Hamilton continua sendo favorito ao título.

A próxima etapa será disputada no próximo domingo, dia 24 de agosto, em um dos circuitos preferidos dos pilotos, Spa-Francorchamps. Após a primeira metade do campeonato, de forma até surpreendente, o líder é o alemão Nico Rosberg. Surpreendente, sim, pois seu companheiro é ninguém menos que Lewis Hamilton, tido por muitos, antes do início da temporada, como o grande favorito, já que, desde o ano passado, a Mercedes era apontada como a equipe a ser batida, devido aos grandes os rumores – que se confirmaram – da superioridade da sua unidade de potência.

Depois de 11 etapas, ainda que tenha diminuído, o favoritismo do inglês continua. Apesar de ser mais talentoso do que Rosberg, o alemão quer impedir o bicampeonato de Hamilton. Em um dos posts anteriores, foi dito que o vencedor da guerra psicológica seria o campeão (http://wp.me/p4f3dZ-6p). Ledo engano. A força mental, naturalmente, continuará exercendo um papel de suma importância, todavia, com o título ficando apenas entre os pilotos da equipe alemã, a confiabilidade passa a ter papel fundamental e Toto Wolff não esconde sua apreensão:

Confiabilidade é a nossa principal preocupação. Portanto, temos que nos empenhar ao máximo e entender o porquê disso estar acontecendo. Estamos tentando distinguir e resolver os problemas… Temos que nos acalmar, analisar tudo apropriadamente e voltar com mais força após as férias.”

A preocupação do diretor da equipe alemã não é à toa. Tomem-se como exemplos os Grandes Prêmios da Inglaterra e da Hungria. No primeiro, Rosberg liderava a corrida, mas abandonou com problemas no câmbio. Nesta última, ainda no início do Q1, o carro de Hamilton apresentou um vazamento de combustível que levou a um incêndio. Resultado: não chegou a disputar o treino classificatório.

Rosberg abandona em Silverstone.

Rosberg abandona em Silverstone.

Bem verdade que, embora os carros de ambos tenham apresentado falhas, Hamilton tem levado a pior nos momentos cruciais, motivo suficiente para fazer alguns pensarem em favorecimento a Rosberg. Não bastasse a mente fértil da torcida, o próprio piloto, ao afirmar que se tratava de algo além da má sorte, deu força às lamentáveis teorias conspiratórias. Entretanto, as absurdas ideias são refutadas com veemência por Niki Lauda:

Eu odeio essa discussão. Ambos, desde o primeiro dia, têm os mesmos carros, tudo é igual. Infelizmente o carro que apresentou problema era de Lewis. Estas coisas não poderiam falhar. Nós vamos consertá-las. Queremos ambos com o mesmo equipamento e que corram contra o outro, como desejam.”

As declarações de Hamilton, de fato, não fazem o menor sentido. Ele foi contratado para ser o primeiro piloto da equipe, mas encontrou um parceiro com sede de vitória, que não se contenta em fazer o papel de coadjuvante e é o único que pode derrotá-lo este ano. Imaginar que uma equipe colocaria a integridade física de sua estrela em risco beira o ridículo.

A ordem de equipe dada no GP da Hungria, e desobedecida naquela circunstância de forma acertada por Hamilton, uma vez que pontos valiosos estavam em disputa e poderão fazer diferença no fim da temporada, mostra que a Mercedes não está preparada para lidar com as peculiaridades de uma briga interna.

Mercedes de Hamilton em chamas.

Mercedes de Hamilton em chamas.

É certo que há um acordo interno entre os dois pilotos. Andrew Benson, da BBC F1, acredita que parte dele seja no sentido que, caso adotem estratégias diferentes, o outro facilite para que o melhor resultado possível seja alcançado. Este prévio ajuste interno provavelmente será revisto pela equipe, já que dificilmente Rosberg atenderá a um pedido semelhante e foi o inglês quem primeiro o descumpriu.

Ao contrário do que alguns pensam, não houve tentativa de favorecimento a Rosberg. Se a situação fosse a inversa, a ordem teria sido dada da mesma forma, como já aconteceu na temporada passada e neste ano, quando foi solicitado ao alemão para que não atacasse Hamilton. As ordens dadas anteriormente já indicavam o despreparo da equipe para administrar essa rivalidade e foram oportunamente analisadas (http://wp.me/p4f3dZ-2y e http://wp.me/p4f3dZ-4w).

Diferentemente das temporadas passadas, apesar do amplo domínio da Mercedes, as provas têm proporcionando emoção de sobra. Se tudo correr dentro da normalidade, em duas corridas Hamilton retomará a liderança do campeonato. Após as análises dos problemas apresentados nesta primeira metade do campeonato, a tendência é a melhora da confiabilidade, como consequência o talento tende a prevalecer.

Restam oito etapas para o fim do campeonato, portanto duzentos pontos estão em jogo. Mesmo sabendo que não possui a mesma velocidade do inglês, Nico Rosberg tem demonstrado possuir melhor controle emocional, administra melhor as situações adversas e tem aproveitado cada oportunidade.

Lewis continua favorito, mas tem ciência de que não pode vacilar.

17/08/2014.

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