubitavelmente, a chegada de Adrian Newey acalmaria os ânimos da escuderia italiana, pois os últimos comentários do bicampeão Fernando Alonso mostraram que o ambiente interno da Ferrari não é dos melhores. O asturiano deu a entender que não tem recebido o devido apoio dos “amigos”, apesar de ter seu trabalho reconhecido por quem não tem tanta proximidade, a exemplo de Dieter Zetsche, presidente da Mercedes:

“Alonso é provavelmente o melhor piloto do grid. Fernando sempre provou isso e em carros não competitivos.”

O bicampeão também foi enaltecido pelo chefe da equipe alemã, Toto Wolff, ao afirmar que o espanhol é um “monstro” nas corridas. Mesmo estando satisfeito com os comentários feitos pela cúpula da Mercedes, Alonso acha estranho não receber o mesmo suporte de quem mais se espera:

“É sempre bem-vindo quando as pessoas vêem seu trabalho de uma boa forma e respeita aquilo que você tenta conquistar. Às vezes é estranho ver bons comentários e elogios de pessoas de fora e o oposto daqueles que deveriam estar ao seu lado. É motivador ver bons comentários e engraçado ouvir o contrário de seus amigos mais próximos.”

Alonso e Montezemolo. Ânimos acirrados?

Alonso e Montezemolo. Ânimos acirrados?

Ao saber das declarações, Luca di Montezemolo apressou-se e emitiu um comunicado oficial em apoio ao seu primeiro piloto:

“Fernando é o melhor piloto do mundo, que sempre dá duzentos por cento nas corridas. Ele sabe o quanto confio nele, mesmo longe das pistas, em termos de contribuição e pelo impulso que ele dá à equipe. É incrível como alguns, tidos como experts, não entendem isso e estão sempre procurando situações polêmicas que simplesmente não existem.”

O italiano lembrou que possui outro piloto incrível, Kimi Raikkonen, e espera que Mattiaci promova as mudanças necessárias, tando organizacionais, como de ordem técnica, o mais rápido possível.

A suposta chegada de Adrian Newey à Ferrari não seria sinônimo de sucesso imediato para o espanhol. Além de ter de se adequar à nova equipe, como bem mencionado por Vettel, o sucesso da RBR deve-se, também, aos comandados pelo projetista britânico.

A reestruturação da Ferrari, embora tardia, promete, ainda que de médio a longo prazo, render frutos. Para quem não se recorda, o heptacampeão Michael Schumacher chegou à equipe de Maranello em 1996, mas logrou seu primeiro título apenas em 2000, portanto em sua quinta temporada pela Ferrari. E, naquela ocasião, faziam parte da equipe, por exemplo, ninguém menos que Jean Todt e Ross Brawn. Esse último, constantemente, relacionado a um possível retorno.

A competência de Alonso é inquestionável. Mesmo sem contar com o melhor carro do grid, nas temporadas de 2010 e 2012, levou a disputa do título para a última corrida. Seu contrato com a Ferrari vai até 2016, porém há quem afirme a existência de cláusula que possibilita o rompimento do vínculo, caso a equipe não lhe forneça um carro capaz de lutar pelo campeonato.

Se a permanência na Ferrari não dá ao espanhol certeza de sucesso, a sua saída menos ainda. Fernando Alonso está prestes a completar 33 anos. A idade já começa a ser um fator determinante na tomada de suas decisões.

24/05/14.

Contradição? Mercedes volta atrás e admite usar ordens de equipe.

No disputadíssimo GP do Bahrein, dentre os duelos travados, talvez o que tenha chamado mais atenção foi o que aconteceu entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Não só por serem pilotos da mesma equipe, mas, também, pelo fato de estarem brigando pelo lugar mais alto no pódio. Naquela corrida, o inglês se manteve à frente de seu companheiro, conseguindo a segunda vitória na temporada.

Após a corrida, a equipe inteira estava em puro êxtase. Na ocasião, o alto escalão da Mercedes vangloriava-se de sua filosofia. Paddy Lowe, co-diretor executivo, afirmou que a competição vem sempre em primeiro lugar e que a não utilização de ordens de equipe era algo que deviam ao esporte e aos fãs (confira aqui o post (http://wp.me/p4f3dZ-2y).

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Rosberg persegue Hamilton no deserto de Sahkir.

Não demorou muito para que o tom do discurso mudasse. Após a corrida de Xangai, quarta etapa do campeonato, a equipe parece ter revisto toda a sua forma de pensar. As declarações de que a Mercedes pode, sim, fazer uso de ordens de equipe foram dadas a BBC pelo outro diretor executivo, Toto Wolff, em aparente contradição com seu colega:

“Pode haver situações em que não se pode perder muito tempo na disputa (interna), se você tem o inimigo logo atrás de você.

“Bahrein foi uma situação muito particular, porque nosso conjunto funcionou muito bem e lá tivemos uma vantagem muito competitiva, então é mais fácil tomar uma decisão pelo bem da corrida, pois você sabe que tem uma boa margem para quem está em terceiro lugar

“Quanto menor a margem fica, mais cuidado você tem de ter. Nossa regra é que a competição é o nosso primeiro inimigo, não o companheiro de equipe, então pode haver situações na corrida em que você tem de considerar isso (uso das ordens), mas veremos o que acontece.”

Toto Wolff parece ter memória curta. As polêmicas ordens não são novidades na equipe Mercedes.

Em 2013, no controverso GP da Malásia, durante as voltas finais, Nico Rosberg estava bem mais rápido que Lewis Hamilton, terceiro colocado naquele momento, e queria a chance de brigar pelo pódio. Ao solicitar à equipe autorização para ultrapassá-lo, Ross Brawn, então chefe da equipe, foi categórico em sua resposta: “Negativo, Nico”. No fim da corrida, Rosberg, nitidamente insatisfeito, mesmo recebendo elogios da equipe pelo trabalho realizado, apenas respondeu: “Lembre-se dessa.”

No GP do Bahrein dessa temporada, quando a disputa interna começou, Paddy Lowe também interveio pedindo para que seus pilotos se certificassem de “trazer os carros pra casa”, mas sustentou que não se tratava de uma ordem de equipe.

Afinal, a que se deve uma mudança tão repentina em sua postura? Se era algo que fazia parte de sua filosofia no automobilismo e de que tanto se orgulhava, qual motivo levaria a equipe, em menos de um mês, rever sua posição? A reposta é simples. A real ameaça das outras escuderias.

A RBR já mostrou ter grande poder de reação. Em 2013, apesar do início disputado, na segunda metade da temporada Sebastian Vettel venceu nove corridas consecutivas. Neste ano, a equipe austríaca praticamente não realizou testes na pré-temporada, mas já no GP da Austrália desafiou a Mercedes na disputa pela pole position, apesar de não ter oferecido perigo durante as provas.

Mas o que deixou a equipe alemã em estado de alerta foi outro motivo. Bastou a Ferrari conseguir um pódio com Fernando Alonso, no grande prêmio da China, para que, prontamente, a possibilidade de ordem de equipe fosse levada em consideração.

As peças introduzidas no F14t deixaram o carro da escuderia de Maranello mais competitivo, a ponto de desbancar a Red Bull e oferecer resistência a, pelo menos, um dos carros da Mercedes. O diretor técnico da Ferrari, James Alison, já informou que o carro terá mais mudanças para o GP da Espanha, que será disputado em 11 de maio.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Alonso leva Ferrari ao primeiro pódio da temporada.

Os debates acerca das ordens de equipe são sempre acompanhados de polêmica. Os fãs, em geral, as veem como algo negativo para o esporte. Para o brasileiro, então, o tema é ainda mais delicado.

Rubens Barrichello e Felipe Massa, esperanças brasileiras na fórmula 1, em determinado momento de suas carreiras, ficaram marcados por terem se submetido às ordens. Para o torcedor é difícil entender que o interesse da equipe deve vir em primeiro lugar. Por sua vez, a imprensa, interessada num tema que gera muita exposição, em nada contribui, pois explora-o de maneira negativa.

O exemplo mais recente em que a falta de comando custou um título foi em 2007. A McLaren havia contratado Fernando Alonso e decidiu que Lewis Hamilton, pupilo de Ron Dennis, fosse seu companheiro. O estreante mostrou ter condições de lutar pelo título. A equipe inglesa tinha o melhor carro do grid e deixou que seus pilotos brigassem “livremente”.

Ocorre que a vantagem da equipe de Woking não era tão ampla em relação à Ferrari. Hamilton e Alonso terminaram com 109 pontos. O campeonato de pilotos caiu no colo de Kimi Raikkonen (110 pontos), com direito a jogo de equipe a seu favor na última corrida.

As  polêmicas ordens não fazem bem à imagem das equipes, sendo que algumas negam o seu uso, subestimando, às vezes com razão, a inteligência de quem acompanha o esporte. Mas todas escuderias fazem uso delas, e, não raro, as emitem através de códigos.

As únicas ocasiões em que não há necessidade de se fazer uso é quando a superioridade de uma equipe é tão grande, que existe a certeza de se ganhar o campeonato de construtores e de pilotos, a exemplo da McLaren, só que na época de Senna e Prost.

Se fazer uso das ordens de forma aberta e transparente com seu torcedor arranha a imagem da equipe, transformando-a em vilã, pior é o caso onde se exalta que a vitória deve ser conquistada na pista e logo após se vê obrigada a fazer uso delas.

Talvez resida aí a verdadeira preocupação da Mercedes.

Hamilton firme na luta pelo Bi.

Após o abandono na primeira etapa da temporada, Lewis Hamilton sobrou nas três corridas posteriores, vencendo-as sem muito trabalho, exceto no GP do Bahrein, em que disputou, por algumas voltas, a liderança com seu companheiro de equipe Nico Rosberg. O alemão lidera o campeonato com 79 pontos, Hamilton, mesmo tendo ficado de fora em Melbourne, já soma 75. O inglês está em sua melhor forma e parece imbatível.

Se tudo continuar assim, ao final da próxima corrida, o campeonato já terá um novo líder, pois uma vitória vale 25 pontos, enquanto o segundo lugar, 18. A diferença entre os pilotos da equipe Mercedes é de apenas 04.

Lewis não escondeu, durante a festa do pódio, a facilidade de sua vitória, realçando, obviamente, o esforço da equipe em lhe dar um carro perfeito:

“Eu não acredito quão fantástico o carro está e quão duro todos trabalharam. Após a largada, realmente, só corri contra eu mesmo. Estou muito feliz por Nico estar aqui. Ótimos pontos para a equipe.”

Não foi o fim de semana dos sonhos para Rosberg. Após errar durante a classificação e ter conseguido apenas o quarto lugar, o alemão, que caiu para a sexta posição ainda na primeira volta, conseguiu fazer uma corrida de recuperação e chegou em segundo, reduzindo o prejuízo.

Pódio - GP da China.

Pódio – GP da China.

Por sua vez, a Ferrari conseguiu o primeiro pódio do ano. As novas peças introduzidas no F14T deram resultado. Os treinos livres davam mostra de sua evolução e a corrida a confirmou. Alonso largou em quinto, ganhou duas posições – após um toque com Massa – passou Vettel depois do primeiro pit-stop e manteve-se à frente de Ricciardo até o fim da corrida. O espanhol assumiu o terceiro lugar no campeonato com 41 pontos:

“Foi um bom fim de semana. Melhoramos um pouco o carro, comparado às três primeiras corridas, então nos sentimos mais competitivos, estar no pódio é uma boa surpresa para nós. Acho que estou em terceiro no campeonato atrás desses dois caras. Não tivemos o início de temporada que gostaríamos, mas ainda estamos na luta.”

Sebastian Vettel foi mais uma vez superado por seu companheiro. O australiano apresentou um rendimento muito superior, dando a impressão, pois ainda não foi confirmado,  de que o carro do tetracampeão apresentava problemas, a exemplo do que aconteceu no GP do Bahrein, em que foi possível perceber que seu assoalho arrastava pelo asfalto. O que em nada diminui o mérito de Ricciardo, que vem fazendo provas muito consistentes. Vettel chegou a desobedecer uma ordem de equipe, dificultando a ultrapassagem, momento em que a TV flagrou Horner fazendo cara de poucos amigos.

Felipe Massa, que novamente largou bem, teve sua corrida arruinada, após um erro da Williams, durante a primeira parada nos boxes para troca de pneus. Terminou a prova em 15º lugar. Seu companheiro de equipe, Valteri Bottas, chegou em 7º, à frente de Kimi Raikkonen.

Coletiva de imprensa.

Coletiva de imprensa.

Embora não tenha sido tão emocionante como a corrida do Bahrein, o grande prêmio de Xangai não teve o tédio das duas etapas iniciais. Hamilton se mostra franco favorito para a conquista do seu bicampeonato. Seu adversário imediato parece não ter o talento necessário para lhe impor resistência, além de ser claramente, embora a equipe negue com veemência, o segundo piloto da equipe.

Hamilton, que chegou a sua 25 ª vitória, igualando-se a ninguém menos que Jim Clark e Niki Lauda, foi contratado para assumir o papel de líder da equipe. Lewis que era tratado como filho por Ron Dennis, deixou a McLaren, depois da oferta milionária feita pela equipe alemã e talvez por compreender que a Mercedes seria forte, a partir da introdução das novas regras.

Já a situação de Rosberg se assemelha à vivida por Felipe Massa na Ferrari. Se a equipe italiana tivesse confiança em seu talento, não teria trazido Raikkonen ou Alonso. Da mesma forma, a Mercedes não teria contratado Hamilton.

Bem verdade que a RBR evoluiu, levando-se em conta os treinos da pré-temporada, e a Ferrari mostrou-se mais competitiva na China. Todavia ambas terão de dar saltos gigantescos na evolução dos seus carros. Afinal a Mercedes também trouxe e trará novas peças.

Embora Alonso tenha chegado ao pódio,  a diferença para o inglês foi de 25 segundos, uma eternidade no mundo da Fórmula 1. Lewis Hamilton parece inalcançável em 2014.