Hamilton precisa se preocupar?!

Que reviravolta! O Grande Prêmio de Mônaco já estava se encaminhando para um dos mais chatos dos últimos tempos. Apesar de ser um circuito que proporciona pouquíssimas ultrapassagens, há sempre alguém que busque a ousadia para tentar mostrar seu talento e geralmente passa da dose. É aí que o jovem Max Verstappen entra…

Tido por muitos como um fenômeno do automobilismo, o que acho exagerado para o momento, o ainda promissor holandês resolveu passar dos limites e acertar Romain Grosjean numa manobra imprudente e que gerou uma punição de perda de cinco posições para a próxima corrida. Resultado? Trouxe o já aguardado safety car e com ele emoção para o GP de Mônaco.

Deveria ter sido um fim de semana de pura alegria para Hamilton, perfeito, eu diria. Dias atrás, houve o anúncio da renovação de seu contrato com a atual melhor equipe. No sábado, sem nenhuma “artimanha” de seu companheiro como em 2014, a pole veio naturalmente. Largando na ponta em Mônaco com o melhor carro, a vitória estava praticamente assegurada. Estava… Um erro na estratégia custou o êxito do inglês no principado. Essa foi a segunda derrota que Lewis teve na temporada por conta de um equívoco da equipe.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Verstappen acerta Grosjean e causa SC.

Sobre o erro de estratégia, logo após a corrida, o jornalista Tobias Gruener (@tgruener, no twitter) informou que Lauda havia deixado escapar que o bicampeão estava reclamando dos pneus e questionou a equipe se não deveria parar. Ele liderava a corrida com larga vantagem, mas não o suficiente para trocar pneus e voltar à frente de seus rivais. Piloto e engenheiros conversaram e resolveram realizar a parada. A equipe calculou errado. Lewis voltou e terminou a corrida em terceiro. Segunda vitória consecutiva de Nico Rosberg nesta temporada e a terceira seguida em Mônaco, colocando seu nome de vez na história do principado.

Hamilton disse que a culpa era dividida, mas não dá para negar que a parcela de erro maior foi de seus engenheiros. Talvez pela monotonia da corrida, o inglês reclamou durante a corrida toda, apesar de aparentemente não haver motivo para tanto. No momento crítico da corrida fez mais reclamações e seu engenheiro deve ter dito: ok, get into the pit, motherfucker!

Brincadeiras à parte, seu staff deixou a desejar. Por mais que Lewis tenha sido insuportável, não havia razão para somente ele realizar troca de pneus, mormente quando ninguém mais entraria no box e diante de uma margem tão apertada de tempo. Lewis era o primeiro colocado guiando o melhor carro num circuito de dificílima ultrapassagem. Não havia razão para somente ele trocar pneus. Toto Wolff atribuiu o equívoco à mudança do safety car virtual para o real. No fim das contas, o erro da equipe foi grotesco!

Ademais disso, duas coisas chamaram atenção. A primeira foi o fato de Niki Lauda não mais esconder sua decepção quando Hamilton tem um resultado ruim. Apesar de ocupar o cargo de diretor não executivo na equipe Mercedes, para ele apenas as vitórias de Lewis interessam. A outra foi a postura de Hamilton durante o pódio. Sua frustração era aceitável, a falta de desportividade não. Ele, talvez de forma inédita, – não me recordo de outra situação igual – recusou-se a estourar o champagne, deu meia volta e foi embora. Até brinquei nas redes sociais, questionando o que diriam se fosse Fernando Alonso o protagonista de uma cena daquelas. Mas tudo bem. Vida que segue, o resto da corrida vocês sabem…

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Terceira vitória consecutiva em Mônaco.

Mas até onde Hamilton tem com o que se preocupar?

Agora Lewis tem contrato com a Mercedes até o fim de 2018. Embora a categoria passe por mudanças no regulamento para a temporada de 2017, não há razão para acreditar que a equipe alemã deixará de ser competitiva até o fim de seu vínculo… A Ferrari cresceu, mas não o suficiente. Red Bull e Williams andaram para trás. Sobre a McLaren não é preciso tecer comentários. Todas essas e demais rivais terão de vir com soluções mágicas para voltar a brigar pelo título, enquanto a Mercedes aguarda de camarote, mas sem ficar inerte.

De fato, se há algum piloto que pode ameaçar Hamilton, digo e repito, esse alguém é Nico Rosberg. Vejo muitas críticas ao alemão, mas o trabalho que ele faz é magnífico. Acompanhar de perto um companheiro do quilate de Lewis merece reconhecimento e respeito. Apesar de o inglês ser melhor, tudo indica que ele não terá tanta facilidade em sua busca pelo terceiro título como era pensado. Novamente, teremos a batalha entre o talentoso e o “trabalhador”. Exemplos no esporte não faltam em que a dedicação e trabalho duro venceram o dom natural mal aproveitado.

Por mais que Rosberg não facilite a vida de Lewis, é difícil de acreditar que o inglês não se sagre tricampeão no fim do ano. Inclusive, arrisco a dizer, pelos motivos supramencionados, que ele já desponta como o grande favorito para 2016. Óbvio tudo isso requer certa parcimônia. Já falei em outros posts que Hamilton mostrou grande evolução, principalmente no quesito maturidade. Em 2014 ele passou por situações de grandes adversidades, mas no final reverteu. Caso não venha a fraquejar, a aposta fica fácil. Ele não pode se dar ao luxo de titubear, pois outro receberá as láureas e será tão merecedor quanto.

Se uma vitória improvável cai bem, imaginem um título…

25/05/15.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

A ordem de forças na Fórmula 1 permanece inalterada e digo isso até com um certo pesar. Não que eu torça pela derrota da Mercedes, mas, como qualquer outro fã da categoria, o que eu desejo é disputa acirrada, repetições do GP do Bahrein, simples assim. Quão bom seria se a maioria das corridas permitisse as batalhas que vêm acontecendo ano após ano no circuito de Sahkir.

Bem verdade que já vimos algumas esse ano com Vettel vencendo na Malásia e com o segundo lugar ameaçador de Raikkonen na última corrida. Todavia, a sensação é de que não passará disso: você pode vencer uma batalha, mas a guerra já está decidida. E isso soa meio que triste para o esporte.

Não obstante todo o cenário que este início tem apresentado, eu – talvez utopicamente – simplesmente quero acreditar que o campeonato continua aberto. Estamos na primeira corrida da Europa e, até então, a Ferrari apresentou-se em condições de disputar o título. Em tese, tudo vai depender da capacidade de desenvolvimento do carro.

Indubitavelmente, a Mercedes não pode ser culpada pela incompetência de suas rivais. Red Bull e Renault ainda não se entenderam, a McLaren-Honda tem muito o que provar, a Williams não conseguiu manter a boa forma do ano passado e ainda que construísse um grande carro, trata-se de uma equipe que recebe motores e sabemos bem as implicações disso, enfim…

Rivais encontrarão uma solução?

Rivais encontrarão uma solução?

A equipe alemã também não pode ser culpada por ter contratado um piloto que parece ter chegado ao seu auge. Depois do bicampeonato, Lewis Hamilton parece consciente da sua atual superioridade e desfila diante de seus rivais como quem diz “eu sou invencível”, tamanha é a sua confiança. Ele evoluiu, está mais forte não só na parte física como mentalmente.

A postura do britânico é de que sabe que este é o seu melhor momento, I’m the man, just deal with it. É bom ressaltar que, apesar de sua grande fase, é natural que eventualmente Hamilton não consiga os melhores resultados, como aconteceu nesta classificação na Espanha. Ele não pode vencer todas, mas sempre será o grande favorito.

Por sua vez, embora a Ferrari já tenha se consolidado como a maior concorrente da Mercedes, a vantagem da equipe alemã ainda é grande e é muito improvável que ela se esvaia. Apesar de não ser a mesma de 2014, parece ser suficiente para assegurar os títulos deste ano. Desafio árduo que se apresenta para as demais escuderias. A equipe italiana, por exemplo, precisará fazer algo que não tem feito há alguns anos: trazer atualizações que deem resultado na pista.

A confiança em pessoa!

A confiança em pessoa!

Não adianta criar ilusões, se as coisas continuarem como estão, o único que poderá realmente desafiar Lewis é seu companheiro de equipe. Ele terá que trabalhar muito para isso e já deu o primeiro passo de uma possível reação que, frise-se, também parece improvável. Ele acabou de conseguir a primeira pole-position da temporada hoje, mas já dava mostras de uma recuperação no Bahrein. O problema de freios no fim daquela corrida teve um quê de injustiça, pois vimos um Rosberg extremamente agressivo e acabou proporcionando muita emoção aos telespectadores…

O Grande Prêmio da Espanha marca a quinta etapa do campeonato e pode ser considerado simbolicamente um novo início da temporada. Não tenho o poder, muito menos presunção de prever ou tentar adivinhar o que vai acontecer amanhã na corrida. Mas é difícil imaginar algo diferente da Mercedes na ponta sem um erro de estratégia ou problemas de confiabilidade.

Caso seja uma corrida semelhante ao último GP, dar-me-ei por satisfeito.

09/05/15.

Prévia – GP do Bahrein: Corrida aberta, qual o seu palpite?

Ontem não foi possível fazer um post sobre a classificação, então faço esse de último momento, a poucas horas do início da corrida. Estamos na quarta etapa do campeonato e a hegemonia da Mercedes está em perigo. Embora a Ferrari ainda não esteja no mesmo patamar da equipe alemã, já demonstrou que tem potencial para alcançá-la e vencer corridas é um objetivo palpável.

Na primeira colocação, nenhuma novidade, Hamilton cravou a quarta pole seguida. Eu não me surpreenderia se o inglês quebrasse o recorde de pole positions consecutivas, que ainda pertence a Ayrton Senna com oito. A título de curiosidade, essa foi a primeira de Lewis neste circuito… Entretanto, novamente, todas as atenções se voltam para um certo tetracampeão. Pela segunda vez no ano, Sebastian Vettel conseguiu ficar entre os pilotos da Mercedes.

Ameaça real?

Ameaça real?

A primeira ocasião foi em Sepang, naquela classificação a diferença para Hamilton foi de apenas 74 milésimos, mas na corrida Vettel levou a melhor. Já nesta, a diferença ficou por volta de quatro décimos. Por sua vez, Nico Rosberg conseguiu apenas a terceira colocação, ficando a mais de meio segundo da pole e afirmou que além de ter usado a estratégia equivocada, subestimou seu compatriota. Segundo ele, tentou preservar um pouco os pneus para a corrida, mas a sua vantagem é mínima:

A desvantagem é grande em ser terceiro. Eu tenho melhores pneus, mas é pouco, a diferença não é grande, portanto a terceira colocação não é boa. Eu subestimei a velocidade de Sebastian e também o quanto me custaria aliviar nos pneus durante o Q2, com os quais eu iniciarei a corrida. Eu não tive ritmo e foi onde errei hoje. Sair em segundo seria diminuir o prejuízo, mas em terceiro realmente não é o ideal.”

A Mercedes está atenta à Ferrari. Realizou mudança no set-up de seus carros na sexta-feira, mas a nova configuração não foi totalmente testada. Apesar da imprevisibilidade, Toto Wolff acredita que estão na direção certa, o que consequentemente trará êxito ao final:

Nós corrigimos algumas coisas, olhando para déficit que tivemos na sexta. Mas não tivemos tempo suficiente para testá-las apropriadamente, pois as mesmas condições noturnas não se repetiram. Acredito que fizemos os ajustes certos para colocar o pneu na ‘janela’ correta, mas a verdadeira prova teremos domingo à noite. É arriscado, mas o que fizemos não foi adivinhação. Ter os pneus e set-up nas melhores condições possíveis foi baseado em engenharia, a partir de uma abordagem científica, mas, novamente, domingo à noite veremos

Na Malásia, diante de circunstâncias imprevisíveis, pudemos creditar todo o mérito a Vettel de se classificar em segundo, porém a situação no Bahrein é um pouco diferente. Não que ele não mereça o crédito, provavelmente deve ter feito o seu melhor. Todavia, a diferença de tempo entre Hamilton e Rosberg – 0,5s o que é abissal na F1 – sugere que o alemão da Mercedes tinha plenas condições de ocupar a segunda posição. Óbvio que o tetracampeão não tem nada a ver com o ritmo de treino escolhido por seu compatriota, mas ainda que Vettel largasse em terceiro, suas esperanças de vitória estão depositadas num melhor ritmo de corrida.

Relembre os melhores momentos do Grande Prêmio do Bahrein de 2014. Que corrida!

Confesso que fiquei surpreso com a declaração de Rosberg. Apesar de partir da terceira posição, Nico estará do lado limpo, o que lhe dá certa vantagem, basta que largue bem. Seria algo absolutamente normal se ele assumisse a segunda posição logo na primeira curva. Digo mais, se Vettel conseguir uma boa largada, Hamilton terá que se defender e uma brecha se abriria para que Rosberg assumisse a ponta. Porém, não me lembro de uma largada forte do atual terceiro colocado no mundial de pilotos. Enfim…

Em poucos instantes confirmaremos se o ritmo de corrida da Ferrari é ameaçador. Em caso positivo, a Mercedes terá motivos mais do que suficientes para se preocupar. O circuito de Sahkir é muito exigente e serve de parâmetro para toda a temporada. Os carros que mostram bom desempenho no Bahrein tendem a ir bem nas demais etapas. Tudo ficaria aberto e, como mencionado em post anterior, dependeria da capacidade de desenvolvimento de cada equipe, com a escuderia de Maranello tornando-se uma real ameaça ao título.

Espero que o Grande Prêmio do Bahrein seja, no mínimo, parecido com a corrida do ano passado. Ingredientes não faltam. Embora não haja previsão de chuva, as estratégias adotadas desempenharão um grande papel na definição do vencedor.

Falta pouco! Qual o seu palpite?

19/04/15.

Críticas a Rosberg são injustas!

Durante o grande prêmio da China, que não foi dos mais emocionantes, houve um diálogo interessante entre Nico Rosberg, atualmente terceiro colocado no mundial, e seu engenheiro. O alemão solicitou que Hamilton aumentasse seu ritmo, pois estava preocupado com Vettel.

Já na coletiva, houve um momento de tensão. Rosberg não gostou do que ouviu de Lewis Hamilton, atual líder e provável campeão desta temporada, tamanho é o seu favoritismo novamente.

Não demorou muito e começou a circular nas redes sociais não só piadas chamando Rosberg de chorão, como várias notícias neste sentido, dizendo que Nico estava fazendo papel de coitado, inclusive algumas matérias afirmando que ele havia perdido o pouco respeito que possuía. Outros diziam que ele deveria ter ultrapassado na pista, pois estava mais rápido… Veja abaixo um trecho da entrevista:

Para começo de conversa, em nenhum momento Rosberg solicitou que Hamilton lhe desse passagem. Longe disso. Durante a conversa, ele se mostrou preocupado apenas com sua segunda colocação. Logo, atacar seu companheiro, naquele momento, não era sua prioridade, por razões óbvias e que depois ele mesmo veio a público falar.

O alemão tinha consciência de que a luta pela vitória estava praticamente perdida. Disputando com seu companheiro dispondo de equipamentos iguais e rendimentos muito próximos, sabendo que a Mercedes ainda enfrenta problemas com o desgaste de pneus e que ao aproximar-se de Lewis eles se desintegrariam mais rapidamente, qual seria o sentido em atacá-lo??! Isso apenas o deixaria vulnerável para uma possível investida de Vettel.

Neste ponto, Rosberg agiu com muita inteligência e ele – melhor do que ninguém, por mais presunçosos que alguns sejam – sabe o quão dura é a tarefa de tentar derrotar Hamilton. Nico tem total consciência da superioridade do inglês e trabalha arduamente para diminuir esta desvantagem. A temporada de 2014 que o diga… Estamos apenas na terceira etapa do campeonato. Assegurar o maior número de pontos possíveis é o seu papel, quando a vitória não está ao alcance.

Por outro lado, diferentemente de Rosberg, Hamilton tem muito mais carisma, consequentemente o número de fãs é bem maior. Então quando essa parte das brincadeiras fica a cargo do torcedor, considero absolutamente normal. Mas quando jornalistas apontam o dedo e resumem o alemão a figura de chorão, derrotado ou outro adjetivo do gênero, sem se dar ao trabalho de refletir sobre tais circunstâncias, percebo o quanto estamos em “maus lençóis”.

Indo um pouco mais além, acredito que Hamilton não mediu suas palavras e pode pagar um preço alto por isso. O inglês disse publicamente que não era seu papel “cuidar da corrida de Nico”, mas apenas administrar a dele. Em sua resposta, Rosberg virou-se para o inglês e disse que era muito interessante ouvir aquilo dele. Pareceu ameaça e talvez tenha sido.

(Abaixo um vídeo do GP de Abu Dhabi 2014)

Imaginemos um cenário no qual a Ferrari apresente uma evolução a ponto de ameaçar o título da Mercedes. Com Vettel (quiçá Raikkonen) tornando-se um postulante a vitórias, certamente Lewis terá de rever seu conceito e não tenho dúvidas de que passará a olhar por outro ângulo a corrida de seu companheiro. O maior interesse da equipe deve voltar a fazer parte de sua filosofia, o que seria muito conveniente…

Quem o critica certamente tem memória curta e não lembra a forma honrosa como Rosberg terminou o campeonato do ano passado. Apesar da certeza da derrota e dos supostos problemas que o carro apresentou, preferiu ir até o fim, algo que considerei extremamente honroso.

O inglês é talentoso demais! Ser seu companheiro, por si só, já é uma tarefa ingrata. Perder para ele não é vergonha alguma. Ainda assim, Nico não se dá por vencido. A diferença de tempo da pole position foi mínima em Xangai, salvo engano ficou na casa dos quatro centésimos. Ele tem tentado. O que lhe resta fazer é não se dar por vencido. Como mencionado acima, estamos apenas no início do campeonato…

Todos sabem que o grande favorito ao título é novamente Hamilton. E você acha que logo Rosberg não sabe disso?!

13/04/15.

As vantagens da dupla Vettel e Raikkonen.

Já estamos diante da terceira etapa do campeonato: o GP da China. Pela terceira vez consecutiva, teremos que madrugar para assistir à corrida. E há muita expectativa em torno dela por conta do resultado surpreendente da Ferrari na Malásia.

Se houve erro de estratégia da Mercedes ou não, pouco importa. Em apenas sua segunda corrida, Vettel conseguiu sua primeira vitória pela escuderia italiana. É a realização de um sonho e mostra o quão afortunado é o alemão. Depois de uma temporada para esquecer em 2014, o tetracampeão vence pela equipe em que seu ídolo e compatriota, Michael Schumacher, marcou época.

Por sua vez, seu companheiro Raikkonen conseguiu um quarto lugar, mesmo tendo passado por vários percalços. O finlandês, que também não teve uma temporada fácil no último ano, parece sentir-se confortável guiando o atual carro. Na Malásia, foram dois grandes resultados, os quais mostram quanto o SF15-T foi muito bem concebido pelo competente James Alisson. E isso não é uma “mera coincidência”.

O "nº 1" realmente está de volta?

O “nº 1” realmente está de volta?

Para quem não se lembra, Kimi, que havia deixado a categoria no fim de 2009 para disputar rally, retornou em 2012 como piloto da Lotus. Na sua volta, o campeão de 2007 apresentou performances notáveis para quem estava longe da F1. Naquele ano, Raikkonen ficou em terceiro lugar no mundial, tendo somado um total de 207 pontos.

E quem era o responsável pelo carro da Lotus? O mesmo James Alisson!

O SF15-T mostrou-se bem mais estável que seu antecessor e, como visto em Sepang, causa pouco desgaste nos pneus, o que possibilitou a estratégia de uma parada a menos do que a Mercedes naquela corrida. Tais características casam-se perfeitamente com os estilos semelhantes de pilotagem de Vettel e Raikkonen, algo que talvez não seja visto nas outras duplas do grid.

Amizade na Fórmula 1.

Amizade na Fórmula 1.

Some-se isso ao fato de que os pilotos da Ferrari possuem um ótimo relacionamento. Consideram-se amigos, algo incomum no meio. Veja-se o exemplo de Hamilton e Rosberg, que praticamente cresceram juntos, mas se desentenderam ano passado. Embora os pilotos da Ferrari ainda não tenham passado por um teste semelhante, particularmente não creio que o nível de desgaste chegaria àquele ponto.

A título de curiosidade, em 2013, numa rápida e até certo ponto curiosa entrevista, o finlandês, que provavelmente é o piloto mais reservado do grid, classificou Alonso e Hamilton como “pilotos” e chamou Schumacher como “velhote”, porém, quando perguntado acerca do alemão, definiu-o como “amigo”. Para quem ainda não assistiu, segue abaixo o vídeo:

Ao que tudo indica, a Mercedes ainda continua com certa vantagem em relação às demais equipes. Entretanto, uma vez que o carro da Ferrari mostrou-se competitivo, um programa de desenvolvimento bem direcionado pode fazer com que a escuderia de Maranello brigue efetivamente pelo título. A dupla – e não apenas um piloto – seria beneficiada com as inovações trazidas ao longo da temporada.

Com a vantagem de ter ambos andando próximos, consegue-se algo fundamental na disputa dos dois campeonatos (construtores e pilotos). Um companheiro de equipe forte torna-se grande aliado ao tirar pontos dos verdadeiros rivais. Algo que não foi visto nestes últimos anos na equipe italiana…

11/04/15.

GP da Malásia 2013: Multi 21, o dia em que a farsa da RBR acabou.

Chegamos a segunda etapa do campeonato, o Grande Prêmio da Malásia, geralmente marcado por corridas emocionantes, devido à instabilidade do tempo. Resolvi falar da corrida de 2013, pois à época este blog não estava no ar, mas sempre me recordo do incidente do Multi 21 que envolveu a equipe RBR e seus respectivos pilotos, naquela ocasião Mark Webber e Sebastian Vettel.

Coincidentemente é o segundo texto consecutivo que abordo sobre a RBR, mas deixo claro que não tenho nada contra a equipe austríaca. A crítica feita no post anterior foi justamente por conta da decepção que tive ao perceber que a Red Bull, a princípio, não ameaçará a hegemonia da Mercedes. Consequentemente não disponibilizará um carro competitivo para Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat mostrarem seu potencial. Servindo de paliativo, a Ferrari parece ter crescido a ponto de ameaçar a pole de Hamilton na prova que será disputada neste fim de semana…

Voltando ao assunto.

A RBR sempre vendeu aos fãs a falsa ideia de que deixava seus pilotos disputarem na pista sem qualquer intervenção, ou seja, sem fazer uso das controversas ordens de equipe. Do ponto de vista do marketing, isso foi ótimo, já que a equipe ficou com a imagem de “mocinho”, enquanto a Ferrari já fazia papel de “vilão” há muito tempo. Caso não se recorde do episódio, relembre a disputa:

Mas por que eu considero aquele “incidente” uma farsa?

Ora, desde sempre o primeiro piloto da equipe era Vettel. O alemão sempre foi favorecido. Em 2010, quando a equipe apareceu como grande favorita a conquista do título, que veio a se confirmar no fim da temporada, a RBR deixou claro quem era seu piloto nº 1. No grande prêmio de Silverstone daquele ano, a equipe estreava uma nova asa dianteira e havia somente duas delas para aquela corrida, ou seja, uma pra cada piloto.

Durante aquele fim de semana, nos treinos livres, Vettel quebrou a sua. O que aconteceu? Ele recebeu a nova que, em ntese, era do australiano, que correu com o carro desatualizado, mas acabou vencendo a corrida, comemorando com uma frase que traduzia uma irônica realidade: “nada mau para um segundo piloto”.

No grande prêmio da Malásia de 2013, Vettel estava consolidado na categoria, pois já havia conquistado três títulos mundiais. Ainda assim, era forte a imagem da RBR no que dizia respeito à liberdade dos pilotos disputarem sem interferência. Naquele dia, desde o início da corrida, a estratégia diferente adotada para os pilotos despertou minha atenção: a de Vettel era nitidamente melhor.

O alemão terminaria a corrida com pneus macios, portanto mais rápidos, enquanto Webber faria o último trecho com compostos duros. No entanto, a Red Bull não contava com um certo fator: Webber fez uma das suas melhores corridas. Apesar de todas as tentativas da equipe e de ter sido por muito pouco, Vettel saiu atrás de seu companheiro após a última parada nos boxes.

Naquele momento, a vitória de Vettel já era certa, pois ele estava com pneus macios e não teria maiores dificuldades para ultrapassar Mark Webber, o que acabou acontecendo. Ocorre que a equipe já havia dado a ordem para os pilotos manterem as posições, independentemente de o alemão ter um carro mais rápido nos momentos finais da corrida. O desfecho todos se recordam. O então tricampeão desobedeceu a equipe e venceu o grande prêmio.

A ordem foi dada através de um código. Ambos haviam recebido o recado para ajustar o mapeamento para “Multi 21”. Um código que significava que os pilotos deveriam manter as posições. Há outro vídeo no youtube que transcreve as mensagens de rádio naquele dia. Chega a ser constrangedor, como também fora a celebração do pódio (http://tinyurl.com/op3qhf8).

Webber manda um "oi" para Vettel.

Webber manda um “oi” para Vettel.

Particularmente, em regra, não vejo problema no fato de qualquer equipe favorecer um de seus pilotos, principalmente quando apenas um deles poderá ser o campeão. Obviamente que há situações diferentes, quando uma escuderia impõe tamanha vantagem, na qual não se justifica a sua intervenção, mas isso é exceção. Portanto, não há razão para criticar a opção da equipe por Vettel, muito menos o fato dele ter desobedecido a ordem e ter abocanhado mais uma vitória.

Minha critica sempre foi em relação à equipe, pois a RBR tentou vender algo que não era (na verdade nunca foi). Apesar disso ser algo nítido, principalmente aos olhos de quem tem o papel de nos fazer enxergar a realidade, muitos jornalistas especializados no assunto compraram a ideia do time austríaco e venderam-na aos telespectadores. A suposta filosofia da Red Bull foi festejada por muito tempo. Mais uma vez, a transparência mostrou ser exceção na Fórmula 1.

Agora estamos em 2015. Apesar da Mercedes ter conseguido a pole position, novamente todos os olhos se voltam para o tetracampeão Vettel, que conseguiu um grande resultado ao ficar entre Hamilton e Rosberg. Aguardemos o desenrolar de mais um Grande Prêmio da Malásia.

A largada será imperdível.

28/03/2015.

McLaren?! Maior decepção é a RBR!

A temporada iniciou e a previsão se confirmou. Domínio completo da Mercedes e é pouco provável que haja mudança nesse cenário. Ontem, inclusive, vi uma “piada” interessante, dizendo que a equipe alemã deveria se preocupar, pois sua hegemonia estava em jogo: ano passado, Rosberg venceu a corrida com uma diferença de 26s. Ontem, Hamilton venceu com uma diferença de 25s para o terceiro colocado… Deveras, muito preocupante.

Embora seja triste ver uma das equipes de maior tradição na categoria arrastando-se no fim do pelotão, comparando-se às “nanicas”, não chega a ser decepcionante, pois já era algo previsto. Talvez não fosse esperado pelos fãs um desempenho tão ruim e com apenas um dos carros na pista, é verdade. Porém, os discursos de todos na equipe eram bem pessimistas.

Eric Boulier, por exemplo, acreditava que a McLaren poderia apresentar melhor desempenho apenas em Barcelona. Entretanto, a equipe de Woking já se pronunciou oficialmente, afirmando que não há prazo para solucionar seus problemas. Apesar dos resultados negativos, Button ficou feliz pelo simples fato de terminar a corrida. O inglês reconheceu a superioridade da Mercedes e da Ferrari, mas conseguiu ver qualidades no MP4-30:

Eu não acreditei que terminaria a corrida hoje. Eu me surpreendi ao ver a bandeira quadriculada. Então, se você olha pra isto, foi um bom resultado. Nós não havíamos completado mais de 12 voltas, sem um problema, antes desse fim de semana, portanto é um grande passo à frente. Agora temos muitas informações que poderão nos ajudar a ter ganhos para a Malásia… Comparando com a Force India, nós fomos mais rápidos nas curvas. Em relação a Red Bull e Sauber, estávamos muito parecidos“.

Hamilton vence a primeira do ano.

Hamilton vence a primeira do ano.

Voltemos ao título do post. Surpreso com ele? Não deveria. A Red Bull foi a única equipe – à exceção da Mercedes, óbvio – que conseguiu vitórias em 2014 e isso depois de ter uma pré-temporada pior do que a da McLaren. Relembrando o GP da Austrália de 2014, Ricciardo terminou a corrida em segundo, embora depois tenha sido desclassificado. Esperava-se que a Renault pudesse melhorar seu motor e, consequentemente, ameaçar o domínio da Mercedes, mas o resultado parece ter sido o inverso.

Enquanto Kvyat nem sequer largou, Daniel Ricciardo conseguiu chegar apenas em sexto, diante de sua torcida. O australiano tentou pressionar o estreante e forte candidato ao prêmio de novato do ano, Felipe Nasr, que não cometeu um único erro, comportando-se como um veterano. Se o brasileiro não foi capaz de atacar os carros da frente, pelo menos conseguiu terminar em quinto, enquanto seu companheiro chegou em oitavo. Um início promissor.

Em relação à equipe austríaca, não foi só o desempenho na pista que decepcionou. A postura da Red Bull após o início fraco também. Além das críticas públicas à Renault feitas por Christian Horner, houve ameaça por parte de Helmut Marko de deixar a categoria, apesar do compromisso contratual até 2020. Além disso, houve um pedido, tão inusitado, quanto ridículo, no sentido de igualar a potência dos motores. Vejam as declarações do chefe da equipe:

Quando estávamos ganhando e nunca ganhamos com uma vantagem como a deles, eu me lembro que o duplo difusor foi banido, exaustores foram movidos, aletas flexíveis foram proibidas, mapeamento dos motores foi mudado… A FIA, dentro das regras, tem mecanismos de igualação. Acredito que talvez seja algo que eles devam dar uma olhada“.

Haverá sorrisos esse ano?

Haverá sorrisos esse ano?

Ora. A RBR dominou a Fórmula 1 por quatro anos consecutivos, com destaque para as temporadas de 2011 e 2013. Nesta última, salvo melhor juízo, Vettel venceu as nove corridas finais. Não me recordo de haver por parte da Red Bull nenhum pedido de igualdade neste período. Pelo contrário, justamente em 2013, foi a favor e beneficiada por conta da mudança no composto dos pneus, quando a disputa já estava em curso. Importante destacar que se o duplo difusor foi banido, a RBR surgiu com o também contestado difusor soprado, solução muito bem explorada por Adrian Newey.

Da década de 80 para cá, tivemos épocas de domínio da McLaren, Williams, Ferrari e por último RBR. A Mercedes conseguiu construir um conjunto imbatível para 2014 e muito provavelmente para este ano. Sem dúvida, isso é fruto de alguns anos de trabalho. Cabem aos rivais ser mais competentes. Simples assim.

A Red Bull, embora seja uma equipe relativamente nova na categoria, sabe bem o caminho do sucesso. Certamente, o nivelamento por baixo não é a resposta.

16/03/15.

Caso Alonso: Não há interesse em divulgar a verdade.

Embora os testes de pré-temporada tenham acabado e inclusive um breve resumo acerca desse tema tenha sido publicado neste blog, um assunto tem causado bastante intriga: o acidente de Fernando Alonso! Tratado pela McLaren como algo banal, mas que foi capaz de tirar o espanhol da primeira etapa do campeonato.

Vamos ao assunto!

A falta de transparência na F1 não é novidade. Pelo contrário, talvez possamos classificá-la como regra. Não sou grande fã de teorias da conspiração, mas a forma como a FIA trata as polêmicas que acontecem na categoria acaba alimentando-as. É por esta razão que inúmeras teorias “infundadas” sempre são debatidas.

Vou dar um exemplo “caseiro”: não há quem tire da cabeça de meu querido pai que, em 2007, Lewis Hamilton não cometeu erro em Interlagos. Segundo ele, aquela saída da pista teria sido ordem da FIA, já que a McLaren tinha sido excluída do campeonato de construtores, como consequência do spygate. Garanto que há muitos fãs do inglês quem pensam da mesma forma.

Não é preciso voltar muito no tempo para que lembremos de outro caso: o acidente de Jules Bianchi. Disseram primeiro que as lesões foram causadas pela desaceleração, sem levar em conta que choque contra aquela grua tornou o impacto muito pior. Após, concluíram afirmando que a culpa teria sido do próprio piloto, pois andou mais rápido do que deveria naquelas condições… Enfim…

O mais recente exemplo de como as coisas na Fórmula 1 são nebulosas foi o acidente de Fernando Alonso. Nestes episódios, como geralmente acontece, além da FIA, a equipe envolvida costuma esquivar-se. Não foi diferente com a McLaren. Segundo os boletins médicos, Alonso foi diagnosticado com uma concussão, mas incrivelmente até isso Ron Dennis negou.

Não é a primeira vez que o bicampeão sofre um acidente grave. No GP do Brasil, em 2003, o espanhol chocou-se de forma violenta contra o muro e teve muita sorte de não ter sofrido maiores consequências. Apesar de não haver vídeo disponível do que aconteceu em Barcelona, presume-se, a partir dos danos no carro, que o do Brasil foi muito mais impactante:

Mal súbito, ventos fortes, descarga elétrica etc… Essas foram algumas das teorias levantadas no paddock, tudo isso por conta da falta de clareza e, por que não dizer, da falta de respeito aos fãs. Ninguém entende o que se passa, nem por qual motivo um assunto aparentemente simples não é tratado de forma aberta com o público.

Para completar o cenário, até a testemunha ocular, Sebastian Vettel, disse que Alonso estava relativamente lento e o acidente tinha sido estranho. Depois que Alonso teve que permanecer por três dias em um hospital, o alemão “esclareceu” sua fala e afirmou que estava muito distante para julgar o que tinha acontecido.

Apesar de não esclarecer totalmente o que deu causa ao acidente, foi disponibilizada uma simulação bem interessante de como ele pode ter acontecido. Caso ainda não tenha visto, segue o link abaixo:

Não há dúvida! Há um esforço muito grande para esconder a verdade dos fatos. Inclusive boa parte da imprensa mundial, principalmente a inglesa, que num primeiro momento pareceu intrigada com o acidente, rapidamente se deu por satisfeita com os boletins médicos…

Mas afinal, o que houve? Não tenho a mínima ideia! Especular não é o meu forte. Ainda aguardo uma nova versão oficial e convincente. Enquanto isso, só me resta desejar uma rápida recuperação ao espanhol.

Indubitavelmente, o início do campeonato não terá o mesmo brilho, goste você de Alonso ou não.

03/03/15.

Equipe Mercedes é a única certeza.

Enfim, chegamos ao término da pré-temporada! E quais conclusões podemos tirar dos testes realizados em Jerez e Barcelona? Com exceção da Mercedes, qual equipe podemos afirmar, com certeza, que terá boa performance em 2015? Tudo que for dito agora, muito dificilmente, não passará de mera especulação, já que nunca se sabe ao certo em quais condições os carros realizam os treinos.

Durante alguns dos testes, vimos duas equipes, que penaram em 2014, marcando melhores voltas: Sauber e Lotus. Ainda que não ande entre as primeiras, caso a Sauber disponibilize um carro razoável, isso será uma ótima notícia para os brasileiros, já que esta é a equipe do estreante Felipe Nasr.

Os nacionais, que não veem um compatriota vencer um campeonato mundial de F1 desde 1991, devem ter muita paciência com Nasr. Apesar do arrojo mostrado na GP2, é provável que ele necessite de um tempo para adaptação para mostrar todo o seu potencial. Vejam o exemplo de Magnussen, tido como um piloto muito veloz, mas não conseguiu se impor sobre Button e foi rebaixado para piloto reserva este ano. Sua primeira tarefa é andar à frente de Marcus Ericsson, depois vemos até onde ele pode chegar.

Esperança renovada?

Esperança renovada?

Já a Lotus, que correrá esse ano com motor Mercedes, promete uma melhor temporada do que a do ano passado, o que, diga-se de passagem, não será de difícil de cumprir. Em 2014, a equipe ficou apenas à frente da Marussia, Sauber e Caterham, somando apenas 10 pontos. Uma realidade bem diferente das temporadas de 2012 e 2013, quando somou 303 e 315 pontos, respectivamente.

Nico Rosberg, um dos candidatos ao título de 2015 e maior ameaça ao tricampeonato de Lewis Hamilton, disse que a Ferrari foi a equipe que mais evoluiu. Todavia, a performance da escuderia de Maranello continua uma incógnita, apesar de aparentemente terem melhorado sua unidade de potência, aquilo que foi a maior fraqueza em 2014. A equipe que terá como pilotos Vettel e Raikkonen parece estar com ânimo renovado.

Falando em fraqueza da unidade de potência, parece que a Renault continua deixando a desejar nesse quesito. Segundo matéria da BBC, a RBR foi a equipe que menos mostrou ganho neste quesito. Entretanto, a maior das incógnitas fica com a McLaren-Honda. Devido aos problemas do motor japonês, a equipe testou de forma limitada e teve um início de pré-temporada bem semelhante ao vivenciado pela montadora francesa em 2014. Mas há muita expectativa em relação ao carro desenhado por Peter Podromou, que trabalhou durante anos com Adrian Newey.

Sem asa? Contradição.

Sem asa? Contradição.

A Williams realizou testes consistentes e parece ser, como apontado pela Mercedes, a segunda força. Embora seja pouco provável que desafie a equipe alemã, que inclusive é a sua fornecedora de motor, a disputa entre Felipe Massa e Valtteri Bottas terá atenção de boa parte da torcida brasileira. Nunca é demais lembrar que Massa foi superado pelo finlandês ano passado.

Geralmente, os testes de pré-temporada são muito difíceis de ser interpretados. Como já dito acima, nunca se sabe ao certo em quais condições as equipes os realizam e não raro os tempos obtidos nesta fase nada significam. Basta fazer uma breve pesquisa e notarão isso. De 2010 a 2014, apenas neste último ano uma equipe que fez o melhor tempo em um dos testes de pré-temporada sagrou-se campeã. Nos anos em que a Red Bull Renault foi imbatível, a equipe austríaca nunca fez a melhor marca em tais treinos.

O que parece óbvio é a permanência da dominância da equipe Mercedes. Se assim for, teremos mais uma vez o duelo entre Hamilton e Rosberg como a disputa principal, o que não significa que a temporada será ruim, já que a de 2014 foi, sim, muito boa. Resta torcer para que haja equilíbrio entre as demais equipes e que possamos ver corridas menos monótonas.

A ansiedade é grande, mas dia 15 de março muitas indagações serão respondidas.

02/03/15.

Mercedes inicia ano mal, dentro e fora das pistas.

Antes de mais nada: Feliz 2015! Como notaram, o blog está um pouco parado. As férias da Fórmula 1 coincidiram com as minhas, razão pela qual a produção de posts diminuiu. Entretanto, diariamente leio as principais notícias da categoria e é sobre duas delas que pretendo tecer alguns comentários. Ambas ligadas diretamente à equipe Mercedes, que dominou a temporada de 2014 e tem tudo para continuar vencedora em 2015.

A primeira diz respeito à forma como a escuderia alemã está lidando com a renovação do contrato de Lewis Hamilton, que vai até o fim deste ano. Enquanto Nico Rosberg já renovou seu pacto – por “múltiplos anos” – em julho de 2014, o inglês e a Mercedes haviam decidido adiar as conversas para após o término do campeonato.

Ambos decidiram adiar as negociações após o incidente ocorrido em Spa, pois acreditava-se que Hamilton deixaria a equipe caso Rosberg terminasse o ano como campeão, o que não aconteceu. Apesar de Lewis ter assegurado o título, até o momento, um novo acordo ainda não foi firmado. Inclusive, o nome de Fernando Alonso foi novamente cogitado para guiar pela Mercedes em 2016. Eis as palavras de Toto Wolff:

Não há pressa, nós discutiremos isso durante o ano. Estou otimista, a prioridade é continuar com estes pilotos. Se não for possível, então Alonso representa a melhor alternativa, seguido de Bottas. Ele é um rival perigoso em qualquer carro. Se ele está ao volante de um carro que pode terminar em sexto, ele o levará ao terceiro lugar.”

Haverá tensão em 2015?

Haverá tensão em 2015?

As declarações do chefe de equipe da Mercedes soaram, no mínimo, antiéticas. Primeiro, Alonso acabou de assinar um contrato de três anos com a McLaren e já deu declarações afirmando que não haverá sucesso em curto prazo. Segundo, foi algo extremamente deselegante com Hamilton, que conquistou dez vitórias em 2014 e, consequentemente, o título.

Óbvio que os contratos podem ser rescindidos. Caso Hamilton não renove com a Mercedes, não é difícil imaginar um cenário em que haja uma troca de pilotos entre a equipe inglesa e a alemã, mas não é isso que se discute aqui. Toto Wolff quer ficar em situação mais vantajosa, o que é natural, porém a forma não está sendo a mais adequada, já que trata o inglês como um piloto descartável. É como se ele dissesse: estes são os termos da sua renovação, caso não aceite, tudo bem, Alonso assumirá seu lugar…

Agora o outro assunto. A equipe alemã tem um problema – talvez maior do que o abordado acima – para a temporada de 2015. Como todos já sabem, as fornecedoras de unidades motrizes (Ferrari, Renault e inclusive a Mercedes), com exceção da Honda, que retorna à categoria este ano e será a fornecedora da McLaren, poderão realizar modificações no decorrer do ano, o que não era permitido, devido à regra do “congelamento do motor”. A montadora japonesa ainda está tentando valer-se dos mesmos direitos das concorrentes.

Se em 2014 a vantagem da equipe alemã era tamanha, a ponto de não sofrer qualquer ameaça tanto no mundial de pilotos como no de construtores, especula-se que este ano a facilidade não se repetirá. Se a Ferrari terá de melhorar bastante em praticamente todas as áreas, este não é o caso da RBR. A escuderia austríaca concebeu ano passado um monoposto competitivo, porém o motor Renault não estava à altura. Ainda assim, Ricciardo conseguiu três vitórias. Vale lembrar que, embora boa parte do staff técnico esteja saindo para outros times, o carro desse ano ainda terá como responsável Adrian Newey.

Manterá o domínio em 2015?

A Mercedes manterá seu o domínio?

A Mercedes vê a Williams como principal rival, entretanto por ser uma equipe que recebe motores de outra (da própria Mercedes), acredita-se que ela não conseguirá explorar totalmente as unidades motrizes recebidas. Ron Dennis, por exemplo, afirmou abertamente que os dados necessários não foram inteiramente disponibilizados, embora Toto Wolff negue tal fato. Este, inclusive, foi um dos motivos que levaram ao rompimento entre a McLaren/Mercedes e proporcionou o retorno da antiga parceria McLaren/Honda, que fez história no fim da década de 80 e início de 90. Confira um trecho das declarações do dirigente da equipe de Woking:

Um motor moderno, neste momento, não é apenas pura força, é sobre como você colhe a energia, como você a armazena e se você não tem o controle deste processo – digo acesso ao código da fonte de informações – então não será capaz de estabilizar seu carro na entrada das curvas, etc e perderá muito tempo por volta. Portanto, mesmo que você tenha a mesma marca de motor, isso não significa que terá a habilidade para otimizá-lo… Tivemos uma grande parceria com a Mercedes, mas pretendemos ser bem sucedidos com a Honda.”

Ano passado a Mercedes permitiu que seus pilotos brigassem abertamente pelo título, mas isso não deverá se repetir caso as outras equipes tornem-se um perigo real e ponham em risco sua hegemonia. Em 2014, Toto Wolff e cia não demonstraram ter muita habilidade para contornar os problemas internos, como abordado em post anterior (http://wp.me/p4f3dZ-9j) e o título só não escapou, pois não havia concorrência.

Havendo a mínima ameaça, a escuderia alemã adotará com mais frequência as famosas “ordens de equipe” e terá de optar por um de seus pilotos, como sempre ocorreu na Fórmula 1, embora alguns tenham dificuldade de enxergar a realidade que se apresenta bem diante de seus olhos.

10/01/15.