“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

A ordem de forças na Fórmula 1 permanece inalterada e digo isso até com um certo pesar. Não que eu torça pela derrota da Mercedes, mas, como qualquer outro fã da categoria, o que eu desejo é disputa acirrada, repetições do GP do Bahrein, simples assim. Quão bom seria se a maioria das corridas permitisse as batalhas que vêm acontecendo ano após ano no circuito de Sahkir.

Bem verdade que já vimos algumas esse ano com Vettel vencendo na Malásia e com o segundo lugar ameaçador de Raikkonen na última corrida. Todavia, a sensação é de que não passará disso: você pode vencer uma batalha, mas a guerra já está decidida. E isso soa meio que triste para o esporte.

Não obstante todo o cenário que este início tem apresentado, eu – talvez utopicamente – simplesmente quero acreditar que o campeonato continua aberto. Estamos na primeira corrida da Europa e, até então, a Ferrari apresentou-se em condições de disputar o título. Em tese, tudo vai depender da capacidade de desenvolvimento do carro.

Indubitavelmente, a Mercedes não pode ser culpada pela incompetência de suas rivais. Red Bull e Renault ainda não se entenderam, a McLaren-Honda tem muito o que provar, a Williams não conseguiu manter a boa forma do ano passado e ainda que construísse um grande carro, trata-se de uma equipe que recebe motores e sabemos bem as implicações disso, enfim…

Rivais encontrarão uma solução?

Rivais encontrarão uma solução?

A equipe alemã também não pode ser culpada por ter contratado um piloto que parece ter chegado ao seu auge. Depois do bicampeonato, Lewis Hamilton parece consciente da sua atual superioridade e desfila diante de seus rivais como quem diz “eu sou invencível”, tamanha é a sua confiança. Ele evoluiu, está mais forte não só na parte física como mentalmente.

A postura do britânico é de que sabe que este é o seu melhor momento, I’m the man, just deal with it. É bom ressaltar que, apesar de sua grande fase, é natural que eventualmente Hamilton não consiga os melhores resultados, como aconteceu nesta classificação na Espanha. Ele não pode vencer todas, mas sempre será o grande favorito.

Por sua vez, embora a Ferrari já tenha se consolidado como a maior concorrente da Mercedes, a vantagem da equipe alemã ainda é grande e é muito improvável que ela se esvaia. Apesar de não ser a mesma de 2014, parece ser suficiente para assegurar os títulos deste ano. Desafio árduo que se apresenta para as demais escuderias. A equipe italiana, por exemplo, precisará fazer algo que não tem feito há alguns anos: trazer atualizações que deem resultado na pista.

A confiança em pessoa!

A confiança em pessoa!

Não adianta criar ilusões, se as coisas continuarem como estão, o único que poderá realmente desafiar Lewis é seu companheiro de equipe. Ele terá que trabalhar muito para isso e já deu o primeiro passo de uma possível reação que, frise-se, também parece improvável. Ele acabou de conseguir a primeira pole-position da temporada hoje, mas já dava mostras de uma recuperação no Bahrein. O problema de freios no fim daquela corrida teve um quê de injustiça, pois vimos um Rosberg extremamente agressivo e acabou proporcionando muita emoção aos telespectadores…

O Grande Prêmio da Espanha marca a quinta etapa do campeonato e pode ser considerado simbolicamente um novo início da temporada. Não tenho o poder, muito menos presunção de prever ou tentar adivinhar o que vai acontecer amanhã na corrida. Mas é difícil imaginar algo diferente da Mercedes na ponta sem um erro de estratégia ou problemas de confiabilidade.

Caso seja uma corrida semelhante ao último GP, dar-me-ei por satisfeito.

09/05/15.

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2 comentários

  1. Eu gostei.
    Foi um desfile bonito. Sempre é. Como uma Goodwood itinerante.
    Ainda bem que vi antes WTCC, Superbike, Endurance, GP2…

    Brincadeiras a parte, gostei do duelo de forças entre as três. Apesar de apenas teórico por enquanto. Porradaria na pista mesmo que é bom, nada.

    Meus destaques foram dois.

    O primeiro, A McLaren. Um carro, depois de meia corrida se arrastando, termina sem freios, como uma Belina L 1981 de feirante. O outro carro termina em último. Sim, último.

    Porque a Marussia faz tempos de GP2. Só corre na F1 porque pagou, mas num GP de 5 voltas, perderia para ART e DAMS.

    O segundo, o Lauda.

    – E aí, Lauda? fala tu!
    – Eu estou sinceramente feliz pelo Nico. Dominou o fds. Pro Hamilton, o segundo foi bom pensando no campeonato. O importante é que mantivemos os dois carros longe da Ferrari.

    Finalmente o Sr. Lauda se comporta em uma entrevista, de forma adequada ao seu cargo. Aleluias!

    Não importa o que ele acha, é questão sua de foro íntimo, mas como diretor, essa é a postura esperada.

    Off topic: Aos aficcionados recomendo a reprise do GP de San Marino de 1982. Renaults Turbo com suas poderosas e explosivas turbinas, a Ferrari deixando seus pilotos brigarem a vontade, e a minha pequena preferida Tyrrel em grande fase. Após inúmeras trocas de posição entre os 3 primeiros, a corrida é decidida na última volta. Show de Arnoux, Villeneuve, e do jovem Pironi. Recomendo. São essas corridas que alimentam meu amor pela F1. Corridas que não se vê mais.

    Abraço

  2. Grande, Attila! Agregando valor como de costume.

    Talvez Lauda tenha sido advertido internamente pelo seu comportamento explícito.

    Como comentei no twitter, achei engraçado o sorriso amarelo com a pole de Rosberg!!!

    Valeu pelas dicas dos vídeos!!!

    Abração!

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