Vencedor da guerra psicológica será o campeão.

Em meio ao clima de Copa do Mundo, o grande prêmio de Silverstone será disputado neste domingo. Apesar da superioridade da Mercedes, o campeonato tem reservado boas corridas e a disputa entre os pilotos da equipe alemã está cada vez mais emocionante.

Após o GP da Áustria, que voltou a fazer parte do calendário este ano, Rosberg ampliou sua vantagem. Para quem não se lembra, foi nessa pista que Rubens Barrichello abriu passagem para Michael Schumacher antes da bandeirada final, nos anos de 2001 e 2002, sendo que este último ficou marcado pela narração de Cléber Machado e seu “hoje não, hoje sim” (http://tinyurl.com/mxjtyfs).

O líder do campeonato de pilotos chega a Grã-Bretanha com 29 pontos a mais que seu companheiro de equipe Lewis Hamilton. No campeonato de construtores, a Mercedes já soma 301 pontos, mais do que o dobro da segunda colocada RBR. Difícil imaginar algo que possa tirar os dois títulos da escuderia alemã.

A vantagem considerável foi reconquistada após o abandono de Hamilton na corrida do Canadá e da vitória no GP da Áustria. Em Montreal, os carros da Mercedes apresentaram um superaquecimento inesperado, causando uma pane no sistema de recuperação de energia. Rosberg, por méritos seus, conseguiu manter-se na pista e logrou um importantíssimo segundo lugar. Já em Spielberg, o alemão largou em terceiro e superou os pilotos da Williams para subir no primeiro lugar do pódio. Hamilton largou em nono, mas minimizou o prejuízo com um segundo lugar.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

Rosberg celebra vitória na Áustria.

A liderança do campeonato já havia sido retomada depois de vencer o GP de Mônaco. O fim de semana em Monte Carlo foi marcado pela polêmica do treino classificatório em que Rosberg causou uma bandeira amarela e Hamilton ficou impedido de dar sua volta rápida. Apesar de não ter recebido qualquer punição, Lewis disse que só queria uma luta justa, dando a entender que seu companheiro havia causado o incidente de propósito.

O clima na escuderia não ficou dos melhores, mas a equipe logo tentou mostrar ao público que havia aparado as arestas entre os dois pilotos. Todavia, apesar da bandeira branca ter sido hasteada pela Mercedes, a guerra está mais do que aberta. Nico Rosberg afirmou publicamente, após a corrida do Canadá, que possui a vantagem psicológica sobre o inglês:

Foi muito importante chegar ao final da corrida, pois o psicológico é uma grande parte do esporte. Se você tem estes resultados a seu favor, como eu tenho agora, isso lhe dá um extra, um pouco de vantagem, então já é uma ajuda.

A reação virá?

A reação virá?

Lewis, que já havia sofrido um abandono na primeira etapa, se vê novamente em situação delicada, mas está confiante de que pode recuperar os pontos perdidos e disse que aprenderia depois dos erros, principalmente o cometido na qualificação da austríaca:

Há muita coisa positiva para se levar em conta. Eu tinha um bom ritmo e não tirei proveito disso. Irei para a próxima corrida e me certificarei de fazê-lo. Estou sempre aprendendo a lição, mas é bom lembrar dos pontos que eu perdi por não terminar a corrida. Estou 29 pontos atrás. Não terminei a quantidade de corridas que eu gostaria e há um longo caminho a ser percorrido.”

Está claro! Nesse duelo, quem tiver maior força mental será o vencedor, desde que não haja interferência da equipe. A preferência da Mercedes é por Lewis Hamilton (recebe praticamente o dobro do salário de Rosberg) e parece que não estão fazendo questão de escondê-la.

Niki Lauda vem frequentemente dando declarações de que o inglês se recuperará e que não está sofrendo qualquer tipo de pressão, mesmo após o erro inesperado cometido em Spielberg:

Essas coisas acontecem. Não há nada de errado nisso. Não preciso monitorá-lo em nada. Eu o conheço por muito tempo e sua mente está completamente perfeita. Ele está extremamente motivado e isso é tudo. Não se preocupem com isto. Ele cometeu um erro na classificação, mas se recuperou na corrida

E novamente Hamilton terá de fazer uma corrida de recuperação. Com as condições climáticas imprevisíveis da classificação de Silverstone, o inglês resolveu, equivocadamente, abortar sua última volta rápida. Rosberg foi até o final e a pista melhorou. Resultado? O alemão largará em primeiro. Lewis, que era o favorito para a pole, sairá apenas da sexta posição. E não adianta negar, a pressão sobre ele está aumentando a cada etapa.

Apesar do talento inquestionável e sua velocidade impressionante, Hamilton já demonstrou em temporadas anteriores que o psicológico não é seu ponto forte. Se em 2007, ano de sua estreia, todos ficaram surpresos com seu alto rendimento, o campeonato escapou de sua mão após perder várias posições na largada por ter colocado o carro em neutro sem ter percebido.

O título em 2008, sem desmerecer sua conquista, veio por conta da incompetência da equipe Ferrari e de alguns erros cruciais cometidos por Felipe Massa. Em 2010, Lewis tinha um carro capaz de vencer, mas os memoráveis erros cometidos em Monza e Cingapura fizeram com que ele chegasse à última etapa com uma mínima chance matemática, deixando a briga final apenas entre Alonso e Vettel.

Um dos erros de 2010.

Um dos erros de 2010.

Por sua vez, embora não seja tão talentoso quanto o seu rival, Rosberg tem se mostrado mais constante. Sua dedicação e trabalho intenso vêm dando nas pistas o resultado, ao menos por ele, esperado. É a primeira vez que o alemão – que acabou de completar 29 anos e estreou na Fórmula 1 em 2006 – tem a chance de andar em um carro capaz de lhe proporcionar um título e ele não está disposto a desperdiçá-la.

O campeonato está praticamente na metade e ainda há tempo para Hamilton recuperar-se, até mesmo porque se acredita que em algum momento Rosberg também não terminará uma corrida, embora confiar nisso não seja das melhores estratégias.

A perda da pole position em Silverstone para seu companheiro de equipe, diante da torcida inglesa foi outro golpe duríssimo. Resta saber se Hamilton terá força o suficiente para buscar seu segundo título. Superar Nico Rosberg não será tarefa das mais fáceis.

Como ele afirmou, há um longo caminho a ser percorrido.

05/07/14.

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