É hora de dar tchau, Mr. Ecclestone…

A entrevista de Bernie Ecclestone, todo poderoso da F1, à Revista Campaign está dando o que falar. Além de reafirmar seu ponto de vista em relação às redes sociais (simplesmente as despreza), o inglês basicamente disse que o público jovem não faz falta à Fórmula 1.

Ninguém há de contestar o seu sucesso. Em resumo, um homem que era mecânico, virou chefe de equipe e transformou-se no presidente da FOM (Formula One Management) merece reconhecimento e admiração, não há dúvida. Porém, como afirmado por Bernie na entrevista, os tempos mudam. Apesar disso, parece ignorar que a não adaptação às mudanças, por mais empreendedor que seja, colocará seu negócio em risco.

Tem sido este o caso da Fórmula 1. Ano após ano, a audiência diminui. Há algum tempo as equipes pequenas – que também não interessam a Bernie – e médias têm dificuldade para se manter na categoria. A crise está instalada, embora Ecclestone afirme o contrário. E ele precisará ser muito habilidoso para contorná-la.

Lucro garantido até quando?

Lucro garantido até quando?

A polêmica mais recente gira em torno da seguinte pergunta feita ao inglês: você acredita que não há valor em alcançar o público jovem? De acordo com suas palavras, ele prefere “velhos ricos de 70 anos”, pois são estes que podem consumir os produtos comercializados pelos patrocinadores (http://tinyurl.com/pdb5aj7).

Embora suas afirmações choquem quem acompanha a F1, a transmissão atual, cujas imagens são de responsabilidade da FOM, reflete bem a forma de pensar do seu presidente. As corridas visivelmente estão em segundo plano. Há algum tempo, se não desde sempre, as câmeras se preocupam mais em mostrar as “marcas”, do que a disputa em si. Talvez a Fórmula 1 seja o esporte que mais visibilidade oferece às empresas, pela forma como as corridas são exibidas.

Isso acontece em todos os grandes prêmios, mas talvez seja melhor perceptível no GP de Mônaco. Apenas para exemplificar, veja o vídeo abaixo, preste atenção na exibição dos patrocinadores e no foco das imagens. Não raro, a marca aparece primeiro, durante preciosos segundos, para, só então, o carro surgir:

Até onde se sabe, o produto principal é a própria categoria. As grandes empresas só irão querer anunciar nela, pagando altas cifras por isso, caso a Fórmula 1 seja atrativa e atinja a maior quantidade de pessoas possível.

Se a Fórmula 1 fosse vista apenas pelo público preferido de Ecclestone, o que aconteceria depois que esses senhores ricos e da terceira idade fossem embora?

Não se sabe, porém, qual foi seu objetivo ao fazer essas afirmações. Talvez seja apenas a opinião de um homem visionário e bem sucedido, mas que parou no tempo.

Caso tenha sido chamar atenção, acredito que haja outras maneiras, inclusive mais lucrativas.

15/11/14.

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2 comentários

  1. Como pode o Tio Bernie falar que os jovens não são o público alvo da F1, tudo bem que talvez não tenhamos fazendas e sejamos apostadores de corridas de cavalos, creio eu que é esse perfil que ele gostaria que acompanhasse, mas será mesmo que não consumimos os patrocinadores? Quando nos identificamos com algum time, seus patrocínios são absorvidos por nós de alguma forma, quem nunca fã de Ferrari deu preferência ao posto Shell, ou quando criança pediu pro pai abastecer lá pra ganhar um carrinho ou Mclaren com Mobil, Hugo Boss, cada um poderia fazer uma citação de uma equipe e patrocinador. Como pode ainda se recusar a entrar de vez com a F1 na era digital, que não é mais nenhuma novidade, o mundo consome internet hoje em dia, se não fosse viável a Google não seria uma grande marca e não estaria investindo em tecnologias mais acessíveis para nós, para que com isso consumimos mais os produtos deles, pois sabem que é sim! Uma fonte de renda milionária. E as grandes marcas já sabem disso, quer uma maneira melhor de se comunicar e estar mais próximo ao seu consumidor que não seja pela rede social? Se a maior parte de quem navega na internet são os jovens e isso é uma fonte de renda milionária, não faz sentido algum o que diz Bernie.
    Admirável a Formula E, que já sacou qual é o caminho das pedras, uma categoria que mal surgiu e tem tudo para dar certo, genial a interação do público com a competição, onde antes de cada GP abrem uma votação no site, cada um vota em um piloto para ganhar um Boost (uma carga extra de potência), e os 3 pilotos mais votados até 1 hora antes da corrida, vão largar com essa potência de vantagem. Fantástico saber que posso ajudar meu piloto favorito e saber que com isso vão estar mais próximos aos fãs e estarão interagindo e se divulgando. O que é isso Tio Bernie!? Parece um bicho de sete cabeças para você? Chegou à hora de deixar de ser “O menino dono da bola’’ e rever todos seus conceitos.

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