F1 ÁCIDA

Hamilton injusto com Rosberg!

Quem diria… Ainda no início da temporada fiz um texto indagando acerca do papel que Nico Rosberg exerceria este ano (http://tinyurl.com/jo63u8y). E o piloto alemão nunca esteve tão próximo de se tornar o grande protagonista. Contudo, apesar de faltarem apenas 03 etapas, a caminhada parece não ser tão curta.

A atual temporada tem sido mais um ano de domínio da equipe Mercedes. Todos os méritos para uma escuderia extremamente competente. Ela não tem culpa da falta de competitividade das concorrentes, que não foram capazes de acompanhar o desenvolvimento do time alemão, embora seja o terceiro ano da era dos motores híbridos.

Quanto ao drivers championship, parece ser consenso o fato de Nico Rosberg ter evoluído como piloto. Já são 04 anos dividindo a equipe com Hamilton e nos três primeiros ele nunca foi capaz de bater seu companheiro ao fim da temporada. Nos últimos dois, a derrota interna também significou a perda do título mundial. Se em 2014 a decisão ficou para a última corrida, em 2015 Lewis conquistou o título no Grande Prêmio dos EUA, ou seja, antecipadamente.

É na atual temporada que as coisas parecem ter mudado um pouco de direção. Rosberg nunca se aproximou tanto do primeiro título como este ano. A três corridas do fim do campeonato, ele chega ao GP do México com chances de já sagrar-se campeão. Algo inédito desde então. Não obstante, Hamilton atribui tal fato puramente à sorte. De acordo com o tricampeão, ela mudou de lado. Em matéria do site Skysports, quando questionado se Rosberg havia mudado em relação aos anos anteriores, Lewis foi enfático:

Não, eu tive muitas quebras. É a única diferença. Se nossos carros fossem confiáveis durante o ano inteiro, nós teríamos as mesmas batalhas que tivemos ano passado e no anterior, então não vejo qualquer diferença“.

Bem, permita-me discordar, ao menos em parte. Logicamente, se o carro de Hamilton não tivesse problemas de confiabilidade, talvez ( e somente talvez), o números do campeonato fossem outros. Contudo, os infortúnios do tricampeão não podem ser atribuídos somente à sorte, ou, no caso, à falta dela. É preciso lembrá-lo pelo menos de 06 ocasiões, cujos maus resultados não podem ser ligados diretamente ao carro. Em outras palavras Hamilton teve grande parcela de culpa.

São elas:

Austrália, Bahrein e Itália: Hamilton fez a pole, porém largou mal, consequentemente perdeu posições. Todas vencidas por Rosberg.

Grande Prêmio da Europa: Hamilton comete erro grosseiro, bate durante o Q3 e larga em décimo. Mais uma vitória do alemão.

Cingapura e Japão: Hamilton classificou em terceiro nas duas etapas. Rosberg fez a pole e venceu ambas.

Quando comparados individualmente, a reposta será quase unanimidade: Lewis Hamilton é um melhor piloto do que Nico Rosberg. Eu concordo. É o que ele tem mostrado durante esses anos. Contudo, afirmar que um possível título de seu companheiro será devido única e exclusivamente a fatores mecânicos soa não só injusto como descortês.

Como já afirmado em posts anteriores, Rosberg tem feito um belíssimo trabalho durante esses anos na Mercedes. Apesar das derrotas nas temporadas anteriores, no geral ele tem acompanhado o inglês de muito perto. Desde Senna e Prost, creio que seja a batalha interna mais acirrada dos últimos tempos.

Confesso que estou surpreso com tal declaração. Esse discurso não é só de perdedor, mas de mau perdedor. Teria Hamilton entregado os pontos? Óbvio que não. E até onde consta, apesar da ótima vantagem do alemão, esse campeonato encontra-se inteiramente aberto.

Para azar de Rosberg, apesar das bobagens ditas e alguns comportamentos inadequados, dentro do cockpit Hamilton continua rápido e vai lutar pelo quarto título até quando for possível. Ótimo. Quem ganha somos nós.

É mais um ano de domínio da Mercedes, mas com o passar do tempo, 2016 será lembrada como uma temporada épica.

29/10/16.

McLaren?! Maior decepção é a RBR!

A temporada iniciou e a previsão se confirmou. Domínio completo da Mercedes e é pouco provável que haja mudança nesse cenário. Ontem, inclusive, vi uma “piada” interessante, dizendo que a equipe alemã deveria se preocupar, pois sua hegemonia estava em jogo: ano passado, Rosberg venceu a corrida com uma diferença de 26s. Ontem, Hamilton venceu com uma diferença de 25s para o terceiro colocado… Deveras, muito preocupante.

Embora seja triste ver uma das equipes de maior tradição na categoria arrastando-se no fim do pelotão, comparando-se às “nanicas”, não chega a ser decepcionante, pois já era algo previsto. Talvez não fosse esperado pelos fãs um desempenho tão ruim e com apenas um dos carros na pista, é verdade. Porém, os discursos de todos na equipe eram bem pessimistas.

Eric Boulier, por exemplo, acreditava que a McLaren poderia apresentar melhor desempenho apenas em Barcelona. Entretanto, a equipe de Woking já se pronunciou oficialmente, afirmando que não há prazo para solucionar seus problemas. Apesar dos resultados negativos, Button ficou feliz pelo simples fato de terminar a corrida. O inglês reconheceu a superioridade da Mercedes e da Ferrari, mas conseguiu ver qualidades no MP4-30:

Eu não acreditei que terminaria a corrida hoje. Eu me surpreendi ao ver a bandeira quadriculada. Então, se você olha pra isto, foi um bom resultado. Nós não havíamos completado mais de 12 voltas, sem um problema, antes desse fim de semana, portanto é um grande passo à frente. Agora temos muitas informações que poderão nos ajudar a ter ganhos para a Malásia… Comparando com a Force India, nós fomos mais rápidos nas curvas. Em relação a Red Bull e Sauber, estávamos muito parecidos“.

Hamilton vence a primeira do ano.

Hamilton vence a primeira do ano.

Voltemos ao título do post. Surpreso com ele? Não deveria. A Red Bull foi a única equipe – à exceção da Mercedes, óbvio – que conseguiu vitórias em 2014 e isso depois de ter uma pré-temporada pior do que a da McLaren. Relembrando o GP da Austrália de 2014, Ricciardo terminou a corrida em segundo, embora depois tenha sido desclassificado. Esperava-se que a Renault pudesse melhorar seu motor e, consequentemente, ameaçar o domínio da Mercedes, mas o resultado parece ter sido o inverso.

Enquanto Kvyat nem sequer largou, Daniel Ricciardo conseguiu chegar apenas em sexto, diante de sua torcida. O australiano tentou pressionar o estreante e forte candidato ao prêmio de novato do ano, Felipe Nasr, que não cometeu um único erro, comportando-se como um veterano. Se o brasileiro não foi capaz de atacar os carros da frente, pelo menos conseguiu terminar em quinto, enquanto seu companheiro chegou em oitavo. Um início promissor.

Em relação à equipe austríaca, não foi só o desempenho na pista que decepcionou. A postura da Red Bull após o início fraco também. Além das críticas públicas à Renault feitas por Christian Horner, houve ameaça por parte de Helmut Marko de deixar a categoria, apesar do compromisso contratual até 2020. Além disso, houve um pedido, tão inusitado, quanto ridículo, no sentido de igualar a potência dos motores. Vejam as declarações do chefe da equipe:

Quando estávamos ganhando e nunca ganhamos com uma vantagem como a deles, eu me lembro que o duplo difusor foi banido, exaustores foram movidos, aletas flexíveis foram proibidas, mapeamento dos motores foi mudado… A FIA, dentro das regras, tem mecanismos de igualação. Acredito que talvez seja algo que eles devam dar uma olhada“.

Haverá sorrisos esse ano?

Haverá sorrisos esse ano?

Ora. A RBR dominou a Fórmula 1 por quatro anos consecutivos, com destaque para as temporadas de 2011 e 2013. Nesta última, salvo melhor juízo, Vettel venceu as nove corridas finais. Não me recordo de haver por parte da Red Bull nenhum pedido de igualdade neste período. Pelo contrário, justamente em 2013, foi a favor e beneficiada por conta da mudança no composto dos pneus, quando a disputa já estava em curso. Importante destacar que se o duplo difusor foi banido, a RBR surgiu com o também contestado difusor soprado, solução muito bem explorada por Adrian Newey.

Da década de 80 para cá, tivemos épocas de domínio da McLaren, Williams, Ferrari e por último RBR. A Mercedes conseguiu construir um conjunto imbatível para 2014 e muito provavelmente para este ano. Sem dúvida, isso é fruto de alguns anos de trabalho. Cabem aos rivais ser mais competentes. Simples assim.

A Red Bull, embora seja uma equipe relativamente nova na categoria, sabe bem o caminho do sucesso. Certamente, o nivelamento por baixo não é a resposta.

16/03/15.

Hamilton continua sendo favorito ao título.

A próxima etapa será disputada no próximo domingo, dia 24 de agosto, em um dos circuitos preferidos dos pilotos, Spa-Francorchamps. Após a primeira metade do campeonato, de forma até surpreendente, o líder é o alemão Nico Rosberg. Surpreendente, sim, pois seu companheiro é ninguém menos que Lewis Hamilton, tido por muitos, antes do início da temporada, como o grande favorito, já que, desde o ano passado, a Mercedes era apontada como a equipe a ser batida, devido aos grandes os rumores – que se confirmaram – da superioridade da sua unidade de potência.

Depois de 11 etapas, ainda que tenha diminuído, o favoritismo do inglês continua. Apesar de ser mais talentoso do que Rosberg, o alemão quer impedir o bicampeonato de Hamilton. Em um dos posts anteriores, foi dito que o vencedor da guerra psicológica seria o campeão (http://wp.me/p4f3dZ-6p). Ledo engano. A força mental, naturalmente, continuará exercendo um papel de suma importância, todavia, com o título ficando apenas entre os pilotos da equipe alemã, a confiabilidade passa a ter papel fundamental e Toto Wolff não esconde sua apreensão:

Confiabilidade é a nossa principal preocupação. Portanto, temos que nos empenhar ao máximo e entender o porquê disso estar acontecendo. Estamos tentando distinguir e resolver os problemas… Temos que nos acalmar, analisar tudo apropriadamente e voltar com mais força após as férias.”

A preocupação do diretor da equipe alemã não é à toa. Tomem-se como exemplos os Grandes Prêmios da Inglaterra e da Hungria. No primeiro, Rosberg liderava a corrida, mas abandonou com problemas no câmbio. Nesta última, ainda no início do Q1, o carro de Hamilton apresentou um vazamento de combustível que levou a um incêndio. Resultado: não chegou a disputar o treino classificatório.

Rosberg abandona em Silverstone.

Rosberg abandona em Silverstone.

Bem verdade que, embora os carros de ambos tenham apresentado falhas, Hamilton tem levado a pior nos momentos cruciais, motivo suficiente para fazer alguns pensarem em favorecimento a Rosberg. Não bastasse a mente fértil da torcida, o próprio piloto, ao afirmar que se tratava de algo além da má sorte, deu força às lamentáveis teorias conspiratórias. Entretanto, as absurdas ideias são refutadas com veemência por Niki Lauda:

Eu odeio essa discussão. Ambos, desde o primeiro dia, têm os mesmos carros, tudo é igual. Infelizmente o carro que apresentou problema era de Lewis. Estas coisas não poderiam falhar. Nós vamos consertá-las. Queremos ambos com o mesmo equipamento e que corram contra o outro, como desejam.”

As declarações de Hamilton, de fato, não fazem o menor sentido. Ele foi contratado para ser o primeiro piloto da equipe, mas encontrou um parceiro com sede de vitória, que não se contenta em fazer o papel de coadjuvante e é o único que pode derrotá-lo este ano. Imaginar que uma equipe colocaria a integridade física de sua estrela em risco beira o ridículo.

A ordem de equipe dada no GP da Hungria, e desobedecida naquela circunstância de forma acertada por Hamilton, uma vez que pontos valiosos estavam em disputa e poderão fazer diferença no fim da temporada, mostra que a Mercedes não está preparada para lidar com as peculiaridades de uma briga interna.

Mercedes de Hamilton em chamas.

Mercedes de Hamilton em chamas.

É certo que há um acordo interno entre os dois pilotos. Andrew Benson, da BBC F1, acredita que parte dele seja no sentido que, caso adotem estratégias diferentes, o outro facilite para que o melhor resultado possível seja alcançado. Este prévio ajuste interno provavelmente será revisto pela equipe, já que dificilmente Rosberg atenderá a um pedido semelhante e foi o inglês quem primeiro o descumpriu.

Ao contrário do que alguns pensam, não houve tentativa de favorecimento a Rosberg. Se a situação fosse a inversa, a ordem teria sido dada da mesma forma, como já aconteceu na temporada passada e neste ano, quando foi solicitado ao alemão para que não atacasse Hamilton. As ordens dadas anteriormente já indicavam o despreparo da equipe para administrar essa rivalidade e foram oportunamente analisadas (http://wp.me/p4f3dZ-2y e http://wp.me/p4f3dZ-4w).

Diferentemente das temporadas passadas, apesar do amplo domínio da Mercedes, as provas têm proporcionando emoção de sobra. Se tudo correr dentro da normalidade, em duas corridas Hamilton retomará a liderança do campeonato. Após as análises dos problemas apresentados nesta primeira metade do campeonato, a tendência é a melhora da confiabilidade, como consequência o talento tende a prevalecer.

Restam oito etapas para o fim do campeonato, portanto duzentos pontos estão em jogo. Mesmo sabendo que não possui a mesma velocidade do inglês, Nico Rosberg tem demonstrado possuir melhor controle emocional, administra melhor as situações adversas e tem aproveitado cada oportunidade.

Lewis continua favorito, mas tem ciência de que não pode vacilar.

17/08/2014.

Até quando, Felipe Massa?

Neste domingo será disputada a décima etapa da temporada em Budapeste, Hungria, mas os acontecimentos do grande prêmio da Alemanha ainda repercutem no paddock, notadamente o acidente que envolveu Felipe Massa e o novato Kevin Magnussen. O brasileiro ficou indignado com a situação e apontou duramente o jovem dinamarquês como o responsável pelo fim prematuro de sua corrida:

Eu estava na frente, fazia a curva à frente dele. Se alguém precisa observar, é o carro atrás. Ainda não vi o acidente, mas normalmente o carro de trás precisa frear. Naquela curva não se pode ter três carros lado a lado e eu diminuí um pouco para que ficasse ao lado do meu companheiro de equipe. Geralmente é um cara quem vem da GP2 quem causa o acidente. A única coisa que me chateia com o que aconteceu é outro carro ter me tirado da corrida. Então estou extremamente desapontado

Durante a corrida, os comissários puseram o incidente sob investigação, mas decidiram não punir nenhum dos pilotos. Entretanto, após o relatório ter sido publicado, soube-se que Magnussen fora inocentado e que apenas a trajetória do piloto da ascendente Williams havia sido analisada. Não satisfeito, Felipe Massa, em vez de pôr uma pedra no assunto, ou mesmo desculpar-se, continuou afirmando que o único culpado era o dinamarquês. E mais, disse que a FIA precisava melhorar na escolha dos comissários.

Fim de linha na 1ª curva.

Fim de linha na 1ª curva.

E os pilotos? Qual a opinião deles? Durante a entrevista coletiva desta quinta-feira, aqueles que foram selecionados para integrá-la, dentre eles Sergio Pérez, foram questionados acerca do posicionamento da FIA. O mexicano, que colidiu com Felipe Massa no Canadá, foi comedido em sua resposta e afirmou que Magnussen fez de tudo para evitar o acidente, mas era difícil apontar um culpado. Em seguida, David Croft (comentarista da Sky Sports) aproveitou o ensejo para interrogar alguns pilotos sobre qual a postura deles após as colisões, destacando-se a resposta de Esteban Gutierrez:

Bem, acredito que é muito simples, basta que haja respeito entre todos nós e como disse Pastor, quando você comete um erro, tem de aceitá-lo e é muito importante que se faça em público também, para que se encontre o ajuste certo, pois, no fim, não é benéfico para ninguém. Se ambos batemos, ambos acabamos com as nossas corridas… Não importa o que acontece depois. O problema e a consequência já aconteceram…

A exemplo de Magnussen, Gutierrez veio da GP2 e estreou na categoria pela Sauber na temporada passada. Apesar de estar na Fórmula 1 há pouco mais de um ano, o mexicano, por conta de sua resposta, parece ter bem mais experiência que Felipe Massa que estreou em 2002, portanto há mais de dez anos.

É interessante ver a postura de Massa neste incidente, inclusive acusando a FIA de escolher mal seus comissários. É de se questionar por qual motivo ele não fez tal indagação quando Perez foi considerado culpado no GP do Canadá, ocasião em que os especialistas no assunto consideraram tal punição equivocada (http://wp.me/p4f3dZ-5Q).

Colisão em Silverstone.

Colisão em Silverstone.

Neste ano, a temporada de Felipe Massa tem sido marcada pela quantidade de incidentes em que se envolveu. Sem dúvida, ele não teve culpa em alguns deles, a exemplo da Austrália, quando foi acertado em cheio por Kamui Kobayashi, e da Inglaterra, sendo que neste último teve grande habilidade para diminuir a proporção da colisão com Kimi Raikkonen. Todavia o brasileiro precisa refletir bastante acerca dos motivos que o fizeram estar presente em todos eles e tirar lições.

Embora a Mercedes disponha do melhor carro do grid, a Williams tem oferecido um monoposto capaz de brigar por pódios e, dependendo da característica do circuito, até mesmo pela vitória. Chega-se a tal conclusão a partir do desempenho de seu companheiro Valtteri Bottas. O finlandês, que se encontra em plena ascensão, já somou 91 pontos contra apenas 30 de Massa e acumulou três pódios, sendo que um deles à frente de Hamilton.

Se o momento não é dos melhores, sempre há tempo para evoluir, amadurecer. Ainda resta a segunda metade do campeonato para que Felipe Massa mostre seu valor. Mas que fique claro: não há mais espaço para desculpas.

25/07/14.

“Uma temporada dura até aqui”, admite Sebastian Vettel.

A temporada atual tem sido para Sebastian Vettel o pior ano de sua carreira. O alemão de 27 anos, cuja trajetória é marcada pela precocidade, estreou como piloto titular na categoria principal do automobilismo em julho de 2007 pela equipe STR e em 2008 conseguiu sua primeira vitória.

Já pilotando pela RBR em 2009, fez com que Jenson Button, campeão desta temporada, tivesse uma segunda metade de campeonato bem acirrada, apesar da superioridade da Brawn GP. Na temporada seguinte Vettel sagrou-se campeão, repetindo o feito nos três anos seguintes.

Tido como o sucessor de ninguém menos que Michael Schumacher, inclusive apontado por muitos especialistas como futuro recordista de títulos mundiais, justamente devido ao seu rápido sucesso, Vettel tem deixado a desejar na atual temporada e, durante a gravação de uma entrevista realizada pela BBC ONE, ele não escondeu seu desapontamento:

Tem sido um início difícil, uma temporada dura até aqui. F1 pode ser fantástica, como eu vivenciei, mas também pode ser muito cruel quando se tem problemas. Você depende do seu carro. Faz parte do jogo.

Atualmente, o tetracampeão encontra-se na sexta colocação. Pior que isso, está atrás de Valtteri Bottas, Fernando Alonso e de seu novo companheiro, Daniel Ricciardo. Este último, que inclusive conseguiu sua primeira vitória na categoria no grande prêmio do Canadá, é o melhor parâmetro para avaliar seu desempenho.

Primeira vitória em 2008.

Primeira vitória em 2008.

Por conta das alterações no regulamento para a atual temporada, a RBR ficou impossibilitada de utilizar o exhaust blown diffuser – difusor soprado – cujos gases eram aproveitados para dar maior pressão aerodinâmica e, consequentemente, mais estabilidade ao carro, casando-se perfeitamente com o estilo de guiar do jovem alemão.

Sem o uso dos gases do difusor soprado, Vettel ainda não conseguiu se adaptar às mudanças deste ano, ao contrário do que tem mostrado Ricciardo. O desempenho do australiano tem sido uma grande, se não a maior, surpresa da temporada, pois está atrás apenas dos pilotos da dominante Mercedes e soma 28 pontos a mais que o tetracampeão.

Não obstante os resultados abaixo do esperado, Sebastian se mantém otimista para a segunda metade do campeonato e afirma que, enquanto tiver chances matemáticas, tentará a vitória. O alemão ainda disse que, apesar de não correr para chegar em terceiro ou quinto lugar, deve ficar feliz, desde que seja o máximo que se possa fazer, porém o objetivo é sempre ganhar corridas e lutar pelo mundial:

Se as coisas mudarem a partir deste fim de semana em diante, seria estúpido se não aproveitasse a oportunidade. Então você tem que estar otimista. Entretanto, sendo realista, a distância é muito grande. A Mercedes está numa posição de vencer todas as corridas, caso ela queira, portanto será difícil derrotá-la.

Tetra em 2013.

Tetra em 2013.

A temporada de 2014 chega a sua metade e a possibilidade de proibição da suspensão interligada pode tornar o campeonato mais emocionante, pois outras equipes podem ameaçar o domínio da Mercedes. Contudo, mesmo que o sistema FRIC seja banido, acredita-se que não haverá uma alteração substancial da atual hierarquia.

Todavia, será uma oportunidade para Sebastian Vettel provar que pode ser competitivo, mesmo sem estar guiando o melhor carro do grid, pois o projetista Adrian Newey sempre teve papel relevante em suas quatro conquistas.

Se vencer o quinto título consecutivo parece ser um sonho distante, o alemão tetracampeão tem a obrigação de, no mínimo, andar na frente do seu companheiro de equipe.

17/07/14.

Vencedor da guerra psicológica será o campeão.

Em meio ao clima de Copa do Mundo, o grande prêmio de Silverstone será disputado neste domingo. Apesar da superioridade da Mercedes, o campeonato tem reservado boas corridas e a disputa entre os pilotos da equipe alemã está cada vez mais emocionante.

Após o GP da Áustria, que voltou a fazer parte do calendário este ano, Rosberg ampliou sua vantagem. Para quem não se lembra, foi nessa pista que Rubens Barrichello abriu passagem para Michael Schumacher antes da bandeirada final, nos anos de 2001 e 2002, sendo que este último ficou marcado pela narração de Cléber Machado e seu “hoje não, hoje sim” (http://tinyurl.com/mxjtyfs).

O líder do campeonato de pilotos chega a Grã-Bretanha com 29 pontos a mais que seu companheiro de equipe Lewis Hamilton. No campeonato de construtores, a Mercedes já soma 301 pontos, mais do que o dobro da segunda colocada RBR. Difícil imaginar algo que possa tirar os dois títulos da escuderia alemã.

A vantagem considerável foi reconquistada após o abandono de Hamilton na corrida do Canadá e da vitória no GP da Áustria. Em Montreal, os carros da Mercedes apresentaram um superaquecimento inesperado, causando uma pane no sistema de recuperação de energia. Rosberg, por méritos seus, conseguiu manter-se na pista e logrou um importantíssimo segundo lugar. Já em Spielberg, o alemão largou em terceiro e superou os pilotos da Williams para subir no primeiro lugar do pódio. Hamilton largou em nono, mas minimizou o prejuízo com um segundo lugar.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

A liderança do campeonato já havia sido retomada depois de vencer o GP de Mônaco. O fim de semana em Monte Carlo foi marcado pela polêmica do treino classificatório em que Rosberg causou uma bandeira amarela e Hamilton ficou impedido de dar sua volta rápida. Apesar de não ter recebido qualquer punição, Lewis disse que só queria uma luta justa, dando a entender que seu companheiro havia causado o incidente de propósito.

O clima na escuderia não ficou dos melhores, mas a equipe logo tentou mostrar ao público que havia aparado as arestas entre os dois pilotos. Todavia, apesar da bandeira branca ter sido hasteada pela Mercedes, a guerra está mais do que aberta. Nico Rosberg afirmou publicamente, após a corrida do Canadá, que possui a vantagem psicológica sobre o inglês:

Foi muito importante chegar ao final da corrida, pois o psicológico é uma grande parte do esporte. Se você tem estes resultados a seu favor, como eu tenho agora, isso lhe dá um extra, um pouco de vantagem, então já é uma ajuda.

A reação virá?

A reação virá?

Lewis, que já havia sofrido um abandono na primeira etapa, se vê novamente em situação delicada, mas está confiante de que pode recuperar os pontos perdidos e disse que aprenderia depois dos erros, principalmente o cometido na qualificação da austríaca:

Há muita coisa positiva para se levar em conta. Eu tinha um bom ritmo e não tirei proveito disso. Irei para a próxima corrida e me certificarei de fazê-lo. Estou sempre aprendendo a lição, mas é bom lembrar dos pontos que eu perdi por não terminar a corrida. Estou 29 pontos atrás. Não terminei a quantidade de corridas que eu gostaria e há um longo caminho a ser percorrido.”

Está claro! Nesse duelo, quem tiver maior força mental será o vencedor, desde que não haja interferência da equipe. A preferência da Mercedes é por Lewis Hamilton (recebe praticamente o dobro do salário de Rosberg) e parece que não estão fazendo questão de escondê-la.

Niki Lauda vem frequentemente dando declarações de que o inglês se recuperará e que não está sofrendo qualquer tipo de pressão, mesmo após o erro inesperado cometido em Spielberg:

Essas coisas acontecem. Não há nada de errado nisso. Não preciso monitorá-lo em nada. Eu o conheço por muito tempo e sua mente está completamente perfeita. Ele está extremamente motivado e isso é tudo. Não se preocupem com isto. Ele cometeu um erro na classificação, mas se recuperou na corrida

E novamente Hamilton terá de fazer uma corrida de recuperação. Com as condições climáticas imprevisíveis da classificação de Silverstone, o inglês resolveu, equivocadamente, abortar sua última volta rápida. Rosberg foi até o final e a pista melhorou. Resultado? O alemão largará em primeiro. Lewis, que era o favorito para a pole, sairá apenas da sexta posição. E não adianta negar, a pressão sobre ele está aumentando a cada etapa.

Apesar do talento inquestionável e sua velocidade impressionante, Hamilton já demonstrou em temporadas anteriores que o psicológico não é seu ponto forte. Se em 2007, ano de sua estreia, todos ficaram surpresos com seu alto rendimento, o campeonato escapou de sua mão após perder várias posições na largada por ter colocado o carro em neutro sem ter percebido.

O título em 2008, sem desmerecer sua conquista, veio por conta da incompetência da equipe Ferrari e de alguns erros cruciais cometidos por Felipe Massa. Em 2010, Lewis tinha um carro capaz de vencer, mas os memoráveis erros cometidos em Monza e Cingapura fizeram com que ele chegasse à última etapa com uma mínima chance matemática, deixando a briga final apenas entre Alonso e Vettel.

Um dos erros de 2010.

Um dos erros de 2010.

Por sua vez, embora não seja tão talentoso quanto o seu rival, Rosberg tem se mostrado mais constante. Sua dedicação e trabalho intenso vêm dando nas pistas o resultado, ao menos por ele, esperado. É a primeira vez que o alemão – que acabou de completar 29 anos e estreou na Fórmula 1 em 2006 – tem a chance de andar em um carro capaz de lhe proporcionar um título e ele não está disposto a desperdiçá-la.

O campeonato está praticamente na metade e ainda há tempo para Hamilton recuperar-se, até mesmo porque se acredita que em algum momento Rosberg também não terminará uma corrida, embora confiar nisso não seja das melhores estratégias.

A perda da pole position em Silverstone para seu companheiro de equipe, diante da torcida inglesa foi outro golpe duríssimo. Resta saber se Hamilton terá força o suficiente para buscar seu segundo título. Superar Nico Rosberg não será tarefa das mais fáceis.

Como ele afirmou, há um longo caminho a ser percorrido.

05/07/14.

Pole no sábado ou pódio no domingo?!

De forma inédita neste ano, a primeira fila do grid não foi ocupada por um piloto da Mercedes. A hegemonia da equipe alemã foi quebrada pelo brasileiro Felipe Massa e a segunda posição foi ocupada por seu companheiro Valtteri Bottas. Já Rosberg largou em terceiro, enquanto Hamilton ocupou apenas a nona posição, o que dava a entender que a corrida seria das melhores. Todavia a esperança de repetição de uma disputa emocionante, como ocorreu no Bahrein ou no Canadá, não se concretizou.

Logo na largada, Lewis Hamilton pulou de novo para quinto e não teve dificuldade para ultrapassar Fernando Alonso, que ocupava a quarta posição. Depois das paradas nos boxes, a ordem natural das forças nessa temporada voltou a se estabelecer com Rosberg e seu companheiro nas primeiras colocações. Em seguida, vinham os dois pilotos da Williams, só que com Valtteri Bottas já à frente de Felipe Massa.

Após a conquista da pole position no GP da Áustria, havia grande expectativa quanto ao desempenho do brasileiro na corrida. Os carros da Williams, que também andam com motor Mercedes, estavam mais rápidos do que os da equipe alemã por conta das retas do circuito austríaco, característica que favorece a escuderia de Frank Williams.

Rosberg celebra vitória.

Rosberg celebra vitória.

A corrida foi vencida por Nico Rosberg, seguido por Hamilton e Bottas. Aquele que ocupou o primeiro lugar do grid ficou de fora da festa do pódio e mais uma vez se viu dando explicações perante a imprensa, deixando novamente seus torcedores um tanto quanto frustrados, pois ao menos um terceiro lugar era esperado.

Aos poucos, a Williams vem se firmando como o segundo melhor carro do grid. Caso mantenha as boas atuações, logo ultrapassará a Ferrari e poderá tomar o lugar da Red Bull no mundial de construtores, circunstâncias essas que fazem a expectativa em torno de Felipe Massa crescer. Depois do bom resultado de sábado, o brasileiro recebeu elogios do seu antigo companheiro de equipe Fernando Alonso:

“Eu sempre disse que Felipe era muito, muito rápido. Muitos não acreditaram em mim. Mas ainda acho que ele foi o companheiro mais rápido que tive. Definitivamente, Felipe teve muitas dificuldades nos últimos quatro anos, pois sabíamos que não éramos super competitivos. Agora que ele tem um carro muito rápido, aproveitou e eu o parabenizo e estou feliz por ele, depois dos momentos difíceis que tivemos juntos.”

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Alonso parabeniza Massa pela pole.

Como já mencionado, Felipe Massa não conseguiu segurar a ponta, o que já era de se esperar, mas também não permaneceu entre os três primeiros. Seu companheiro fez melhor corrida e o desapontamento pelo erro cometido na classificação deu lugar à alegria do seu primeiro pódio na carreira:

“Acredito que, de uma forma geral, foi o meu melhor fim de semana. Estou muito, muito feliz. É difícil expressar com palavras. Isso é devido ao trabalho duro. Estamos fazendo progresso, nos aproximando das posições que devemos ficar. Obrigado à equipe por me dar este carro. A corrida foi exatamente como precisávamos, limpa, boa. Estou muito feliz”.

As palavras de Bottas remetem a uma entrevista dada por ele, ano passado, a um canal do site Youtube, o Pole Position. Nela, vários pilotos foram questionados, em uma espécie de “toma lá, dá cá”, se prefeririam a pole no sábado ou um pódio no domingo. Como a maioria, respondeu que preferia o pódio, mas fez questão de frisar que a pole position não somava pontos. A rápida entrevista pode ser vista neste link: https://www.youtube.com/watch?v=TamHuVlgYbU&index=15&list=PL6Dv3cCtp8oEJpQdxs1_gyJzcZL028vro.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

Bottas celebra seu primeiro pódio.

O quarto lugar de Massa traz de volta as lembranças das limitações que ele apresentou na temporada de 2007. Naquele ano, Felipe Massa dividia a escuderia com Kimi Raikkonen. Apesar de sempre ir bem nas classificações, o brasileiro não conseguia manter um ritmo de corrida capaz de acompanhar seu companheiro e os rivais Alonso e Hamilton, que guiavam pela McLaren.

Depois da oitava etapa do campeonato, Massa encontra-se 25 pontos atrás de Valtteri Bottas, uma vantagem considerável, equivalente a uma vitória, sem que o concorrente some qualquer ponto.

Já está na hora de Felipe prolongar a alegria de seus torcedores. Bater seu companheiro ao fim da temporada será uma grande vitória. Afinal, a briga interna deve ser sempre a primeira a ser vencida.

E você? Prefere pole position no sábado ou pódio no domingo?

22/06/14.

Enfim, a sorte volta a andar ao lado de Felipe Massa.

Depois de um longo tempo, Felipe Massa volta a ser, positivamente, o centro das atenções em um fim de semana de Grande Prêmio, pois conseguiu a 16ª pole position da carreira. A última havia sido no ano de 2008, em Interlagos, naquele memorável e triste GP para os brasileiros.

O resultado, de certa forma inesperado, vem em boa hora para Felipe. Na última corrida, o brasileiro se envolveu num controverso acidente com Sergio Pérez, que culminou com a perda de cinco posições no grid para o piloto da Force India. Apesar da maioria dos especialistas terem considerado um incidente de corrida, a punição do mexicano foi mantida.

Massa na luta pela Pole.

Massa na luta pela Pole.

A Williams já havia apresentado um bom desempenho durante o fim de semana e principalmente no terceiro treino livre, que foi liderado pelo companheiro de Massa, o finlandês Valtteri Bottas. Todos esperavam um bom resultado da equipe inglesa, mas não a ponto de desbancar a Mercedes, como bem ponderou Alan Mcnish, comentarista dada BBC:

Nós vimos uma batalha muito acirrada e chega a dar água na boca para esta tarde (horário local da classificação). O Povo da frente continua lá, mas há um pouco de pimenta adicionada ali. Eu acredito que a Mercedes tenha um pouco de vantagem, mas a Williams pode muito bem conseguir uma segunda fila, logo atrás deles

A classificação reservaria outras surpresas. Bottas estava desbancando seu companheiro e surpreendentemente também os pilotos da Mercedes na primeira tentativa do Q3. Porém, em sua segunda tentativa, o finlandês cometeu um erro e não conseguiu baixar seu tempo.

Massa, Rosberg e Bottas. A largada promete.

Massa, Rosberg e Bottas. A largada promete.

Rosberg e Hamilton também falharam em suas voltas. O alemão ainda conseguiu ficar em terceiro, mas o inglês, que largará apenas em nono, não chegou sequer a marcar tempo. Resultado? Felipe Massa conseguiu baixar 87 milésimos o tempo de Bottas e conquistou a pole do GP da Áustria:

Estou muito feliz com o que aconteceu hoje. Para a equipe foi um grande momento. Já faz um longo tempo desde a última vez que fui pole position, que foi no Brasil em 2008, então é um momento incrível… Este é o melhor lugar para estar. É onde eu tive a chance de estar muitas vezes em minha carreira e estou novamente agora. Estou feliz, muito emocionado. Muito satisfeito por mim e pela Williams também. Nós largaremos em uma posição melhor e precisamos ver como a Mercedes estará na corrida, mas, definitivamente, tentaremos tudo o que pudermos.

Sua inesperada pole dará contornos emocionantes à manhã de domingo. Nico Rosberg largará em terceiro e tentará a todo custo uma vitória para ampliar sua liderança, enquanto Hamilton, que já esta com uma desvantagem de 22 pontos, sairá da nona posição.

Em tese, promessa de uma grande corrida no veloz circuito de Spielberg. Sem dúvida, os erros dos adversários facilitaram a vida do brasileiro. Depois de uma longa maré de “azar”, a sorte parece estar de volta.

E nunca é demais lembrar: ela costuma andar ao lado do competente.

21/06/14.

Punição de Pérez será reavaliada pela FIA.

Segundo matéria exclusiva do site inglês Autosport, a punição de Perez será revista nesta sexta-feira. FIA e Force India se reunirão, a fim de verificar se existe razão para rever a punição de Sérgio Perez, que foi considerado culpado pelo acidente que envolveu o brasileiro Felipe Massa durante a última volta do Grande Prêmio do Canadá, tendo sido punido com a perda de cinco posições no grid para o GP da Áustria.

Pérez observa o resultado da colisão.

Pérez observa o resultado da colisão.

A Force India alegou ter uma nova prova para apresentar à FIA que, de acordo com Jonathan Noble, editor do site inglês, teria relação com o fato de Pérez não ter sido ouvido pelos comissários após o acidente, pois o mexicano ainda estava no hospital. O pedido da equipe se baseia no art. 13.10 do regulamento, que prevê o direito de revisão, desde que haja um novo elemento.

Como não será possível a avaliação da nova prova pelos comissários do GP do Canadá, a FIA autorizou que a matéria seja revista pelos comissários do GP da Áustria. Haverá uma reunião prévia na sexta pela manhã com representantes da equipe indiana e a FIA para saber se há, realmente, uma nova prova. Em caso positivo, haverá outro encontro à tarde, dessa vez com a presença da Williams. A Force India acredita que a punição poderá ser retirada, pois tem grandes esperanças de convencê-los de que Perez não foi o único responsável pelo ocorrido.

Felipe Massa recebendo socorro médico.

Felipe Massa recebendo socorro médico.

No post anterior foi mencionada a presença de Adrian Fernandez, ex-empresário do piloto Mexicano durante o julgamento do incidente (http://wp.me/p4f3dZ-5Q). Charlie Whiting havia dito que a presença dele se justificava, pois Fernandez seria comissário no GP da Áustria e estava lá apenas como ouvinte. Já Perez acusou abertamente seu antigo agente de ter influenciado na decisão.

O novo julgamento com a sua presença será, no mínimo, curioso. Aguardemos o resultado final amanhã ao fim do dia.

19/06/14.

Pérez acusa seu ex-empresário de influenciar na decisão da FIA.

A sétima etapa, GP do Canadá, disputada neste último domingo, teve um final emocionante e inesperado. Não só por conta do improvável vencedor, Daniel Ricciardo, mas pelo forte acidente em que se envolveram o brasileiro Felipe Massa e o mexicano Sergio Pérez.

A poucas voltas do fim da corrida, Perez, que ocupava, de forma brilhante, a segunda posição, mostrou-se mais lento e foi ultrapassado pelos pilotos da RBR. Primeiro Ricciardo, que, inclusive, alcançou Rosberg, tomou-lhe a ponta e venceu seu primeiro grande prêmio.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Ricciardo comemora sua primeira vitória.

Mais perto do fim, foi a vez de Vettel atacar. As manobras da dupla da RBR foram realizadas de forma limpa. No momento da ultrapassagem do alemão, Felipe Massa tentou se aproveitar da situação, para também passar o mexicano, porém o resultado não foi dos melhores. Colisão forte, mas, por sorte, sem qualquer dano à integridade física dos envolvidos.

A FIA, surpreendentemente, apontou Pérez como o culpado, segundo os comissários, após analisar imagens aéreas do ocorrido. O Mexicano foi punido com cinco posições para o GP da Áustria. A equipe não informou, ainda, se irá apelar da decisão.

Williams do brasileiro destroçada.

Williams do brasileiro destroçada.

No momento do acidente, Luciano Burti afirmou que havia sido um erro de cálculo de Massa. Já Reginaldo Leme se preocupou mais em exaltar o fato de Felipe ter voltado a lutar no pelotão de frente, mas ambos estavam claramente desconfortáveis em apontar o brasileiro como verdadeiro culpado e mostraram-se constrangidos com a situação.

No VT do canal Sportv, o narrador Daniel Pereira não isentou o brasileiro. E o comentarista Lito Cavalcanti, apesar de ter notado uma ligeira mudança na trajetória de Pérez, afirmou que nada justificava o acidente. Durante a transmissão, para esta dupla, o brasileiro foi o culpado.

Felipe Massa, já acostumado naquilo que faz de melhor, achou margem para dar as velhas desculpas e acusou o mexicano de guiar perigosamente:

Eu conversei com ele no centro médico. Eu estava muito desapontado. Eu disse que ele precisava aprender. Queria que se colocasse no meu lugar, pois eu tive um grande impacto e, honestamente, pensei que fosse me machucar

Nós temos a regra, há alguns anos, de que se um carro está ao lado do outro, você não pode mais mudar. Ele mudou e nós tocamos.”

Massa ainda disse que cinco posições de punição não eram suficientes. Apesar da posição da FIA, o assunto parece longe de estar encerrado.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Pérez acusa Massa de virar volante.

Uma imagem aérea começou a circular na web, dando conta de que Pérez teria, de fato, mudado de trajetória e causado o acidente. Mas o mexicano se defendeu, através de suas redes sociais (twitter e instagram) acusando o brasileiro de ter virado para a direita e postou a fotografia acima:

Na volta final eu estava defendendo minha posição ao ir para a curva 1, quando, de repente, fui atingido por trás. Não estava fácil nas voltas finais e eu estava acelerando tudo para ficar à frente de Nico, pela liderança“.

Foi muito triste perder um resultado tão importante, por conta de nenhuma culpa nossa. Eu estava seguindo a mesma linha de padrões de frenagem, como nas voltas anteriores e fui atingido em minha traseira por Massa. Havia muito espaço à esquerda do meu carro para tentativa de uma ultrapassagem limpa e eu não consigo entender porque ele teve que passar raspando

No momento da corrida, a sensação, mais uma vez, foi de frustração. Sentimento esse que veio muito antes da colisão. Felipe Massa era, claramente, o piloto mais veloz entre os sete primeiros, virando um segundo mais rápido do que todo o pelotão a sua frente, quando ainda faltavam dez para o final. A chance de vitória era clara.

Conseguiu ficar em quinto, após um erro duplo de Nico Hulkenberg e Valteri Bottas. Mesmo assim, não logrou êxito em ultrapassar Sebastian Vettel. Quando o alemão, que se defendeu muito bem dos ataques do brasileiro, diga-se de passagem, ultrapassou Sergio Pérez, Felipe Massa não teve habilidade para fazer o mesmo.

Eternas explicações.

Eternas explicações.

Quanto ao acidente, percebe-se que ambos viraram o volante. Pérez de forma bem mais sutil. A decisão da FIA causou estranheza, pois o argumento de que houve mudança de trajetória do mexicano só poderia ser utilizado caso ela tivesse sido feita de forma brusca ou Massa o tivesse atingido na parte lateral. Mas não, Felipe acertou com violência a traseira de Sergio, o que faz crer que o acidente aconteceria ainda que o mexicano nada fizesse.

A discussão está longe do fim. Apenas após ver e rever é que os especialistas tomaram partido, sendo que alguns ainda mudaram de opinião. Isso, por si só, já daria margem para enquadrar o ocorrido como um acidente de corrida. Mas vale destacar que a grande maioria apontava o brasileiro como culpado pelo episódio.

A presença de Adrián Fernandez, ex-manager de Pérez, na sala dos comissários é algo que deveria ser evitado, principalmente depois do rompimento conturbado da parceria. Charlie Whiting, diretor de prova, nega que haja conspiração contra o piloto da Force India e justifica a presença de Fernandez apenas como ouvinte, pois o ex-piloto de Fórmula Indy será comissário no GP da Rússia.

Ainda que a FIA tenha isentado Felipe, a frustração continua. Foi mais uma oportunidade que o brasileiro deixou escapar. Os pilotos da RBR fizeram as manobras sem qualquer dificuldade, enquanto que Massa, novamente, não conquistou um resultado expressivo.

Apesar de estar com equipamento que permitiria um piloto mais talentoso a lutar pela vitória, um pódio seria muito bem-vindo.

Os torcedores mais ávidos se deram por satisfeitos diante da punição de Pérez e chegaram a comemorá-la. Mas, convenhamos, faltou muita habilidade ao brasileiro. Importante lembrar que, diferentemente do argumento utilizado por ele próprio, Massa ainda não estava ao lado do piloto mexicano.

Dar desculpa e nunca ser responsável pelos próprios resultados ruins virou rotina.

09/06/14.