Mercedes afirma que não usará ordens de equipe.

O GP do Bahrein, corrida de nº 900 da categoria, foi um golpe duro naqueles que, apesar de se tratar apenas da terceira etapa da temporada, criticavam ferozmente a nova Fórmula 1. Após duas corridas sem muita emoção, a prova de Sahkir foi marcada por muitas disputas, inclusive entre pilotos da mesma equipe, e belas ultrapassagens.

Logo no início, Felipe Massa fez uma grande largada, enquanto Hamilton tomou a ponta de Rosberg. Raikkonen mais uma vez deixou a desejar e, apesar de ter largado na frente de Alonso pela primeira vez na temporada, quando abriu os olhos, já se encontrava atrás do espanhol. Quem conseguiu um bom resultado foi Sergio Perez, terceiro colocado. Depois de uma temporada pífia pela McLaren em 2013 e quase ter ficado sem equipe para esse ano, o mexicano admitiu que, por um momento, pensou em abandonar a categoria.

Mais uma vez, a disputa pelas primeiras posições se restringiu aos pilotos da Mercedes. Após três etapas, Nico Rosberg lidera o campeonato com 61 pontos, seguido de seu companheiro Lewis Hamilton com 50, enquanto que o terceiro, Niko Hulkenberg, soma apenas 28. No campeonato de construtores, larga vantagem para a equipe alemã. São 111 pontos contra míseros 44 da segunda colocada Force India, que também corre com motor Mercedes.

No Bahrein vimos a batalha intensa, ao menos por algumas voltas, entre os pilotos da equipe Mercedes. Rosberg, que estava com pneus mais macios, iniciou uma série de ataques a Hamilton. O inglês resistiu de forma brilhante. Há quem diga que foi a melhor apresentação de sua carreira. Apesar da disputa intensa, e tenham negado veementemente, houve uma clara ordem de equipe. Há dez voltas do final, Paddy Lowe, co-chefe de equipe, fez questão de se identificar dizendo a seus pilotos: “Make sure we bring both cars home” (tragam os dois carros pra casa).

Questionado se seus pilotos haviam desobedecido sua ordem, Lowe afirmou que não, pois eles estavam livres para correr e que a ordem não era pra manterem a posição, mas para darem espaço um ao outro, durante a disputa. Niki Lauda, contradizendo tal afirmação, riu e disse que Rosberg e Hamilton não lhe deram ouvidos.

Com o claro domínio da Mercedes, em tese, não há motivos para se impor ordens aos pilotos. Paddy Lowe disse que o time sentiu ser seu dever deixa-los correr sem interferência:

“Imaginem se nós impuséssemos ordens a partir da segunda volta ou algo do tipo. Que coisa terrível seria para F1 e para filosofia da Mercedes no automobilismo. É algo que devemos a nós mesmos e ao esporte. E aos pilotos. Eles são grandes pilotos. São profissionais. Você quer dá-los a oportunidade correr.”

O metafórico Lewis Hamilton, vencedor da corrida, se mostrou satisfeito:

Ambos estávamos no fio da navalha. Quando se está no fio da navalha o risco aumenta. Nós estávamos no limite. E talvez, da próxima vez, nós recuaremos um pouco. Mas hoje eu não estava diminuindo nada. Ele estava fazendo 100, então eu tinha de ir 100. Eu não posso ser 95 e ele 100. Mas acho que ele dirigiu fantasticamente bem. Ele foi limpo e acredito que eu também. Foi por pouco, mas acho que não arruinamos nossas corridas. A equipe depositou sua confiança em nós, o que é ótimo”

Ainda que queira passar outra imagem, a Mercedes tem, sim, seu piloto favorito. E ele é Lewis Hamilton. O salário anual do inglês chega aos 65 milhões de reais. Já Nico Rosberg ganha 35,7 milhões, pouco mais da metade. Estamos no início da temporada. Como dito acima, em tese, não há motivos para impor ordens, ainda mais quando a disputa pela vitória está se resumindo a seus pilotos. Todavia, algumas atitudes da equipe são, no mínimo, questionáveis.

Durante a prova do Bahrein, na vigésima volta, o alemão estava melhor e já pressionava Lewis. O inglês foi chamado aos boxes. Rosberg deveria ter sido chamado na volta seguinte, porém lhe foi pedido para permanecer mais duas voltas na pista. Ao sair do seu pit-stop, Hamilton cumpriu seu papel e deu voltas rápidas com os pneus novos, aumentando a vantagem para seu companheiro. Óbvio que a equipe sabia que isso iria acontecer!

Rosberg e Hamilton. Do Kart à F1.

Rosberg e Hamilton. Do Kart à F1.

Nas voltas finais, com a entrada do Safety Car, Hamilton perdeu a vantagem que tinha. Foi quando Rosberg iniciou o ataque. De repente veio uma ordem e não foi dada por seus engenheiros. O chefe da equipe fez questão de identificar dizendo aqui é Paddy Lowe, certifiquem-se de trazer os carros pra casa.

Havia realmente necessidade de tal aviso? Creio que não. Embora não saibamos todos os códigos e acordos internos – a exemplo do Multi 21 da RBR ano passado – Rosberg parecia ter um carro superior, por conta dos pneus mais macios. Houve tentativas de ultrapassagem, mas Rosberg, “inexplicavelmente”, não conseguia se manter à frente.

Não sou adepto a teorias conspiratórias, mas não só a F1 precisa de show. A Mercedes também. Antes dessa corrida, Bernie Ecclestone e Luca di Montezemolo criticaram duramente o novo formato da categoria, pois, até então, as duas primeiras etapas foram monótonas.

A Mercedes lidera com larga vantagem. Qualquer mudança durante a temporada dificilmente beneficiaria a equipe alemã. Portanto, diferentemente do que Paddy Lowe falou, é possível sim, a exemplo do que acontecia na McLaren na época de Hakkinen e Coulthard, que haja um acordo interno no sentido de que o piloto que estiver liderando em tal volta permanecerá na frente. Deem show, mas obedeçam o acordo.

Prefiro acreditar que Hamilton permaneceu na frente por conta de seu grande talento e que Rosberg preferiu desistir da ultrapassagem pensando no campeonato. Mas é bom lembrar: na Fórmula 1 tudo é possível.

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4 comentários

  1. Indiscutivel que a corrida do Bahrein foi a melhor dos ultimos tempos, não so pelas ultrapassagens, mas tb pelas disputas entre pilotos da mesma equipe sem aparentemente quererem seguir as ordens das equipes em apenas “levarem os carros pra casa”, proporcionando o espetaculo que todos nós telespectadores ha tempos esperavamos.
    Resta saber se essa “nova” tendencia sera vista no restante da temporada!

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