Mercedes inicia ano mal, dentro e fora das pistas.

Antes de mais nada: Feliz 2015! Como notaram, o blog está um pouco parado. As férias da Fórmula 1 coincidiram com as minhas, razão pela qual a produção de posts diminuiu. Entretanto, diariamente leio as principais notícias da categoria e é sobre duas delas que pretendo tecer alguns comentários. Ambas ligadas diretamente à equipe Mercedes, que dominou a temporada de 2014 e tem tudo para continuar vencedora em 2015.

A primeira diz respeito à forma como a escuderia alemã está lidando com a renovação do contrato de Lewis Hamilton, que vai até o fim deste ano. Enquanto Nico Rosberg já renovou seu pacto – por “múltiplos anos” – em julho de 2014, o inglês e a Mercedes haviam decidido adiar as conversas para após o término do campeonato.

Ambos decidiram adiar as negociações após o incidente ocorrido em Spa, pois acreditava-se que Hamilton deixaria a equipe caso Rosberg terminasse o ano como campeão, o que não aconteceu. Apesar de Lewis ter assegurado o título, até o momento, um novo acordo ainda não foi firmado. Inclusive, o nome de Fernando Alonso foi novamente cogitado para guiar pela Mercedes em 2016. Eis as palavras de Toto Wolff:

Não há pressa, nós discutiremos isso durante o ano. Estou otimista, a prioridade é continuar com estes pilotos. Se não for possível, então Alonso representa a melhor alternativa, seguido de Bottas. Ele é um rival perigoso em qualquer carro. Se ele está ao volante de um carro que pode terminar em sexto, ele o levará ao terceiro lugar.”

Haverá tensão em 2015?

Haverá tensão em 2015?

As declarações do chefe de equipe da Mercedes soaram, no mínimo, antiéticas. Primeiro, Alonso acabou de assinar um contrato de três anos com a McLaren e já deu declarações afirmando que não haverá sucesso em curto prazo. Segundo, foi algo extremamente deselegante com Hamilton, que conquistou dez vitórias em 2014 e, consequentemente, o título.

Óbvio que os contratos podem ser rescindidos. Caso Hamilton não renove com a Mercedes, não é difícil imaginar um cenário em que haja uma troca de pilotos entre a equipe inglesa e a alemã, mas não é isso que se discute aqui. Toto Wolff quer ficar em situação mais vantajosa, o que é natural, porém a forma não está sendo a mais adequada, já que trata o inglês como um piloto descartável. É como se ele dissesse: estes são os termos da sua renovação, caso não aceite, tudo bem, Alonso assumirá seu lugar…

Agora o outro assunto. A equipe alemã tem um problema – talvez maior do que o abordado acima – para a temporada de 2015. Como todos já sabem, as fornecedoras de unidades motrizes (Ferrari, Renault e inclusive a Mercedes), com exceção da Honda, que retorna à categoria este ano e será a fornecedora da McLaren, poderão realizar modificações no decorrer do ano, o que não era permitido, devido à regra do “congelamento do motor”. A montadora japonesa ainda está tentando valer-se dos mesmos direitos das concorrentes.

Se em 2014 a vantagem da equipe alemã era tamanha, a ponto de não sofrer qualquer ameaça tanto no mundial de pilotos como no de construtores, especula-se que este ano a facilidade não se repetirá. Se a Ferrari terá de melhorar bastante em praticamente todas as áreas, este não é o caso da RBR. A escuderia austríaca concebeu ano passado um monoposto competitivo, porém o motor Renault não estava à altura. Ainda assim, Ricciardo conseguiu três vitórias. Vale lembrar que, embora boa parte do staff técnico esteja saindo para outros times, o carro desse ano ainda terá como responsável Adrian Newey.

Manterá o domínio em 2015?

A Mercedes manterá seu o domínio?

A Mercedes vê a Williams como principal rival, entretanto por ser uma equipe que recebe motores de outra (da própria Mercedes), acredita-se que ela não conseguirá explorar totalmente as unidades motrizes recebidas. Ron Dennis, por exemplo, afirmou abertamente que os dados necessários não foram inteiramente disponibilizados, embora Toto Wolff negue tal fato. Este, inclusive, foi um dos motivos que levaram ao rompimento entre a McLaren/Mercedes e proporcionou o retorno da antiga parceria McLaren/Honda, que fez história no fim da década de 80 e início de 90. Confira um trecho das declarações do dirigente da equipe de Woking:

Um motor moderno, neste momento, não é apenas pura força, é sobre como você colhe a energia, como você a armazena e se você não tem o controle deste processo – digo acesso ao código da fonte de informações – então não será capaz de estabilizar seu carro na entrada das curvas, etc e perderá muito tempo por volta. Portanto, mesmo que você tenha a mesma marca de motor, isso não significa que terá a habilidade para otimizá-lo… Tivemos uma grande parceria com a Mercedes, mas pretendemos ser bem sucedidos com a Honda.”

Ano passado a Mercedes permitiu que seus pilotos brigassem abertamente pelo título, mas isso não deverá se repetir caso as outras equipes tornem-se um perigo real e ponham em risco sua hegemonia. Em 2014, Toto Wolff e cia não demonstraram ter muita habilidade para contornar os problemas internos, como abordado em post anterior (http://wp.me/p4f3dZ-9j) e o título só não escapou, pois não havia concorrência.

Havendo a mínima ameaça, a escuderia alemã adotará com mais frequência as famosas “ordens de equipe” e terá de optar por um de seus pilotos, como sempre ocorreu na Fórmula 1, embora alguns tenham dificuldade de enxergar a realidade que se apresenta bem diante de seus olhos.

10/01/15.

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